Sangue Maldito
2 Os Irmãos e a Noiva
Notas iniciais

Eu andei até a porta e bati, mas ninguém a abriu para mim, então peguei na maçaneta e empurrei a porta a fim de entrar, porém ela não se moveu. Eles só podiam estar brincando comigo! Tentei de novo e nada, resolvi tentar uma última vez com toda minha força, foi só assim que ela se abriu num rompante e eu cai com tudo no chão.
— Hum... Você está bem? – preocupou-se alguem de voz suave e doce. Eu me levantei rapidamente com as bochechas coradas de constrangimento e percorri a sala com meus olhos.
Haviam dois sofás e duas poltronas, uma enorme lareira e um lustre de cristal, tudo ali parecia muito caro e refinado. No sofá ao fundo da sala havia um homem loiro deitado, em pé ao lado do sofá estava um garoto de cabelo branco e olhos vermelhos, na poltrona perto da lareira havia um homem de óculos e cabelos negros, na outra poltrona estava sentado um garoto de olhos verdes e cabelo ruivo claro e por último no sofá em frente as poltronas estavam sentados uma menina loira, um garoto segurando um ursinho de tapa-olho e um garoto ruivo de chapéu.
— Estou sim, obrigada! – respondi educadamente fitando a menina e depois desviando o olhar para o chão, eu senti que aqueles homens me secavam, por isso revolvi ficar calada e esperar que eles falassem, afinal a casa não era minha. Mesmo assim, reparei que a atmosfera dentro daquela sala não parecia muito boa, era realmente estranho o jeito como eles estavam reagindo à minha presença, porém era melhor eu não perguntar nada sobre isso.
— Apresente-se. – ordenou o homem de óculos. Eu o encarei rapidamente e então respondi, eu não queria contrariar aquele cara logo de primeira já que ele tinha uma postura extremamente rígida.
— Eu me chamo Takayama Tora, espero que possamos nos dar bem. – cumprimentei-os polidamente e fiz uma breve reverência, apesar da atmosfera pesada na sala era meu dever ser cordial já que moraria com eles de agora em diante.
— Não seja tímida, Muchi-chan*, sente aqui do meu lado! Tenho certeza que nos daremos muito bem! – disse o garoto de chapéu com um olhar pervertido no rosto e a voz carregada de segundas intenções.
— Não me dê apelidos. – pedi suavemente com um olhar frio, optando por ignorar o duplo sentido de suas palavras.
— Oe, Jujuba, você não devia dar uma de corajosa nessa casa. – advertiu o ruivo que estava na poltrona.
— Já disse para não me darem apelidos. O meu nome é Tora. – retruquei dessa vez um pouco irritada. Quem eles acahavam que eram pra chegar com essa intimidade? E esses apelidos eram ridículos e depreciativos. Mas pelo jeito o ruivo não gostou muito do meu comportamento e – num movimento que meus olhos não foram capazes de captar – ele estava na minha frente, meus olhos arregalaram-se enquanto ele apertava meu rosto.
— Vamos ver até onde vai a sua coragem. – desafiou-me com um sorriso bizarro.
— Parem já com isso! – mandou o homem de óculos impacientemente, nisso o garoto me soltou com certo desgosto e voltou a sentar na poltrona. – Eu vou dizer nossos nomes e depois você poderá se acomodar devidamente.
— Hai. – assenti e prestei atenção ao que ele iria falar.
— Nós somos da família Sakamaki. Aquele é Shuu, — disse apontando para o loiro que estava deitado. – o filho mais velho; eu sou Reiji, o segundo filho; ele é Ayato, o mais velho dos trigêmeos; – Reiji apontou para o ruivo que apertara o meu rosto. – esse é Kanato, o segundo trigêmeo; — indicou o garoto que segurava o ursinho macabro. – aquele é Laito, o último trigêmeo e ele é Subaru, o mais novo. – terminou apontando para o pervertido de chapéu e logo em seguida para o garoto de cabelo branco.
— E ela? – perguntei olhando para a menina loira. Eu queria saber por que Reiji não a apresentou, isso não é muito educado.
— Meu nome é Komori Yui. – ela mesma respondeu a pergunta. – Seja bem-vinda! – falou meiga dando-me um sorriso. Aquele pequeno gesto foi tão acolhedor, tão maternal que me fez lembrar da minha mãe, foi impossível segurar o choro que com tanto custo guardei dentro de mim.
— Yui-san, você a fez chorar. – Kanato provocou em tom de reprovação. Na mesma hora eu limpei meu rosto e forcei um sorriso.
