Sangue Rebelde
8 Lado Direito
Notas iniciais
Meus instintos me dizem que gostarão desse capítulo!
Boa leitura ;*
Seu corpo estava entorpecido quando se impactou com a água. Imergiu imediatamente, arregalando os olhos dentro da água. Não via nada, tudo estava embaçado. Emergiu. Sorriu para si mesma vendo que era mais forte do que pensava e uma simples queda não havia feito efeito algum. Ela era forte demais para se abalar por uma queda. Tentou nadar, mas uma forte onda a atingiu e ela imergiu novamente. Arregalou os olhos novamente, e o desespero tomou conta de si. Algo estava se aproximando cada vez mais, e não estava devagar. Sua boca se abriu em um grito abafado e mudo, fazendo com que a água entrasse.
Não conseguia se mover.
Tentou se afastar, mas seus membros não correspondiam aos seus comandos. Seus olhos já estavam ardendo, e ela podia se sentir afogar, imergindo para a escuridão do desconhecido fundo do mar.
Então tudo ficou escuro.
-♥-
- Donna! – Disse Evan, enquanto tirava os fios molhados do rosto de Donna, que estava desacordada em seus braços. Agora ela parecia uma simples vampira, sensível e frágil. Não parecia a garota que estava sempre na defensiva, e fazia o que dava na teia. Ela não parecia mais como uma ameaça a qualquer coisa que se aproximasse. Parecia só com uma simples garota delicada que necessitava de carinho. – Por favor, acorde!
Evan a chacoalhou tomando cuidado para não machucá-la, visando que ela já estava mal. Seus lábios não estavam avermelhados e corados como de costume, estavam azuis arroxeados, e ela parecia ainda mais branca do que o normal. Evan a chacoalhou de novo.
- Donna, acorde!
A garota se sentou de repente, tossindo a água e pondo a mão no peito. Evan se sentou ao lado dela, colocando a mão em seu ombro. Donna terminou de tossir e foi se recompondo aos poucos, controlando sua respiração.
- Está bem? – Perguntou Evan, fazendo com que ela se virasse para ele, notando, enfim, sua presença.
- Evan? – Sua voz saiu um pouco aguda.
- Oi... – Ele sorriu e afastou uma mecha de cabelo que atrapalhava a visão dela. – Então, você está melhor?
- Sim – Donna esboçou um pequeno sorriso. – Como sabia que estaria aqui?
- Eu estava com minha irmã mais nova, então te vi correndo, parecia péssima, e fui atrás.
- Ahn... Então, obrigada por... Salvar-me – Ela agradeceu. Não estava acostumada a ser salva. Ela salvava a si mesma. As pessoas não costumavam ser gentis com ela.
- Não foi nada. Outra pessoa faria o mesmo.
- Se nem meus pais, que me colocaram no mundo, não fariam isso e nem me querem por perto, por que um estranho faria isso?
- Eu te quero por perto. – Saiu como um sussurro. Ela sentiu seu rosto corar. Evan balançou a cabeça, nem acreditando no que ele mesmo disse, por mais verdade que fosse.
- Então, é... Eu já estou indo. – Ela se levantou, ajeitando a capa e o cabelo, e ele se levantou junto a ela.
- Tem certeza que está bem?
- Absoluta. – Ela passou os dedos pelos cachos largos e molhados, tentando penteá-los.
- O que é isso vermelho no seu rosto? – Ele fez um gesto com a cabeça para a marca do tapa no rosto de Donna, logo depois se aproximando dela e levando uma mão até o seu rosto. – E você andou chorando? – Ele acrescentou quando viu os olhos inchados de Donna.
