Sangue Maldito
27 Giros e Rodopios
Notas iniciais

Tora POV’s On
Era Kou quem me arrastava, nós então entramos em um auditório vazio e escuro rodeado por arquibancadas, a única luz vinha de uma janela pela qual o brilho da lua poderia passar, aquele lugar estava muito sombrio. Eu me encolhi e Kou soltou meu braço e foi até um canto do auditório onde ligou um som, por que diabos o Kou colocou uma música? Ele era louco? De qualquer forma a música estava muito baixa de modo que somente nós podíamos ouvi-la.
— Ningyo-chan, você gosta de dançar? – perguntou ele enquanto se aproximava. A música que tocava era clássica.
— Gosto, mas eu prefiro algo mais agitado. – respondi calmamente. Bem, enquanto ele não tentasse nada acho que poderíamos conversar.
— Sério? Então você dança para libertar suas frustrações? – questionou com um sorriso meio travesso meio maligno, ele agarrou minha cintura e começou a dançar comigo pelo auditório. Eu não sabia dançar muito bem com um par, afinal eu sempre fui sozinha, porém Kou era um ótimo condutor e eu estava conseguindo dançar perfeitamente.
— Em parte sim. – falei enquanto rodopiávamos pelo auditório. – Você dança muito bem! – elogiei, eu precisava reconhecer isso.
— Dançar é o meu hobby, então é óbvio que eu danço bem, Ningyo-chan! – retrucou de um jeito convencido, eu dei um sorriso de canto. Nós continuamos dançando até a música acabar e então eu decidi que era minha vez.
— Certo, Kou-kun, é minha vez de escolher a música! – eu disse e desvencilhei-me dele. Fui até o som e fui passando as músicas até achar uma que me interessasse, finalmente achei a música era Search and Destroy de Skunk Anansie. A música começava bem lentamente, então eu fui andando e rebolando até o centro do auditório e cheguei no exato minuto em que ela ficava agitada, então simplesmente deixei o ritmo da música me levar e dancei como não fazia há muito tempo, jogando todo o meu sofrimento para fora em uma dança frenética.
Eu improvisava todos os passos e simplesmente esqueci que Kou estava me observando, naquele momento eu havia entrado em meu mundo particular e nada poderia me tirar de lá até que a música acabasse. Eu dançava por todo o auditório aproveitando todo o espaço, de todas as coisas que eu gostava dançar era sem dúvidas a que me fazia sentir mais livre e sem quaisquer preocupações.
Definitivamente eu tornaria a dança minha mais nova terapia, ela com certeza me ajudaria com meus problemas, mais especificamente os problemas relacionados a certos vampiros.
A música acabou e eu parei voltando a realidade, estava ofegante e um pouco suada devido ao esforço.
Tora POV’s Off
Kou POV’s On
A Ningyo-chan havia começado a dançar, no inicio ela só andava e rebolava até o centro do auditório, mas no segundo em que ela chegou ao seu destino a música se tornou mais agitada instigando-a a começar uma dança frenética e improvisada, ela parecia trancafiada em seu próprio mundo e não ligava muito para minha presença.
Eu nunca havia visto ninguém dançar daquela forma, ela não se importava com os passos, não se importava em ser graciosa ou delicada. Assim como o seu nome indicava ela parecia uma tigresa selvagem dançando, os movimentos que ela fazia me deixavam hipnotizado e eu estava excitado sem nem mesmo precisar tocá-la.
Eu nunca antes havia visto alguém dançar como a Ningyo-chan, era como se ela estivesse se libertando de todos os seus problemas com aqueles rodopios sem rumo ou direção definida, os passos dela não tinham nada de muito complicado, contudo o sentimento que se notava neles eram suficientes para tornar aquela a dança mais difícil e bela que já havia visto desde que dançar tornara-se meu hobby.
Quando a música acabou ela parou em frente a mim e estava ofegante e até um pouco suada, no entanto não parecia nem um pouco cansada.
— E então, o que você achou? – ela me perguntou com um meio sorriso, eu a fitei e, pela primeira vez desde que cheguei à mansão Sakamaki, reparei em seus olhos. O brilho dentro deles, o modo como a cor diferente que cada um possuía a deixava ainda mais atraente.
— Você me deixou muito excitado, Ningyo-chan. – respondi e quando ela corou de vergonha não resisti e agarrei a cintura dela colando o corpo dela ao meu. Eu podia sentir o seu coração acelerado, a sua pulsação rápida, o calor do corpo dela através de todas aquelas roupas e ataduras, o cheiro do seu doce sangue. – Você parece tão saborosa!
