Sangue Mestiço
9 O Melhor jeito de estudar
O Melhor jeito de estudar
Minha cabeça latejava; como se um minúsculo mineiro estivesse dentro e batesse sua picareta com insistência na parede craniana. Como é possível conseguir ler deste modo? Claro que foi artimanha daquela sangue ruim da Granger...
É tecnicamente impossível focar sua atenção totalmente em algo; claro que vai se distrair, mesmo que não haja nada que cause isso. Estava tentando memorizar ao menos os últimos quinze feitiços de estuporação, quando bocejei de cansaço. E de repente, aquela voz tornou a martelar em meus tímpanos...
– O que pensa que está fazendo? — gritou Granger, aparecendo ao meu lado.
Me assustei.
– O quê que o QUÊ?! — balbuciei.
– Volte a estudar.
– Estou estudando. — Afirmei.
– Não, não está. Se não percebeu ainda, quero me ver LIVRE DE VOCÊ!
– EU TAMBÉM QUERO ME VER LIVRE DE VOCÊ! Sangue...
Parei no exato momento em que percebi olhares dirigidos a mim; os estudantes pararam com a leitura justamente para nos fitarem,
– Nada. — Disse ela a eles. — Vão cuidar da vida de vocês.
E voltaram a enfiar as caras nos livros.
– Bem, eu tenho que ir resolver um coisinha. Quero que enquanto eu estiver ausente, você saiba todos os feitiços e irá ditá-los todos para mim.
Lhe lancei um olhar frio e penetrante; porém Granger me ignorou e deu-me as costas, sumindo ao virar a direita.
Essa era a minha oportunidade. Bocejei, encostando a cabeça de leve sobre o grimório aberto, fechando os olhos e finalmente podendo descansar...
– EI, O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?
Rapidamente me ergui, vendo ao redor. Nada. Não havia ninguém que pudesse ter se referido a mim. Então de onde era aquela voz?
– NÃO VAI ESTUDAR, É? — disse a voz, estridente.
– Quem é você? — pergunto eu, assustado. — Por que está gritando numa biblioteca?
– Sou o que há de mais sábio aqui. — Respondeu a voz oculta.
– Revele-se. — Disse eu.
– Estou bem debaixo do seu narigão cheio de meleca, seu asno.
Olhei para baixo e me deparei com as páginas pardas do livro. A foto animada de um homem pulcro, vestido casualmente me fitava, severo.
– Não vai estudar? — perguntou ele.
– Quem é você?
– Sou um amiguinho de sua amiga, Hermione Granger.
Rangi os dentes.
– Ela não é minha amiga. — Vociferei.
– Desculpe — disse o homem da foto. — A sua namorada...
– Muito menos isso!
– Bah! Suponho que esta sua cabeça grande não sirva apenas de compartimento para esse cérebro absurdamente...
– Cale a boca, senão te jogo pela janela. — Ameacei. — Pior... Te ponho no fogo.
– E a florzinha mostrou seus espinhos... — riu. — Vai, estuda!
– Só se eu quiser...
Ele sorriu.
– Então tenho que usar minha arma... — Disse. — Vamos pensar na possibilidades que ocorrerão se você não estudar. Hum... Notas baixas... Abuso de professores... Mais tarefas... Mais abusos... Briga... O pessoal te olhando como se fosse um bicho... E, sobretudo, mais tempo com a sua namorada. Quer dizer, Hermione Granger.
Imediatamente, folheei o grimório até o índice. Percorri com o dedo a lista enorme... E tornei a folheá-lo.
– Capítulo quinze... Os maiores bruxos da história...
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