Same Old Games
10 You saved my life again...
Notas iniciais
PDV Gabriela
Estava uma noite quente e eu não conseguia dormir. Fiquei me revirando na cama, só repassando os acontecimentos da minha primeira semana em Londres. Parecia loucura que tanta coisa tivesse acontecido em tão pouco tempo. Parecia loucura que Liam tivesse me conquistado em tão pouco tempo.
Não me leve a mal, não sou do tipo de garota que se apaixona facilmente, e não acredito que seja apaixonada, mas eu realmente gosto dele. Perdi 1 ou 2 noites de sono pensando naquele sorriso e talvez mais algumas horas naquele beijo. É, eu sentia algo por ele, não podia negar. Mas, era cedo demais pra ser algo forte.
De repente me dei conta do quanto eu sentia falta da minha mãe. Ela podia ser rígida comigo e talvez não fosse a pessoa mais carinhosa do mundo, mas eu sentia falta dela. Muita falta.
Peguei meu celular e disquei o número dela, mas tudo que consegui foi conversar com a secretária eletrônica.
- Hey mãe, sou eu... Gabi. Anh, só liguei pra saber se estava tudo bem, mas você deve estar ocupada. Tô com saudade. Beijo.
Eu desliguei o celular com uma dor enorme no peito. Acho que eu nunca saberia o verdadeiro significado da palavra mãe.
Como não ia conseguir dormir, coloquei um shorts e uma regata e saí na varanda que dava para a rua. Fiquei olhando a casa de Liam por um tempo, esperando que de alguma forma ele aparecesse alí. Depois de um tempo, percebi que era fantasia demais e decidi ir até a praça por um tempo... pra pensar.
PDV Liam
Não estava conseguindo dormir. Sempre odiei o calor e odeio ainda mais os mosquitos que se acumulam nele. Depois de meia hora matando meia dúzia deles, decidi sair um pouco na varanda do meu quarto, pra tomar um ar.
Me deitei na rede, o que impedia que as pessoas na rua me vissem e fiquei pensando na semana que tinha se passado. Tinha sido ótima, mas incrivelmente louca. E a melhor parte da loucura era uma garota de cabelos escuros que morava do outros lado da rua.
Me levantei e fui até a sacada, só pra olhar pra casa dela e desejar que ela estivesse ali. E pra minha surpresa, ela estava.
Gabi não me viu, apenas virou as costas e entrou. Fiquei pensando nela e em como conseguia ser bonita até mesmo antes de dormir, até que a vi saindo de casa. Ela estava com o cabelo preso em um coque relaxado e mexia no celular com os fones de ouvido. Estava se dirigindo à praça que tinha na rua de trás.
Não pensei duas vezes. Coloquei uma calça jeans e uma camiseta branca e fui atrás dela.
Eu gostava de conversar com Gabi, e se ela tinha saído a essa hora da noite alguma coisa estava errada.
A encontrei sentada em um dos bancos, sozinha. Coloquei a mão em seu ombro e ela se virou assustada.
- Liam – ela disse passando a mão pelos olhos – O que está fazendo aqui?
- Você estava chorando? – eu contornei o banco e sentei ao lado dela, preocupado.
Gabi tirou os fones e enxugou as lágrimas.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntei
- N-não é nada. É so que... problemas familiares. Nada demais.
- Olha, pra uma menina que não chora em Um Amor Pra Recordar, com certeza não é “nada demais”.
Ela sorriu fracamente e olhou pra frente:
- É só que... é minha primeira semana em um país totalmente novo e minha mãe nem me ligou pra perguntar como eu estou.
Fiquei sem fala. Eu reclamava que meus pais passavam 2 dias sem falar comigo, mas isso?
- Ela deve estar ocupada. – tentei argumentar
- Ocupada a ponto de não ligar pra conversar por cinco minutos com a própria filha? Acho que não, Liam.
Fiquei em silêncio e ela deve ter entendido errado porque respirou fundo e disse:
- Me desculpa. Não queria ser ignorante. É só que... dói. – as lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto dela.
- Hey, não fica assim, tá legal? Eu não tô acostumado a te ver pra baixo.
Eu a abracei enquanto sentia as lágrimas molhando minha camisa. Meu coração ficava em pedaços por vê-la daquele jeito. Eu nunca tinha visto Gabi sem um sorriso no rosto. Nunca.
Passei as mãos pelo cabelo dela, tentando não desfazer o coque. Tinha tanta dor naquele abraço, que eu resisti ao impulso de chorar junto. Eu queria protegê-la, queria saber o que estava acontecendo, queria dizer que tudo ia ficar bem, mas não era fácil.
Gabi se acalmou aos poucos e secou as lágrimas.
- Quer conversar? – perguntei
Ela assentiu, com os olhos tristes.
- Vem, vamos pra minha casa. É perigoso ficar aqui essa hora da noite.
Ela não discutiu. Abracei Gabi pela cintura e ela foi com a cabeça encostada em meu peito até minha casa.
Peguei um cobertor e pedi pra ela se sentar no sofá. Fui até a cozinha e fiz um café pra ela. Depois me sentei ao seu lado.
- Obrigada, Liam.
- Não precisa agradecer. Quer conversar sobre o que tá acontecendo?
