Sangue Na Lua
1 Capítulo 1 - Primeiros contatos
– o que?
– hai, isso mesmo que você ouviu. Ela foi encontrada hoje de manhã desacordada aqui em frente ao palácio.
As palavras da Tsunade-sama soaram um tanto confusas. Haviam encontrado uma mulher desacordada próxima ao palácio da hokage, uma mulher que aparentemente ninguém conhecia, nem sabia nada a respeito.
– ela não se lembra de absolutamente nada sobre sua vida antes de acordar aqui — continuou a godaime — nem mesmo seu nome. E eu quero que você fique responsável por descobrir o passado dessa garota.
– por que eu? Quer dizer, a senhora havia pedido que eu comandasse a missão no País da Neve e...
Ela me interrompeu
– eu já mandei o Gai no seu lugar. Você deve cuidar dela, Kakashi.
Ela hesitou antes de continuar:
– porque ela disse seu nome enquanto ainda estava desacordada.
Meu nome? Como ela sabia meu nome? Quem era ela... o que ela pretendia fazer em Konoha...
– bom, encare isso como uma missão. Ela está no hospital. Foi levada pra la numa tentativa fracassada de faze-la lembrar alguma coisa.
Hesitei por um momento.
– hai. — e fui em direção à porta, mas antes que saísse da sala ouvi novamente a voz da hokage, em um tom de preocupação.
– tenha cuidado, Kakashi. Não sabemos nada sobre essa mulher, pessoas normais não saem no meio da madrugada pra ir à uma vila como Konoha com boas intenções. Ela pode ser perigosa.
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Droga, o que eu ainda estou fazendo aqui? Que lugar é esse...
– ah finalmente! Que bom que acordou.
Uma garota sorria enquanto me olhava atenciosamente. Deveria ter uns 13 anos, um cabelo cor de rosa na altura dos ombros.
– meu nome é Haruno Sakura. Você se lembrou de alguma coisa? Seu nome...
Verdade. O que aconteceu? Só me lembrava de dois homens me trazendo até esse lugar, e de varias pessoas vestidas de branco usando ninjutsus para tentarem me ajudar a lembrar de alguma coisa...
Eu... meu nome... minha memoria estava em branco. Não conseguia me lembrar de nada...
– Então? Seu nome. Você se lembrou?
Balancei negativamente com a cabeça. A garota me olhou com decepção.
– quero sair daqui. — disse, me levantando. Aquele lugar me dava náuseas.
– nao, você não pode. — a garota entrou na minha frente — Ainda não recuperou sua memoria...
– e nao vai ser aqui que vou recuperar. Olha, agradeço pelos cuidados, mas eu estou bem. Minha cabeça parou de doer, eu quero sair daqui.
– não, não vou deixar que saia deste quarto.
Antes que eu pudesse voltar a argumentar, fui surpreendida por uma voz masculina:
– pode deixar ela sair, Sakura.
De repente um homem havia entrado no quarto, sem que ninguém percebesse. Tinha o rosto praticamente escondido, com uma mascara escondendo seu nariz e boca. A bandana no seu olho esquerdo, e o cabelo cinza espetado. E apesar de mal poder ver seu rosto, meu primeiro pensamento foi achá-lo extremamente atraente.
– kakashi sensei! — a garota olhou para o homem. Então ele era sensei dela... — ela não se recuperou, não é seguro deixar ela andar por aí sozinha...
– e quem disse que ela vai sozinha?
A garota ficou confusa. E eu também... ele continuou:
– eu vou com ela.
Como é? Pensei.
A garota hesitou por um momento, mas concordou sorrindo
– hai.
– espera aí! — me manifestei — hai coisa nenhuma, quer dizer que agora eu tenho uma babá?
Ele o olhou pra mim
– é isso ou ficar aqui. Você escolhe.
Droga...
– ok... então vamos, babá.
– eu ia preferir se me chamasse pelo meu nome. Ou você só diz quando está desmaiada?
O que ele quis dizer com aquilo? Eu só sabia que se chamava Kakashi porque a garota havia dito...
– como assim? — perguntei.
– nada importante. Entao, vamos?
Ele esperou que eu trocasse de roupa e então, antes de sairmos do hospital senti falta de uma coisa.
– onde está o meu leque? — perguntei para Sakura. Ela se surpreendeu com a pergunta.
