Sangue Rebelde

22 Uma Vampira e Um Humano


Notas iniciais
Decidi voltar com a fic :) Boa leitura

— Deixa eu ver se entendi bem. — disse Emma calmamente enquanto se ajeitava nas almofadas da cama. — Você vai confiar todo um plano para acabar com os Noturnos a um feiticeiro?

Donna suspirou. Depois de ter pensado bastante no plano, foi contar a Emma, que a olhou estranho. Claro, era de se esperar. O seu plano incluía usar a ajuda de um feiticeiro para eliminar os Noturnos. No jantar de noivado oficial, todas as famílias reais iriam comparecer (e isso incluía os Harris), e, depois de ouvir uma conversa de Brianna com Margareth, ela sabia que eles iriam se reunir depois. Então, com ajuda do feiticeiro, ela iria os prender na sala , conectá-los e quando um morresse, todos morreriam.

O plano era perfeito, ela pensou, ela só precisaria falar com o feiticeiro, e então com Evan.

— Quem é o feiticeiro? — perguntou-lhe a irmã.

— Foster. — disse. — Já me prestou serviços, ele é incrivelmente poderoso, e sei que irá me ajudar.

— O jantar é em uma semana. Tem certeza que consegue?

Donna sorriu. O mesmo sorriso que usava quando matava.

— Tenho.

...

Evan desceu do cavalo e sorriu ao ver Donna nas ruínas, ao lado de Brieta. Ela sorriu quando o viu. Seu rosto estava brilhante, diferente da última vez que a tinha visto, e havia um brilho travesso em seus olhos. Ela foi até ele e enlaçou seu pescoço com os braços, beijando-o em seguida. Ele sorriu contra os lábios dela. Seu coração estava acelerado, assim como todas as vezes que eles se beijavam.

— Você está feliz. — disse, acariciando-lhe o rosto. — O que aconteceu? Estava triste da última vez que a vi.

— Eu tenho um plano, Evan. — confessou. — E, depois que ele for concluído, nós vamos fugir.

Ele sorriu.

— E em que consiste esse plano?

Ela mordeu o lábio e olhou em volta.

— Não acho que aqui seja o lugar ideal pra falar sobre isso.

— Sem problema. Minha família tem uma cabana aqui perto, como você acha que eu passava tanto tempo aqui?

Donna riu e montou em Brieta. Evan montou em seu cavalo e os dois cavalgaram, ele na frente, até que chegaram a uma cabana escondida entre as enormes árvores. Evan desceu e esperou por Donna, que já havia descido e limpava a saia do vestido. A cabana era de madeira enegrecida, com um muro alto ao redor, coberto pela vegetação que ali crescia. Os portões estavam enferrujados e tortos, conferindo ao lugar um ar assustador.

Evan adorava aquele lugar.

Abriu a porta com cuidado, vendo a poeira dançar a medida que raios de sol entravam. Esperou que Donna entrasse então fechou a porta, deixando que o cômodo se iluminasse apenas através das poucas janelas. Estavam numa sala ampla, com uma abertura que dava para uma cozinha pequena. Na parede oposta havia uma escada que dava para os quartos no andar de cima. Fechou as cortinas da sala e cozinha e foi acendendo aos poucos as velas postas pela casa.

O cômodo mergulhou em luz bruxuleante.

Donna sorriu e se jogou no sofá.

Naquela posição, a luz das velas criava ângulos em seu rosto e fazia sombras em seu colo, já ressaltado pelo aperto do vestido. Seu olhar foi abaixando, passando pela cintura apertada e toda a parte que o vestido deixava exposta, até as pernas que estavam sobre o sofá e o vestido deixou exposto a medida que Donna se ajeitava nas almofadas. A capa suntuosa acompanha as curvas do vestido, caindo no chão no final.

Seus lábios doeram. Evan queria tanto beijá-la.

— Você está encarando.

Ele saiu do transe e piscou, vendo a garota dar risinhos ao seu constrangimento.

— E você está provocando. — rebateu, indo sentar-se no sofá junto a ela. Puxou as pernas para seu colo e Donna sorriu.

— É meu passatempo preferido. — disse.

— Estamos sozinhos numa cabana escondida no meio da floresta e você começa a mostrar as pernas estrategicamente. Não pode esperar que eu não olhe. Você é minha fraqueza, Donna.

— Não era exatamente para as pernas que você estava olhando, mas tudo bem. — riu-se, mas estava corando. — Estamos aqui para discutir meu plano.

Donna começou a falar e Evan escutava atentamente, fazendo notas mentais para não se esquecer de nada. Depois que ela terminou, parou por alguns minutos para absorver tudo que havia acabado de ouvir.

