Sangue, Alma e uma dose de Poder
3 Capítulo 2.
Notas iniciais
Narração por Victor Cavalcanti
Ah! O dinheiro. Sempre nos dando poder, mesmo depois da Grande Guerra. Meu nome é Victor Cavalcanti, e eu sou atualmente o governador da Nova São Paulo. Após a Grande Guerra, a cidade estava devastada. Grandes prédios reduzidos a cinzas. Carros incendiados nas ruas, corpos por todos os lados. Os poucos que sobraram vivos estavam escondidos e assustados. Claro que eu e minha família não. Éramos ricos. Meu pai, Felippe Cavalcanti, era muito inteligente. Ele sabia que a Guerra iria acontecer. Estocou muitas coisas, e nos escondeu no subsolo. Infelizmente, os bunkers que continham as armas de fogo foram destruídos na terra, tendo-me sobrado apenas o Colt. Ah, que belo revólver. Um comprido cano prateado, com um cabo amadeirado e a gravura de um cavalo. Era nossa, até que os malditos WM roubaram-na. Enfim, após a Guerra, nossos mantimentos e nossa inteligência nos tornaram ainda mais ricos, e poderosos. Meu pai governou Nova São Paulo por um ano. Até que um dia, foi encontrado morto em seu quarto, com os lábios ensanguentados e os olhos abertos. Nunca foi explicado ao certo o motivo de sua morte. Bom, desde então eu governo a cidade – pelo menos boa parte dela – junto de minha gangue, os Noturnos. Bom, talvez eu deva apresentá-los a vocês.
Nome – Victor Cavalcanti
Cargo – Líder
Idade – 21 anos
Habilidade principal – Agilidade
Altura – 1,85
Peso – 80 kg
Porte Físico – Robusto
Arma principal – Facões
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Nome – Matheus “Canni” Juan
Cargo – Conselheiro
Idade – 16 anos
Habilidade principal – Força
Altura – 1,80
Peso – 95 kg
Porte Físico – Musculoso
Arma principal – Machado
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Nome – Pietro Waldorf
Cargo – Conselheiro
Idade – 22 anos
Habilidade principal – Velocidade
Altura – 1,85
Peso – 65 kg
Porte Físico – Magro
Arma principal – Adagas
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Nome – Mayara Caniello
Cargo – Soldado
Idade – 17 anos
Habilidade principal – Oportunismo
Altura – 1,65
Peso – 60 kg
Porte Físico – Esbelto
Arma principal – Espada
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Nome – Bianca Almeida
Cargo – Soldado
Idade – 17 anos
Habilidade principal – Charme
Altura – 1,65
Peso – 60 kg
Porte Físico – Esbelto
Arma principal – Facas
–
Nome – Thomas Machado
Cargo – Soldado
Idade – 17 anos
Habilidade principal – Espadachim
Altura – 1,80
Peso – 65 kg
Porte Físico – Esbelto
Arma principal – Lança
–
Nome – Erick Souza
Cargo – Soldado
Idade – 17 Anos
Habilidade principal – Força
Altura – 1,80
Peso – 80 kg
Porte Físico – Robusto
Arma principal – Bastão
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Nome – Dan Pinheiro
Cargo – Soldado
Idade – 16 anos
Habilidade principal – Força
Altura – 1,90
Peso – 80 kg
Porte Físico – Musculoso
Arma principal – Espada/Escudo
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Nome – Felipe Vidal
Cargo – Soldado
Idade – 18 anos
Habilidade principal – Esperteza
Altura – 1,85
Peso – 80 kg
Porte Físico – Musculoso
Arma principal – Katana
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Nome – Mary “Maary” Figueredo
Cargo – Soldado
Idade – 18 anos
Habilidade principal – Inteligência
Altura – 1,55
Peso – 45 kg
Porte Físico – Magra
Arma principal – Facas
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Nome – José “Joe” Luiz
Cargo – Soldado
Idade – 21 anos
Habilidade principal – Charme
Altura – 1,80
Peso – 75 kg
Porte Físico – Musculoso
Arma principal – Mangual de Guerra
Bom, estes são os meus companheiros de gangue que lutam pelo poder. Todos obviamente sempre bem vestidos e bem arrumados.
