Notas iniciais
Hello leitoras, eu acho que demorei um pouquinho, eu estava muito viciada no livro Dezesseis Luas - que por sinal é ótimo -, e terminei-o ontem, ai fui ver o filme e me decepcionei - além de colocar os fatos de maneira errada e excluir personagens, os mesmos não tem química. Depois de ver o filme fiquei sem ânimo para escrever, mas depois eu consegui e ai está =D

Boa leitura ;*

Charlotte andava apressadamente pelos corredores do castelo, com as mangas maiores que os braços pálidos balançando no ritmo que ela andava e o sapato de salto fazendo um barulho nada agradável no chão de madeira. Os dentes estavam cerrados e ela balbuciava algumas palavras não identificadas enquanto ia em direção a biblioteca do castelo. Chegou rápido, e logo adentrou a grande sala em passos largos e irritados indo em direção a uma mesa onde estava o marido.

– Benjamin! – A mulher gritou colocando os punhos cerrados na mesa de carvalho. – Donna sumiu!

– Como? – Benjamin se levantou no mesmo instante da cadeira. – Ela está de castigo!

– Pelo o que parece, ela fugiu pela varanda depois que Margareth deixou o café da manhã lá em cima, naquela torre nojenta.

– Isso é péssimo! E se ela for pega por humanos ou lobisomens?

– Temos que mandar nossas tropas atrás dela! – Charlotte sugeriu.

– Não exagere – O homem segurou os ombros da mulher. – Mandaremos apenas alguns cavaleiros atrás dela na floresta. Isso será suficiente.

– E se aquelas criaturas virem nossos homens?

– Eles não verão. Nossos cavaleiros irão apenas a nosso território, nada mais.

– Certo, mandarei Margareth avisá-los.

– Quando acharem Donna, não deixe que ela suba. Quero que ela venha para cá antes de subir, teremos uma conversinha.

– Está bem.


–♥-


Donna levou a mão à maçaneta e virou para abrir. Não deu certo; a porta estava trancada. Tentou de novo, e de novo, de novo, de novo. Virou-se para Matthew, com o olhar um pouco raivoso e assustado e a mão vermelha de tanto apertar a maçaneta.

– Está trancada – Afirmou Donna.

– Deu para perceber. – Disse Matthew sarcasticamente e se preparando para chutar a porta. – Fique longe, sou muito forte e posso te machucar.

Donna cruzou os braços e bufou, revirando os olhos e se afastando um pouco. Matthew sempre se achava o mais forte dos quatro, embora nunca nenhum deles tivessem se desafiado entre si para ver quem tinha mais força. E ele sabia que venceria de Kevin e Thomas. Só não tinha certeza se venceria de Donna.

– Tente não quebrar a unha, donzela. – Provocou Donna, dando um sorriso torto e sarcástico sem separar os lábios.

Matthew cerrou os olhos e a encarou com o olhar vem-aqui-e-faça-melhor que ele tanto usava com ela, devido às suas provocações. Ela não gostava de se exibir — sabia que era mais forte — mas sim de provocar o amigo, que sempre ficava vermelho de tão irritado. Com toda a força que tinha, chutou a porta. Essa não se moveu nenhum centímetro. Parecia impossível de abri-la. Donna inclinou a cabeça para trás e gargalhou.

– Senhorita Wolff, suas unhas estão bem? – Donna jogou os cachos por cima dos ombros e arqueou uma sobrancelha. Um sorriso torto e perverso surgiu em sua face aparentemente singela. Quem não a conhecesse e a visse naquela instante podia jurar que Donna Van Gould era apenas uma adolescente inocente. – Deixe que eu mesma faça isso.

Donna caminhou até a porta e chutou com a menor força possível. A porta caiu. Matthew arregalou os olhos e Donna gargalhou, adentrando a casa na árvore que não era bem uma casa na árvore. Recebeu esse nome por ser uma cabana abandonada, mas em bons usos, escondida entre os galhos retorcidos da floresta. Para que alguém a encontrasse, era preciso prestar muita atenção na floresta. A cabana era imperceptível.

