Sangue Maldito

29 Passado Aprisionado


Notas iniciais
Hai, hai! Parece que está na hora de vocês conhecerem um pouco mais sobre o passado de nosso emo favorito, quer dizer, esse capitulo deve estar a maior chatice já que vocês provavelmente já sabem o que aconteceu com ele... Fazer o quê? Vão ter que ser um pouquinho pacientes.

Comecei a ir a torre que Christa me mostrara, mas agora a chance de alguém me pegar era bem maior já que haviam dez vampiros na mansão, por isso fui até o jardim do jeito menos suspeito que consegui e fui rezando para que ninguém me parasse no meio do caminho.

Quando cheguei ao jardim Yuma estava lá cuidando das flores, tentei passar o mais discretamente possível, e quando estava quase passando do jardim.

– Onde pensa que vai? – Yuma perguntou ainda prestando atenção nas flores. Cocei minha cabeça como se aquilo fosse me ajudar a pensar em alguma coisa.

– Eu só quero explorar outras partes desse jardim. – respondi calmamente. Por favor, que ele acredite.

– É melhor você não ir, aquele lado é mais escuro. – avisou franzindo as sobrancelhas.

– Não se preocupe, Yuma-kun, as coisas que poderiam me dar medo já não existem mais. – retruquei com um sorriso calmo, ele me olhou intrigado, eu me virei e fui em direção à torre. Essa parte do jardim era toda descuidada, eu ficava triste por ver que aquele lugar poderia estar tão bonito quanto nas memórias de Beatrix, agora a maioria das plantas estava seca e o resto cresceu tanto que fez daquele um lugar assustador, como uma selva assombrada, o que não deixava de ser.

Encontrei então a enorme torre, era bem alta e se encontrava em um estado de decadência total, as pedras que formavam as paredes estavam deterioradas e parecia que mesmo com a brisa mais leve aquela torre despencaria. As paredes estavam cobertas de musgos e plantas trepadeiras cheias de espinhos, respirei fundo e me dirigi para a grande porta de madeira.

Tentei abri-la, porém ela estava emperrada, a empurrei várias vezes usando toda minha força e de nada adiantou. Quando estava prestes a desistir me deparo com uma pequena janela a mais ou menos uns cinco metros e meio do chão, parece que eu vou precisar escalar as paredes. Começo a subir usando as falhas entre as pedras só que a uns dois metros do chão meu sapato escorrega e eu caio com tudo.

Fico esparramada por um tempo, já que acabei batendo minhas costas no chão e o ar foi tirado dos meus pulmões com violência. Logo me levando e tiro os sapatos e as meias, percebi que alguns dos furos menos cicatrizados haviam começado a sangrar por causa da queda, espero que eu esteja longe o suficiente para que alguém sinta o cheiro. Ignoro a dor e volto a escalar a parede e dessa vez consigo chegar até a janela, entro na torre e me deparo com uma enorme escada em espiral.

– Eu vou morrer antes de chegar lá em cima! – falo com voz cansada. Começo a subir as escadas o mais rápido que eu consigo, pulando de dois em dois degraus, finalmente chego ao final e encontro um pequeno corredor com castiçais com velas nas paredes, quem dera eu tivesse uma caixa de fósforos para acendê-las. A escuridão dessa torre está começando a me dar medo, dou um suspiro e inicio a caminhada ao fim do corredor, sem querer acabo pisando em alguma coisa e solto o grito mais alto da Terra, logo percebo que pisei em um isqueiro. – Que a sorte esteja sempre ao meu favor! – sussurro com um sorriso aliviado e pego o isqueiro, que ainda fazia fogo, e vou acendendo as velas e iluminando aquele corredor.

Chego ao fundo do corredor e vejo uma grande cela, toco as grades já um pouco enferrujadas pelo tempo e tento abri-las. Elas estão trancadas.

– Obrigada por vir, Tora-san, e desculpe se por causa disso você se machucou. – Christa fala aparecendo do nada dentro da cela.

– Não se preocupe esses machucados vêm de muito antes. – respondo lhe sorrindo tristemente ao me lembrar do ocorrido com a Dama de Ferro. – Como eu faço para entrar? – perguntei depois de um momento.

– Não há como você entrar, a chave está com o Subaru. – respondeu tristemente. Então aquela chave que ele usava no pescoço era dessa cela. Espera, por que a Christa estava trancada em uma cela de uma torre?

– Por que você está trancada aqui? – perguntei curiosa.

– Karl me mantinha trancada aqui para que eu não fugisse.

– Esse homem é mesmo um lixo! – exclamei revoltada, Christa me encarou intrigada. – O que ele fez para você querer fugir? – questionei, ela se ajoelhou no chão a minha frente.