– O silêncio deles têm me assustado, Victor – Disse Canni, num tom sério – Mais nenhum ataque, nenhuma armadilha, nada. Não me preocupo com os medrosos dos Burn, pois nunca ousaram nos atacar. Mas esses malditos WM estão planejando algo, e eu tenho medo do que possa ser.
Canni era um homem negro, baixo e forte, mas forte mesmo. Em seu caro terno branco e gravata vermelha, lembrava-me aqueles rappers do começo do século. Com a barba por fazer e os cabelos em corte militar, não aparentava seus 16 anos.
Aproximei-me dele, com calma. Em seu ouvido, disse:
– Uma coisa é estar atento a algo, irmão. Mas se tem medo deles, CAI FORA DAQUI! – Canni nem se mexeu após meu grito – Às vezes acho que você subestima minha inteligência, negão. – me afastei dele – Se tem uma coisa que não sou, meu amigo, é burro! Eles estão sim bolando um plano, para invadir o prédio e tomar o poder.
Eu caminhava pela sala enquanto falava. Era uma sala ampla, com móveis brancos sofisticados, uma televisão de 80’’ em uma das paredes, enquanto a outra era apenas vidro, dando-nos vista para a cidade. Estávamos no último andar. O prédio em que governávamos era o antigo prédio da Banespa, no centro da cidade. Agora com uma aparência mais sombria, devo dizer. As paredes brancas eram tomadas até a metade por cinzas, e a bandeira no topo levava o símbolo dos Noturnos – metade de um rosto de vampiro.
– Digamos que os WM não são tão fiéis quanto aparentam. Não todos eles. – e ri.
– Hahahaha! – Bradou Canni – quer dizer então que temos um informante? Quem é o Judas?
– Creio que não é apropriado revelá-lo o nome agora, meu irmão. Mas em breve você saberá, e no dia do golpe, farei questão de traí-lo como ele traiu a seus irmãos.
Sai e fechei a porta, dando fim à conversa.
Narração por Nicholas “Nick” Souls
O som de Brianstorm do Arctic Monkeys que saia do meu despertador me acordou. O meu antigo telefone celular só servia pra isso agora, já que as redes foram destruídas com a Guerra. Comunicávamos-nos apenas por rádios de médio alcance. Ao meu lado, talvez a mais bela garota que já conheci. Apesar de toda a responsabilidade e luta que tínhamos, éramos todos adolescentes. E bem, eu tinha direito de ter uma namorada, não? Quase todos os soldados tinham seus lances. Alguns mais longos que os outros. Como Gabe, que tinha uma filha de dois anos. Quando nós o encontramos, ela era uma recém-nascida, e por isso ele veio morar conosco. Suas habilidades o tornaram um soldado, dando ainda mais proteção à pequena Nora.
Bella se mexeu, resmungou algo e voltou a dormir. Eu vesti minha calça jeans preta e parei em frente ao espelho. Eu era alto, e tinha um corpo saudável por conta do meu gosto por treinos. Meu cabelo castanho claro estava longo, na altura dos ombros, bem parecido com o de meu irmão – de consideração – e conselheiro Zane. Coloquei uma camiseta velha do Led Zeppelin e uma jaqueta de couro. Uma bandana prendeu meus cabelos pra trás, fazendo-me lembrar do Axl Rose.
Dei um beijo na Bella e sai do quarto. A casa subterrânea que habitávamos era bem grande. Era composta por 11 quartos – os quais dois estavam vazios –, a sala de reuniões, a sala de armas, a enfermaria, uma grande sala de estar e uma cozinha. Todas as paredes eram grafitadas, e tinha tudo um toque muito rebelde. Andei pelo corredor até chegar à sala. Era realmente grande, maior que todos os outros cômodos. Tinha um belo lustre pendurado no alto, que não condizia em nada com o resto da decoração, e estava lá apenas porque um patrulheiro havia achado. Havia uma mesa de centro, três sofás velhos e uma lareira que era nada decorativa e muito necessária, pois fazia muito frio lá embaixo. Cheguei à cozinha, onde Malu fazia café.
