Sangue Quente - O Contágio
7 Capítulo Sete
Não consigo pensar em mais nada, se sairmos, eles vão nos matar, são dezenas deles. E agora?
Olho para meu pai, e vejo que ele também não sabe o que fazer. Ao olhar pra trás, percebo que os zumbis que estão do outro lado da janela começam a se levantar de onde estavam fazendo sua refeição. Papai olha pra mim.
– Precisamos dar um jeito de sair daqui. — Sussurra ele.
Balanço a cabeça em sinal positivo, mas no momento que vamos em direção a porta, ouço alguns tiros. Abro a porta e vejo alguns zumbis caindo. Mais a frente consigo ver três pessoas, dois homens e uma mulher. Um deles é negro e alto, está vestido com camiseta de time de futebol, e com short de tecido tactel; está com uma submetralhadora Colt Thompson M1. Ele detona os zumbis facilmente e por sua expressão, está se divertindo muito ao fazer isso.
O outro é um rapaz de vinte anos no máximo, é moreno e muito forte, está de calça cáqui e sem camisa. Seus braços são grandes e bem definidos; ele segura uma foice, e com uma velocidade incomum ele vai arrancando as cabeças dos mortos que chegam mais perto deles. A mulher, morena de cabelos encaracolados pretos, que usa um short jeans e uma blusinha branca, segura uma Pistola Colt .45, ao nos ver aponta a arma pra nós, e ao fazer isso meu pai levanta a nossa em direção a ela.
– Abaixem! — Ela grita. Ao escutar isso nos abaixamos rapidamente, milésimos após nos abaixarmos ela atira.
Olho para trás e vejo um zumbi caindo, em seguida mais dois que estavam saindo de dentro do mercado.
– O que estão esperando? — Grita o rapaz mais novo. — Corram!
Corremos em direção a eles, tento atirar em um zumbi que está mais a nossa frente, mas erro o tiro que passa alguns centímetros de sua cabeça. Meu pai em mais uma bela performance acerta não somente o que errei, mas também outros que estão em nosso caminho.
– O que vocês estão fazendo aqui? — Agora quem pergunta é o homem mais alto. — Vocês querem morrer?
– Estávamos procurando mantimentos. — Respondo. Meu pai me olha e percebo que ele reprovou minha resposta.
– E vocês, o que fazem nesse local infestado? — Meu pai pergunta, mas não para de atirar em zumbis que estão aparecendo.
– Estávamos procurando remédios e kits de primeiros socorros, — a mulher responde. — Tudo que possa nos ajudar. — ela para para recarregar a arma.
Vejo que ninguém está tão preocupado com os motivos por estarem neste local, mas sim em sair. Posso ver que ainda tem zumbis indo em direção de nosso carro; mas a grande maioria está tentando chegar perto de nós, mesmo sabendo que vão morrer. Eles não tem medo de morrer? Rio de meu pensamento. Como vão ter medo, se já estão mortos. Vejo meu pai olhando em direção onde nosso carro está.
– Temos que sair daqui, vamos Richard. — Chama meu pai.
– Precisam de ajuda? — Pergunta a mulher.
– Não, muito obrigado. — Responde meu pai. Começamos a correr. Viramos a rua para ir até a estrada, que está a mais ou menos duas quadras dali, porém, somos obrigados a parar. Mais mortos aparecem, todos saindo de dentro de um prédio comercial. Meu pai dá alguns tiros e voltamos de onde viemos.
As três pessoas ao nos verem correndo, e também os mortos que estão atrás de nós, começam a correr também.
– Venham! — Grita o Grandalhão. O mais novo está carregando uma bolsa na mão, e a mulher com duas sacolas de plástico. Entramos seguindo eles em uma oficina mecânica. Eles fecham a porta.
Todos nos olhamos, Penso em agradecê-los, mas não digo nada. Me surpreendo com as palavras de meu pai.
– Muito obrigado.
– Não foi nada. — Responde o garoto, ele olha para os outros que não dizem nada. — Mas agora, vocês bem que poderiam nos explicar direito o que aconteceu com vocês.
– Estamos na estrada faz muito tempo, — Meu pai começa a narrativa — Chegamos até aqui, e vi um completo caos e resolvi checar pra ver se encontrava alimentos, pessoas... — Ele para pra pensar mais um pouco, passa as mãos em seus lábios e continua. — Mas não podemos ficar aqui dentro, minha esposa e minhas filhas estão no carro no meio da estrada. — Me surpreendo ao ver meu pai dizendo "minhas filhas". — Qual o nome de vocês?
