Sangue Rebelde

20 Quando Tudo Desaba


Notas iniciais
espero que gostem :) sabe, agr eu não to ligando muito para reviews - não que não me agradem -, e sim em terminar a fic, porque é um pontapé para Entre Lobos e Vampiros 2 :)

– Eu simplesmente não entendo como, com tantos garotos em Wonder Hill, você foi querer logo ele.

Donna bufou e olhou para Emma. Elas estavam na biblioteca do castelo procurando qualquer coisa interessante para ver. Depois de ela e Evan terem passado a noite juntos no castelo Harris, ela havia saído pela manhã, e ela e Evan haviam combinado de se encontrar na casa da árvore no fim da tarde. E, quando chegara em casa, havia ido passar um tempo com a irmã.

– Eu não planejei isso, Emma. Só aconteceu.

Emma revirou os olhos e resmungou, mas depois amoleceu.

– Eles mataram a mamãe por isso, não foi? Assim como mataram Zoe e Morgan.

Dona, que estava no alto das estantes segurando dois livros, deixou que os dois caíssem. Ela olhou para a irmã com os olhos arregalados enquanto descia. Emma, que passara a noite chorando tão alto que Donna podia ouvir a distância, estava com os lábios cerrados em uma linha fina, e o queixo empinado.

– Espere – disse Donna. – Você acha que isso tudo foi minha culpa?

– Donna, você é minha irmã, e eu amo você, mas é só que...

– Você sabe sobre os Noturnos, não sabe? Porque se não soubesse acharia que foi mais um ataque.

Emma se levantou.

– Donna, eu não estou te culpando. Eu estou evidenciando os fatos. – Ela ficou tensa. – Eles já sabem sobre vocês, e isso só vai piorar. Quando formos ver, toda nossa família estará morta. Octavio, papai, tia Avery...

As palavras jorraram da boca de Donna.

– Eles são Noturnos. Octavio e Benjamin. E Margareth e Brianna também. E tia Lauren e tia Avery... elas sabem de alguma coisa. E quando isso desabar, eu as conheço bem o suficiente para saber que ficarão ao lado de Benjamin. – Ela respirou. – Emma, você é a única aqui em quem eu confio, e tenho que saber se vai estar do seu lado se alguma coisa acontecer.

Emma sorriu.

– Ah, Donna. Eu sempre vou estar do seu lado.

E a abraçou, no exato momento em que as portas da biblioteca se abriram, e Benjamin e Margareth estavam na entrada. Donna sentiu os punhos cerrarem. Margareth estava de nariz empinado, vestida como uma Van Gould, um braço enroscado no de Benjamin. E, atrás deles, Brianna, os cachos loiros presos elegantemente num coque.

– Donna, Emma – disse Benjamin. – Suponho que já saibam que, agora que sua mãe morreu, eu precisava de uma rainha ao meu lado. E, bem, Margareth ocupará este lugar, e Brianna... Brianna é uma Van Gould agora.

Donna caminhou em passos graciosos até estar a pouca distância dos três a porta. Ela sorriu, colocando uma mecha atrás da orelha.

– Sejam bem vindas à família.

Margareth deu um meio sorriso, e Brianna cerrou os lábios, olhando para o colar no pescoço de Donna. Donna aumentou o sorriso.

– Benjamin e eu temos assuntos para resolver agora – disse Margareth. – Donna, Emma, poderiam colocar Brianna a par dos assuntos da família?

Emma, que agora estava ao lado de Donna, sorriu.

– Claro.

Assim que o casal se retirou, ambas as irmãs olharam com desdém para Brianna.

– Você está muito enganada se acha que vamos ser boazinhas com vocês. – disse Emma, cruzando os braços.

Brianna riu e avançou pela biblioteca.

– Emma, Emma, Emma – cantarolou. – Donna tem motivos para me odiar, porque, afinal, o namorado dela me ama. Mas você...

– Sabe, acho que o termo que procura é amava, porque ele não tem mais sentimentos por você.

Brianna riu.

– Evan era apaixonado por Brianna? – perguntou Emma, incrédula.

Donna respirou fundo.

– Eles tiveram um relacionamento, mas isso foi há tempos. Evan está comigo agora.

– Ilusão sua se acha isso. Ele alguma vez disse que seus olhos são tão brilhantes como as estrelas? Ou que sua pele é tão macia...

