Sangue Real

2 Capítulo II - Suspeita


Notas iniciais
Olá! Demorei um pouco, não é? Bem, férias e eu viajei e depois fiz algumas provas pra cursinho (uma derrota total) então dei uma sumida. Peço desculpas e trago aqui o capítulo. Peço também que divulguem, se puderem é claro, para alguns amigos apenas para conseguir mais fichas já que preciso delas para continuar postando a história. Qualquer erro só avisar que eu conserto. Obs: o gif do capítulo anterior é referente à Lynetta e esse é referente a Rowena (a aparência dela). Boa leitura!

Um forte estrondo anunciou a entrada de alguém no quarto de Rowena. A garota coçou os olhos e abriu-os devagar adaptando-se a luz que saía pelas frestas das cortinas.

— O que foi, mamãe? — perguntou sonolenta, ameaçando virar-se para o outro lado e voltar a dormir.

— Arrume suas coisas, estamos de partida. Rápido!

— Partida? O baile de confederação é só daqui...

— Rowena. — cortou-a, séria, a rainha — Levante-se agora, arrume suas coisas e desça em dez minutos. Esperaremos você no salão.

Duas serventes entraram correndo no quarto da garota com grandes malas vazias. Uma terceira direcionou-se a ela apressando-a a levantar e erguendo um longo vestido verde de linho para que ela vestisse. Não entendeu imediatamente o porquê de um vestido daqueles em pleno verão se fazer necessário, mas chegou a conclusão de que essa seria certamente, uma viagem importante. Suas criadas não confeccionavam vestidos como aqueles para qualquer ocasião.

Tomou um breve banho e já quase pronta para descer, viu como as malas estavam abarrotadas.

— Para onde exatamente estou indo?

A serva evitou olhá-la e baixou a cabeça como fazia sempre que não podia responder. Com certa frustração, desceu as escadas e caminhou para o salão onde encontrou apenas sua mãe e alguns dos conselheiros reais.

— ...é o melhor a se fazer, majestade. — Caésar dizia.

Rowena fez uma reverência à mãe sendo em seguida reverenciada pelos conselheiros.

— O que é o melhor a se fazer? — perguntou com voz firme. Quando o assunto era o reino e seu povo, queria estar atenta para cada detalhe.

— Os ataques que vinham sendo cometidos estão... Passando dos limites. — Gregror, o segundo conselheiro, respondeu.

Mas para Rowena aquilo ainda era muito vago. Olhou então para a mãe sabendo que esta a entenderia.

— A rainha de Baechor desapareceu. — disse-lhe a rainha.

— Alguma chance de ter fugido?

Alguns conselheiros deixaram escapar risos enquanto a mãe a ignorou.

— Estamos partindo para lá onde ficaremos hospedadas até que o problema seja resolvido.

— Para o lugar onde tudo aconteceu? Achamos isso inteligente?

— Seguimos regulamentos, não achamos nada.

A rainha tinha o olhar frio. Disse aquilo como quem encerrava o assunto. Rowena não disse mais nada por hora, mas tanto a mãe quanto ela sabiam que aquela conversa não havia terminado ali.

O rei apareceu e foi reverenciado por todos na sala. Beijou a filha na testa e juntou-se a esposa, mas não trazia nenhuma mala. Pelo visto, aquela seria uma viagem só de mulheres.

— Irei visitá-las. Não posso abandonar o meu povo, mas também não abandonarei minha família. Cuidem bem delas. — disse referindo-se aos guardas que certamente iriam acompanhá-las na viagem.

— Para onde forem, levem os guardas com vocês. Echyni, Worril e Enat serão designados para isso. — continuou — Tudo pronto para a partida?

— Sim, vossa majestade. — respondeu-o um dos conselheiros.

— Muito bem, vejo vocês em alguns dias.

Abraçou mulher e filha, desejou-lhes uma boa viagem e sussurrou ao ouvido de Rowena antes que esta partisse.

Seria uma viagem longa. Precisariam pegar um barco antes de chegar até o destino. O povo pelo que podiam ver não fazia ideia da viagem da rainha e da princesa, de forma que foram escondidas por sob capas e os guardas as acompanharam de longe até a carruagem.

