Sangue de Arthur II

7 7- Capítulo, Ruidosos Vira-latas


Notas iniciais
Mais um capítulo! Será que alguém vai ler mesmo depois de eu não divulgar? Ainda não descobri porque fui expulso do grupo do Nyah no face... Aproveite o capítulo!

Romanel, Elisa

Quando a cavaleira parou subitamente após lançar o Berserker no fundo do lago, o oxigênio quase tinha chegado a sumir no seu sangue. Nenhuma magia, nenhum dos seus itens encantados e nada do que aprendera com livros a salvaria.

Então isto é um adeus, pensara tentando reunir o resto de suas forças para levantar e encarar o resultado com dignidade. Mas seu corpo não compartilhava dessa intenção.

— Não vai correr? — a garota tinha propensão a questionar. Cali, o cálice, uma menina fadada a morrer por outros e cheia de falta de tato para emoções alheias. Tinha pouco mais de um metro e cheirava a neve fria.

— Acha que serviria? — fez a pergunta e logo não precisava de resposta para outra. A pergunta sobre sua vida. — Sei que não. Sei que mereço o carrasco, não o quero no fim das contas, mas é isso. Não posso fugir, e se conseguisse, o que faria? — tocou a testa da garota albina com o indicador. — Minha vida tinha tornado-se conseguir esse milagre. Não fazê-lo significa que não há mais significado em viver.

A boca do pequeno cálice permaneceu quieta por alguns segundos. Provavelmente procurando algo para questionar. Então as íris carmim viraram-se para a morte

Que por coincidência também é uma garotinha. Um pouco maior, admito, mas ainda uma garotinha.

— Não acha que tá demorando demais?

Aquilo a fez se sentir banhada por frio quando a brisa tocou-lhe. Percebeu a mente ficar branca. O coração acelerou duas passadas.

Enquanto movia a face vagarosamente na direção da cavaleira em sua armadura branca, estava mais silenciosa do que lembrava de algum dia ter crido ser possível. E ao vê-la ainda parada sua mente foi tomada por uma única estúpida afirmação.

— Ela está.

A cabeça de Elisa pendeu inerte. Vazia de todo pensar e da possibilidade de fazê-lo. E despencou. Sua face caiu fora do limite do pano. Sangue jazia escorrendo de ambos os orifícios que a bala abrira na entrada e saída.

Grama e cabelo beberam carmim.

Kirei, Kotomine

Não fora difícil fazê-la entrar na câmara que secretamente construíra com ajuda da Caster. Algumas palavras sobre redoma de realidade, um apressar e uma tensão no tom de voz.

Ela até mesmo esqueceu que não disse nada sobre ajudar a garota Saber.

Após adentrar na sala de paredes negras com teto e piso rabiscados por linhas de encatamentos, o rei Arthur pareceu notar a armadilha. E então o combate. Ainda tinha uma das facas do padre e atacou antes de os deixar perceber que entendera sua intenção, embora se ela realmente não sabe o que devia saber, não possivelmente poderia enxergar razão para uma traição. Kirei ainda questionava-se se não fora mera intuição.

— Contida como está não nos será um problema. E então? — Emiya pressionou o padre. — Sentamos e esperamos Caster trazer o cálice? Supondo que o seu estratagema funcione, o que impede ela de nos trair?

Nada, quis dizer, tal qual o que impede vocês. Mas conteve o ímpeto e virou-se para Medusa.

— Vá e cheque a situação, aquela bruxa pode acabar cometendo algum deslize.

Os olhos dela estavam cobertos por um lenço de couro rosa enfeitado com duas placas de prata ao centro e linhas escuras finas dando forma a hexágonos na superfície.

Não parecia possuir espaço por onde enxergar sob aquilo, mas ergueu a face na direção dele e assentiu antes de deixar o lugar.

— Um feitiço de desnorteamento. Outro de cancelamento e então o disparo de uma bala anti-magia, não parece grande coisa e soa a trabalho demais. Ainda assim tem uma pontada de incerteza quanto à eficácia. — Emiya se fez ouvir. — Por que?

Kirei abriu as mãos e deu de ombros.

— Medea só foi capaz de achá-la hoje e de vê-la enquanto observava a breve luta entre a Saber e o Berserker outra dia. Um mago capaz de tão boa furtividade não merece menos que isso.

O cálice, Einzbern

Ela morreu.

Esticou-se até o corpo caído e pôs os dedos em seu pulso. Ouvira um dos mercenários mencionar que se deve checá-lo para confirmar a morte de alguém.

Mas não soube o que procurar. Calor? Umidade? Consistência?

Não basta o buraco aberto na cabeça? Estou muito certa de sua morte.

Abaixo do aclive, na estrada ao lado do rio, o servo Saber mantinha-se parado. Também morreu?