— Entendido. Vai estar no vinho então?

Ela assentiu.

— Sim. Uma criada vai entregar, e isso vai uni-los. Depois, eu e Thomas pegaremos um deles na saída. Qualquer um, e, matando ele, todos morrerão. Depois disso, fugimos. Para bem longe de Wonder Hill. Um lugar onde não somos uma vampira e um humano, uma Van Gould e um Harris. Somos apenas uma garoto e um garoto. Donna e Evan.

Evan sorriu e se inclinou.

— Quando estamos juntos somos apenas Donna e Evan. — falou, e se inclinou para beijá-la.

Todas as memórias dos dois passaram por sua mente, desde o dia que se conheceram, quando foram capturados pelos Noturnos, passaram a primeira noite juntos mesmo que tudo que tivessem feito foi dormir, a primeira vez que tinha dito que a amava. Mesmo tendo a achado diferente quando a conheceu, Evan nunca imaginou que amaria Donna de jeito tão intenso. Não ele, Evan Harris, que tinha má fama entre as nobres, famoso por ser um caso de uma noite só.

E aqui estava ele, no sofá, aninhado com uma vampira, sua vampira, a quem amava mais do que tudo, e queria passar todos os dias e deitar-se todas as noites com ela. Queria ouvir suas histórias, suas confidências, seus sentimentos mais profundos, satisfazer seus desejos secretos, e sabia que ela também o queria.

O tempo parou. Evan sentiu Donna derreter-se contra ele, arqueando as costas e crescendo os braços para que envolvessem seu pescoço. Sentiu-a suspirar e se levantar para ficar sentada a sua frente. Suas mãos desceram para sua cintura a medida que seus beijos se direcionaram para o pescoço e ombros da menina. Donna arquejou e soltou um suspiro disfarçado com os olhos fechados.

Ele moveu seus ombros para tirar o casaco, ao passo que se afastou para tirar as botas de Donna. Tirou a capa dela, jogando-a no chão. Seu coração batia tão rápido contra o peito que temeu que ela estivesse escutando. Desceu uma das mangas do vestido de Donna e depositou um beijo ali. Deixou uma trilha de beijos, passando pelo pescoço e parando na orelha, até que Donna começasse a soltar suspiros baixos e apertar seus ombros.

— Evan — sussurrou. Evan se afastou de leve. Donna se inclinou para trás e se recostou nas almofadas de novo. Estava com as bochechas coradas e o pescoço vermelho.

Ele franziu o cenho, o coração doendo no peito. Temia que tivesse ido rápido demais.

— Algum problema?

— Eu só... — suspirou. — Não tenho certeza.

Demorou um tempo até que ele entendesse. E, quando entendeu, teve certeza de que seu rosto tinha corado de todos os tons de vermelho. Afastou-se, se sentando no sofá ao lado de Donna, regulando a respiração. Olhou para ela. Pegou sua mão e acariciou-a.

— Tudo bem. Não quero te deixar desconfortável.

Ela se sentou ereta e olhou para ele.

— Eu não estava desconfortável. É só que, eu não sei. Tudo aconteceu tão rápido. Parece que foi ontem que eu te encontrei na floresta. E tudo é tão instável na minha vida. Eu já perdi muitas pessoas, e você é bom demais para mim. Tem horas que eu penso que isso não é real, que eu estou num sonho e eu vou acordar sem nunca ter te conhecido.

Seu coração parou. Ele prendeu a respiração enquanto ela o olhava com expectativa. Ele pegou sua mão devagar e beijou cada um dos dedos, demorando-se no último. Então, colocou-a sobre seu peito, sobre o coração em disparada.

— Sente isso? É o que eu sinto por você. É real, Donna.

Ele se aproximou, colocando a cabeça na curva do pescoço de Donna. Sentiu o coração dela batendo apressado. Deixou um beijo ali. Ela se arrepiou. Ele riu.

— Não duvide da genuinidade desse momento.

Eles estavam entrelaçados de novo, suspirando juntos, e Evan esperava que com todos aqueles beijos e carícias ela nunca mais duvidasse da intensidade do amor dele.

— Eu te amo. — sussurrou, e ele a sentiu tremer, então se agarrar ainda mais a ele. Levantou-se, apagando as velas, puxando Donna para o andar de cima, se guiando no escuro.

Abriu a porta com o pé e fechou-a assim que entraram no quarto, que também estava banhado pela luz das velas. Ele não iria admitir tão cedo que planejara todos os detalhes daquela visita. Voltou a beijar Donna, guiando-a até a cama, e tirou os sapatos, meio atrapalhado.

— Onde está toda sua sagacidade?

