Notas iniciais
Não tive tempo de revisar este capitulo, mas espero que gostem.
Laura acordou meio atordoada, precisou piscar os olhos varias vezes ate que sua visão ganhasse foco novamente, ela estava deitada em uma cama de casal com um enorme dossel com um mosquiteiro em volta, ao se levantar da cama pode perceber que o quarto era bem grande, do tamanho do dela, embora ela já percebesse que não estava mais em casa, a pintura da parede, um bege bem suave, estava um pouco gasta, havia uma janela grande de madeira no estilo vitoriano, que estava aberta permitindo a entrada de luz e de uma brisa gelada, que não chamou a atenção de Laura para ver a paisagem lá fora, e uma porta do mesmo modelo da janela, toda trabalhada, e duas portas mais simples, provavelmente a do banheiro e do closet, ambas fechadas e todos já um pouco envelhecidos, toda a decoração do quarto também era um pouco velha, porém totalmente conservada e nobre, a cômoda de madeira com um enorme espelho, uma mesa de estudos em um dos cantos com livros e uma mochila preta aberta com materiais escolares dentro dela, o piso era de pedra polida, e as malas com as roupas da Laura ainda estavam feitas, jogadas ao chão ao lado da cama. Ela ainda estava com a mesma roupa que usara no jantar com o pai, calça jeans e moletom, só que agora estavam mais amarrotadas.
Os detalhes da noite passada ainda estavam confusos em sua mente, quanto mais ela tentava se lembrar do que aconteceu no dia anterior sua cabeça doía mais, e o chiado em seu ouvido ficava mais forte, parecia o som de ondas batendo em rochas, o que só piorava sua enxaqueca. Em relação à noite anterior ela só se recordava de estar discutindo com o pai durante o jantar, e depois tudo são borrões na cabeça dela. Mas conhecendo o pai ela sabia que ele havia aproveitado o mal estar dela e a mandado para outro internato sem ter que lhe dar nenhuma explicação.
Laura aproveitou o fato de não ter nenhuma colega de quarto e de que ate agora ninguém bateu em sua porta para apresenta-la ao seu novo colégio e foi tomar um banho bem demorado, ela espalhou o conteúdo de uma das malas ate encontrar uma roupa para trocar, deixando tudo o que estava na mala espalhado sob a cama. Ela havia acabado de sair do banho quando batem em sua porta, justamente quando ela pensa que iria ganhar o “dia de folga”, sem aulas, ou apresentações típicas de alunos novos. Ela foi abrir a porta ainda com a toalha no cabelo, e estava vestida com uma causa jeans rasgada e um moletom preto que ficava grande nela, pois pertencia a Miguel quando ele era vivo, todos os moletons que ele usava e estavam na casa deles Laura pegou para ela, usa-los era a forma que ela encontrou para se sentir mais perto dele.
— O que você quer? – perguntou ao abrir a porta, do outro lado estava uma garota que parecia ter a mesma idade que Laura, baixa, talvez um pouco mais de 1,50m de altura, pele bem clara e enormes cachos ruivos que caiam ate o final de suas costas, ela tinha poucas sardas no rosto, que incrivelmente a deixavam mais bonita, e olhos verdes claros que ficavam em destaque naquele rosto miúdo, ela parecia uma boneca de porcelana, frágil e linda, mesmo usando um vestido de inverno que parecia ser de outro século, preto com pregas e que cobria todo seu corpo, deixando só o pescoço e as mãos à vista.
— Oi, você deve ser a Laura, a novata, não é? – perguntou com um sorriso no rosto, parecendo ser simpática.
— Se eu disser que não, você vai fingir que nunca me viu e me deixar passar o resto do dia em paz no meu quarto? – despejou seu mau humor na primeira pessoa que encontrou.
A garota riu, preferindo entender as provocações de Laura como uma piada.
— Eu me chamo Erza, estou aqui para te mostrar o Instituto, e você teve sorte em ser eu a escolhida para te mostrar esse lugar, a maioria das pessoas não são tão legais quanto eu, e além do mais você já é uma celebridade aqui por causa do diretor, e isso não é uma coisa boa, todos detestam o diretor.