Pegou um sanduíche na cesta e desceu devagar. Um passo em falso e estaria rolando descontroladamente com grama na boca. Mesmo na longínqua Rússia sabe-se que a grama não tem bom gosto.

Mas uma mão pousou sobre seu ombro, segurando-a com vigor o bastante para fazê-la parar. Sentiu um pouco de eletricidade percorrer a espinha.

Então eu precisava mesmo checar o pulso?!

— Você vem comigo criança. — aquela não era a voz de Elisa, então não sobreviveu ao tiro. Como esperado de um ferimento daquela gravidade. — Algo contra?

Balançou a cabeça da esquerda para direita. Não seria a primeira vez que trocava de mãos, só a mais rápida.

Apontou para a cavaleira com o indicador.

— Se vai usar o cálice faça um contrato com a Saber ou o outro no fundo do lago.

— Sim, tem razão. — sentiu o toque dela desaparecer do seu ombro.

E ao olhar para trás não viu ninguém.

Os mercenários também haviam falado sobre os youkais japoneses. Fantasmas dos mortos que atormentam os vivos. A garota mordeu o sanduíche e tornou a descer.

Não achava que um fantasma pudesse usar o graal a menos que fosse um espírito heroico com um mestre. E ela não emanava aura de um, sendo assim não tendo motivo para perturbá-la.

Quando alcançou a cavaleira outra pessoa já o havia feito. Uma mulher envolta em trajes roxos e lilás. Reconheceu a voz que lhe abordara a pouco e imaginou que o fantasma pudesse não saber sobre os requisitos.

— Youkai, o que está fazendo? Fantasmas como você não podem firmar contratos com servos.

Saber tomou distância da aparição ao ouvir aquelas palavras, um esgar desconfiado assumiu seu rosto enquanto erguia a lâmina. Não gosta de fantasmas.

— Então na verdade você era um desses Youkais esse tempo todo? Aquelas ilusões foram coisa sua?! — a espada da cavaleira começou a brilhar em carmim sob as palavras que soltava em tom pesado e tenso.

A garota Einzbern mordeu o sanduíche sem tirar os olhos da cena. Me pergunto se o fantasma vai morrer se for morto…

— Não! Eu sou uma maga, uma feiticeira! Medea, participei da última batalha pelo graal! Conheço a Arthuria, o rei Arthur!- soltou as palavras enquanto gesticulava sinais de pare e calma com as mãos.

— Fantasmas são famosos por mentir e enganar suas vítimas. — lembrou Cali.

— Não estou mentindo! — gritou para a menina antes de voltar sua atenção a Saber novamente. — Eu te ajudei a achar seu inimigo, por quê haveria um fantasma de fazer tal coisa?

Saber encontrava-se sem o capacete e suas íris verdes fitaram as carmim da Einzbern.

— Culpada. — sentenciou para a cavaleira que assentiu.

— Espera! Como assim culpada?! Eu te ajudei! Até tirei o veneno do seu corpo! Te tirei da alucinação!

— Você morre aqui. — declarou o servo brandindo a espada.

Mas ao invés de avançar ela voltou a retroceder e menos de um instante depois um clarão branco atingiu o espaço entre a cavaleira e a aparição.

Um cavalo albino e alado tomou forma. Era tripulado por uma mulher usando um negro vestido curto e um visor rosa sobre os olhos. Reconheceu o animal e apenas pôde tentar supor quem o pilotava.

Não são servos, mas ainda assim… o que mais poderiam ser?

— Sou Medusa e estou aqui para perguntar. — ela girou o cavalo até o fantasma antes de continuar. — Tudo indo bem por aqui?

— Elas pensam que sou um fantasma. — respondeu quase não mantendo o timbre regular.

— Talvez deva tirar o capuz…- disse e quando ela o fez continuou. — e pegar um pouco de sol.

— Acha?

— Ei, do cavalo, essa senhora de roxo é mesmo uma dos servos que lutaram na última batalha pelo graal? — perguntou a cavaleira.

Medusa fez a montaria rodar novamente e o rabo acertou a face do Youkai.

— Sim.

Pendragon, Mordred

Meu pai me odeia.

— Então é isso. — mordred respondeu tentando acompanhar a conversa. — Vocês se intrometeram na minha luta, posso perdoá-las por isso. Mas nunca mais ousem insinuar essa proposta. Eu mato vocês.

Meu pai não me perdoaria.

— Está em terrível desvantagem. Se os sete servos da última guerra estão juntos mesmo e vivos, um servo com um mestre acamado não tem qualquer esperança. — a garota de olhos carmim se intrometeu. — Na verdade seria muito melhor para você que para eles. Não é a última de pé, então podem matá-la e fazer um pacto com o Berserker que soa muito menos dado a expressar qualquer opinião.