Rowena observou tudo ao seu redor, queria decorar cada detalhe. Sentia pena daqueles rostos. Mais do que isso, sentia medo por eles. Queria poder fazer alguma coisa, queria que os ataques parassem assim como os acontecimentos estranhos. Seriam ataques rebeldes? Seria o ataque de algum reino? Seriam traidores? Não conseguiu pensar em nada. Nem mesmo todos os livros que leu traziam à mente qualquer informação.

— Mãe...

— Não agora, Rowena. — a rainha a interrompeu, colocando a mão direita por sobre o ombro da filha.

A garota suspirou. Entrou na carruagem, mas não baixou o capuz. Não queria que olhassem para ela. Tinha muito em que pensar. Havia algo que poderia fazer?

Pensou nas palavras do pai.

Não faça nada precipitado. Tenha juízo.

Mas Rowena não faria nada precipitado. Certamente pensaria antes de fazer. Planejaria. Mas seja o que fosse, Rowena iria fazer.

⚂ ⚂ ⚂

Hoyer estava caminhando com Persephone quando recebeu a notícia.

Havia chegado ao reino de Baechor dois dias atrás enquanto a princesa do reino de Autruy chegara pela manhã. A princesa chamou-a para uma caminhada pelo palácio de forma que evitasse pelos dias que se seguiriam, perder-se por algum corredor, e Hoyer, que já havia passado dois dias pensando e observando sem descanso, não via o porquê recusar.

Um guarda do reino de Baechor parou-lhes no jardim e pediu que entrassem rapidamente. Isso alertou Anorf, o guarda que o pai colocara em seus calcanhares, e ambos fizeram com que se apressassem e entrassem para dentro do castelo.

— O que está acontecendo? — perguntou.

— Alguém desapareceu? — a outra supôs.

Lynetta desceu as escadas para o grande salão e se juntou a elas.

— Vamos, Belawy. Conte-nos logo. — disse com tédio — Saberei de qualquer jeito e direi a elas. Sabe disso.

O guarda pigarreou. Se não fosse um desrespeito, Hoyer imaginou que ele teria revirado os olhos. Estava perdendo alguma informação naquela troca de olhares que se seguiu. Anorf, mais próximo da princesa de seu reino, Hindon, estreitou os olhos.

— Houve um pequeno problema na viagem dos Svevo.

— Elas estão bem? — Hoyer preocupou-se.

— Creio que agora sim.

— Elas foram atacadas. — disse Persephone.

— Não exatamente. — retrucou outro guarda que acabara de aparecer — Altezas... — fez uma reverência e dirigiu-se às princesas.

Tinha olhos azuis e o cabelo claro. Quase loiro. Era bastante bonito.

Lynetta desviou o olhar.

— A carruagem fora de fato atacada, mas estavam perto suficiente de seu destino para que alcançassem o barco sem muitos danos.

— Danos? — Lynetta finalmente perguntou.

Ele a encarou.

— Apenas danos materiais. — respondeu — Atiraram flechas creio eu, como um último desespero e, apesar de não terem ferido-as, desequilibraram a princesa e ela caíra no mar. Mas foi resgatada imediatamente e está bem. Eles já estão próximos ao reino. Chegarão em breve. — disse por fim.

Lynetta balançou a cabeça, visivelmente frustrada.

— Se já estão bem, por que não podemos sair?

— Elas podem sair, Alteza. A senhorita não pode.

A garota parecia fuzilá-lo com o olhar, mas o guarda não se intimidou.

— Então, podemos sair pelo reino? — Hoyel perguntou.

— Acompanhadas, sim. — ele respondeu.

— E se você me acompanhasse, haveria algum problema?

— Primeiro deve ser informado às Majestades. E então, sim.

— Poderia informá-los, por favor? Gostaria de sair um pouco dos muros do castelo. Conhecer melhor o reino.

Hoyer notou que o guarda encarou Lynetta antes de responder. A garota continha um sorriso esperto no rosto.

— Está dispensado, Arminel. — Lynetta disse — Leve a princesa. Irei sobreviver.

