Notas iniciais
Uhuuuu! Mais um capitulo para vocês minhas Bitchs-chan! Esse aqui está especial para quem gosta do fofinho do Azusa, ou talvez nem tanto, mas com certeza tem algumas surpresas e descobertas sobre nossa tigresa! ;P

Quando acordei todos já haviam ido para a escola e somente Azusa e Yuma ficaram para cuidar de mim, coisa que nenhum dos dois estava fazendo já que desde que eu acordei há uma hora nenhum deu as caras para saber como eu estava, ninguém quer nem saber de mim quando eu fico debilitada, se não fosse pela Yui eu teria chegado a ter convulsões de tanta febre.

Minha barriga roncou e senti vontade de usar o banheiro, parece que eu vou ter que cuidar de mim mesma. Levantei-me e no mesmo instante senti uma tontura e minha visão escureceu, eu me apoiei no criado-mudo e esperei alguns segundos, logo que estava recuperada peguei um suéter de lã verde-claro bem quentinho e coloquei-o, depois fui ao banheiro e então me dirigi à cozinha e fui entrando.

Abri a geladeira procurando o que comer e vi uma tigela cheia de cerejas suculentas e bem vermelhinhas, fiquei com água na boca e logo peguei a tigela indo explorar a mansão. Desde que cheguei aqui nunca tive tempo para ver todos os lugares e com certeza teria muitos cômodos novos para eu explorar.

Descobri que lá existiam vários corredores cheios de portas que se abriam somente para quartos luxuosos e deslumbrantes, não entendia para quê tantos quartos em uma casa só. Encontrei um enorme salão de festas, gravei aquele lugar, pois seria um ótimo espaço para espantar meu sedentarismo. Entrei em algumas salas de estar, todas possuíam uma decoração diferente da anterior, mesmo que o estilo clássico fosse a base para tais.

Achei também uma sala de música completa, embora o que mais me tivesse chamado atenção fosse o negro e reluzente piano de cauda, era tão lindo que eu fiquei hipnotizada, nunca havia visto um antes, mamãe tinha um piano normal e fora nele que eu aprendera a tocar. Não me contive, eu precisava tocar aquele piano magnifico, eu queria saber o som que ele faria quando eu começasse a tocar.

Sentei-me no banco a frente do piano e comecei a tocar a primeira música que me veio a cabeça: Lost in Paradise do Evanescense, era uma das minhas músicas favoritas e o melhor era que eu podia cantar enquanto tocava e foi o que eu fiz. Era simplesmente libertador, há muito tempo que eu não tocava, mesmo tendo um piano em casa eu tinha preguiça e agora o som dele era mais uma das coisas que lembravam minha mãe.

Alguns minutos depois quando terminei de tocar percebi que Azusa estava sentado em um sofá que havia ali, eu levei um susto, mas não pelo fato dele aparecer ali do nada e sim por ele estar segurando uma faca, era dourada e com alguns entalhes ilegíveis para mim.

– Azusa-kun, você está aqui há muito tempo? – perguntei me levantando e indo até ele.

– Não. Você toca muito bem, Tora-san. – elogiou tímido. Eu corei, gente como é que uma pessoa pode ser tão fofa? Eu estou morrendo de vontade de agarrá-lo e nunca mais soltar, ele é tão kawaii que eu podia transformá-lo no meu bichinho de pelúcia!

– Que faca bonita. É sua? – falei me sentando ao lado dele.

– Sim, eu tenho muitas outras, mais bonitas que essa. – disse ele encarando a faca, enquanto eu o encarava. Gente, ele com aquela fofura, usando aquela boina está me deixando louca! Acho que estou apaixonada!

– Você coleciona facas? – perguntei, eu não estava surpresa, até porque depois de se descobrir a existência de vampiros poucas coisas são capazes de te surpreender. Ele assentiu. Por que ele parecia tão tímido? Isso só me deixava mais louca! – Pode me mostra-las? – pedi, de um jeito ou de outro eu precisava passar mais tempo com aquela belezura.

