Sangue acoplado
17 Capítulo 17 - Parte da verdade
Notas iniciais
Como prometido, aí está mais um capítulo *-* Espero que gostem e boa leitura.
- O que você quer aqui? — falei sendo grossa.
- Nada, vim ver como você está. — ela disse ainda sorrindo.
- Qual é o seu problema? — eu perguntei estranhando tanta felicidade.
- Por que a pergunta querida? — ela disse mexendo em minhas coisas no quarto novamente, como da primeira vez.
- Você muda de humor de uma hora para a outra, não duvido que daqui a pouco esse sorrisinho saia do seu rosto e você me machuque novamente. Então eu só quero que você me diga, o que você quer comigo?
- Você não sabe realmente porquê estou atrás de você né?
- Eu deveria saber? — perguntei com um tom irônico na voz.
- Nós não podemos abandonar nossas crias. — Cate falou agora sem seu sorriso, mas com um aparência preocupada, que eu não tinha percebido antes.
- Como assim? — perguntei ainda um pouco confusa.
- Nós sempre vamos ter uma ligação, Cassie. Não importa o quanto você queira negar, eu criei você, eu a transformei. — ela disse.
Suas palavras foram um choque para mim, não esperava por isso, não ela. Eu sabia que eu havia sido transformada por um vampiro, mas não pensei em hipótese alguma que fosse por ela. Aliás, porque ela havia feito isso comigo? Eu era apenas uma menina normal e no fundo eu ainda queria ser aquela menina normal, mesmo tendo vivido várias coisas incríveis nesse tempo. Eu só queria voltar a ser aquela garotinha que meus pais se orgulhavam de chamar de "filha", eu queria ser aquela garota que ria de tudo e sempre via o lado bom das coisas, eu queria que isso tudo que eu estava passando fosse apenas um pesadelo. Mas infelizmente por mais que eu tentasse acordar eu estava ali, aquilo era real, como nunca foi antes.
Nem havia me dado conta mas meus olhos estavam encharcados de lágrimas que saiam naturalmente. Cate me olhava com um pouco de pena no olhar, eu estava sentada na cama colocando minha mão sobre a boca para parar um pouco o barulho do meu choro. Ela se aproximou de mim e encostou em meu ombro para me acalmar, mas eu estava com tanta raiva dela que peguei sobre sua mão e a empurrei com tudo para a parede, fazendo um barulho muito alto. Agora Cate estava no chão, pois logo que ela colidiu com a parede ela caiu, ela me olhava confusa.
- Por que você fez isso comigo? — eu gritava o mas alto possível, ainda chorando.
- Porque você é unica. — ela disse se levantando.
- Sai da minha casa agora, eu não quero mais ouvir falar de você, eu não quero mais ver você, eu quero que você suma da minha frente. — eu disse apontando para a porta do meu quarto para ela se retirar.
- Você não sabe o que está dizendo... Você acha mesmo que você ficará livre de mim? Se eu te transformei foi porquê eu tinha um motivo para isso, e você não viverá longe de mim, sabe porquê, Cassie? — ela interrogou agora voltando com seu sorriso sínico. E eu apenas a ignorei.- Porque nós sempre precisaremos de uma a outra para seguir em frente. — ela disse e pulou pela sacada correndo e desaparecendo.
- O que aconteceu aqui? — minha mãe disse entrando no meu quarto desesperada.
- Como? — eu disse secando minhas lágrimas.
- Que barulho foi esse? — meu pai disse, ele estava atrás da minha mãe que estava parada na porta me olhando.
No mesmo instante que ele falou isso eu lembrei que o barulho de Cate sendo tacada pela parede havia sido muito forte e alto, e provavelmente eles ouviram.
- Nada, a mesinha havia caído. — eu disse apontando para a mesa do lado da minha cama.
- Mas por que você está chorando minha filha? — minha mãe disse se aproximando de mim, e ambas sentamos no final da cama.
- Nada mãe. — eu disse e mais lágrimas escorreram de meus olhos. — É que, tudo está diferente sabe? Desde aquele acidente as coisas mudaram, as pessoas não me vêem como antes, nem eu mesma me vejo, e o pior de tudo que vocês também não. — eu disse e meu pai sentou-se ao meu lado e falou:
- Você sempre será aquela nossa garotinha, que brigava pelo maior pedaço de pizza, que falava "plato" ao invés de "prato", você sempre será uma menininha para nós, isso nunca ira mudar. — ele disse olhando em meus olhos, e logo um sorriso de canto apareceu em meu rosto.
- Sempre. — minha mãe disse, agora me abraçando.
- Mas você ainda está de castigo, mocinha. — meu pai disse saindo pela porta.
- Com certeza. — eu disse.
- Agora que estamos sozinhas, você vai me explicar o que acabou de me dizer. — minha mãe disse.
- Como assim? — eu disse levantando-me da cama e ficando de frente para ela.
- O que está diferente? — ela disse levantando-se também.
- O modo das pessoas falarem comigo, de agirem comigo, eles sempre lembram que sou a menina do acidente, aquela que sobreviveu e ninguém sabe como. — eu disse me enrolando um pouco nas palavras.
- Filha, me diga com toda a sinceridade, e não minta para mim é só isso que eu lhe peço... — minha mãe disse séria.
- Claro, mãe, diga-me. — eu disse concordando.
- Você realmente não se lembra do que aconteceu no dia do acidente? — ela me perguntou e eu paralisei, ela poderia saber de alguma coisa ou era apenas paranoia minha?
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