Sangue Fresco
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Fiquei parado no mesmo lugar. Mesmo que pudesse enxergar um pouco na escuridão esse lugar só mostrava sombras.
“Não ouviu o que disse ou se assustou quando entrou aqui? Vamos se aproxime.” Dei alguns passos até que o som me pedisse para parar. “Muito bem, pare. Irei fazer algumas perguntas e quero que me responda com sinceridade. Saberemos quando mentir.”
“Farei o que foi dito.” Não estava com medo, mas a voz parecia... antiga e poderosa. Ela devia pertencer a alguém que gostava de dar ordens e ser obedecido.
“Muito bem, nos diga seu nome completo, sua raça, sua idade e o nome dos seus pais.”
“Meu nome é Y'allaer Dragnovith, sou um meio-dragão e tenho 13 anos. E minha mãe é a feiticeira Eleanor Everwhite e...”a voz falhou, não sabia se devia continuar a falar do meu pai... pois realmente nunca o conheci, mas sabia de sua existência. “Meu pai era um dragão chamado Zenon Sharpscale.” Abaixei minha cabeça assim que terminei de falar. Lembrar disso era doloroso. E acho que era a primeira vez que revelava o meu nome completo, minha mãe nunca o usou. Ela sempre me chamou pelo primeiro nome... Mãe...
“Muito bem. É verdade.” Olhos apareceram nas sombras e estavam fixados em mim. “Me conte tudo o que aconteceu até chegar aqui. Não precisa se deter aos detalhes, apenas fale e se for pedido, conte o que pedimos.”
Comecei a contar a mesma história que contei para Lance. A voz me pediu para contar alguns pontos com mais detalhes, mas a história continuou sem muitas perguntas.
“...e então fui trazido até está sala pelo Lance.” Conclui meu 'relatório para a voz.
“Muito bem pequenino Y'allaer. Tudo que foi dito nesta sala foi interpretado como verdadeiro.” Ei! Eles estavam achando que eu estava mentindo até agora? “Bom, acho que devo me apresentar para você também. Ainda temos coisas para fazer antes que possa sair.” As luzes se acenderam e na minha frente havia um humano e uma humana!
Como era possível? O cheiro não era o de humanos! Meu rosto deveria estar falando o que pensava, pois eles estavam rindo de mim.
“Ainda não descobriu como enganamos seus sentidos? Simples, perfume.” A senhora falou. Era a voz dela que falava comigo até agora. “Eu sou a avó de Lance, Agtha e esse é o meu marido, Ygor.” A voz era calma, firme e nítida. “Venha aqui tire a camisa e deite nessa cama. Tenho que fazer alguns exames.” Um arrepio passou por mim ao ouvir essa palavra. Exames... só de ouvir me faz lembrar de minha mãe. Ela sempre me examinava quando eu voltava tarde. E algumas vezes era doloroso... Mas fiz o que me disseram.
“Tudo pronto.” O casal acabou e me vesti. O exame foi rápido e eles apenas olharam algumas coisas em meu corpo. O único problema foi que eles me pediram para retirar as calças... acho que ai já era demais! Mas por sorte eles não me pediram para retirar a roupa intima.
“Agora só falta uma última coisa. Precisamos de um pouco do seu sangue e de sua saliva.” Ygor avisou. “Vá para seu quarto e traga isso com saliva e sangue, cada um em um pote. Mas traga amanhã. Hoje teremos algumas coisas para fazer.” Ele me entregou dois pequenos frascos de vidro.
Sai da sala levando os dois frascos e na porta estava um Lance risonho. Ele devia ter presenciado algo bom.
“E ai? Como foi ficar semi-nu na frente dos meus avós?” Ele me olhou rapidamente e riu ao falar. “Vergonhoso, não é? Eles ainda fazem isso comigo... Às vezes.” Ele parecia saber de tudo... ele já deve ter passado por isso antes. “Bom, vamos mudar de assunto! Guarde esses potes e vamos treinar!” Ele parecia estar animado.
“Lance... tem algo que preciso falar...” Os olhos dele estavam brilhando... o que será que ele estava pensando? “Lance, estou com fome...” Ele começou a rir.
“E não era de se espantar! Já está na hora do almoço! Venha, vamos comer no refeitório... Mas vou avisar antes. Nada de beber hoje. Não quero mais nada destruído... não por enquanto.” E continuou a rir como se isso já fosse uma ótima piada...
Carne, pão, suco de maçã, queijo e frutas. Tudo que estava em prato foi engolido rapidamente. Suspirei aliviado ao terminar de comer. Mas ainda sentia que faltava algo... Faltava aquela fatia de bolo delicioso que tinha deixado na geladeira de ca... é mesmo... ela pegou fogo...
“Lance.” Ele tinha sentado ao meu lado durante a refeição.
“Não vou te dar o meu. Se tiver com fome vai ter que sair e procurar algo.” Ele disse entre garfadas.
“Não é isso. Tem sobremesa? Quero algo doce.” Ele parecia estar surpreso com o que disse. Já que um garfo parou no ar no momento que falei.
“Só um minuto.” Ele pousou o talher no prato e gritou. “EI! Alicia! Tem algo para a sobremesa? O garoto aqui tá querendo um doce!” O que? Por que ele gritou?! Ele quer me deixar mais envergonhado ainda? Ele olhou para mim e seu sorriso começou a se formar quando a mulher respondeu. Também gritando.
“Chefe tem sim! Só que só ele vai poder comer dos homens! Porque ele ainda é uma criança!” A voz veio da cozinha como um trovão. “E fora que ontem ele comeu mais do que todo mundo durante a festa e ainda elogiou a comida!” Eu fiz mesmo isso? Eu quero me enterrar debaixo de uma mesa!
“Viu Garoto? É só perguntar...” Ele parecia furioso. Quando um pedaço de bolo foi colocado na minha frente. “Eu também queria...” Ele começou a resmungar enquanto me via comer o bolo todo animado enquanto esquecia de tudo enquanto devorava o delicioso pedaço a minha frente.
“Obrigado Alicia, o bolo estava mesmo delicioso.” Falei para a cozinheira quando fui lhe entregar os pratos e talhares.
“De nada pequenino. Gosto quando as pessoas elogiam minhas comidas.” E ela cochichou no meu ouvido. “Só não fale para o guloso do Lance... ele vai começar a dar elogios para tentar ganhar recompensas...” E ela mesmo riu de si mesma.
Mal tínhamos falado isso quando Lance aparece e me pega pelo braço. “Agora vamos treinar. Você ainda é fraco.” Ele parecia furioso com algo... será que eu não devia ter pedido o bolo?
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