– Garotos! Finalmente vocês apareceram! – Ela se referiu a Kevin e Thomas que estavam largados em um sofá no canto da casa na árvore. A casa era pequena, havia uma minúscula cozinha em um cômodo, um banheiro pequeno em outro, uma sala simples com um sofá, um tapete velho e empoeirado e livros velhos, e um quarto no andar de cima, que na verdade era uma superfície superior que precisava de uma escada pequena para ir para lá. Tinha apenas almofadas empoeiradas e algumas rasgadas. Também havia, abaixo do tapete da sala, uma entrada para um porão.

Matthew entrou logo depois de Donna com a cara emburrada.

– E aí, Donna! – Kevin foi cumprimentá-la e Thomas fez o mesmo. Kevin tinha o cabelo loiro escuro ondulado, os olhos de um tom preto enigmático e era bem moreno, parecendo bronzeado. Donna parecia uma vela perto dele. Thomas tinha o cabelo meio ruivo meio castanho, os olhos castanhos amarelados e uma pele menos morena do que apropriada para um lobo. Perto dele, Donna se sentia uma vela amarelada e velha. – O que aconteceu com você, Matt?

– A donzela não conseguiu abrir a porta e ficou toda irritadinha. – Provocou Donna.

– Não conseguiu abrir? – Os dois seguraram o riso e logo Donna entendeu o que aconteceu, se esforçando para segurar o riso. Matthew cerrou os olhos e ficou vermelho de raiva.

– Mas porque estão rindo?! – Ele gritou.

– Matt, se irritando assim você parece uma mulher, sabia? – Zombou Kevin. Donna se jogou no sofá, se contorcendo de tanto rir.

– Eu não estou me irritando!

– Donzela, não se exalte. – Zombou Thomas. – Dá rugas!

– Eu só não consegui abrir a porta porque vocês dois atrapalharam!

– Só há um jeito de descobrir quem é o mais forte entre nós dois – Um silêncio se formou na sala e houve uma longa troca de olhares. Donna se levantou e foi caminhando até o amigo, as unhas compridas, limpas, quadradas e pintadas com esmalte preto acariciando o próprio rosto, os longos cachos negros balançando enquanto ela caminhava, o olhar travesso em seu rosto... Tudo isso contribuía para sua aparência nada inocente. – Queda de braço.

– Donna, tem certeza de que é uma garota? – Kevin perguntou, e Donna lhe lançou o olhar pergunta-isso-de-novo-se-quiser-morrer com os olhos cerrados. – Quer dizer, meninas não fazem queda de braços.

– Eu faço. – Respondeu ríspida, então se virou para Matthew. – E então, Matt. O que me diz?

– Cuidado com suas unhas, Van Gould. – Quando estavam em brincadeiras violentas ou provocações, se chamavam pelos sobrenomes. — E tente não chorar.

– Espero que não machuque sua cutícula, Wolff – Os quatro jovens caminharam até a parte de trás da casa, que também ficava escondido entre os galhos retorcidos das árvores. A escuridão da floresta também não ajudava. Matthew pegou uma rocha grande e colocou no centro da espécie de quintal para servir de superfície. – E se precisar, eu acho que temos lenços no armário da cozinha.

Os dois se colocaram em suas posições para a “disputa”. Kevin e Thomas já estavam fazendo suas apostas de quem iria ganhar. Matthew era muito forte, mais forte do que muitos outros lobos, mas Donna era tão forte quando ele. Uma vez, ele a viu quebrar o banco de rocha que havia no jardim do castelo apenas com um soco. Um soco.

Os dois “deram as mãos”, colocaram as outras atrás do corpo e Kevin deu o sinal de início.

– Em suas posições... – Thomas anunciou.

Matthew depositou toda a força nas mãos e cotovelo, preparado para mostrar que uma garota, uma simples garota, não podia contra ele. Forçou a mão, tentando derrubar a amiga.

– Depois dessa, você vai precisar de uma nova mão. – Matthew provocou.