– Você quer ver mesmo? – questionou com os olhos brilhando. NOCAUTE! Ele me desarmou totalmente com esses olhinhos brilhantes, de agora em diante eu faria tudo que ele quisesse. Provavelmente era exatamente isso que ele queria, já que com esses vampiros cada ação tem segundas intenções, no entanto eu não estava nem aí! Se pudesse passar mais tempo com ele então não me importava!

– É claro, Azusa-kun! – respondi com um sorriso. Ele também sorriu e pegou minha mão me conduzindo até o quarto dele. Durante o caminho eu pressenti que algo muito macabro estava por vir e realmente senti um frio na espinha, porém ignorei.

Entramos no quarto e ele me guiou até uma parede coberta por facas, era faca do chão ao teto. Eu fiquei impressionada, meu queixo caiu e eu encarava todos os tipos de faca que você imaginar, uma mais bonita que a outra. Entretanto o que mais me chamou atenção foi a katana com entalhes de dragões e samurais que estava centralizada na parede, ele possuía somente uma e eu fiquei fitando-a e babando.

– Você gostou da katana, Tora-san? – Azusa perguntou com um sorrisinho.

– Todas as facas são muito lindas, mas essa katana roubou meu coração! – respondi sem tirar os olhos da espada. Azusa deu um risinho e eu fiquei lá babando pela katana.

– Tora-san, você é sádica? – questionou ele depois de um tempo, parei de olhar para a espada e o encarei sem entender. Para quê ele queria saber dessas coisas? – E então?

– Acho que sou um pouco. Por quê? – respondi ainda sem entender o motivo daquela pergunta. Ele me fitou e pensou por alguns segundos.

– Quer ver o que tem embaixo das minhas ataduras? – O QUÊ? Ele queria mesmo me mostrar o que tinha ali em baixo, fiquei meio pensativa, contudo assenti aceitando. – Mas se eu te mostrar você vai ter que fazer algo por mim. – acrescentou. Não consegui decifrar o sentimento por trás daquela fala, só sentia algo tenebroso por trás dessa condição, entretanto eu estava curiosa sobre tudo relacionado a ele então simplesmente disse.

– Tudo bem. – aceitei um pouco apreensiva. Azusa foi até a cama e se sentou, logo depois começou a tirar a atadura do braço esquerdo e quando terminou revelou o que havia ali, eu paralisei na hora. Nunca na minha vida inteira eu pensaria ver um VAMPIRO se automutilando, era algo fora de qualquer imaginação, mesmo a mais fértil. – V-você se corta? – perguntei ainda não acreditando no que estava vendo.

– Sim. – respondeu como se aquela fosse a situação mais normal da Terra, ou melhor, do universo. Aproximei-me dele ajoelhando-me à sua frente e peguei seu braço delicadamente, passei meus dedos pelos cortes e depois olhei para ele.

– Você é masoquista, Azusa-kun? – questionei o fitando como se ele fosse um animal raro, o que não deixava de ser.

– Não, eu sou sadomasoquista.

– Ufa, que alívio! – falei totalmente aliviada. Azusa me encarou intrigado.

– Como assim? – perguntou meio espantado.

– É que, eu acho que um vampiro que não é sádico seria um pouco estranho. – respondi pensativa. – Como é que ele iria causar dor nas suas presas se é ele que gosta de sentir dor? Não daria certo, então ainda bem que você também é sádico! – expliquei calmamente. Não sei não, acho que eu estou usando uma lógica muito bizarra desde que saí daquela Dama de Ferro, quer dizer... eu devia querer que ele fosse só masoquista porque assim ele não ia me morder, mas olha eu aqui ficando aliviada pelo fato dele também ser sádico.

– Você é estranha, Tora-san! – falou, dessa vez era ele que me encarava como se eu fosse o animal raro, e talvez eu fosse mesmo.

