Sangue Rebelde

18 Ascendendo com as Estrelas


Notas iniciais
Deus, eu amei esse capítulo, e espero que vocês gostem :)

Donna abriu a porta dos fundos sem se preocupar em fazer barulho. A lembrança dos lábios de Evan nos seus e as mãos dele em seu corpo ainda faziam seu coração acelerar e seu rosto corar. Ela estava sorrindo, feliz como nunca estivera antes.

Ela foi caminhando sorridente pelos corredores de pedra, a capa suntuosa arrastando-se pelo chão enquanto andava. Foi então que ouviu um choro, e desviou-se do seu caminho para ir para o centro do castelo, onde estavam todos reunidos. Suas tias, Lauren e Avery, choravam como nunca antes, e então Donna se sentiu um monstro por não estar assim.

Mas isso mudou quando ela viu Emma chorando e sussurrando “mamãe”. Ela correu até a irmã, e os olhares se voltaram para ela. Emma não conseguiu dizer nada, e então foi Octavio, sem demonstrar nenhuma emoção, que disse.

– Ela foi assassinada, Donna. Assim como Zoe e Morgan.

 Donna olhou no fundo dos olhos vermelhos do irmão, e então percebeu. Havia um toque de azul neles. E só os Noturnos tinham esse conhecimento. Ela se lembrou de Brianna na floresta, e quis gritar para todos que Octavio e seu pai faziam parte, e que era tudo culpa deles. Ela sentiu os joelhos vacilarem, e as lágrimas virem os olhos.

Mamãe.

Ela se virou para o irmão mais velho e para o pai, que estava em um canto mais afastado com Margareth, que estava chorando – ou fingindo chorar.

Donna não disse nada. Ao invés disso, correu para o seu quarto quase tropeçando no vestido azul e se trancou lá. Chorou e chorou, e quando parou de chorar, caiu no sono, e sonhou com sangue e cadáveres.

...

Quando Donna abriu os olhos, sua garganta queimou. Não se lembrava da última vez que havia se alimentado, e, além disso, ainda tinha o seus olhos doloridos e o rosto molhado de tanto chorar. Sentiu saudade de Evan. Queria que ele estivesse ali como quando esteve quando viu Morgan e Zoe morrer.

Ela se sentou, abraçando as almofadas, e então ouviu um barulho vindo da varanda. Noturnos, pensou, e pegou a espada embaixo da cama. Foi com ela empunhada nas costas e abriu a porta, preparando-se para lançá-la a quem estivesse assim, e o fez.

Mas, antes que pudesse ouvir um grito de dor, a espada foi arremessada para longe, quase caindo da varanda, e mãos fortes seguraram seus pulsos. Ela soube que era ele antes mesmo de olhá-lo. O cheiro, o calor que as mãos dele transmitiam para todo seu corpo.

– Meu Deus, Donna, o que houve?

Donna conteve o choro e olhou para Evan, que já havia soltado seus pulsos. A luz da lua fazia contornos diferentes no rosto dele, e ressaltava seus olhos verdes, meio cobertos pelo cabelo. Ela sentiu o coração disparar ao vê-lo assim, e tentou não se descontrolar. Pegou a espada com uma mão e com a outra puxou Evan para dentro de seu quarto, trancando a porta da varanda logo depois. Evan olhou em volta, e Donna jogou a espada longe e correu para ele quando se virou, e então se deu conta de que estava chorando.

Ele não disse nada. Em vez disso, apertou os braços em volta dela e se sentou na cama, com uma Donna desolada ao seu lado. Ela estava com os joelhos encostando-se ao peito, as mãos ao redor do pescoço de Evan, totalmente aninhada nele. A proximidade a dava sede, mas ela não ligou.

Evan deitou-a na cama gentilmente e ficou de frente para ela, acariciando sua bochecha. Ela estava parando de chorar aos poucos, e agora estava secando as lágrimas.

– Você sabe que pode me contar o que quiser, não sabe? – disse ele.

Ele se deitou de costas e ela se aninhou em seu peito.

– Eles mataram minha mãe – falou com a voz abafada pela camisa dele.

– Oh, Donna – Ele a apertou mais forte. – Eu sinto muito.

Donna começou a sentir as presas descerem e rolou para o lado, sentando-se.

– Donna, está tudo bem?

– Não – falou meio atrapalhada pelas presas, e então Evan percebeu. As presas dela já estavam se retraindo, mas ela não se sentiu confiante o bastante para ficar perto dele.

– Qual foi a ultima vez que se alimentou?

– Há dois dias. Eu preciso sair para caçar – Ela já estava de pé, então Evan a segurou pelo pulso.

– Donna, você não precisa ir caçar. Eu estou bem aqui.

Ela arregalou os olhos e olhou para ele. Evan estava sorrindo de leve e acariciava seu pulso. Ela sentiu o coração vacilar quando ele a puxou para seu colo e colou suas testas.

– Evan, eu não posso fazer isso. Eu não vou me controlar e posso te machucar.

Ele entrelaçou os dedos nos dela e se inclinou para roçar seu nariz no dela.

– Eu confio em você. – disse, e foi abrindo alguns botões da camisa, exibindo parte do peitoral e a clavícula. Com isso, Donna sentiu o ar fugir de seus pulmões. Sua boca desceu para a dele, causando um choque por todo seu corpo. Ele a segurou pela cintura e beijou seu queixo, e foi engatinhando para trás, até se deitar sobre os travesseiros, com Donna ainda em cima de si.

Ele estava com as mãos entrelaçadas em seu cabelo, e então abriu a camisa toda e abaixou uma das mangas, deixando o pescoço livre. Donna respirou fundo e suas presas perfuraram como navalha o pescoço de Evan. Ele soltou um murmúrio de aprovação. Aquela sensação de eletricidade quando bebia sangue humano a atingiu em cheio, e por ser com ele era ainda melhor. Uma das mãos dele estava apertada em volta da cintura de Donna, a outra entrelaçada nos cabelos dela, acariciando sua cabeça.