— O-o que você vai fazer, Kou-kun? – perguntou um pouco assustada, ela estava ainda mais bonita fazendo aquela expressão, e o jeito como ela falou meu nome me deixou louco. Empurrei-a e fiz com que ficasse deitada na arquibancada do auditório, comecei a abrir o uniforme dela e abaixei a manga revelando um ombro coberto por ataduras. Afinal, para quê a Ningyo-chan usava tantas ataduras?
— Essas ataduras são muito incômodas! – falei irritado e tentei tirar as faixas, mas ela segurou minha mão impedindo-me.
— O outro lado não tem ataduras. – avisou-me, ela não queria que eu retirasse as faixas, isso estava claro, eu só queria entender o porquê.
— O que há de tão secreto por baixo dessas ataduras, Ningyo-chan? – perguntei curioso.
— Um dia eu te mostro. – respondeu-me rapidamente, eu não fiquei nem um pouco satisfeito com essa resposta.
— Resposta errada, Ningyo-chan! – falei com um sorriso sádico, iniciei o processo de retirar as camadas de roupa que cobriam seu corpo para depois revelar o que estava por baixo das ataduras.
— Por favor, Kou-kun, não tem nada demais por debaixo dessas ataduras. – implorou desesperada para que eu parasse. Ela estava tão linda com aquela cara de desespero.
— Isso não vai funcionar comigo, Ningyo-chan. – alertei com divertimento, logo ela começou a se debater e me empurrar. – Isso é inútil! – falei, ela virou o rosto com raiva, que fofa! Comecei a desabotoar a última peça de roupa que havia sobrado na parte superior de seu corpo, quando eu já estava na metade ela falou algo muito interessante.
— Se você parar de fazer isso eu danço para você sempre que quiser. – propôs. Parece que ela aprendeu como lidar com vampiros, Ningyo-chan sabe que tudo tem que ser na base da troca.
— Agradeça por ser boa negociadora, Ningyo-chan! – eu disse aceitando a proposta dela, que suspirou aliviada. Eu ainda queria saber o que havia por baixo de todas aquelas ataduras, mas de um jeito ou de outro ela ia acabar me mostrando e no momento era muito mais proveitoso para mim aceitar a proposta. Ela se levantou. – Oe, aonde pensa que vai? Eu ainda não terminei.
— Tsc... Anda logo! – mandou irritada e sentou no meu colo, abaixando a manga da camisa e deixando o ombro sem ataduras a mostra.
— Você é tão ousada, Ningyo-chan! – falei sorrindo travessamente, então passei os braços pela cintura dela e mordi seu ombro fazendo-a soltar um gemido de dor e prazer. Ela se acostumou bem rápido com as mordidas para alguém que havia se tornado noiva de sacrifício há apenas alguns dias. – Seu sangue é tão delicioso!
— É melhor que você não tenha esquecido que ele é amaldiçoado! – advertiu. Ainda bem que ela me lembrou, ou eu iria acabar virando um ídolo morto. Continuei bebendo o sangue dela até me sentir parcialmente saciado, afinal eu precisaria beber o sangue da Neko-chan daqui a pouco.
Kou POV’s Off
Tora POV’s On
Kou finalmente havia terminado de sugar meu sangue então eu saí do colo dele e me joguei deitada na arquibancada, eu estava completamente esgotada só queria dormir um pouco sem ninguém me enchendo o saco e sem ter hora para acordar.
— Está cansada, Ningyo-chan? – Kou perguntou com um sorrisinho suspeito. Eu revirei os olhos, é bom que ele não me peça para dançar agora!
— Acho que isso é óbvio! – retruquei irritada. Agora além de ser animal de estimação do Shu eu era dançarina particular do Kou... Bom, eu não podia reclamar agora, já que fui eu que causei isso.
— Quer dormir um pouco?
— Isso seria ótimo! – respondi encarando o teto, um segundo depois o Kou tinha me colocado deitada em cima dele e estava acariciando meus cabelos, fiquei chocada por um momento, contudo logo eu relaxei e aproveitei o conforto do corpo dele. – Obrigada, Kou-kun, mas não se esqueça que você só tem uma hora e meia antes do veneno começar a fazer efeito.
— Hai, agora dorme logo! – mandou nem um pouco interessado em quanto tempo ele tinha. Acho que ele sabe se cuidar! Respirei fundo e fechei os olhos adormecendo logo em seguida.
Quando eu acordei já não estava mais no auditório da escola e sim...
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