Sangue Monstro
8 Os mistérios d'Água.
Notas iniciais
Um bom tempo depois eu estava mais calmo. Os outros alunos que corriam foram sumindo aos poucos e quando o ultimo parou fui me sentar na arquibancada do ginásio. Não ia ficar correndo sozinho e já estava cansado. O professor não ia ligar, estava mais interessado em coordenar os golpes dos alunos que lutavam. Sentei próximo da minha mochila, que resolvi levar comigo, pois tinha coisas importantes. Passei a mão na testa limpando o suor irritante que fazia meus olhos arderem. Que aula horrível acho que entendo o que os Chris e Will tentaram me dizer.
Puxei minha garrafa da mochila, estava com sede, e tomei um gole observando a luta de dois garotos. A luta consistia em derrubar o outro e imobilizar, e aquele dois eram bons.
–Ei! Isso é agua? Me da um pouco. — ouço de repente e Anne toma minha garrafa antes que possa dizer qualquer coisa. Logo a seguir ela cospe sobre o piso e faz uma cara de nojo. -Que porcaria é essa?!- eu rio dela pegando a garrafa de volta.
–Eu ia dizer que você não ia gostar e que não era agua, mas a brutalidade veio primeiro e você descobriu sozinha. -sorri e tomei outro gole com ela me olhando.
–Brutalidade?!- a ficha caiu depois de alguns segundos de expressão de nojo. -Eu sou uma dama e faço o que quero. -levantou o queixo me olhando superior.
– Não me faça rir...
–Ou você engasga de novo?- disse irônica e me interrompendo.
–O que você esta fazendo aqui?
–O que é isso que você bebe? Parece soro.
–Me responder com perguntas é irritante. -Ela deu de ombros, indiferente. Suspirei notando que ela só iria me responder depois de ter sua resposta. – Agua comum não serve pra mim beber, desidrata rápido demais e é quase um veneno que me mata lentamente. Agua misturada com sal e açúcar dura mais e é bem mais eficiente. Mas serve líquidos impuros como: refrigerante, suco, leite com alguma coisa e tem continuação...
–Isso é coisa de doido. -dei de ombros, indiferente, como ela tinha feito. -Certo. Respondendo você: Dança é chata, e eu venho aqui assistir a luta dos meninos às vezes. Aliais você é péssimo. -e me olhou desdenhando como se soubesse de tudo de luta. -Não sei como sobreviveu todos esses anos caçando e lutando desse jeito. –ela se voltou para luta no ginásio. -Você tem muita coisa para aprender. Até eu poderia te derrubar.
–Eu duvido disso.
–Então se levante. — ela ficou de pé e me chamou determinada. Fiz o que ela queria e ela me empurrou alguns passos para longe dos degraus e se afastou. –me agarre.Vem.
Levantei uma sobrancelha para ela e sorri de lado, ela podia ter usado outra palavra. Anne revirou os olhos sabendo o que pensei e me apressou. Depois disso, só sei que fui parar no chão sem nem toca-la direito, e sem o colchonete para amortecer a queda o som ecoou alto pelo lugar. Minhas costas doíam e me faltava um pouco de ar. Ela sorria para mim vitoriosa e sem nenhum sinal de esforço. Resolvi ficar ali um pouco pensado, quando Damian apareceu segurando o braço da menina e a arrastou para fora. Mas a cara dela parecia já esperar por algo assim do ruivo.
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