Donna sentiu o aperto em sua cintura enfraquecer e se apavorou. Se afastou de Evan no mesmo instante, rolando pelos ombros até estar sentada de costas para ele. Não conseguia encará-lo, não depois de tê-lo mordido. Agora, ela concluiu, ele provavelmente a achava um monstro e fugiria na primeira oportunidade.

– Você está bem? – perguntou ela, hesitante.

Evan pôs as mãos nas dela. O tom dele era calmo quando falou.

– Nunca estive melhor – disse. – Você não me machucou, Donna. Você nunca faria isso. – Ele a fez deitar-se em seu peito. – Nós podíamos fugir, você sabe. Conheço um lugar onde podemos viver juntos.

Algo se acendeu na mente de Donna e ela levantou a cabeça para olhá-lo, roçando seu nariz no dele.

– Eu vou arrumar um jeito de ficarmos juntos. Eu prometo.

Com isso, ele riu e acariciou o rosto dela e começou a lhe fazer cócegas na barriga e no pescoço. Ela riu alto e bateu no braço dele, ainda rindo. Ele inclinou-se para beijá-la, no mesmo instante que a porta se abriu e Emma entrou no quarto.

– Donna, eu sei que você está triste mais... – ela disse. – Oh, céus!

...

– Mas o que é isso?! – gritou Emma.

Donna se desvencilhou de Evan no mesmo instante, se levantando e correndo para trancar a porta. Emma continuava encarando Evan, que estava sentando na beira da cama um tanto desnorteado.

– Emma, pelo amor que você tem a mamãe, fique quieta! – disse Donna.

– Donna, tem um humano na sua cama!

– Eu sei que tem um humano aqui, Emma. Mas ele não é só um humano, ele é Evan. – falou ela carinhosamente, virando-se para Evan. – Evan, essa é Emma, minha irmã.

– Olá, senhorita. – disse Evan num gesto com a mão.

Emma arregalou os olhos.

– Donna, você é uma irresponsável! Mamãe morreu e você está abafando a dor com ele?

– Você pode, por favor, parar de gritar?

Ela pareceu se controlar mais um pouco.

– Isso... Isso de vocês dois é mesmo sério? Quero dizer, vocês...

– Eu estou apaixonado – disse Evan, se levantando e puxando Donna para si, que soltou um riso baixo. – E nós queremos ficar juntos.

Emma soltou um suspiro e acabou sorrindo.

– Você está realmente feliz, eu posso ver. Mas... – Donna enrijeceu, mas Emma ainda sim continuou. – Evan, se você ao menos tentar quebrar o coração dela, eu sou uma vampira. Eu vou caçar você por todas essas florestas até te encontrar, e então arrancarei seu coração.

Donna riu, então Emma a abraçou e saiu.

Evan suspirou aliviado.

– Essa coisa toda de me caçar...

Donna riu alto e empurrou Evan para a cama, enquanto ele ria e abotoava a camisa, agora manchada de sangue seco. Ela se aninhou nele, que a apertou em seus braços.

– Quero dormir com você esta noite – sussurrou ela. – Por mais que eu tenha rido, ainda estou triste. Fique comigo esta noite...

– Fico. – E assim caíram no sono.

...

Evan soube que Donna ainda não tinha se levantando antes mesmo de abrir os olhos. Ela estava aninhada a ele, as pernas dela enroscadas nas suas, um de seus braços servindo de travesseiro para ela enquanto o outro estava em sua cintura. Era bom observá-la dormir pela segunda vez. Fazia parecer que já era algo habitual, como se eles estivessem juntos por um longo tempo. Â

Durante a noite, ela teve alguns pesadelos. Acordara gritando pela mãe, ofegante, e depois só adormecia depois que ele a abraçava forte e dizia que estava ali, e que nada iria acontecer. Depois de cinco pesadelos, ela finalmente adormecera e agora ele a contemplava enquanto podia, porque sabia que se estivessem acordados ela já estaria lhe batendo.

Com ela era diferente, ele percebeu. Não eram casos de uma noite que lhe davam má fama. Era com ela que Evan queria passar seus dias, e nada mais importava. Queria mostrar-lhe o mundo, viajar juntos.

Foi interrompido de seus devaneios quando Donna piscou os olhos, e fez uma carranca com um meio sorriso.

– Sabe, observar-me enquanto durmo não é legal. – murmurou, se espreguiçando em meio aperto de Evan. Ele riu da cena.

– Claro que é, é muito romântico – murmurou enquanto enfiava o rosto no pescoço de Donna querendo dormir mais, mesmo sabendo que deveria estar em casa, e que sua mãe o mataria quando chegasse. A ideia de pensar nisso o fez pensar em como estava; olheiras sob os olhos e o cabelo bagunçado, enquanto Donna estava radiante como sempre, os olhos adquirindo um toque de castanho no centro e os cachos emoldurando seu rosto angelical.

– Isso faz cócegas – ela meio que reclamou.

– Você é linda – ele respondeu meio bobo. Ela riu e se levantou, ajeitando o vestido amarrotado, e ele percebeu que ela estava vermelha. Não deveria estar acostumada a ser elogiada, mesmo que fosse a garota mais bonita que ele já vira. Olhou-a, começando pelo pescoço avermelhado, graças aos beijos, até os lábios carnudos e avermelhados, e depois a linha fina do nariz...

– Pare de me encara! – ela lhe jogou uma almofada. – Agora levante-se e tape essa camisa manchada, vamos visitar uma amiga.

Notas finais
:) e então?