Sangue Monstro
1 Existência
Notas iniciais
As escolhas são definidas quando alguém tem mais de uma opção. E quando não se tem essa opção? Seria isso obrigação, maldição, destino ou punição?
Eu não nasci assim, pelo menos era nisso que eu gostaria de acreditar. Eu sou feito disso, desse sangue que me faz ser o que sou. Composto por desejo, medo e terror. Com uma única anciã e amor por toda a eternidade, pelo que descobri, mas não vou dizer agora.
Eu sou um monstro. Categoria A. E todos estão me perseguindo, os invejosos talvez, pois nesta realidade existe apenas descendente de monstros classificados como categoria E e F, e mais alguns raros categoria D.
Dizem que eu estrago a fama que eles têm... que primos desunidos. Agora atrás deles e de mim esta um comando do governo e estes estão querendo eliminar o problema.
Foi na quarta feira dia 22. Quando aquele grupo de três garotos e duas meninas me cercaram no bosque. Era meia noite...
–Rendasse agora Roan. Não queremos te fazer mal, somos como você. –disse a garota loira e baixinha gentilmente.
Limpei o sangue das mãos na calça velhas e cinza a olhando. Minha caça já estava garantida, mas recebi visita antes de me saciar.
– Tsc... Tsc... — Suspirei olhando as mão mais limpas.- Vocês não podem me entender não é mesmo. -olhei a garota. — Eu não sou como nenhum de vocês... -olhei para os cinco um de cada vez. -Talvez aquele possa entender um pouco o que estou dizendo. — olhei para um ruivo e alto, podia sentir que ele era mais puro que os outros e tinha interesse no que eu tinha conseguido.
– É verdade nenhum de nós pode entender o exatamente você é.-disse um garoto com moletom vermelho.- É um puro sangue que há séculos não aparece. Mas estamos aqui para te ajudar e...
–Me impedir?-completei interrompendo desdenhosamente. – Sinto muito por... seja quem for que esteja mandando vocês atrás de mim. Mas minha natureza é mais forte e vocês não tem ideia disso. E eu não vou mudar o que sou.
–M-mas...-diz a menina.
–Não! Estou sozinho nisso e me deixe me virar com aqueles tiras irritantes. Talvez se eles tiverem sucesso o problema de vocês também é resolvido.
–Roan, nós não podemos deixa-lo sozinho. É a pessoa mais importante da nossa espécie e o mais forte, e a cada ação como essa- apontou o corpo aos meus pés. — Só destrói o que nós somos. Vivemos sem ter que fazer isso, e queremos te ajudar a conviver com os humanos e não causar mais problemas.
Chocalhei a cabeça tentado impedir a forma como aquelas palavras penetravam. Eu era o mais forte entre eles, mas não forte para combater os meus desejos e impulsos. O sangue neles era mais fraco e em mim... era puro. Irremediavelmente puro e monstruoso.
–Não queremos te ver sozinho, nem fugindo, nem sendo morto por aqueles homens.- diz uma outra menina de vestido.
–Esta bem. -concordei querendo apenas iludi-los e depois fugir. — Agora se me permitirem aproveitar essa ultima... — estendi a mão indicando aquele que matei.
–Não. Ainda pode estar vivo.-disse o garoto de moletom preocupado.
Revirei os olhos com a fala e o tom de preocupação, como se eu fosse deixar a caça com alguma chance. O mesmo se aproximou e conferiu a pulsação da minha vitima eu apenas fiquei encarando com um instinto de que ele pudesse surrupiar minha refeição. Bom pra ele que se afastou logo depois cabisbaixo. Apontei o indicador para ele e disse sério:
–Se em uma próxima vez tocar no que é meu sem minha permissão acabo com sua existência de categoria E.
Eles se afastaram e o ruivo saiu por ultimo me encarando inquieto.
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