Sangue, Alma e uma dose de Poder
2 Capítulo 1.
Notas iniciais
A hierarquia das gangues, em geral, é composta por um Líder, os Conselheiros, os Soldados e os Patrulheiros. Em geral, ninguém se importa com os patrulheiros, eles são só civis que sonham com a possibilidade de um dia ser soldados, e avisam-nos quando há algo errado. Os soldados são a base, a força. Eles executam os principais golpes, as ações e batalhas necessárias. E fazem também a defesa do território. Os Conselheiros são os mais próximos do líder, que –obviamente- aconselham-no a tomar as decisões. Quando um líder morre, os Soldados elegem um dos Conselheiros para o posto de líder. E o Líder é a cabeça da gangue. Ele pensa as ações, cria as estratégias, elabora os golpes.
12h pontualmente como eu havia marcado, estávamos todos na sala de reuniões. A sala era ampla, com paredes grafitadas e com uma grande lâmpada no centro. Parecia mais uma sala de aula do que uma sala de reuniões. Haviam oito cadeiras distribuídas em duas fileiras de frente para um extenso quadro negro e duas cadeiras, uma de cada lado do quadro negro, de frente para as demais.
Zane e Giu se sentaram nas cadeiras ao lado do quadro, enquanto os soldados se sentaram nas oito cadeiras.
– Bom dia irmãos, espero que estejam todos bem. Não há tempo para papo furado nesta reunião, pois a ação que iremos discutir terá de ser executada em breve. – disse – Como vocês sabem, a alguns meses, algo foi roubado de nós. Algo completamente essencial para o Grande Plano. A última arma de fogo existente. Como todos sabem, após o fim da Guerra, todas as armas de fogo foram destruídas e ninguém sabe mais como fazê-las. Porém, para dominar a cidade, precisamos de uma. E há uma, um revólver Colt. Eu o mantinha seguro em nossa base na Mooca, até o ataque dos malditos Burns que levaram além da arma a vida de nosso amigo cujo o nome não é mais dito, por motivos de respeito. Bom, temos de recuperar essa arma para podermos dar continuidade ao plano. Segundo informantes, o revólver está em uma base Burn instalada no antigo Shopping Tucuruvi. Não muito longe de nós. Por este motivo, receio que os Burn estão aguardando a nossa chegada. Como não teremos o efeito surpresa, temos de chegar com força para invadir. Provavelmente têm um ou dois soldados nos esperando por lá, além de patrulheiros que devem estar armados. Zane agora vai passar as principais orientações.
– É o seguinte: iremos chegar pra foder. Cinco soldados, um Conselheiro e o Líder. Toda a ação será comandada por Nick. Jhon e Gui irão em linha de frente acompanhados de Duh, Ann e Bella. A intenção é causar uma distração, enquanto Nick e eu entramos para pegar a pistola. As demais regras vocês já sabem. Se um companheiro estiver morto, deixe o corpo. Só o retire-o do campo de batalha caso julgue que há chance de vida. E os blás-blás-blás de sempre. – Zane orientou – Os informantes disseram-nos que há dois soldados lá. Caique e Felipe. Ambos espadachins, e rápidos. Não se deixem enganar pela aparência magra, eles são bons. Eu quero a cabeça deles rolando, entenderam? É isso ai. Fiquem vivos, e vamos nessa.
Pegamos o elevador que nos leva para a superfície. Na garagem, nossos bebês. Meu bebê é uma Ducati 1908, uma motocicleta 1100 preta com uma faixa vermelha. Meu capacete é em sua totalidade preto, apenas com um símbolo do lado. Era o símbolo utilizado por John Paul Jones, baixista do Led Zeppelin na década de 70. Representa acima de tudo, a força.
Quando todos estavam em suas respectivas motos, com suas armas, o portão se abriu e saímos em formação pela cidade. As ruas devastadas não nos permite muita velocidade, porém os perigos não nos deixa ir muito devagar. Após aproximadamente 20 minutos, chegamos ao ponto de parada. Como de costume, escondemos nossas motocicletas para não deixar rastros. Quando ficamos a poucos metros do Shopping, os soldados montaram formação, e eu e Zane fomos pelas laterais.
