Sangue Monstro
14 O quarto.
Notas iniciais
Acordei lentamente com fome. Estava olhando um teto baixo com um grande pôster de fundo do mar azul com vários peixes e achei estranho. O lugar tem uma iluminação alaranjada vindo de abajures, já deve ser noite á algum tempo. Ouvi o som de teclas e não me esforcei muito levantando a cabeça para notar Melanie no canto do quarto usando um computador distraidamente. Voltando a apoiar no travesseiro olhei para o lado e notei Jennifer em uma poltrona amarelada e aparentemente macia, ela tinha um livro na mão direita abaixada demais para ela estar lendo, parecia mais é que estava cochilando. Observei-a por um momento, ela sempre usa roupas pretas que a fazem não chamar atenção, não diferente de agora. Ela se move incomodada então a olho. Jenn tinha acordado e me observava com as maças do rosto rosadas.
—Onde eu estou?- pergunto ainda sentindo meu corpo lento e notando que os poucos cortes do meu corpo estão protegidos com um curativo.
—No meu quarto. -respondeu ela levantando o livro novamente de forma que pudesse ler.
—Por que estou no seu quarto? –estranhei. — Raphael não tem um quarto de hospede ou coisa assim?
Os sons de teclas param por um momento antes de continuar agitadas.
—Ele transformou os outros quartos em outras coisas. Sala de jogos, escritório, arquivos, sala de tevê pessoal, deposito. Este já era o único quarto quando cheguei.
Um responsável irresponsável para administrar esse grupo, é a minha conclusão. Pelo menos a cama era macia e o aroma do lugar era aconchegante. Girei meu corpo me ajeitando de bruços.
— Certo Jenn. Então vou dormir mais um pouquinho.
Ela ia dizer algo quando fechei os olhos mais não ouvi nada depois. Continuei em silencio e em alguns minutos eu fui para o mundo dos sonhos.
Pouco mais tarde alguém me cutuca e me chama. Vejo que é Victor de pé ao lado da cama e ele diz:
—Roan, eu vou te ajudar com esse cabelo torto, vamos.
O encaro e logo depois vejo Jenn atrás dele que assistia a cena.
—Você o chamou para me tirar daqui, não foi?- Ela não responde e sai do quarto.
Me sento e tento me esticar, há algumas dores nas costelas e os cortes que quase me fazem gemer de dor ardem. Sigo Victor para fora e no corredor encontramos Jenn esperando.Victor lança um olhar para ela como se disse “pronto tirei ele de lá”.
—Pode deixar Jenn, mais tarde eu volto. Gostei da sua cama. -pisco e sorrio de lado para ela.
Admito que é divertido ver a transformação da cor do rosto dela,do branco perfeito ganhando os tons de vermelho diversos. Mas vou deixa-la em paz por enquanto, pois é muito estranho não sentir o cabelo de um dos lados do meu rosto.
—Victor, podemos passar na cozinha antes?- ele concorda.
A mãe de Victor se chamava Martha e foi ela quem cortou meu cabelo. Ela falava o tempo todo, bem ao contrario do filho, e disse que era a dona de um salão de beleza no centro da cidade e sabia exatamente o que iria fazer comigo. Eu não me lembro de ter falado mais que três frases no resto daquela noite.
Na manhã do dia seguinte ela notou o que eu não tinha me importado, as minhas roupas não estavam apresentáveis e logo obrigou o filho a me arrumar alguma coisa. Porém Victor era um pouco menor que eu e a blusa branca sem estampa ficou justa. Ainda bem que o jeans que eu tinha ainda estava bom, se não a coisa podia ser pior. Dona Martha gostou de como fiquei pela cara que fez quando me viu pronto com o novo corte de cabelo, mas logo depois se aproximou pegando um vidro de qualquer coisa pulverizando sobre minha cabeça e se esticou para passar uma mão nos meus cabelos mais curtos os ajeitando comportadamente como o penteado do filho. O que não adiantou muito, pois assim que ela se afastou eu baguncei tudo, e ela só disse que também ficou bom como fiz.
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