Acontece que Donna também não estava ali para perder. Era só uma simples queda de braço, mas ela não ia perder para um lobo. Não iria perder para ninguém. Sempre foi a mais forte, e sempre seria. Toda sua força foi para aquela queda de braço, e ela sentiu que Matthew estava perdendo. Sorriu sarcasticamente e forçou mais ainda. Matthew perdeu. Donna conseguiu derrubá-lo, usou tanta força que quebrou a rocha.

– Nunca subestime as habilidades de uma garota. – Sorriu a garota cruzando os braços. Os garotos gargalharam e fizeram piadinhas a respeito da força de Matthew. Donna parou de sorrir quando viu que a expressão de Matthew não era das melhores. Seus fios estavam mais escuros que o normal e mais arrepiados também. Sua pele parecia estar tão quente a ponto de queimar. Seus punhos cerrados. A cabeça abaixada, fitando o chão. Donna se aproximou do garoto e colocou as mãos nos ombros dele, tentando entender o que se passava.

Mas se afastou em questão se segundos depois de ver os olhos de Matthew.

Não estavam mais castanhos, naquele tom profundo.

Eles estavam amarelos.

E isso só dizia uma coisa.

E Donna sabia o que era.


–♥-


Uma vez, quando tinha doze anos, ela havia visto aquilo. Porém fora de longe, ela estava no castelo e viu pela varanda de seu quarto. Nesse dia seu avô lhe contara que lobisomens poderiam assumir duas formas quando transformados: a forma de lobo e de lobisomem. As duas não eram iguais, eles só se assumiam como lobos quando estavam extremamente furiosos. E, quando lobisomens, se pareciam tanto com humanos tanto com lobos. E também eram mais calmos.

E agora ela estava vendo ao vivo. A fúria de um lobo com a força subestimada por uma garota. Uma vampira. Uma Van Gould. Uma Van Gould que era sua amiga.

Donna acelerou a correria, na tentativa de alcançar o amigo e convencê-lo a parar de agir assim. Mas já era tarde, ele já havia assumido sua forma de lobo e estava correndo desnorteado pela floresta. Provavelmente só voltaria no dia seguinte. Não adiantava correr, ele já havia sumido. Mas o que é que havia dado naquele garoto para agir assim? Foi só uma queda de braço. Não havia motivos para isso.

– Matt! – Ela gritou, girando em seus próprios pés. Toda aquela correria a deixou um pouco tonta. Escorou-se em uma árvore para tentar recuperar as forças e o fôlego. Então se virou para trás e viu o que não queria – e nem esperava – ver. Era um lobo. Mas não era qualquer lobo. Era Matthew. E ele não estava ali para conversar.

Donna foi se afastando, mas Matthew foi se aproximando e parecia pronto para atacá-la. Mas o que deu naquele garoto? Ele não parecia o Matthew com quem ela costumava implicar e se divertir. Ele estava diferente.

– Mas o que aconteceu com você? Foi só uma queda de braço! – Ela tentou acalmá-lo, mas isso só fez com que ele ficasse com mais raiva ainda. – Porque está agindo assim?

Quando viu que ele estava furioso demais e prestes a atacá-la, correu para longe dali. Em direção a casa na árvore, pedir ajuda aos garotos e fazer Matthew voltar ao normal. Ou fugir para sua própria casa, o que estava fora de cogitação, já que ela fugiu do castigo.

À medida que seus passos aumentavam de ritmo, ela sentia que algo a estava observando e que Matthew vinha logo atrás, em sua forma de lobo. Ela estava ficando sem fôlego e tinha perdido a direção; nem sequer sabia em que território estava.

Tanto faz, pensou, é perigoso de qualquer jeito.

Quando ela sentiu que o lobo estava chegando perto demais, algo lhe puxou pelo braço e lhe tirou da reta de Matt, que saiu correndo mesmo assim. Donna virou-se para ver o que tinha lhe puxado para trás daquela árvore, então encontrou um par de olhos verdes.

Brilhantes, belos olhos verdes.

Notas finais
O que acharam?

Espero vocês nos reviews =D