– Eu sou Donovan – Responde o Moreno alto. — Esse bombadinho aqui é Adrian, e ela Hanna. — dizendo e apontando para cada um. — E o seu?
– Meu nome é Charles, e o dele é Richard.
– Sua família está em perigo. E o que estamos esperando pra sair? — Diz Adrian.
– Você tem algum plano? — Pergunto. Não sei o motivo pela iluminação em seu rosto, mas deve ser algo muito bom.
– Ele abre a bolsa e pega uma garrafa com um líquido inflamável e coloca um pano dentro dela e deixando um pedaço pra fora.
– Coquetel molotov, — sibilando as palavras, forma-se um largo sorriso, e ele repete. — Coquetel molotov.
***
Subimos para o terraço da oficina, ao olhar para baixo vejo centenas de zumbis na parte da frente dela.
– Qual seu plano? — Pergunta meu pai meio incrédulo pela ideia vir de um garoto.
– Na oficina temos uma saída dos fundos, — Adrian diz, com muita autoconfiança. — Minha intenção não é matá-los, mas sim, distrair o máximo deles que conseguir, para chegarmos até o nosso carro. E também retardar o máximo que der para eles não encontrarem a sua família.
– Tá, mas como isso vai distraí-los? — Questiono.
– Agora vou explicar pra vocês um pouco do que sei sobre esses comedores de cérebros. — Ele olha para baixo, onde os mortos estão arranhando a porta por onde entramos. — Não sei se vocês sabem, mas essas coisas são atraídas pela luz e pelo som. Mas não me perguntem como eu sei disso. Eu apenas sei.
– Está bem. — Agora é meu pai quem fala. Os outros dois só escutam a conversa e nem se manifestam.
– Me passa o isqueiro Don. — Donovan vai até ele e entrega o isqueiro. Ele acende o pano do coquetel e atira. Pensei que ele jogaria bem onde os mortos estão, mas não, ele joga em cima de um carro que está a alguns metros do bichos. No momento da explosão, zumbis que passavam por ali são atingidos pelas chamas e começam a pegar fogo. Percebo que os mortos aos poucos vão indo em direção da luz. Ele acende outro coquetel e atira mais longe ainda, dessa vez ele acerta uma árvore que no mesmo instante começa a pegar fogo.
– Vamos. — Grita Hanna, que já está descendo as escadas. Todos seguimos ela, que vai em direção a porta dos fundos. Ao sair damos de cara com três zumbis.
– Deixa comigo. — Diz Adrian, pegando a foice ele corre em direção ao primeiro zumbi e sem muito esforço arranca sua cabeça; o outro chega ao lado dele esticando as mãos para agarrá-lo, mas Adrian é muito mais rápido, com dois simples golpes ele arranca as mãos do morto, que jorram um líquido preto, ele passa uma rasteira no zumbi que cai no chão, então enfia a faca que estava em seu cinto na cabeça dele. Com grande habilidade em manejar os dois instrumentos mortais, ele vai em direção ao terceiro zumbi, joga a faca na cabela dele, que amolece o corpo no mesmo momento, mas, antes de cair ele passa correndo e arranca a cabeça do zumbi fora. Não consigo acreditar nos que vejo, o cara é rápido demais. Nunca imaginei que alguém marombado assim fosse extremamente ágil. Depois de seu show particular, ele retira a faca da cabeça do falecido, e limpa nas roupas do monstro. Meu pai também está atônito com a cena que acabou de ocorrer, é preciso ouvir a voz de Donovan nos chamando para despertarmos.
Corremos cerca de dois quarteirões e já estou ofegante, eles apontam para a pick–up vermelha que está a alguns metros a frente. Por que eles correram tanto se no caminho ví muitos carros aparentemente bons para uso? Chegando mais perto vejo que é uma montana.
Donovan senta no banco do motorista, e ao lado dele fica Hanna. Nós três ficamos na caçamba. Analisando, agora sei o motivo por eles quererem este carro. Além de muitas bebidas alcoólicas, vejo algumas armas, e o que eles tinham dito que procuravam, remédios e kits de primeiros socorros.
Meu pai está falando com Donovan, dizendo onde deixamos a S10.
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