Sangue Monstro
51 Não me deixariam ficar.
Notas iniciais
Ainda observava Jennifer quando de repente Tess me puxou de onde estava sentado e começou me levar em um tipo de dança e a cantar uma musica, ela estava feliz, e não deve ter achado outro animado para comemorar com ela. Então ela parou e olhou com atenção para algo atrás de mim, me virei e vi quatro soldados me encarando.
–Roan, estamos indo agora, nos acompanhe.
Ah não, pensei, e olhei Jennifer com Raphael, os dois estranhando o que podia estar acontecendo.
–Roan?... Porque...- começou a Tess.
Senti um dos soldados pegar no meu pulso e o frio do metal de uma algema.
–Tess, diga para Jennifer não se envolver com o comando ou correr qualquer risco por mim. — pasma ela apenas concordou me vendo ser arrastado. -Faça-a prometer isso, Theresa!
Logo fui trancado dentro de um dos carros, e, enquanto os quatro homens entravam, vi Raphael se aproximar de Neitan e tentar convence-lo a me deixar ficar por aquela noite, mas o oficial do comando contra pôs que precisava mostrar que o objetivo da missão foi cumprido para prosseguir com o acordo que fizemos. Em seguida os carros partiram. Resolvi não olhar para trás, e estava certo, pois assisti um dos soldados arrumar uma seringa de algum lugar e me espetar, antes que pudesse terminar de perguntar o que era aquilo o cansaço me tomou e eu apaguei ali mesmo, chacoalhando no banco de trás de um carro, sem saber para onde estava indo.
[Narração de Raphael]
Roan podia ter conversado comigo sobre o que fazer durante o acordo, mas mesmo assim não poderia pensar em uma forma de evitar que ele fosse levado, afinal seus crimes são desumanos demais.
Naquela noite tive que acompanhara alguns dos jovens até o hospital e eles acabaram não tinham nada de grave como pensei. Os dias seguintes também não foram sossegados, o oficial Neitan convocou uma reunião comigo, realizada na minha casa, trazendo os papeis que iriamos assinar para eu rever, já que seria o responsável pelos descendentes livres da cidade. E depois me deu o trabalho de juntar depoimentos e outras coisas que confirmasse que os descendentes da região não tinham nada de mal ou sanguinário como Roan, para acrescentar á papelada. E depois do acordo firmado, houve a convocação para os descendentes-monstros que se interessassem em fazer parte do comando, Mark e seus amigos gostaram da ideia, e como não iam voltar para Diego, se candidataram e saíram da minha casa assim que suas fichas foram aceitas. Agora rotineiramente tenho o trabalho de registrar e fichar cada descendente que está sob a minha responsabilidade, e assim eles podem parar de se esconder ou ter medo.
Em todos esses dias agitados, não pude esquecer o moleque desordeiro, porque via Jennifer solitária pela casa, ela não quis voltar para a escola como os outros. Dava para notar que ela tinha perdido algo importante. Até tentei ajudar solicitando um encontro entre os dois para Neitan, mas nem ele conseguiu apelo suficiente para conseguir isso, os maiores oficiais disseram que um super-assassino-fugitivo não podia receber qualquer visita em sua prisão. E foi nessa conversa que tive a oportunidade de perguntar o que estava acontecendo com ele.
“Roan esta em uma prisão perto da capital do estado, está instalado em uma cela totalmente especial para ele e para as habilidades que foram vistas.” Me informava Neitan pelo telefone. “Nesses dias que se passou, ele foi ouvido sobre os muitos julgamentos e processos que esta sendo acusado. A maioria ele confirmou sem hesitar muito, outros ele também ficou confuso e não ficou claro. Agora Roan esta apenas esperando uma sentença e então uma data para a execução do que foi decidido.”
Pouco depois de saber dele, e que provavelmente o destino dele estaria fadado a se encerrar, resolvi arrumar o quarto de Jennifer, tirar a cama extra, mudar as coisas para seguirmos em frente. Mas foi estranho... Jenn estava distante do mundo, assistindo, sem ver, os empregados levando os moveis.
–Vou arrumar isso em um quarto de hospedes. –disse para trazê-la de volta ao mundo. — Não fique assim Jennifer. Foi o acordo dele, talvez tivesse outra forma, mas agora já está feito. Quem sabe ele não tem uma carta na manga, ou coisa assim. Roan não um tipo previsível...
Ela me olhou, mas então os empregados chamaram sua atenção ao levar o colchão porta à fora e tudo realmente pareceu vazio. Depois subitamente Jennifer se levantou e foi buscar algo que estava sob o estrado da cama. Depois voltou á mim entregando um envelope pardo e se sentando do meu lado, sobre a cama dela [talvez estive com medo do que podia ter ali]. De dentro do envelope retirei uma folha de caderno amassada e suja com borrões de grafite, tinta e talvez uma mancha de Catchup no canto. No topo da folha tinha desenhos incompreensíveis, interrogações e pontinhos da ponta de uma caneta azul, como se quem escrevesse a tivesse cutucado sobre o papel ao pensar. Então após alguns rabiscos ilegíveis estava escrito:
“Raphael, isso é para registar, já que talvez seja necessário, pois posso acabar indo parar longe demais e sem poder contar essas coisas que acho que são importantes para você. Não que eu tivesse alguma vontade de dizer essas coisas pessoalmente, porque você provavelmente me faria mais perguntas do que suportaria responder, então desejaria não ter começado o assunto...”
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