Meu pai não me abraçaria e diria ´´está tudo bem``, ela puxaria sua espada.

— Medea, é verdade? — a mulher que viera no pégaso questionou a bruxa.

Meu pai realmente prefere sua nova família tal qual preferia os outros membros da távola redonda.

— Sim, mas aquela coisa… — ela fez um som de desagrado e continuou. — Não é um servo comum. Há diferentes coisas ali, nenhuma suficientemente boa.

Se eu matasse Emiya Shirou… aquele pesadelo…

— Entendo. Saber, pretende mesmo manter-se contra nós? Medea é uma grande conhecedora de magia e provavelmente capaz de curar o seu mestre se ainda estiver vivo.

Ia me devorar.

— Pode fazer isso? — Mordred falou, subitamente desperta dos seus devaneios, encarando a mulher de vestido roxo. — Se puder salvá-lo…

Tatsuo Koji tinha um desejo que só um milagre poderia dá-lo. Lembrou-lhe algo dentro de si. Uma coisa que lhe era importante o bastante para engolir sua covardia e encarar a guerra do santo graal.

Um prêmio que fizera-o levantar do bueiro em que vivia e trabalhar.

Os lábios da cavaleira comprimiram-se um no outro. Apertando-se enquanto decidia como responder ao desejo pelo qual uma pessoa que era-lhe importante abdicou tanta coisa.

A vida, o medo e… não sei, no fundo ele pouco se fez conhecer. O que sei é o que vi e não pude ver mais que o que não fora capaz de esconder.

— Eu posso. O nível divino a qual foi exposto era dezenas de vezes menor que o real. Contanto que não demore demais e ele não tenha atravessado para o mundo dos mortos, sua vida não está longe de minhas capacidades.

Medusa sorriu. Estavam todas sentadas na grama recebendo a brisa do rio. O cavalo alado pastava e o único som vinha dele, do vento e de suas vozes.

— Agora é com você. Tem a vida numa mão e a morte na outra, qual irá manter sobre sua palma?

Mordred ainda não tinha uma resposta. Mesmo olhando para a água calma e azul, ela não conseguiu chegar a um desfecho que pudesse satisfazê-la.

Morte ou vida.

Se ao menos fosse simples assim.

— Fa… — ele morreu. Soube imediatamente. — Acabou…

Se levantou num impulso veloz. Precisava do cálice. Não havia mais outro caminho.

E essas pessoas são meus inimigos.

Girou com Clarent na mão, materializando a arma pouco antes do arco terminar e a tempo da lámina decapitar a bruxa. Sangue esguichou melando-a, quente, escuro.

A outra ergueu-se num pulo com a mão correndo ao visor. Mordred investiu sobre ela e sua espada perfurou mão e crânio numa única estocada.

— Ainda deve ter mais cinco, não teria sido melhor se aliar? — a menina não pareceu surpresa com a súbita carnificina.

Mordred escutou passos se aproximando pela estrada acima. Pegou a garota e a pôs nas costas antes de começar a correr.

— Você é o cálice, né?

— É. Você é aquele sétimo servo invocado por um idiota aleatório, né?

A cavaleira demorou-se numa passada, cogitando se deveria dar um cascudo na pirralha ou não.

Preferiu ignorar.

Antigo rei de Uruk, Gilgamesh

— Então aqueles vira-latas fizeram mesmo. — disse fitando a figura escura no meio da rua. — Os matou por latir tão ruidosamente em seus ouvidos?

Sem resposta. Mas podia sentir o cheiro de sangue e farejar a mana densa e escura.

Ela pegou-os de volta.

— Você é diferente, como? — perguntou para Gilgamesh numa voz que era a encarnação do inverno.

O corpo do rei dos heróis foi atravessado por um arrepio. Mas não moveu um dedo em resposta a isso. Manteve o tom casual.

— Como se eu pudesse ser posto no mesmo barco que um punhado de plebeus. Deveria ter-lhe sido óbvio desde o primeiro instante em que essa estúpida ideia passou por sua cabeça. — sorriu. — Você jamais estaria acima de mim.

— São suas últimas palavras?

Abriu o portal da babilônia o suficiente para ocupar o espaço de uma casa a outra, de uma extremidade da rua a outra.

— Esta é minha fala.

O graal de Uruk, algo que estivera perdido na antiga mesopotâmia não via-se junto a seus outros tesouros. Tivera de ir até lá para poder pegá-lo.

Ele era suficientemente bom para competir com o santo graal. Suficientemente bom para que se libertasse.

Consegui-lo levou-lhe os primeiros anos após a guerra onde fora derrotado.

Notas finais
Mais um final que promete! Me pergunto qual será o desenrolar do confronto entre o rei da Bretanha e o rei dos heróis. Obrigado por ler e volte sempre!