Sangue Winchester
10 De caça a caçadora
Notas iniciais
Sam ainda dormia quando o celular que estava em cima da mesa começou a tocar, ele foi acordando de vagar e se arrastou para pegar o aparelho, mas Dean foi mais rápido:
Dean: — Alô.
Natale: — Dean, diz que vocês estão livres.
Dean: — Não entendi.
Natale: — O Bobby me trousse em uma caçada que parecia fácil, mas agora não tá tão fácil.
Dean: — Natale eu não tô entendendo, passa pro Bobby.
Natale: — Não posso, ele está no telhado.
Dean: — E o que ele está fazendo no telhado?
Sam estava de pé ao lado do irmão tentando entender o que estava acontecendo enquanto Natale passava o endereço de onde estava e repetia mil vezes “venham rápido”.
A viagem não durou mais que duas horas, mas os Winchesters estavam tão confusos que parecia não chegarem nunca, quando pararam no estacionamento do Motel viram Natale sentada na calçada:
- O que aconteceu? – Perguntou Sam correndo em direção a ela.
- Todos acham que o Bobby foi vítima de um vírus estranho e por isso levaram ele a força pro hospital, e quando o responsável foi em bora eu fui expulsa do quarto.
- Quando nós falamos pelo telefone, você mencionou caçada – Dean estava nervoso – O que aconteceu?
- Tava acontecendo algumas coisas estranhas no hospital daqui e o Bobby ia investigar, mas eu insisti em vir junto. Todo o mundo estava pensando que era uma epidemia, mas a gente descobriu que isso acontece a cada vinte anos. Depois que eu dormi, o Bobby voltou ao hospital e foi atacado por uma sombra estranha, ele se machucou e a coisa sumiu. Hoje ele estava no telhado falando “luz” que é uma das coisas que as pessoas estão fazendo, mas se não dermos um jeito nessa coisa logo, ele vai morrer até o fim do dia.
- Calma – Disse Sam para a garota – Você tá falando atropelado, mas deu pra entender.
- Entra no carro – Mandou Dean – vamos ver o Bobby.
Eles chegaram ao hospital e Dean correu para o balcão de informações. Quando eles estavam sendo levados até Bobby, o enfermeiro com quem Natale tinha falado no dia anterior passou por eles e parou a garota dizendo:
- Você. Como está o seu irmão?
Sam fez sinal para Dean continuar andando que depois eles o alcançariam:
- Meu irmão está muito melhor. Obrigada – Respondeu a garota sem jeito.
- É esse aí? – Ele estava falando de Sam.
- É – Natale improvisou – Ele mesmo.
O enfermeiro se virou para Sam e disse:
- Você tem sorte de ter uma irmãzinha que cuida tanto de você.
- Tenho mesmo, muita sorte – Concordou Sam.
O homem foi em bora e Sam começou a rir:
- O que acabou de acontecer? – Sam perguntou se recompondo.
- Longa história – Ela respondeu – Depois eu conto.
Eles foram atrás de Dean que estava no quarto aonde internaram o Bobby, e quando entraram Dean perguntou:
- Você descobriu mais alguma coisa Natale?
Ela fez que não com a cabeça. Eles ficaram um momento em silêncio e quando viu que já passava do meio dia, Sam sugeriu a Dean:
- Leva a Natale pra comer alguma coisa que eu fico aqui com o Bobby.
Dean ia recusar, mas viu que o Sam não tinha dito aquilo por ele, e sim por Natale que tinha paralisado ao ver Bobby amarrado na maca:
- Você come que nem passarinho. – Disse Dean ao ver que a garota mal tocava na comida.
- Eu tô sem fome. – Ela respondeu de cabeça baixa.
Eles ficaram um instante em silêncio e Dean percebeu que o motivo de ela estar de cabeça baixa era alguma coisa em baixo da mesa:
- O que você esta fazendo? – Ele perguntou.
Natale mostrou o Ipod e disse:
- Encontrei uma coisa. Há 80 anos, ouve um terremoto na cidade que derrubou vários prédios, inclusive o hospital, todas as pessoas que estavam dentro morreram e o novo hospital foi erguido sobre os destroços do antigo.
- Acha que tem alguma coisa a ver?- Perguntou Dean.
- A cada vinte anos dês de então essas coisas acontecem – Respondeu a garota.
Ela levantou para voltar ao quarto, mas Dean a segurou pelo braço e puxou-a de volta à mesa:
- Precisa de mais coisa.
- Dean! Essa coisa ataca feridos e enfermos – Ela o olhava nos olhos – Quando Bobby se cortou, foi infectado com essa “sei lá o que”. Isso é um hospital, tem ideia de quantos doentes e feridos tem aqui?
Dean pegou o Ipod da mão dela e leu a reportagem, eles ficaram quietos por um tempo (embora Natale com dificuldade) e depois correram até o quarto do Bobby a onde contaram tudo a Sam.
Os três foram andando por trás do prédio até acharem uma porta velha e enferrujada:
- Têm certeza que é aqui? – Perguntou Sam.
- Essa sala é tudo oque sobrou do antigo hospital. — Disse Dean.
Eles quebraram o cadeado e entraram na sala que levava a outra porta, Dean tentou abrir mas algo estava bloqueando do outro lado, eles viram uma parte da parede que estava quebrada e Dean tentou inutilmente passar por ela:
- Para Dean – Disse Sam – Não adianta nós somos muito grandes.
