Sangue Monstro
36 Uma breve conversa.
Notas iniciais
Raphael não estava na casa dele, os empregados disseram que ele estava resolvendo assuntos dos negócios e tive que esperar, acabei pegando no sono em um sofá e quando acordei, com o som da porta do andar de baixo se fechando, sabia que era ele. Me levantei e pude notar que já era de noite, o procurei pelos cômodos e o encontrei no escritório guardando pastas.
–Diga onde esses policiais estão. — o encarei.
Raphael ficou surpreso por um momento, mas então disse quase que com sarcasmo no tom voz:
–Não.
Me aproximei e o empurrei para a estante segurando a bem passada gola de sua camisa.
–Não me faça ter o seu sangue em minhas mãos, Raphael. Diga!- ele continuou me encarando indiferente. — Eu não vou levar ninguém, seus seguidores ficarão bem.
Ele pensou por um tempo me olhando sem uma expressão:
–Hotel Luna Vip, térreo, 24.
–Obrigado. -O soltei e comecei a sair.
–Roan! Espera!- como Jennifer conseguiu falar alto? Pensei. E ela estava logo atrás de mim. — Você não pode ir lá sozinho...
–Por que não? Eles são apenas humanos, Jenn, e eu sou o que eles querem.
Sai para os fundos da mansão.
–Mas... — A olhei sério e ela ficou quieta.
–Vou tentar apenas conversar com eles... -Me afastei e me transformei. Seria mais rápido assim e a maioria das cercas ou muros poderia pular. Mas dei alguns passos e tive que parar para encarar a menina. –Não me siga Jennifer.
Era por volta tarde da noite, as ruas que percorri eram de bairro, não encontrei pessoas. Logo estava na frente daquele hotel barato de beira de estrada, não demorou muito e senti o aroma que os policiais carregam por causa da pólvora. O carro comum e negro se acomodou no estacionamento e os dois homens desceram conversando. Esperei eles seguirem para o quarto e conformei onde eles estavam.
O que ia fazer? Eu não tinha certeza, mas precisava fazer algo. Entrei no lugar sem problemas e parei na frente daquela porta numerada. Fiquei indeciso em fazer o que disse que ia fazer para Jennifer ou simplesmente espalhar o sangue deles por lá. Mas então a porta se abriu e estava diante de um dos homes, cerca de quarenta anos, cabelos castanhos enrolados e olhos negros. Ele pareceu surpreso, primeiro por dar de cara comigo e segundo quando me identificou como aquele que ele estava procurando. Logo o parceiro dele, outro homem talvez cinco anos mais novo de pele morena e mais ao fundo do cômodo, puxou uma pistola do cinto e apontou pra mim.
– Vocês mataram uma pessoa importante, e isso é muito errado.
–Nós? — o que estava próximo disse com confiança por o outro me ter na mira. — Não garoto, fizemos o nosso trabalho. E pelo que sabemos você é que fez muitas coisas erradas, não só aqui como em outros lugares.
–Então deviam vir atrás de mim e não deles. Eles não têm nada a ver com isso.
–Eles?- o homem estranhou, ou fingiu. –Seus amiguinhos ainda podem ser perigosos, como você, não tem o que prove o contrario. Por isso convocamos reforços, mais especializados.
– Posso me entregar, se vocês o deixarem em paz.
O mais velho riu sarcástico e o outro logo o acompanhou.
–Se entregar... –riu um pouco mais. – Você esta preso. De seus pulsos.
Afastei quando ele se aproximou e nos encaramos.
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