– Bom dia.
– Bom dia.
Passaram-se duas semanas desde a última ação, e os soldados já estavam recuperados. Mas Malu aparentava muito cansaço, havia trabalhado muito na enfermaria.
– Hoje haverá uma reunião, mas sua presença não será necessária. E seu turno na guarda da base da penha foi substituído pela Ann. Tire o dia para descansar.
Fiz então uma das minhas tarefas favoritas pela manhã. Peguei uma panela, uma colher de pau e entrei no corredor. Pigarreei, e com um sorriso no rosto, e o som das batidas na panela, bradei:
–ACORDA CAMBADA DE FILHA DA PUTA, TEMOS DUAS SEMANAS PRO GRANDE GOLPE, SEUS ARROMBADOS.
Já dava pra ouvir os resmungos vindos dos quartos, por Deus, isso era gratificante!
Narração por Matheus “Canni”
O sol de 12h batia sobre minha cabeça, e me fritava em meu terno. Mas fazer o que, estilo é mais importante. Eu caminhava pelo viaduto Santa Ifigênia, para pensar um pouco. A vista da cidade há tempos não era a mesma. Cinzas tomavam conta dos prédios que não estavam destruídos por inteiro. Na rua, carros abandonados e um cheiro fétido de ferrugem. Mas o céu ainda era o mesmo. Isso me surpreendia. Eu era um homem de pouca fé, mas quando eu vejo o céu limpo assim, tenho certeza de que o homem não pode destruí-lo. Mas bem, ainda existem muitas coisas que posso destruir. Como os Wild Monkeys, por exemplo. Hahahah! Aqueles otários ainda vão sofrer na minha mão. Estava próximo a entrada da antiga estação São Bento do metrô. Há tempos eu não entrava lá, resolvi dar uma checada. Os patrulheiros tinham medo, mas vira e meche algum soldado entrava lá. Eu acho. Desci as escadas parcialmente destruídas, tendo de saltar aqui ou ali. Cheguei à área onde nos tempos pré-Guerra ficavam as catracas, e ainda existiam ossos ali, esqueletos inteiros ainda dentro de suas roupas parcialmente queimadas. O lugar tinha um cheiro acre de gente morta, misturado com carbono que permaneceu ali pelos últimos anos. Passei pelas catracas pelo rombo que alguma granada havia aberto, e desci as escadas que um dia foram rolantes, para chegar a plataforma. Na plataforma, mais gente morta. Barricadas, lixo. As paredes completamente grafitadas. Um esqueleto de uma mulher com um esqueletinho de criança largados no chão quase me comoveu. Quase, pois eu não era fraco assim. Um grafite na parede oposta à plataforma me deixou inquieto. Era uma chama, na cor branca, em um fundo preto. Eu conhecia aquele símbolo. Os Burn. Deviam ter feito isso há muito tempo, só para provocar. Mas ninguém teria visto? Perguntei-me quantas vezes as estações foram checadas nos últimos anos.