- É que eu... – Ela mordeu a bochecha, não sabendo exatamente o que falar. Os olhos verdes de Evan eram hipnotizantes, e era como se eles a obrigassem a falar a verdade. Estavam fixos nos seus, como se quisessem explorá-los. Os dois ficaram em silêncio por um tempo, numa batalha entre vermelho e verde que parecia durar o infinito. – É... Eu chorei. E isso – Ela colocou a mão sobre a do garoto, tentando retirá-la, por mais que não fosse isso que ela realmente queria. O contato a fez suspirar levemente e fazer uma longa pausa no que estava falando. A pele dele era quente e macia, ao contrário da de sua família. Desejou que aquele momento durasse mais. – Foi um tapa. Do meu pai.
- E porque seu pai lhe bateu? – Sua mão saiu delicadamente do rosto de Donna.
- Eu estava numa taverna, e ele foi atrás de mim. Tivemos uma discussão na taverna – Um nó se formou em sua garganta, mas ela se esforçou para completar — e ele disse que eu sou o desgosto e o desastre da família. Então eu disse que não era canalha como ele e recebi este tapa.
- Sinto muito. – Ela apenas assentiu. Para ele, ela não parecia estar muito convencida disso, então colocou uma mexa de cabelo atrás da orelha dela, tocando de leve sua pele e seu cabelo sedoso, mesmo que molhado. Uma alegria percorreu seu corpo quando fez isso. – De verdade.
- Eu preciso ir agora.
- Espero que fique melhor.
Ele foi se aproximando devagar, e quando estava a centímetros dela, deu-lhe um beijo estalado em sua bochecha direita, onde ela havia levado tapa. O coração dela disparou.
Feito isso, passou por ela e foi andando para sair dali.
Donna levou a mão à bochecha, tocando-a com cuidado. Um arrepio percorreu todo o seu corpo só de se lembrar que fora ali que Evan lhe beijara há segundos atrás. Seu coração disparou. Ela virou-se de leve para trás, ainda com a mão na bochecha, e encontrou os olhos de Evan fixos nos seus. Seus fios negros estavam molhados, e caíam ainda mais nos olhos. Ele passou a mão neles, os colocando para trás, e sorriu, deixando a fileira de dentes bancos e brilhantes a mostra. Donna sentiu algo estranho em seu estômago. Sorriu fraco e encarou o chão. Quando levantou a cabeça, Evan já estava longe, um pontinho preto num lençol de seda branco.
- Ai, Deus, mas o que é que está acontecendo comigo? – Ela perguntou para o nada, enquanto sentia seu coração bater forte e algo como borboletas em seus estômago.
-♥-
- Benjamin, eu ainda não estou acreditando que fez isso! – Ralhou Charlotte, andando de um lado para o outro na sala.
- Eu não fiz nada demais, Charlotte! – Benjamin tentou se defender.
- Pai, o senhor sabe que errou. – Disse Octavio. – Um erro mínimo, mas ainda sim um erro.
- Um erro mínimo? – Emma gritou histérica, se levantando do sofá. – Ele a agrediu!
- Ela mereceu! – Octavio se levantou do sofá também. – Quem mandou chamar nosso pai de canalha?
- Emma está certa – Anthony interferiu. – Benjamin agiu errado. Donna foi audaciosa, como sempre, mas isso não é motivo para violentá-la.
- Não mesmo. – Avery cruzou os braços. – Donna pode ser um desgosto, um desastre, a ovelha negra da família, mas violência nunca é a opção. Nunca.
- Estou com mamãe e Emma – Disse Zoe – Tio Benjamin agiu errado.
Benjamin fechou a cara.
- Ah, querem saber de uma coisa? Não me arrependo! Ela mereceu o tapa. E quando chegar aqui em casa, eu a prenderei nos calabouços!
-♥-
Donna pegou uma flor e a aproximou de seu rosto, inalando seu aroma único. Inclinou o rosto para cima, sentindo o bom cheiro das flores da campina. Depois que Evan fora embora da praia, ela andara sem rumo até que achou aquela campina. Era linda. E a ajudava a esfriar a cabeça dos acontecimentos recentes, e a pensar em um modo de entrar em casa sem ser vista pelos pais. Talvez ela pudesse se disfarçar de empregada. A família não sabia o nome de metade delas, apenas Margareth.