Voltei a perguntar
– meu leque? Cadê ele?
Não sabia como, nem porquê, mas aquele leque era a unica coisa da qual me lembrava. Era como se ele fizesse parte de mim...
– ah, aqui está.
Ela tirou o leque de uma gaveta e entregou a mim. Eu podia não lembrar nem mesmo do meu nome, mas sabia todas as funções obscuras daquele leque. Podia usá-lo com perfeição se fosse preciso...
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Um leque? Por que ela teria um leque?
Ela o pegou das mãos da Sakura, e num piscar de olhos o leque estava preso num mecanismo no seu braço. Na ponta do leque havia um aro aproximadamente do tamanho de um anel, que ela colocou no dedo médio e o girou, fazendo com que o leque se encaixasse verticalmente em uma espécie de bracelete em seu pulso direito.
Ela era completamente diferente de como havia imaginado. Tinha cabelos compridos e lisos, incrivelmente negros, olhos claros e um corpo perfeito.
E pela primeira vez reparei que ela tinha uma tatuagem na perna esquerda. Um dragão chinês, começando na sua coxa, dava duas voltas em sua perna, com a calda terminando em seu tornozelo.
Era incrivelmente bonita...
– entao... vamos?
– ah, claro. — concordei, saindo na frente.
Ja era tarde, estava prestes a escurecer. E ela permaneceu em silencio durante todo o percurso desde a saída do hospital até a barraca de ramen do Ichiraku, onde uma voz irritante e conhecida nos chamou a atenção...
– KAKASHI-SENSEEEEEI! — gritou Naruto, correndo na nossa direção — sensei! Não está com fome? Deve ter tido um dia cansativo, não quer comer uma tigela de ramen comigo? Onegaaaaaai!
– Naruto, da próxima vez que quiser que eu pague ramen pra você, diga logo de uma vez.
– aaaaah kakashi-sensei! O Ero-senin pegou meu dinheiro todo para ir investigar o paradeiro do Sasuke!
A ingenuidade do Naruto me surpreendia às vezes.
Foi quando ele finalmente percebeu a presença da mulher ao meu lado.
– hmmmmmm Kakashi-sensei arrumou uma namorada?
– Baka. Vamos, entre logo, eu pago. — me virei para ela — você deve estar com fome.
– hai. — ela concordou, e entramos na barraca do Ichiraku.
O tempo que passamos la foi o suficiente para explicar ao Naruto tudo o que havia acontecido. Ele provavelmente era a unica pessoa que ainda não sabia do ocorrido.
Quando saímos de la já estava escuro, a lua cheia iluminava o caminho de volta.
– a Tsunade-sama arrumou um quarto para você. Não precisa dormir no hospital, se não quiser... — parei de falar quando percebi que ela não me ouvia.
Estava parada, olhando para o céu, para uma única estrela que brilhava intensamente. Ela parecia perdida em pensamentos enquanto a observava.
– hm, nee-chan? — Naruto quebrou o silencio. — Você está bem?
Ela demorou um pouco para responder.
– sim. Estou bem... é só que... essa estrela. É tão... linda. Me parece familiar, de certo modo.
– hmm você gosta de estrelas, nee-chan?
– parece que sim. — ela respondeu, ainda olhando para cima.
– você não sabe seu nome mesmo?
Ela balançou a cabeça negativamente. Naruto continuou :
– então vamos te chamar de Hoshi!
Ela finalmente baixou o olhar, o encarando. Hoshi... estrela.
– Hoshi — repetiu ela, sorrindo — gostei.
Os dois sorriram um para o outro. Ela se virou para mim
– você gosta desse nome, kakashi-san?
– Gosto. Combina com você.
E por um instante nos entreolhamos. Quando fomos novamente interrompidos pela voz do Naruto
– Kakashi-sensei... o que é esta neblina?
Olhei ao redor... aquilo não era neblina.
– Cuidado, Naruto! Hoshi-san! — gritei! — Isto é fumaça, estão usando um jutsu para se esconderem! Podem nos atacar a qualquer momento!
– HAI' TTEBAYO! — ele gritou de volta, virando-se de costas para mim, protegendo a Hoshi-san.
– quem? — perguntou ela, mas suas palavras foram abafadas pelo som de centenas de kunais vindo na nossa direção por todos os lados.
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