— Não, Yui-san, é só que seu sorriso me fez lembrar de alguém. – justifiquei.
— Isso não importa! – Reiji desdenhou insensivelmente. – Yui, leve Tora até o quarto dela. – ordenou severamente. A garota se levantou e pegou minha mão me guiando pela casa.
Casa que por sinal era enorme, ela não era muito iluminada e isso a deixava com um ar sombrio, a sua decoração seguia o mesmo estilo daqueles castelos ingleses com móveis de madeira finamente entalhados, colunas de mármore e lustres de cristal. Eu fiquei admirada em como tudo era tão bonito, sempre quis conhecer casas assim e agora eu tinha a oportunidade de morar em uma.
Revolvi deixar um pouco de lado a minha tristeza para que pudesse tentar uma nova vida ali, não seria uma tarefa fácil fazer isso, afinal era da minha mãe que estava falando, mas ela quereria que eu me esforçasse para ver o lado bom das coisas.
Logo Yui parou em frente a uma porta e a abriu me puxando para entrar com ela. O quarto era enorme, possuía uma cama de casal – na verdade era muito maior do que uma cama de casal comum – toda de madeira com entalhes de flores e ramos, ela estava perfeitamente forrada com lençóis azul-claros, havia um criado-mudo ao lado da cama e uma cômoda em frente à ela, também tinha uma penteadeira e um guarda-roupas sendo que todos tinham os mesmos entalhes da cama. O quarto também tinha uma janela com sacada.
— Bem, esse será o seu quarto. – Yui avisou-me. – Etoo... Por que você chorou lá na sala? – questionou curiosa, não a julguei, eu também quereria saber o motivo que fez a pessoa chorar se eu tivesse sido a causa.
— É que o seu sorriso era parecido com o da minha mãe. – respondi tentando não dar muita brecha para o sentimento escapar pelos olhos e fui até minha mala.
— A sua mãe...morreu? –perguntou receosa.
— Sim, foi ontem. – confirmei com a voz um pouco embargada, enquanto tirava as coisas da mala.
— Eu sinto muito. – lamentou com tristeza.
— Não se preocupe. – tranquilizei docemente e depois de uma pausa continuei. – Yui-san, eu posso te pedir algo?
— Claro! – afirmou com um sorriso gentil.
— Me ajude a viver feliz aqui. – pedi e me virei para ela com um sorriso triste, porém esperançoso.
— S-sim, mas é melhor você saber que... – concordou hesitante e estava quase terminando a frase quando ouvimos alguém gritando do corredor, acho que era o Laito.
— Bitch-chan, onde você está?
— Desculpe, é melhor eu ir. – falou saindo do quarto apressadamente. Era, de certa forma, reconfortante saber que havia alguém nessa casa com quem eu podia contar.
Depois que terminei de tirar as coisas da mala arrumei tudo e me sentei na cama pegando o meu presente e as duas cartas de minha mãe, resolvi abrir o presente primeiro e depois de desembrulhá-lo vi que era um colar de prata com um pequeno relicário redondo, o abri pensando que encontraria uma foto ali dentro, porém tudo que encontrei foram dois versos e um delicado desenho de uma rosa na prata:
"A Rosa irá desabrochar
Quando uma gota de chuva provar."
Eu passei alguns minutos tentando entender o que aqueles versos queriam dizer, mas nada me vinha à mente então só coloquei o colar e fui ver as cartas, uma era destinada a mim, entretanto a outra era para alguém chamado Karl Heinz que provavelmente deveria ser o dono da casa. Eu a entregaria para o Reiji-san mais tarde.
Pequei a carta destinada a mim e a abri, mas quando iria começar a ler alguém bateu na porta do meu quarto. Levantei-me e atendi quem quer que fosse, do lado de fora estava o mordomo que pegou minhas malas mais cedo.
— Por favor, senhorita, meu senhor pede que desça para o jantar. – avisou-me.
— Claro. – afirmei sorrindo e pedi gentilmente. – Será que você poderia me dizer onde fica a sala de jantar, por favor?
Ele me deu as coordenadas, eu peguei a carta para o tal de Karl Heinz e fui andando até a sala de jantar. Entretanto, na metade do caminho eu comecei a escutar alguns sussurros vindos de um corredor escuro e, curiosa como sou, fui ver o que se passava.
Quando entrei no corredor deparei-me com uma cena assustadora, eu nunca pensei que veria algo como aquilo.
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