Quando chegamos a minha casa o convidei para subir, abrimos uma garrafa de vinho que eu tinha para ocasiões especiais, e a meu ver aquela ali era uma. Enquanto fui até a cozinha pegar as taças o observei através da bancada, Brad analisava as fotos que tinha na parede, nenhuma com ele. Quando vim para Nova York tentei de todas as formas tira-lo da minha vida, este apartamento foi decorado sem nenhum traço da minha vida antiga que pudesse lembra-lo,o que agora observando daqui era meio irônico já que o próprio Bradley em carne e osso estava em minha sala de estar. Como uma mancha permanente eu queria poder apenas lavá-lo e apaga-lo, mas se antes já estava difícil depois desse final de semana era praticamente impossível.

Nos sentamos no sofá e ficamos ali mais um tempo conversando. Brad contou como foi o processo de criação do álbum e o quão loucas estavam sendo as semanas de divulgação que eles estavam enfrentando. Contei também um pouco como estava sendo minha vida aqui em Nova York, com o trabalho novo e tudo mais. Omiti a parte de que minhas amigas tentaram diversas vezes arrumar encontros para me “desencalhar” e no fim da noite nenhum deles parecia o suficiente para substituir Bradley.

O sono já estava me pegando quando Brad levantou e colocou uma musica no celular, ela era calma. Continuei o observando até que ele parou em minha frente com a mão estendida.

— Dança comigo.

Aceitei o convite e levantei pegando em sua mão. Ele me puxou para perto acabando com o espaço que havia entre nós, coloquei minhas mãos ao redor do seu pescoço. Nos balançamos conforme o toque suave da musica,ele segurou meu rosto em suas mãos e seus lábios derretem nos meus.

Brad encostou sua cabeça em meu ombro e eu sinto sua respiração contra meu pescoço,fecho os olhos e me entrego ainda mais ao momento. Seus lábios encontram o caminho de volta para os meus, me beijando com mais fervor desta vez. Ele se afasta, encostando nossas testas.

— Você sabe o que isso me lembra? — Brad pergunta baixinho,quase inaudivel. Apenas murmuro em resposta,ele sorri antes de continuar. — Nós em seu quarto de volta em Birmingham, depois de sairmos para jantar. Você com aquele vestido preto que eu gostava e esse perfume doce que eu nunca consegui encontrar igual. Suas mãos estavam no mesmo lugar que estão agora e você disse que me amava pela primeira vez.

Meu corpo se arrepia com a lembrança e eu sorrio. Queria poder voltar a aquele momento.

— Não parece que muita coisa mudou então. — Digo e essa vez que inicia o beijo sou eu.

O céu já estava quase clareando quando o sono chegou ,apenas nos atiramos no sofá de qualquer jeito e dormimos.

Acordei com a sensação de que tinha dormido bem,mesmo estando atirada no sofá. Estava encostada em Bradley e seus braços estavam ao meu redor. Levantei de mancinho e o observei. Ele parecia tranquilo, um cachinho caia sobre seu rosto.

Troquei de roupa e escovei os dentes. Fui até a cozinha e comecei a fazer omeletes para o nosso café da manha quase almoço. Um sentimento estranho tomou conta de mim,aquilo ali era temporario. Brad voltaria para sua rotina e eu para a minha,não tinha coragem de peguntar a ele o que aconteceria depois. Era um conto de fadas programado para acabar.

Levei um susto ao ver Bradley encostado na porta da cozinha me observando.

— Você já ouviu falar em bater? — disse sarcasticamente enquanto colocava o segundo omelete no prato.

— Eu bati,mas você não ouviu. Estava concentrada fazendo isso ai. — Brad disse apontando com a cabeça para os meus omeletes fazendo uma cara feia.

— Ei! Não faz essa cara para minha comida. Você sabe... a gente aprende muita coisa quando vai morar sozinho, Brad. Você deveria experimentar uma hora.

Brad apenas revirou os olhos e sentou para provar meu magnifico omelete.

Nós comemos em silencio. Pensei em puxar assunto,mas o desconforto em meu estomago me lembrava que daqui a pouco ele teria que ir embora e isso me tirava o animo de falar.

Depois de arrumar a cozinha fui até a sala de estar onde Bradley estava. Ele me olhou quando entrei, eu já sabia o que ia acontecer.

— Você já vai? — Perguntei. Brad apenas acenou com a cabeça acenando e chegando mais perto.

— Quero que você fique com isto. — Ele me entregou o cachecol que estava usando na noite anterior. — Não tem nada meu aqui, pelo menos quando você olhar para ele vai lembrar de mim.

Como se eu já não lembrasse todos os dias.

— Brad...

— Por favor. — Ele insistiu. Empurrou gentilmente os meus cabelos para trás e colocou o cachecol em mim. Senti seus lábios em minha bochecha, eu estava paralisada.


—Então vai ser assim? Você simplesmente vai desaparecer como da outra vez?


— Maya... Você sabe que não dariamos certo.


Pensei em argumentar,mas se fizesse iria chorar e minha garganta já estava apertada,então apenas baixei a cabeça.

Senti seus labios contra minha testa e segundos depois ouvi a porta se fechando.


Ele tinha ido embora.


Me agarrei no cachecol que era quentinho, macio e tinha o seu cheiro. Respirei fundo inalando saudade enquanto as lagrimas escorriam em meu rosto.