Em passos calmos e cautelosos, entrei no shopping junto com Zane, tentando não ser avistado. No piso onde estava, haviam apenas dois patrulheiros. Todo o barulho e gritaria indicava que ali estava vazio porque a batalha do lado de fora havia começado. Zane acertou uma flecha em cada patrulheiro, sem dá-los tempo para alertar os demais. Seguimos pela escada, buscando o piso superior. Quando chegamos ao topo da escada, com Zane na frente com o arco, ouço um barulho ensurdecedor e vejo meu irmão ser arremessado a metros de distância. Uma armadilha! Puta que pariu, como ele não viu?! Quando comecei a correr para ajudá-lo, uma flecha passou zunindo próximo à minha orelha direita. Um patrulheiro que demonstrava mais medo do que coragem estava parado atrás de Zane – que estava desmaiado –, com o arco dele nas mãos. Saquei minha Katana – que ficava nas costas –, traçando uma reta em diagonal de cima para baixo, rasgando o peito de um patrulheiro que corria em minha direção. Cheguei rápido o suficiente antes que o outro patrulheiro matasse Zane, e tracei outra reta, dessa vez na horizontal, fazendo o pobre-diabo se partir em dois. Desviei ligeiramente de uma espada que visava atingir meu rosto e enfiei minha Katana na barriga de outro patrulheiro. Só faltava um. Quando o filha da puta veio com um machado pra cima de mim, eu fiz questão de cortar-lhe a mão. Com seu machado – e sua mão – caídos ao chão, o maldito começou a chorar. Era isso que a maioria dos patrulheiros eram – uns puta bundões. Rasguei sua garganta em um corte firme, e fiquei ainda mais sujo de sangue. Na verdade, eu até gosto.
–-------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Narrado por Anna “Ann” Englert
Arrombamos a porta principal do Shopping, esperando a chuva de patrulheiros pra cima de nós. A formação consistia nos dois lanceiros – Jhon e Gui – a frente, com seus escudos – ambos pretos, com o símbolo da gangue, um macaco fumando. Nas laterais, eu com meu Mangual – bastão preto, e a ponta de prata brilhante – e Duh com seu Nunchaku – com as hastes brancas e a corrente vermelha. Bella nos protegia na retaguarda com sua espada – uma linda lâmina média, de ferro preto, presa a um cabo dourado com um símbolo semelhante a um olho. Em marcha rápida e organizada avançamos. Quando aquela risada começou. Uma risada jovial e sonoramente inocente, porém, sem um pingo de inocência em sua essência. Ele estava logo a frente. Felipe. Com uma espada em cada mão, e no mínimo uns 15 patrulheiros as suas costas. Ele se manteve parado, e os patrulheiros, todos com espadas, avançaram. Rodei meu Mangual – uma bola de metal com espinhos ligada por correntes a um bastão — e acertei o primeiro que chegou, amassando seu crânio. Meu deus, como eu amo essa arma. Vi Jhon enfiar a lança em um patrulheiro e usá-lo para acertar outro. Seria até engraçado, se logo em seguida não fosse acertado pelo cabo de uma espada em sua nuca e desmaiasse em meio à batalha. Gui o jogou para um canto, cobrindo-o com o escudo e torcendo para que ele não fosse visto. Novamente golpeei um patrulheiro, mas dessa vez, acertando seu saco. Digamos que pela cara que ele fez, ele preferia ter o crânio amassado. Vi Bella traçando uma luta 1x1 com Felipe. Ela era muito boa, mas Felipe era melhor. Ela estava em seu máximo, e Felipe apenas concentrado. Corri até lá, e quando estava próxima a eles, Felipe desarmou-a. Ele ia matá-la, mas antes foi atingido por um certo Mangual arremessado por uma certa Eu. Corri e peguei minha arma antes que ele se levantasse. Ele estava bem, pois não foi atingido com força. Desviei do seu primeiro golpe, segundo, terceiro. Cada vez a espada do soldado Burn passava mais próxima. Eu acertei-o no braço esquerdo, quebrando-o, porém o filha da puta continuou golpeando com o direito. Fez um corte em minha perna, que quase me levou ao chão. No momento que ele ia enfiar a espada em meu peito, girei meu Mangual de tal forma em que a corrente enrolou-se na lâmina da espada. Com um forte puxão, ela foi ao chão, junto de minha arma. Quando fechei o punho pra amassar a cara do desgraçado, vi a lâmina de Bella atravessa-lo o peito. Menos um.