– Sente-se, que vou te contar minha história. – convidou, eu me ajoelhei e ficamos uma de frente para a outra, no entanto em lados opostos da grade. – Há muito tempo eu era conhecida entre os vampiros como White Rose devido a minha beleza, isso fez com que Karl me cobiçasse, mas eu não estava interessada em ter algo com um homem que já possuía duas esposas. Mesmo assim acabei sendo forçada a casar com ele, por um tempo Karl tentou me conquistar e não obteve êxito, por isso em uma noite qualquer ele me estuprou, infelizmente não foi uma única vez. – contou-me, o olhar triste jamais deixava o seu rosto e agora eu sabia o motivo.

– Quanto mais ouço falar sobre esse homem mais sinto nojo. – eu disse enojada. – Como pode existir alguém tão baixo?

– Existem muito mais pessoas como ele do que podemos contar. – falou. Eu suspirei e ela continuou a história. – Em um desses episódios eu acabei ficando grávida do Subaru, eu o amava muito, ainda amo, mas depois de tudo que Karl fez comigo eu acabei me tornando desequilibrada emocionalmente e por vezes pedi para que Subaru me matasse e me libertasse do meu sofrimento ou o chamei de nomes terríveis. – ela deu uma pausa e uma lágrima solitária rolou pelo seu rosto. – Dê-me sua mão, vou lhe mostrar algo.

Estendi minha mão e então eu estava novamente dentro das lembranças de outro fantasma, dessa vez eu estava ajoelhada logo na saída para o corredor e Christa na cela e Subaru a sua frente, ele era muito fofo criança.

– Leve isso com você, mantenha isso com você todo tempo. – Christa estava falando para um Subaru entristecido logo depois de entregar a adaga que ele sempre carrega consigo. – Quero que você assassine alguém. Por favor, por mim? Solte-me, por favor, solte-me. – ela implorava enquanto Subaru olhava em dúvida para a faca. – Se você ficar em dúvida, enfie a faca direto no coração. Você é um garoto tão gentil! – disse Christa e um momento depois eu estava de volta à realidade. Passei alguns segundos tentando assimilar o que eu havia visto.

– Você estava pedindo que ele te matasse, não é? – perguntei para confirmar minha hipótese.

– Estava. – confirmou. Eu estremeci e na hora me ocorreu algo.

– E ele te... matou? – questionei apreensiva. Ela me olhou em dúvida por um momento, pensando se respondia ou não aquela pergunta, no fim ela acabou respondendo.

– Não, — disse, por um momento me senti aliviada, até que ela acrescentou. – ele me libertou.

Eu me encolhi, Subaru matou a mãe. Mesmo que ela estivesse pedindo ainda assim, entretanto se ele carregava aquela faca então ele devia sentir remorso por tê-la matado. De toda forma Christa parecia satisfeita por ter sido morta. Eu suspirei.

– Eu acho que ele se culpa pelo jeito como você era. – falei tristemente. Ela só soltou minha mão e se levantou.

– Acho que você deve voltar, por hora eu não te mostrarei mais nada. – disse Christa, eu me levantei e encarei aquelas grades.

– Da próxima vez que eu vier aqui vou abrir essa cela para você. – avisei dando um sorriso.

– Isso seria muito gentil, Tora-san, faz muito tempo que estou presa aqui podendo apenas viajar através de espelhos. – falou retribuindo o sorriso.

– Certo, Christa-san! – exclamei animada. – Agora eu já vou, até mais! – despedi-me e voltei pelo corredor apagando todas as velas para não levantar suspeitas, desci as escadas até a janela pela qual havia entrado e comecei o lento processo de descer até o chão, com certeza essa era a pior parte. Tentei fazer isso com o máximo de cuidado, mas acabei caindo novamente, dessa vez eu estava a três metros do chão, por algum milagre a sorte ainda estava ao meu favor e eu só bati minhas costas e a minha cabeça bem de leve.

Fiquei uns quinze minutos deitada lá tentando me recuperar e então me levantei, percebendo que as ataduras estavam completamente manchadas de sangue. Tirei toda a parte de cima do uniforme ficando somente com a camisa, a qual dobrei as mangas até os ombros para não ficarem muito manchadas de sangue, peguei meus sapatos e minhas meias e voltei calmamente para a mansão. Já estava pensando em algumas mentiras para contar sobre o fato de eu estar toda ensanguentada...

É hoje que eu vou levar uma baita bronca!

Notas finais
O mundo é cruel e acaba com todas as nossas esperanças sem qualquer compaixão. Nós temos duas opções perante estas situações: podemos ceder e ser levados pela insanidade ou podemos nos manter firmes até o final... Eu aconselho a insanidade, acredite, a vida se torna bem mais fácil com ela! Christa Sakamaki