Deitou-se na campina, com as flores servindo de colchão e as nuvens claras como cobertor. Fechou os olhos e abriu de leve os braços, aproveitando o máximo possível antes de voltar para sua vida maluca.
-♥-
Abriu a porta com cuidado, certificando-se de que ninguém a veria. Foi caminhando nas pontas dos pés até o corredor onde se encontravam os quartos dos empregados, e entrou no de Brianna. Fechou a porta e foi até o armário, pegando um uniforme e vestindo-o, mas mantendo as botas. Colocou um lenço no rosto, e prendeu os fios em um coque malfeito. Dobrou a capa e o vestido azul para fingir que estava levando aquilo para si mesma, assim podendo chegar com paz no seu quarto.
Saiu do dormitório e fechou a porta, tomando cuidado para não chamar atenção. Foi caminhando pelo corredor até a cozinha de cabeça baixa e passos rápidos. A cozinha ficava perto da sala de jantar, e todos da casa – inclusive os convidados – estavam ali. Mordeu o lábio, mas continuou a andar, com a cabeça baixa. Ninguém sequer notou sua presença. Depois que saiu daquela área, correu até o seu quarto, subindo as escadas com tanta rapidez que por pouco não caiu. Entrou em seu quarto ofegante. Tirou o pano que cobria seu rosto e desfez seu coque, fazendo com que a cascata de cachos sedosos e molhados caísse até a cintura. Trocou de roupa, pondo novamente o vestido azul.
Esparramou-se na cama, sentindo falta do cheiro e da maciez das flores.
- Donna! – Emma chamou do outro lado da porta, fazendo Donna tomar um susto. – Sei que está ai, abre logo!
- Já vou abrir – Ela murmurou, cansada, e foi em direção a porta, abrindo-a.
- Por que seu cabelo está molhado? – Foi à primeira coisa que Emma perguntou ao ver Donna.
- Me afoguei. – Donna respondeu, dando passagem para Emma entrar e logo depois fechando a porta.
- Você o que? – Emma se virou boquiaberta para Donna.
- Ai, Emma, foi só um pulinho de um penhasco, eu estou bem. – Donna se sentou na cama.
- Você tem ideia de como é irresponsável? – Emma cruzou os braços. – Donna, você não existe.
- Veio aqui para me dar bronca? – Ela estava com os pouco abertos, como se estivesse cansada daquela conversa.
- Não – Arqueou uma sobrancelha. – Vim te dizer para tomar cuidado com a filha de Margareth, Brianna. Foi ela quem deixou um bilhete no quarto dos nossos pais para papai ir à taverna.
- Mas ela estava na taverna!
- Eu sei. Ela foi correndo para lá, e conseguiu chegar antes de você, que devia estar andando como o vovô depois do almoço.
Donna rolou os olhos.
- E aquele bilhete que você deixou?
- Eu só fui ver que Brianna estava indo para lá depois de deixá-lo.
- E porque aquela v... Digo, garota está implicando comigo?
Emma riu pelo nariz pelo o que Donna quase falou.
- Inveja de você.
- Ninguém tem inveja de mim.
- Ela tem.
- Pelo o que? Olha bem para mim. – Ela se levantou. — Desgosto, ovelha negra da família e um desastre.
- Donna, você é mais do que pensa.
- Duvido.
Emma apenas rolou os olhos.
- Seja como quiser. Mas só digo para tomar cuidado com aquela loira.
- Tomarei cuidado – Donna esboçou um sorriso. – Não se preocupe.
Emma sorriu e saiu do quarto, deixando Donna perdida em pensamentos. Ela se jogou na cama, e tocou a bochecha direita. Suspirou longamente e fechou os olhos. A imagem de Evan se formou em sua mente. Balançou a cabeça, tentando se livrar daquela imagem e do estranho desejo de vê-lo novamente.
Mas o que raios estava acontecendo com ela?
Notas finais
Até os reviews ;*
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