–----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Narrado por Nicholas “Nick” Souls
Gastei uns preciosos minutos para acordar Zane. Ele abriu os olhos devagar e confuso.
– Eu apaguei? – ele disse
– Completamente, seu bosta — respondi
– O que foi aquilo?
– Armadilha. Olha por onde anda, você já fez a gente perder bastante tempo.
Zane se levantou e viu que já estávamos todos juntos. Mas não pareceu feliz. Arregalou os olhos e gritou.
– DUH, CUIDADO!
Duh não teve tempo de se virar quando alguém passou fazendo um extenso corte em sua perna direita. Ele caiu, gritando de dor. Era ele. Caique estava ali. Bella foi pra cima dele, enquanto mais uns 10 patrulheiros vinham pra cima de nós. Acertei um filha da puta com o cabo da Katana, e logo em seguida decaptei-o. Corri para ajudar Bella, que novamente estava aguentando, mas tendo que se esforçar ao máximo para segurar o espadachim. Tomei a frente da batalha e desferi um golpe em horizontal, que foi bloqueado, e a batalha continuou assim por minutos que pareceram horas. Caique era muito rápido. Mas eu também tinha meus anos de treino. A espada dele passou zunindo na frente do meu rosto, raspando em minha bochecha. Senti o sangue escorrendo, e a raiva subindo ao meu corpo. Golpeei-o na perna, fazendo um corte em sua coxa. Bloqueei mais um ataque, e ataquei novamente na perna, desta vez, arrancando por completamente sua perna esquerda. Caique foi ao chão, e então cravei minha Katana no meio de sua barriga. Mais um soldado eliminado.
Como esperado, os meus soldados haviam acabado com aqueles patrulheiros. Porém, os fogueteiros – delatores – muito provavelmente já saíram correndo para avisar os Burn. Tinhamos de ser rápidos. Os Burn trabalhavam tanto em suas habilidades físicas, que deixavam a parte inteligente um pouco de lado. Somente o líder deles – Leonardo “Lelo” Veronezi – e os seus conselheiros – Vinicius “Marti” Martinato e Lucas Lyu – eram realmente espertos. Por isso, os inteligentíssimos soldados da base haviam deixado o revólver no lugar mais óbvio daquele shopping – o terraço. Após pegarmos o Colt, fomos até o esconderijo das motocicletas – uma antiga loja de carros, agora vazia – e prestamos os primeiros socorros a Duh e Anna enquanto aguardávamos os soldados nos buscarem de carro. O corte na perna de Duh era extenso e fundo, mas por sorte não pegou nenhuma veia importante. Improvisei um curativo e coloquei meu cinto na parte superior da coxa para diminuir o sangramento. Rezende e Giu chegaram em duas caminhonetes Land Rover. Colocamos as armas na caçamba, e entramos nos carros. Levou mais ou menos 1h para chegarmos, pois as avenidas devastadas nos obrigavam a pegar caminhos mais longos. Ao chegarmos na casa, Malu, que além de soldado era nossa médica, foi cuidar dos feridos. Junto de Zane e Giu, guardei o Colt no cofre do meu quarto. Qualquer um que quisesse pegá-lo agora, teria de passar por mim. E estamos novamente um passo mais perto do Grande Plano.
Fale com o autor