— Eu não tenho ideia do que você esta falando, e você fala como se houvesse muitos motivos para se odiar o diretor daqui, além do fato dele ser o diretor.
— E há vários motivos para se falar a verdade, mas isso você vai descobrir por conta própria.
— Só não entendo o porque já sou uma celebridade aqui, não conheço ninguém aqui, muito menos o diretor.
— Você não se lembra? – perguntou, mas após ver o olhar de Laura, que claramente não sabia do que ela estava falando, prosseguiu – Bem, você chegou aqui ontem no começo da noite, alem de ser muito raro, muito raro mesmo, alguém entrar aqui no meio do ano letivo, você ainda veio de helicóptero, e como se isso já não chamasse muita atenção, algumas pessoas te viram entrar aqui sendo carregada no colo, alguns dizem que era porque você estava chapada demais vir andando, outros dizem que você estava drogada e há ate quem diga que te doparam, mas em uma coisa todos concordam, quem te carregou no colo ate aqui foi o próprio diretor.
Laura ficou em silencio, agora tudo começava a fazer sentido para ela, aquele desmaio não foi provocado por um simples mal estar, o pai dela havia colocado alguma droga para que ela dormisse, não era de se espantar que ele fizesse tais coisas com a filha, para Laura, alguém que teve coragem de matar a própria mulher, seria capaz de fazer qualquer coisa, ela só não entendia o motivo dele se dar ao trabalho de droga-la, ela já sabia quando estava jantando com ele de que logo iria ser mandada para outro internato, não havia necessidade de dopa-la.
— Laura, Laura – chamava Erza tentando voltar a ter a atenção de Laura.
— O que?
— Você prestou atenção no que eu disse?
— Desculpe, mas não, você pode repetir? – Laura perguntou educada, por alguma razão ela não queria mais tratar mal aquela garota, ela representava tudo que Laura detestava garota bonita, certinha, e com aquela irritante aparência de garota em perigo, que grita por proteção, mas algo nela pareceu amigável a Laura.
— Eu disse que você já perdeu todas as aulas da manhã, e acredito que já perdeu o almoço também, e se não for rápida vai chegar atrasada na primeira aula da tarde também, foi um banho muito demorado hein – brincou.
—Como você sabe que eu acabei de tomar banho? Você estava me ouvindo por trás da porta? Você não é nenhuma tarada, é? – Erza riu com a ultima pergunta, e Laura mesmo sabendo que não fez nenhuma piada, acompanhou sua risada.
— Eu só supus que você tivesse saído do banho porque ainda esta com a toalha enrolada na cabeça – apontou para a cabeça de Laura, onde a toalha estava molhada por ficar tanto tempo no cabelo dela.
As duas riram juntas, enquanto Laura tirava a toalha do cabelo ainda molhado.
— Você me espera pentear o cabelo para me mostrar a escola? É rapidinho.
— Desculpe, mas não tenho tempo.
— Mas você disse que só veio aqui para me mostrar o internato, e falando no internato, eu não sei nem ao menos qual é o nome deste, ou em qual país estamos.
— Eu deveria mesmo te mostrar tudo aqui, mas não tenho tempo, sinto muito, mas algumas obrigações são mais importantes que outras. E alias, estamos no Internato Hole in Soul e não se localiza em nenhum país exatamente, estamos no meio do Pacifico, em uma pequena ilha perto da Inglaterra — Laura não podia acreditar no que estava ouvindo, para ela nenhum lugar no mundo poderia ser pior que esse internato, esse lugar era o cenário de seus piores pesadelos, mesmo essa sendo a primeira vez que ela pisa nesse local, e agora ela seria obrigada a morar ali, morar no lugar que ela sabia ser o ultimo lugar que seu irmão morou, o instituto de malucos, como Laura o chamava, onde o próprio pai jogou o filho para morrer e agora internou sua ultima filha. Ela empalideceu e um turbilhão de sentimentos ruins a invadiu, medo, raiva, tristeza, e uma única certeza, ela tinha que sair dali o quanto antes — Então Laura, seja bem vinda ao seu novo lar doce lar.
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