Ele pareceu relutante antes de assentir para Hoyer e subir as escadas, mas não sem antes sussurrar algo no ouvido de Belawy.

Quando Arminel desaparecera de vista, ela encarara o outro guarda.

— Nem ouse. — rosnou, e desapareceu por uma das várias portas que rodeava o salão.

Persephone encarou Hoyer como se ambas tivessem perdido alguma coisa.

— Vou me contentar pelo passeio ao castelo. — Persephone disse — Talvez eu consiga uma cavalgada mais tarde.

E dizendo isso, retirou-se da sala também. O guarda Belawy fez uma reverência e seguiu novamente para o jardim, não sem antes pedir desculpas pelo engano. Aparentemente tentara mantê-las dentro do castelo quando apenas Lynetta estava confinada a isso.

— Alteza. — chamou Arnof — Acredito que eu também deva acompanhá-la pelo passeio.

Hoyer assentiu.

— Tudo bem se quiser. Mas não se sinta preso, Arnof. É a sua folga. Deveria aproveitá-la também.

Ele não disse nada, mas também não moveu um pé. Aparentemente isso não importava para ele.

A garota revirou os olhos.

— Você não tem jeito.

Ele ria quando Arminel reapareceu. O outro guarda reverenciou-a mais uma vez.

— Prepararemos tudo para daqui alguns minutos. Irão quatro guardas conosco. Pedirei que a chamem quando for a hora.

— Obrigada.

O tempo não pareceu passar. Quando uma serva finalmente chamou-a, Hoyer já estava pronta havia muito para descer.

Lynetta estava lendo no salão quando os quatro guardas se reuniram a ela, Arnof e Arminel.

— Trouxe-lhe uma capa, senhorita. Creio que seja mais seguro que não seja reconhecida.

Ela assentiu para Arminel e agradeceu vestindo a capa. Ele olhou para Lynetta, sentada não muito distante e parecia relutante.

— Está tudo bem?

— Sim, claro Vossa Alteza. Não se preocupe.

— Não sou eu quem estou preocupada. — rebateu arqueando uma sobrancelha e seguindo para as portas que a levariam para fora.

Os guardas a seguiram e às portas, ela ergueu o capuz. Não iriam de carruagem, mas sim caminhando. Alguns guardas se afastaram como se fizessem um ronda e ela pediu que Arnof fizesse o mesmo.

Arnof seguiu atrás deles sem deixar um segundo de prestar atenção em sua princesa que seguia ao lado de Arminel, também com uma capa, conversando tranquilamente.

Daria sua vida para protegê-la. Assim como seu pai, nascera para a guarda, tinha orgulho do que fazia, era o orgulho de sua família. E isso era o suficiente para ele. Era até mais, tudo o que queria.

Seguiu-os de perto enquanto observava cada detalhe do reino. Parecia bastante agitado. Comerciantes para todos os lados, homens carregando baús e sacas em suas costas, feirantes gritando para atrair seus clientes e fumaça saindo das chaminés das casas. Uma mulher quase deixara uma pesada cesta de frutas cair ao chão quando ele correra para ajudá-la.

Arnof tinha um reflexo rápido e conseguira evitar o que viria a ser uma enorme bagunça. A moça agradeceu-lhe várias vezes enquanto ele a tranquilizava e foi então que ele viu.

Uma sombra serpenteava pelos becos e desapareceu rapidamente por trás de uma barraca de uma loja de bebidas.

Tinha os cabelos medianos que chegavam aos ombros e eram muito loiros.

Por que Lynetta, a princesa de Baechor, sairia sozinha do reino e sem uma capa? Deveria avisar a alguém ou ele mesmo segui-la? Foi quando percebera que perdera de vista Hoyer, Arminel e os outros guardas.

Não havia muito mais o que pensar. Lynetta também desaparecera então o que poderia fazer? Mas Arnof era curioso. Seu pior defeito.

Pediu desculpas mentalmente a Hoyer e seguiu também, por trás da barraca de bebidas.

Notas finais
Olá, olá, não demoro a postar. Pretendo fazer um tumblr dos personagens para a fanfic de forma que saibam logo a aparência de todos eles. Bjs bjs :* ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.