– Você é a terceira pessoa que me diz isso. – eu disse revirando os olhos. Depois de três vampiros realmente estranhos me dizendo que eu é que era a estranha, a gente meio que começa a acreditar e, na verdade, até eu me acho estranha. Deixei esse assunto para lá e lembrei que o Azusa queria que eu fizesse alguma coisa quando ele me revelasse o que havia atrás das ataduras. – Mas, então, o que você quer que eu faça?

– Escolha uma daquelas facas. – mandou. Eu fiquei confusa, o que será que ele queria que eu fizesse com uma faca? Fui até a parede e observei minhas opções, vi uma faca muito bonita com entalhes de um leão devorando um cordeiro e depois lutando contra uma serpente na lâmina e o cabo de prata com apenas algumas inscrições em latim. Não era a faca mais chamativa, porém foi a que mais me atraiu.

– Aqui. – falei estendo a faca para Azusa, ele balançou a cabeça fazendo sinal para que eu ficasse com a faca e depois apontou para o lugar ao seu lado indicando que eu me sentasse. Logo que sentei ele esticou o braço sem ataduras para mim, olhei para ele em duvida. – Para quê você estendeu seu braço para mim?

– Eu quero que você me corte. – respondeu calmamente. Fiquei completamente chocada, quer dizer que era por isso que ele queria saber se eu era sádica.

– N-não posso f-fazer isso! – exclamei me afastando assustada.

– Por que não? Nós fizemos um acordo! – retrucou irritado.

– Mas eu não sabia que era isso! Como posso fazer algo assim? – contestei espantada, Azusa se levantou e veio até mim com uma expressão de raiva.

– Você não quer me deixar feliz? – questionou fazendo birra. Era assim que ele se sentia feliz? Sentindo dor?

– Q-quero, mas... – infelizmente eu não tinha argumentos para tudo isso, afinal se ele gostava eu não podia fazer nada. Suspirei derrotada e peguei a mão dele o conduzindo até a cama novamente. – Eu vou fazer.

– Tora-san, você é tão boazinha. – Azusa elogiou. Sério que ele estava me chamando de boazinha por cortá-lo? Balancei minha cabeça para expulsar a incredulidade e posicionei a faca sobre sua pele fria e macia, respirei fundo e fiz o primeiro corte. Parece que meu pressentimento macabro estava se realizando, com isso aprendi que devo acreditar cegamente nos meus instintos.

O sangue escorreu pela pele e algumas gotas caíram no meu suéter, olhei para o Azusa e ele parecia estar curtindo bastante a dor, a expressão dele era tão fofa que me incentivou a continuar os cortes. Meu Kami-sama, eu estou me tornando mais sádica a cada corte que faço nele! Como eu posso estar sentindo prazer em machuca-lo? Só que a carinha de satisfação que ele faz é tão linda! Concluí que, na verdade, eu só estava gostando de cortar o Azusa, porque a expressão que ele fazia não era de dor. Eu sou uma pessoa totalmente depravada!

– Azusa-kun, não acha que é melhor eu parar? – perguntei, depois de ver o pulso dele cheio de cortes.

– Claro, Tora-san, você fez um ótimo trabalho! – respondeu me mandando um sorriso. Eu fiquei tão feliz por essa fofura estar feliz que até me esqueci que ele só estava assim porque eu havia mutilado todo o pulso dele.

– Obrigada, Azusa-kun! – agradeci abrindo o maior sorriso do mundo. Depois olhei para o pulso dele e vi que um monte de sangue estava escorrendo e pingando em cima de mim, uma boa parte do meu suéter estava manchada e minhas coxas nuas também estavam sujas com o sangue dele. – Acho melhor eu limpar seu braço. – avisei entortando a boca, Azusa assentiu e eu me levantei e fui até o banheiro dentro do quarto dele, peguei uma toalha de rosto e molhei. Quando voltei para o quarto fiquei paralisada.

Notas finais
Lost in Paradise - Evanescense: https://www.youtube.com/watch?v=abJfcRUMS_Y A dor pode te ajudar de várias formas. Você só precisa ter em mente o que você quer que ela faça e ela fará. Dor não é sofrimento, é libertação! Azusa Mukami