Você verá. Em resposta, ele sorriu e desceu para beijá-la. Ela arquejou em surpresa e se recostou nos lençóis, sentindo as mangas se abaixarem, deixando seus ombros e colo cada vez mais expostos. Evan depositou um beijo ali e desceu mais as mangas, vendo Donna ficar roxa de vergonha, para então, se erguer para abrir os botões da camisa de Evan, deixando o peitoral exposto. Depositou um beijo em sua clavícula e ele estremeceu. Cuidou de tirar o resto da camisa e deitar Donna novamente, desfazendo o laço das amarras de seu vestido. Ela inclinou a cabeça para trás e ele aproveitou para ir beijando até seu pescoço. Ela sorriu contra a mão que levou a boca.

— Tem certeza? — ele sussurrou.

Donna se inclinou para sussurrar em seu ouvido.

— Apague as velas.

Ele não tardou a obedecer.

•••

— Fique parada, Srtª Van Gould.

Donna bufou e trocou o peso do corpo de um pé para o outro. O vestido a estava pinicando e as criadas com os alfinetes não colaboravam. O tecido era branco, coberto em renda, com decote canoa, o corpete mais que apertado na cintura, então se abria numa saia enorme que se arrastava enquanto andava.

Era suntuoso e extremamente desconfortável. Ela não esperava a hora que poderia sair dali e vestir suas roupas macias. Passou a mão pelos braços, sentindo a renda, lembrando-se da noite de alguns dias atrás. Não saía de sua cabeça não importava o que estivesse fazendo.

Se fechasse os olhos podia sentir novamente os lábios de Evan em sua pele, seu toque deixando um rastro de fogo por onde passava, toda a êxtase, todos os sentimentos voltando. Sentiu o rosto pegar fogo com as lembranças e se aquietou com o pensamento de que em breve iria vê-lo de novo.

E, se tivessem sorte, repetiriam os eventos da semana passada.

A costureira cutucou-a com o alfinete mais uma vez, trazendo-a para realidade, e fez algum ajuste na saia. Donna já estava indo reclamar quando as portas do salão se abriram e Matthew entrou, uma capa marrom escura se arrastando atrás de si. As criadas começaram a respirar aceleradamente, sussurrar entre si e se atrapalhar com os materiais. Donna revirou os olhos. Matt sempre fora atraente, mas nunca pensou que causaria esse efeito nas mulheres.

Ele sorriu para as criadas.

— Podem nos dar um momento?

Assentiram e saíram apressadas. Donna poderia ter comemorado a ausência de alfinetes a espetando se não fosse pela atual companhia.

— Sempre sonhei em vê-la assim, sabe — disse, e foi se aproximando do degrau elevado onde Donna estava. — Vestida de branco, uma noiva. E o melhor, para mim. — Parou ao seu lado e passou as pontas dos dedos nas amarras do corpete. — Sempre sonhei que seria eu a desfazer esses laços na nossa noite de núpcias. — sussurrou.

Em um movimento, ela pegou a mão dele e a empurrou com tanta força que ele cambaleou.

— Tire suas mãos de mim, traidor. — rosnou.

Ele sorriu, exibindo os dentes brancos, e passou as mãos no cabelo castanho.

— Será que há três meses você diria isso também? Me chamaria de traidor, se afastaria de meu toque? A Donna que eu conhecia não trocaria uma relação como a nossa pela aventura de um amor mortal.

Começou a andar pelo salão, com as mãos atrás das costas.

— Você compreende o quão suja isso te faz? Se relacionar com esse humano. Ele é um fraco. Não tem nada de especial como nós. Nós devíamos estar liderando Wonder Hill completamente. Não dividindo o poder com inferiores. Eu pensava que você, mais que tudo, me compreenderia. Ficaria ao meu lado.

— Você está enganado se acha que se eu nunca tivesse conhecido Evan teria ficado com você. — virou-se. — Eu nunca tive esses sentimentos por você, Matthew. Pare de viver uma ilusão.

Ele fechou a cara, a boca se curvando para baixo.

— Em alguns dias, você será minha rainha, Van Gould. Terá de ser submissa a mim, viver sobre as minhas regras. Até lá, você irá aprender que você sempre pertenceu a mim, fomos feitos um para o outro. — Estava bem próximo agora. Se esticasse o braço ele a tocaria. — Não vai ser um humano pútrido que vai me impedir de te der. Você é minha, Donna.

— Eu não sou sua, Matthew. Eu sou minha. Pertenço única e exclusivamente a mim. Se realmente me conhecesse, entenderia isso.

Foi como se ele tivesse levado um tapa. Afastou-se, com os olhos arregalados, afastou a capa e se virou em direção à porta, saindo em passos pesados. As criadas espiaram e lentamente entraram novamente no cômodo, voltando a ajeitar o vestido.