– Brianna – interrompeu Donna, com uma calma que surpreendera até mesmo Emma. Pela primeira vez, Donna não sentiu ciúmes, porque tinha certeza de que Evan a amava mais do que amou Brianna. – Você pode dizer o que quiser, eu não me importo. Evan me ama, e isso é tudo que importa. E, se você acredita no contrário, então não tem nada que preste em você.

Brianna engasgou, e então lançou um olhar para Donna. Ela podia ver fúria nos olhos da meia-irmã. E, assim, saiu.

Donna olhou para Emma, que suspirou e encolheu os ombros, e então foi para seu quarto. Donna afundou-se na mesa e colocou a cabeça entre as mãos. Ela pensou em tudo; em Evan, em Emma, Noturnos. Não soube quanto tempo ficou ali pensando, porque só foi voltar para a realidade quando um livro que estava se equilibrando na ponta da mesa caiu no chão. Cansada, ela subiu para seu quarto.

...

Ela estava em seu quarto, afundada na cama olhando para o teto quando Emma o invadiu ofegante. Primeiramente, ela achou que estavam sendo atacados, ou que mais alguém havia sido assassinado. Mas então, Emma pôs as mãos na cintura e suspirou, olhando para Donna, e quando o fez, ela percebeu que era algo pior.

– O que aconteceu? – perguntou se levantando.

– Donna... – disse Emma num fio de voz. – Papai e Margareth querem criar uma aliança entre os reinos, e... – ela suspirou e Donna sentiu o coração acelerar. – Seu noivo está lhe esperando lá embaixo.

Donna sentiu os joelhos fraquejarem. Noivo. Ela pensou em Evan no salão do castelo Harris, dizendo que a amava, e nele na casa de Ambrose quando disse que ela era a pessoa com a qual ele queria passar todos seus dias. Antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, Emma a puxou pela mão. Desceram lentamente pelas escadarias, as pernas de Donna molengas, e quando chegaram, ela quase não acreditou.

Ao lado de Benjamin e Margareth estavam os Wolff, e a frente deles, Matthew, esperando por ela com um sorriso no rosto.

...

Evan sempre amou cavalgar. Era o que lhe dava mais paz no mundo, e ultimamente sua cabeça estava uma bagunça – o aprisionamento de sua mãe, sua irmã morta, pessoas queridas de Donna mortas. No momento, a única coisa que estava certa em sua vida era Donna, e o que ambos sentiam um pelo outro. Ele sabia que não seria fácil para os dois viverem juntos, e que poderiam ser perseguidos, e a vida seriam fugas constantes por toda a eternidade. Mas, ainda sim, ele queria insistir nisso, porque, pela primeira vez, sabia que ela o amava, e apenas isso bastava.

Ele desceu do corcel e o amarrou numa árvore perto do casebre. Atrás dele, o crepúsculo se ascendia. Evan girou a maçaneta e entrou, fechando logo em seguida, encontrando Donna sentada no sofá, as unhas enterradas no veludo. Ela se levantou com um sorrisinho enquanto ele ia até ela e lhe dava um beijo na testa.

– Oi – murmurou ela, enquanto enlaçava o pescoço dele com os braços.

– Oi – ele murmurou de volta, olhando nos olhos de Donna. Imediatamente percebeu que havia algo errado, e que ela, por algum motivo, estava triste. Ele a acompanhou quando ela se sentou no sofá. – Aconteceu alguma coisa, não aconteceu?

Ela mexeu no cabelo e chegou mais para perto dele.

– Todas essas mortes... Não foram apenas na nobreza. Muitos plebeus também foram assassinados, e isso deixou o povo irado. E então minha família decidiu criar uma trégua entre os reinos... – A essa altura, Donna estava com lágrimas nos olhos. Evan entrelaçou suas mãos as dela. – Ele ofereceu minha mão a um dos Wolff como oferta de paz.

Evan percebeu que ela não queria chorar; estava com a mandíbula cerrada, e se recusava a derramar uma lágrima. Ele passou um braço por seus ombros e a fez recostar em seu peito.

– É Matthew – disse com a voz meio embriagada. – E ele sabe sobre os Noturnos, talvez até seja um deles... Evan, eu não quero me casar com ele.

Então Donna levantou a cabeça para olhá-lo, e, enquanto ele sentia o medo dela através da pele e perdia o ar apenas por estar ali com ela, ele soube o que queria.

– Donna – ele sussurrou, e se curvou para encostar a testa na dela, os lábios inchados dela roçando nos seus. – Me faça imortal. Me faça imortal e nós podemos fugir e viver juntos. Pela eternidade.

Notas finais
:) mereço reviews?