— A um tempo atrás, houve uma grande guerra entre bruxos. Os feiticeiros das sombras invocavam espíritos das trevas a fim de erradicar a espécie humana e os feiticeiros da luz tentavam impedir para a salvação da humanidade e para que o mundo não fosse possuído pelos espíritos negros, pois a espécie humana era e é até hoje o principal fator que impede que esses espíritos se apoderem do mundo material. Um dia, nessa grande guerra, duas feiticeiras extremamente poderosas, uma era a senhora da água e a outra da terra, gêmeas deram à luz cada uma a um menino. Com medo de que seus filhos não sobrevivessem à guerra, as feiticeiras tomaram cada, uma providência que achou viável. A senhora da água, chamada Ever, conjurou um feitiço que faria de seu filho um Imortal. A senhora da terra, chamada Elvy achou cruel essa decisão tomada por sua irmã e resolveu pedir a um outro feiticeiro que levasse o seu filho para bem longe e o deixasse com alguma outra família, para que o mantesse seguro até quando ela achasse necessário, o buscaria quando a poeira tivesse abaixado.
— Espere aí! Onde elas estavam no momento do parto?- perguntei atordoado porque lembrara o sonho que tivera mais cedo.
— Em seu castelo. Era o lugar mais viável para elas, já que era o único lugar que possuía o pentagrama mágico, um pentagrama com um círculo em volta desenhado no chão, nele o fogo não podia penetrar.
Eu arregalei os olhos.
— Não pode ser!- Falei atônito.
— O que foi? Disse algo errado?
— Eu sonhei isso! Eu juro! As duas mulheres, o castelo pegando fogo e a outra pessoa levando a criança!
— Mas, como?! Eu não... Não acredito que...- Seus olhos agora revelavam surpresa e perplexidade.
— O que você está querendo dizer com tudo isso? Espere aí! Hoje cedo você veio com esse papo de bruxo e agora de novo? -Luke, aonde você quer chegar?
O sinal toca e ele diz que precisa ir para não se atrasar para a próxima aula.
•••~•••
Chegando em casa, eu chamei a minha mãe para conversar e detalhei tudo o que eu ouvira lá na escola da boca de Luke.
— ...e depois quando tentei questiona-lo ele saiu correndo e fiquei lá, pasmo.
— Tá, isso explica muita coisa- ela murmurou.
— O que você quis dizer com isso?
— Isso que você disse!
— Eu disse nada!
— Mãe, eu não sou surdo muito menos trouxa.
Ela então suspirou e então disse:
— Ah, meu filho, eu sempre soube que você não é normal. Sempre soube que você tem uma descendência anormal.
— Mãe, a senhora está me assustando. Como assim? Você diz como se desconhecesse a minha descendência!
— Levy, acho que está mais do que na hora de você saber: Você não é meu filho biológico, é por isso que você nunca conheceu teu pai. Na verdade, eu nunca quis ter um filho. Você apareceu em uma cesta com teu primeiro nome na porta de casa e não sei por quê, mas eu o adotei. Poderia ter te entregue para a adoção, mas eu mesma o quis, quer dizer, eu mesma o cuidei. Então batizamos você com o nome no bilhete e o sobrenome do meu marido, na época.
Meu coração gelou ao lembrar-me do sonho, da história contada por Luke, dos seus comentários sobre meus olhos, então fui ligando os pontos. Será? Não é possível. É possível, sim! Na verdade é muito provável. Por que Luke me contaria essa história se não fosse por um bom motivo? Agora mais do que nunca, eu precisava ver Luke.
— Mãe, o que te fez desconfiar da minha "estranha descendência"?
— Levy, quando você tinha quatro anos, começou apresentar características anormais. Você reduziu um filtro de barro à pó. O filtro ficava sobre a pia, você mal alcançava a borda. Teu padrasto te deu uma bronca, você surtou e as pedra ao redor começaram a flutuar. Então, não pensamos em outra coisa a não ser leva-lo ao médico, ao centro espírita, que só sabiam dizer que desconheciam tal fenômeno. Foi então que resolvemos renuncia-lo e entrega-lo para a adoção, mas durante todo o processo você aparentou ser uma criança normal e nós, então, achamos que você tivesse se curado, resolvemos ficar com você e estamos até hoje.
— Por que você nunca me disse isso?
— Nunca achei necessário.
— EU POSSO SER FILHO DE UMA BRUXA E VOCÊ NÃO ACHOU NECESSÁRIO?!
— Mas eu jamais imaginaria algo do tipo.
Respirei fundo, me levantei e me dirigi ao meu quarto. Só saí de lá no outro dia para ir à escola.
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Acordei atordoado e fui tomar banho. Nunca tomei um banho tão rápido, estava mais do que ansioso para chegar à escola e encontrar Luke. Ele me devia muitas explicações.
Me vesti com o mesmo visual de sempre e saí era umas dez para as seis.
— Bom dia, senhor Augusto.
— Chegou cedo, senhor Price. Devo me surpreender?
— Ontem o senhor fingiu ser uma pessoa normal e me deixou entrar com um grande atraso de dois minutos. Devo me surpreender?- Disse com cara de deboche. Entrei sem nem esperar sua resposta, guardei minha bicicleta e corri para o lugar que costumo "me esconder".
Não demorou dez minutos, la vinha Luke.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.