Donna se sentia enjoada.

Aquele não era seu amigo, aquele que a ensinara esgrima e a apoiara em todos os momentos em que precisara. Não, o garoto possessivo e cheio de fúria que havia acabado de sair era um desconhecido pra ela. Ela desejou, como desejou, voltar no tempo e corrigir todos os erros, apenas para ter o melhor amigo ao seu lado.

Mas ela sabia que não era possível.

Empurrou os alfinetes e saiu em disparada até seu quarto, o vestido arrastando atrás de si, um punho de ferro em seus pulmões impedindo-a de respirar. Correu, até que visão embaçasse e seu coração doesse de saudade. Entrou no quarto e bateu a porta, se apoiando na cama enquanto normalizava a respiração. O corpete a machucava cada vez mais e ela queria tirá-lo o quanto antes.

Ouviu batidas na porta da varanda. Não qualquer batida — o que ela havia combinado com Evan. Com o coração na mão, abriu a porta, vendo o garoto parado na entrada, a espada embainhada e um sorriso malicioso em sua direção. Tudo que estava sentindo — a angústia, a raiva e a saudade — se dissolveu e ela puxou-o para dentro, trancando a porta logo em seguida.

O sorriso dele desapareceu assim que ele viu seu rosto.

— O que aconteceu? — perguntou.

Mas Donna não queria falar. Ao invés disso, puxou-o para perto e beijou-o no canto da boca, leve.

— Estresse com o casamento e Matthew, sabe. E, além disso, as costureiras acabaram comigo.

Se afastou, fazendo com que Evan desse uma olhada completa em seu vestido. Ele ficou parado apenas fitando-a, até que Donna sentiu o calor subindo por seu colo até o rosto. O olhar dele era mais íntimo que um beijo. Sentiu o ar fugir de seus pulmões, e quase colocou as mãos para trás para desamarrar o corpete.

— Você está deslumbrante. — sussurrou, com as mãos em sua cintura. Inclinou-se e beijou sua testa. — Pena que tudo isso não é para mim.

Ela riu, se aninhando a ele.

— Sempre é para você, Evan.

Tinha algo diferente no olhar dele dessa vez. Estava leve, de alguma forma mais brilhante, como se toda a preocupação do mundo tivesse se esvaído de Evan, como se eles não estivessem planejando um ataque para então fugir quando tudo pegasse fogo, como se só existisse os dois.

Donna só podia sorrir quando pensou que aquilo era por causa dela. Inclinou-se o beijou nos lábios, devagar, lamentando ter que se afastar. Praguejou mentalmente o compromisso de hoje. Queria não ter nada, queria cavalgar pela floresta com Evan

— Pode me ajudar a desamarrar o corpete? Não posso ir até Foster vestida assim.

Ele sorriu e ela se virou de costas, sentindo as mãos dele percorrendo suas costas.

— Tentador, Donna, tentador. — murmurou. Desamarrou os laços, demorando-se de propósito, e quando terminou manteve as mãos em sua cintura por um tempo. Deixou um beijo em seu ombro e pegou o vestido que ela colocaria que já estava separado.

— Vire-se. — Donna ainda estava com os braços apertados em volta do vestido já largo em volta do corpo. Evan arqueou as sobrancelhas. — Está claro demais aqui. — rebateu a olhar dele. Quando estavam na cabana, a luz era à base de velas e só havia uma acesa. Não pensou como seria se ele a visse a luz do dia.

— Tudo bem, tudo bem. — Evan virou-se, sentando-se na cama, folheando um livro qualquer, enquanto Donna rapidamente tirava o vestido branco, deixando-o num cesto, e colocava o outro, preto, simples, até os tornozelos, e calçou as botas. — Ainda posso imaginar, você sabe.

— Pervertido. — falou baixo, mas estava rindo. Evan se virou, sorrindo para ela e ajeitando o casaco e a espada. Aproximou-se, envolvendo sua cintura com os braços e enterrando o rosto em seu pescoço, inspirando. Donna sentiu os cílios dele fazerem cócegas em sua pele e envolveu-o com os braços. — Precisamos ir antes que alguém o veja aqui.

— Não quero. — murmurou, deixando beijos por ali. Donna arquejou. Evan agora sabia como afetá-la ainda mais.

— Se formos agora, terminaremos mais rápido os acordos com Foster e depois podemos ir direto para a cabana. Não quero voltar para cá.

— Tudo bem. — sorriu, com uma mão na bochecha de Donna. — Tenho um estoque de velas guardado lá.

Ela riu, alto demais, e cobriu a boca com a mão. Evan a olhou, apaixonado, e beijou-a uma última vez antes de os dois saírem pela floresta.