Os dois olharam para Natale que tentou correr, mas foi impedida por Sam:
- Eu não vou entrar aí – Ela protestou – Não sabendo que tem morto do outro lado.
- Foi você que quis vir nessa caçada – Disse Dean – Além do mas você só precisa abrir a porta pra gente.
- E se eu for atacada?
- Você não está doente e nem ferida – Respondeu Dean – Além do mas nós estaremos aqui.
A garota protestou mais um pouco, mas acabou concordando em se espremer pela passagem. Ela tremia de nervoso e quando não podia mais ser vista começou a gritar:
- O que foi? – Sam e Dean perguntaram em coro.
- Um rato – Ela gemeu e eles riram.
- Para de brincadeira – Gritou Dean.
Depois de alguns segundos de silêncio, eles ouviram alguns gemidos:
- Outro rato? – Perguntou Dean impaciente.
- Não – Ela respondeu – Eu achei o que está bloqueando a porta... Oh, pedra pesada!
Demorou mais alguns instantes até que eles ouvissem um barulho enorme:
- Tá tudo Bem? – Dean deu um salto em direção à parede.
- Está. – Respondeu Natale abrindo a porta.
Os três mergulharam na escuridão contando apenas com uma lanterna, desceram cinco lances de escadas e se depararam com um ambiente sombrio:
- Parece que eu entrei em um filme – Comentou Natale olhando para as paredes caídas e aparelhos velhos – Por que nunca limparam o terreno aqui em baixo?
- O terremoto aconteceu entre a primeira e a segunda guerra mundial – Respondeu Sam – Ninguém tinha certeza de que tinha sido obra da natureza, então acharam melhor não mexer em nada.
- Tá, vamos nos concentrar – Dean passou a frente dos outros – Os únicos sintomas são delírios e subir no telhado?
- Pelo que eu sei são – Respondeu a garota – Mas...
- Mas o que? – Dean se virou para ela.
- O Bobby disse que quando chegou no hospital a noite, tava tudo estranho e empoeirado – Natale se esforçava para lembrar da história que Bobby lhe contara – Só pode ter alguma coisa a ver com esse buraco de rato.
- Mais alguma...
-Dean. – Gritou Sam.
- O que foi? – Perguntou o mais velho.
- Alguma coisa passou atrás de você.
Eles ficaram de costas um para o outro e tentaram ficar atentos a qualquer movimento. Um vulto os rodeou, mas não dava pra identificar o que era. Dean tentou iluminar com a lanterna, mas a escuridão era muito densa. Algo agarrou a perna de Sam e o puxou para a parte mais escura:
- Sam. Tá tudo bem? – Dean ficou tentado a ir atrás do irmão, mas não podia abandonar Natale.
- Eu tô bem Dean. Acha logo esse corpo.
Dava pra perceber que Sam não estava bem, mas se queriam ajudar tanto a ele quanto ao Bobby, tinham que destruir esse fantasma:
- Ele tem forma de sombra e as pessoas sobem no ponto mais alto que encontram procurando luz – Natale pensava enquanto agarrava forte o braço do pai – O que isso quer dizer?
- Me ajuda a achar uma sala trancada ou escombros que possam ter fechado um corpo e privado da luz – Dean teve uma ideia.
A garota não entendeu logo de cara, mas fez o que Dean mandou, eles correram cada corredor (a essa altura seus olhos já estavam se acostumando com a pouca claridade) verificando cada porta ou amontoado de escombros, Sam ficava falando para que soubessem que ele estava bem, mas havia dor na sua voz. A situação estava ficando desesperadora quando Dean chamou Natale:
- Me ajuda aqui. – Ele pediu.
Os dois liberaram a porta da UTI e Dean entrou, havia um esqueleto ruído por ratos e gasto pelo tempo, ele estava encostado na parede próximo a porta e Dean estava prestes a queima-lo quando a sombra o atacou, ele foi jogado contra a parede oposta e perdeu o isqueiro. Natale atravessou o fantasma com um pedaço de ferro da construção:
- Eu disse que o Bobby era um bom professor. – Disse Dean quando o fantasma sumiu.
- Acha logo a porcaria do isqueiro. – Disse Natale quando o ferro quase foi arrancado de suas mãos.
Dean iluminou mais ou menos com a lanterna, mas viu o brilho do objeto que procurava, ele conseguiu acender o fogo quando Natale caiu no chão, derrubada pela criatura que atacaria se não estivesse se desfazendo com as chamas. Natale engatinhou até o pai e o abraçou assustada com a realidade da qual agora participava:
- Ele ainda estava vivo quando terminou de desmoronar?
- Sim – Dean respondeu a pergunta da filha – Mas nunca procuraram por sobreviventes. O espirito usava os corpos das pessoas do hospital para buscar luz.
Eles ficaram ali sentados por um tempo até que:
- Não estão esquecendo nada? – Gemeu Sam que estava ferido.
- Pelo menos já estamos em um hospital. – Natale riu.
Sam foi se apoiando nos dois até saírem do subterrâneo e encontrarem o jardim.
Dois dias depois, quando Bobby finalmente recebeu alta, os três Winchesters foram busca-lo:
- Vou voltar para a casa do Bobby? – Perguntou Natale quando eles estavam saindo do hospital.
Bobby olhou para os rapazes com cara de ”por favor não” disfarçada de “eu me viro melhor sozinho”:
- Não – Respondeu Dean rindo – O que tiver que aprender vai aprender com a gente.
Fale com o autor