Sangue Winchester
1 Isabel
1995
John parou o carro em frente à escola, apesar dos protestos revoltados do pequeno Sam, que não suportava mais aquela constrangedora situação de ser sempre o aluno novato. Dean, o irmão mais velho, saiu do carro arrastando Sammy até uma das mesas do pátio.
– Você não é mais criança pra fazer esse tipo de coisas – Reclamou Dean com o outro e recebeu em resposta um olhar raivoso e um chute na canela.
Indiferente à pequena briga que se formava entre os garotos, o Impala preto foi se afastando vagarosamente até desaparecer no final da rua. Vendo que o pai havia ido embora, o caçula cruzou os braços em contrariedade levou um cascudo do irmão antes que este caminhasse em direção às portas da escola sob o alarme de início das aulas.
O negócio da família Winchester os havia levado até aquela cidade no sul do Oregon em uma caçada a o que parecia ser um grupo de espíritos vingativos.
Dean, sem mochila e sem preocupações, se jogou em uma das carteiras do fundo da sala de aula. Ele respeitaria o desejo do pai de que ambos os filhos terminassem o colégio, mas não possuía qualquer outra pretensão acadêmica e não via necessidade de se esforçar em uma escola na qual ele não chegaria a passar nem duas semanas. O jeito despreocupado do aluno novo chamou a atenção de Isabel, uma garota de olhos e cabelos castanho escuro que faziam contraste com a sua pele clara, o que dava ao seu rosto um ilusório tom angelical. Ela ajeitou o uniforme de líder de torcida e lançou um sorriso cheio de segundas intenções para o Winchester, que retribuiu prontamente.
Dean não tinha a menor vontade de entrar em um relacionamento, mas já que por enquanto teria que ficar naquela cidade esquecida por Deus, ele se via no direito de se divertir um pouco.
Duas semanas e alguns dias depois, John Winchester parou o Impala no estacionamento do Motel no qual Sam e Dean estavam hospedados, o caçula se sentou no banco de trás com a mesma cara amarrada do dia que chegara, enquanto o mais velho colocava a bagagem no porta-malas e o pai se dirigia ao estabelecimento para pagar a estadia.
Isabel surgiu na esquina aos prantos, cabelos revoltos e trajes desleixados, nem sombra da garota de antes e Dean tomou um susto quando a viu, quase deixando que o porta-malas prendesse alguns de seus dedos.
– A onde você vai? – Questionou a garota com raiva e posse escorrendo no seu tom de voz.
– Eu avisei que não ia ficar por muito tempo – Respondeu o rapaz tentando abrir um sorriso divertido que não a contagiou.
– Mas, e quanto a nós? – Ela soluçou passando a mão nervosamente sobre os cabelos deixando mais à mostra seu rosto vermelho e inchado.
– Bem – Ele começou em tom brincalhão se sentindo bastante incomodado com a reação exagerada da garota – Acho que só posso dizer que não existe mais nós.
Dean mandou-a uma piscadela malandra antes de entrar no carro e não muito depois John retornou ao veículo, dando partida e desaparecendo com os filhos no fim da estrada.
Isabel se sentia mais irritada e assustada que em qualquer momento de sua vida, se sentou no meio-fio chorando descontroladamente e ainda ouvindo os gritos de sua mãe a chamando de vadia e irresponsável. Ela pôs a mão tremula e gelada sobre a barriga ainda lisa, e tomada pela raiva se deu um soco soltando um urro de raiva e de dor. Ao mesmo tempo, um grupo de garotas do colégio onde ela estudava passou pela rua, elas eram de um mundo completamente diferente do de Isabel, garotas que por muitas vezes foram taxadas de estranhas e até de bruxas, mas naquele momento de desespero, foram elas que a acolheram.
Nove meses se passaram, meses que foram nutridos pelo ódio que Isabel sentia de si mesma e da criança que carregava. À essa altura, ela tinha sido expulsa de casa, largado a escola e ingressado na magia negra com suas novas amigas. Em sua mente confusa, considerava tudo de ruim que acontecera em sua vida culpa da criança que trazia em seu ventre, por isso decidiu dar a esse bebê o pior castigo que pôde encontrar, uma maldição apelidada de 4. Em resumo, para uma criança marcada com essa maldição, a cada quatro anos de sua vida acontece uma tragédia, até que complete 16 anos, nesse ano ela deverá deixar este mundo.
Por mais cruel que isso possa parecer a qualquer pessoa, Isabel não pensava dessa forma, achava que era a coisa certa a ser feita.
Após o ritual, era possível ver em pleno cemitério, o corpo sem vida da jovem cujo sangue fora jorrado de suas veias para uma grande bacia de cobre que agora abrigava a pequena criatura chorosa que tinha marcado em sua testa o número 4 desenhado no sangue de sua própria mãe, que também era o que a envolvia. As jovens bruxas pretendiam largar a criança em qualquer lugar, quando um vento muito forte as deixou sem ação e uma luz incandescente as segou. Ao recuperarem os sentidos, com o sol vermelho nascendo no horizonte, nenhuma daquelas jovens se lembrava do que tinham ido fazer naquele lugar, e ao perceberem o cadáver da garota jogado no chão, elas saíram correndo e gritando de medo.
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