Notas iniciais
Mais um cap Espero que gostem ^^

Faziam exatamente sete dias desde que Austin estivera diante daquele quarto. Ziguezagueava a frente da porta esperando que os quinze minutos passassem logo para que ele pudesse entrar. Em sua mão, apertava a ampulheta com tanto nervosismo que por algumas vezes jurou tê-la quebrado.

Então, soou a badalada, ele abriu a porta respirando fundo. Aquela era a fera que havia matado a Vicktor, sem a presença de Nicolai, o que ela poderia fazer?

— Austin — Ele anunciou tentando demonstrar a tranquilidade ensaiada, que logo desapareceu quando ele notou as duas esferas luminosas que lhe encaravam. Um azul tão forte que parecia querer destroçar-lhe. Sem pensar, ele fechou a porta.

Ficou parado no corredor ainda segurando a maçaneta. Precisava entrar. Era seu dia de segurar a ampulheta. Não iria acontecer nada demais. Ela estava sob o controle de Nicolai. Ela estava sob controle.

Mas por que logo ele? Afinal, mal havia começado seus serviços como carniçal. Haviam tantos outros mais experientes, mais preparados. Mais uma vez respirou fundo. Sua família já servia ao vampiro há tanto tempo. Não podia decepciona-los, não podia rebaixa-los. Principalmente quando o próprio senhorio havia lhe designado essa tarefa.

Portar a ampulheta.

Austin abriu a porta novamente. Preparado para morrer se a fera se descontrola-se. Mas o que encontrou não foi a fera de outrora, foi apenas uma menina encolhida em um canto do quarto.

— Er, boa noite senhorita. Desculpe a minha demora eu tive que atender um chamado. — Ela ergueu a cabeça, numa expressão tão perdida que fez o coração de Austin apertar — Eu acho que você não entende uma palavra do que eu digo. Mas por favor... Vamos fazer isso logo.

Ele retirou a ampulheta do bolso, ela começou a chorar.

— Por favor, não... Não chora. Você deveria ser uma fera um predador, algo superior, por favor, não... — A menina ignorava suas palavras tentando conter as lagrimas e o desamparo — Não chora... Isso não vai dar certo...- Falou para si mesmo enquanto dobrava a manga da blusa.

Então ele estendeu o pulso e virou a ampulheta. Não havia sensação como aquela. Era difícil manter a postura, ficar indiferente diante de tamanho prazer.

Então caiu o último grão. Austin recolheu a ampulheta ainda meio inebriado pela sensação. A menina afastou-se agarrando-se a um tipo de rosário, encolhendo-se ainda mais do que antes. Ela não queria aquilo e ele se sentiu medíocre por estar lastimando que a areia estivesse acabado.

Notas finais
Então? O que acharam?