Bradley

Três anos atrás.

Janeiro.

Viajar e fazer shows com a banda é maravilhoso, mas estar de férias em casa também tem o seu valor. Cheguei há pouco tempo em Birmingham e apenas descansei. Hoje amigos de longa data me convidaram para ir ao bar relembrar os velhos tempos.
Deitado em minha cama decido se devo ir ou não, ficar outro dia em casa parece muito tentador quando lembro o que vem pela frente depois que acabar as férias. Penso que dormir seria uma boa opção. Tento silenciar meus pensamentos, mas minha cabeça parece um grande espaço vazio, então decido ir.

Rever pessoas que fizeram parte da minha vida sempre é bom, mas infelizmente não me sinto mais parte do grupo como me sentia antes. Agora analiso a bebida em minha mão enquanto ouço a conversa deles, estou entediado. Dou uma risada as vezes para parecer que estou por dentro do assunto. Penso em ir embora, mas voltar para o vazio do meu quarto me parece muito pior do que ficar aqui.

— Julian, me dá a chave do carro. — A menina entrou no meio do grupo sem muitas cerimônias, penso que deve ser namorada de Julian.

— Para que você quer? — Ele pergunta já embolando as palavras.

— Você bebeu demais e eu não vou deixar você dirigir desse jeito. Vamos me dê a chave! — Ela diz apontando para o bolso de Julian que apenas revira os olhos e entrega a chave, deixando-a com um sorriso de vitória no rosto.

Só aí me dou conta que a menina é Maya, irmã de Julian. Lembro-me dela quando eu ia jogar na casa deles e ela jogava conosco. Eles têm quase a mesma idade o que fazia que andassem juntos quase sempre, Maya cresceu e estava bonita. Seu cabelo castanho ia um pouco mais abaixo do ombro, não era alta nem baixa, podia não ser esbelta, mas seu corpo era bonito. O que mais chamava atenção era com certeza seu sorriso. Antes de sair ela me olhou e estreitou os olhos, com a chave apontada para mim, disse:

— Bradley,não é?

—Sim. E você é Maya. — Disse erguendo o copo em sua direção.

—Sim. Meu Deus, quanto tempo! Fiquei sabendo que sua banda faz sucesso. Cara, parabéns! — Ela disse sorrindo e vindo mais para perto. O resto do grupo já tinha voltado para sua conversa fechada.

—Obrigada — Respondi sorrindo. — Você quer uma bebida?

Ofereci me virando para o bar, ela fez a volta e sentou no banco ao meu lado.

— Não, eu não bebo. — Maya disse fazendo um careta. — Então... Você está de férias por aqui?

— É, uma pausa na rotina agitada. E você? O que faz por aqui?

— Ah eu to por ai né... Cursando o segundo ano de faculdade.

E por ai foi nossas conversas o resto da noite, até que ela teve que levar o irmão para casa. Era estranho ter mais assunto com Maya do que com o resto do grupo, já que antes não tínhamos tantos assuntos assim. Ela era divertida e parecia ser a única ali que conseguia manter uma conversa onde o assunto não interessava só a si mesmo.

O resto da semana correu tranquilo, encontrei com Maya mais algumas vezes e jogamos alguns vídeo games que costumávamos jogar quando mais novos. Julian não pode participar, já que estava trabalhando.

Quando me dei por conta o tempo em Birmingham já estava chegando ao fim.

Bradley

Três anos atrás.

Junho.

A rotina de shows e criação do novo álbum estava me matando. O que estava melhorando meu dia ultimamente eram as conversas com Maya. Descobrimos uma amizade incrível desde janeiro naquelas férias, apesar de nos conhecermos desde novinhos, nunca tivemos muito contato e agora era como se fossemos realmente melhores amigos há anos. Ela tinha um senso de humor que fazia meu dia carregado parecer mais leve.

Maya

Dias atuais.

Depois do dia no aeroporto eu e Brad temos mantido contato todos os dias, ligações e mensagens movimentam o meu celular. Não conseguimos nos ver desde então, nossas rotinas eram corridas e os horários que conseguíamos manter contato eram geralmente inadequados. Como agora que são 02h30min da manhã de uma quarta feira e eu estou esperando sua ligação, mas tudo bem. Não me importo com o horário contanto que dessa vez nós dois nos esforçássemos para funcionar.

Já estou deitada quando meu celular toca, não espero muito para atendê-lo.

— Hey babe. — Ouço sua voz cansada pelo telefone, minhas energias são recuperadas.

— Hey. Como você esta?

Ele me conta como foi seu dia, as entrevistas e todo resto. Eu também conto sobre meu dia, que descobri um novo sabor de chá gelado e outras coisas idiotas. Os minutos passam rápido demais quando estamos conversando.

— Brad, eu preciso ir dormir. — Digo, mesmo querendo ficar mais.

— Eu sei. — Um silencio se instala. — Sinto sua falta. — Ele continua.

— Eu também, babe.

— Boa noite! Ligo para você assim que tiver um tempo.

— Vou esperar. — Digo sorrindo. — Boa noite.

Mesmo depois que finalizo a ligação ela não parece completa. As três palavrinhas que saltitavam em minha boca até os últimos segundos da ligação agora pareciam estar gritando em minha cabeça, ainda não tenha coragem de voltar a dizer que amo ele. Algo em mim trava quando penso nisso. Deixo um suspiro pesado escapar e fico apenas com o sentimento de desejo que tudo volte a ser como já foi um dia. Ou até melhor.