Um barulho vindo do túnel por onde um dia passavam trens, fez me dar um pulo. Sem pensar duas vezes, tirei meu machado das costas. Ninguém era tão bom com machado quanto eu. Quando eu comecei a ouvir risadas, não de um, mas de vários homens, decidi que era hora de evadir. Corri para a escada novamente, mas alguém havia colocado uma barricada ali, alta o suficiente para eu não conseguir pular. Parado em frente à barricada, ouvi novamente um riso. Virei-me já em um golpe, decapitando o maldito patrulheiro atrás de mim. Eles eram muitos, pelo menos 15. Acionei meu rádio, pedindo reforço. Nenhuma resposta. Aquela bosta não funcionava lá embaixo. Deferi mais dois ou três golpes, derrubando mais patrulheiros. E então eles pararam de atacar. Eu não entendi o porquê. Até que eu o vi chegando. Eu sabia quem era o filho da puta. Um garoto baixo, com cabelos longos e extremamente pretos. Era Vinicius, ou “Nico”, como era conhecido. Toda a altura que lhe faltava era compensada no sorriso insano que ele carregava. E claro, nas duas espadas a suas costas. Ele as sacou e veio correndo em minha direção. Deferi um golpe na diagonal com meu machado, mas ele se esquivou. Era muito rápido. Desviou de meus golpes, e cada vez mais era difícil me defender. Com um golpe mais pensado, arranquei uma das espadas de suas mãos. Teu sorriso sumiu. Ele bradou um grito insano e pulou pra cima de mim. Em dois golpes rápidos demais para eu perceber de onde estava vindo, ele me desarmou. Novamente sorriu, e pulou pra cima de mim com a espada. Eu me esquivei, peguei-o pela roupa e o atirei na parede. Eu era imensamente mais forte que ele. A espada dele havia voado e caído distante demais para que eu ou ele a tomasse. Agora a vantagem era minha, pois era corpo a corpo. Deferi um murro em seu rosto, que o derrubou. Quando me aproximei, ele me passou uma rasteira e subiu em mim. “Montado”, ele começou a esmurrar minha cara, sem muita força, porem com muita vontade e repetição. Eu estava perdendo os sentidos, mas vi que ele ainda estava sorrindo. Ele saiu de cima de mim, e eu já não tinha forças pra me levantar. Vi ele pegando um caco de azulejo no chão. Ele ia acabar comigo. Ouvi uma voz distante, que não devia estar tão distante quanto parecia pra mim, dizendo algo como “não faça isso, não está no plano”. Eu não sorri, não chorei, eu só podia observar. “Apague ele”, disse Nico. Eu avistei a garota, que apenas pude perceber que era uma loira. Ela pegou uma pedra um pouco grande demais, e eu acho que desmaiei antes de ser atingido.
Narração por Victor Cavalcanti
– Ele está melhor? – Perguntei para Maary, a nossa soldada-enfermeira.
– Está sim, acabou de acordar. Não se lembra de nada, só de que estava no viaduto. Mandei Dan, Vidal e uns patrulheiros checarem tudo por lá, tá tudo limpo. Não sei da onde saiu esse ou esses inimigos.
– Traga-o para mim. – Ordenei
Maary saiu apressada, e eu fui pegar uma dose de Whisky. Agora eu estava preocupado. Canni havia sido atacado, e não se lembrava de nada. Foi encontrado no viaduto com um extenso corte no rosto –inclusive em seu olho- e um baita galo na cabeça, que provavelmente foi o causador da amnésia. O que mais me preocupava não era o seu estado, porque sei que o negão é forte, mas sim quem o atacou. Um só não daria conta de Canni. E não conseguiria chegar na espreita. Os Burn eram medrosos demais para isso, e os WM assumiriam e se orgulhariam do ataque, além de que não o deixaria vivo. Isso era o que mais me deixava inquieto. O porquê o deixou vivo.
Maary e Canni entraram na sala, ele vestia uma camiseta daquelas de hospital, um moletom e um tapa olho que o deixava estiloso mesmo com aquela roupa.
– Pronto, Victor. Ele não pode beber, ok? Por conta dos remédios. – Disse Maary.
Após um resmungo de insatisfação de Canni, eu disse:
– Eai negão, tá vivo?
– Não, não, morri e vim puxar seu pé – Brincou Canni.
– Que porra foi essa, mano?
– Eu não sei, não sei. Não me lembro de nada, só fui dar uma volta. E agora to de tapa olho mano. DE TAPA OLHO!
– Ah, até que dá um estilo! Hahah – Falei descontraidamente.
– Não to achando engraçado – Disse Canni, sério.
– Relaxa, negão. Vamos descobrir quem fez isso, e acabar com os filhos da puta.
Narração por Vinicius “Nico”
– Oi, chefe. Um Noturno entrou na estação São Bento, e eu cuidei dele, do jeito que você pediu. Eu quase perdi o controle, mas apaguei o coitado, ele não deve lembrar-se de nada. E deixei uma marquinha pra ele nunca mais entrar onde não deve. As estações estão todas prontas para o plano, sem mais imprevistos. E eles não suspeitam de nada. Eu to louco pra esse dia chegar logo, e acabarmos com esses malditos. Nunca mais vão nos subestimar. Vamos mostrar pra eles o que é poder.

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