Ela respirou fundo:
- Minha relação com a minha mãe nunca foi das melhores. Ela me prendia em casa, não confiava em mim. Eu perdi meu pai quando tinha 5 anos. Acidente de carro. Minha mãe parecia me culpar por ter sobrevivido. Depois dos meus 14 anos ela ficou muito mais legal. Me tratava bem melhor e eu pensei que seríamos felizes juntas, como uma família. Até que ela arranhou um cara e se casou de novo. As coisas... mudaram desde então.
Eu não gostei da hesitação na voz dela.
- Tudo isso me levou a fazer umas coisas nada legais e minha mãe descobriu. Ela me forçou a vir pra cá. Vick e Mar vieram comigo. Elas eram as únicas amigas que eu tinha até conhecer vocês.
Ela não chorou, mas eu sentia a dor em sua voz.
- Eu não sei o que dizer.
- Não precisa. Eu só precisava tirar esse peso de dentro de mim. Queria ter uma mãe, Liam. Alguém que me apoiasse, que estivesse sempre por perto. Que me entendesse.
- Vem cá.
Estendi os braços pra ela e a deitei em meu peito de novo.
- Não quero que pense mais nisso, tá? Enquanto sua mãe não estiver por perto, quero que confie em mim. Quero que saiba que eu vou estar aqui pra tudo, tudo mesmo, que você precisar.
- Obrigada Liam, de verdade. Você é um ótimo amigo. Você se importa se... eu ficar aqui por um tempo? Até o sono vir?
- Claro que não. Eu não te deixaria ir pra casa desse jeito. Quer dormir aqui?
- Não. Eu não quero incomodar e minha casa é do outro lado da rua.
- Eu estou pedindo pra você ficar aqui. Não vou conseguir dormir sem saber como você está.
Ela pensou um pouco.
- E os meninos?
- A gente acorda bem cedo e você vai pra casa antes da escola. Mas, por favor, fica.
Você pode achar meio estranho, mas eu realmente não ia conseguir dormir sabendo que ela estava acordada. E se ela estava se sentindo mal, eu queria ficar com ela.
- Tudo bem, eu fico então.
Eu sorri e pedi pra ela esperar enquanto eu ia buscar um colchão pra mim.
Voltei com o colchão, travesseiros e cobertores depois.
Sentei ao lado dela e nós ficamos conversando por um tempo, até que todas as luzes se apagaram.
- Liam?
- Calma, eu tô aqui. Deve ter acontecido alguma coisa com os fios elétricos. Vou acender umas velas...
- Liam, não me deixa aqui sozinha, por favor.
Eu podia sentir o medo em sua voz, então me lembrei. Gabi tinha medo do escuro. Encontrei a mão dela e a segurei.
- Fica calma. Vem comigo, então.
Nós subimos os degraus com ajuda da luz do celular e pegamos 3 velas nas gavetas do meu quarto.
Deixei as velas próximas da gente e deitei no colchão. Gabi deitou no sofá e estendeu o braço esquerdo. Eu segurei sua mão e fiz carinho nela gentilmente.
- Está melhor?
- Muito melhor. Obrigada Liam, por tudo.
- Não precisa agradecer.
Me apoiei em um braço pra poder enxergar seu rosto e passei a mão pelo seu braço. Eu senti... marcas nele.
- O que foi isso?
Me levantei preocupado e Gabi puxou o braço, assustada.
- Não foi nada.
Me sentei ao lado dela no sofá e ergui a manga do braço esquerdo. Estava cheio de cicatrizes.
- Você se corta?
Ela abaixou a manga delicadamente.
- Me cortava. É o motivo de eu estar aqui. Foi o que minha mãe descobriu e depois ela tentou me mandar pra reabilitação. Eu não fui. Nós brigamos e eu vim parar aqui.
Senti uma dor enorme por saber que ela se cortava. Quase tanta dor do que ela ao se mutilar.
- Não concordo com isso, mas acredito que tudo tem um motivo. Se isso não tivesse acontecido, eu estaria passando essa noite sozinho e não teria tido uma semana tão boa quanto tive.
Ela abaixou a cabeça, envergonhada. Ergui seu queixo e fiz olhar no fundo dos meus olhos.
- Me promete que não vai mais fazer isso? Por favor. Eu não ia aguentar ver você fazendo isso consigo mesma.
- Eu vou tentar. Não é algo que eu controle.
- Por favor. Sempre que sentir vontade, me liga ou atravessa a rua. Vem aqui e me procura. Eu só não quero você fazendo isso de novo.
- Liam eu...
- Promete?
Ela hesitou, mas depois de um tempo disse:
- Prometo.
- Agora vem aqui. Não quero te deixar sozinha essa noite.
- Eu não estou sozinha.
- Eu sei, mas quero que você fique por perto. Já sofreu o bastante por hoje.
Abracei ela pela cintura e nós deitamos no colchão, que tinha mais espaço. Nos cobri e entrelacei nossas mãos envolta da cintura dela.
- Liam, obrigada. Não só por hoje, mas por toda essa semana. Você salvou minha vida mais vezes do que pode imaginar.
- E eu salvaria quantas mais fosse preciso.
Ela se virou pra mim e eu passei a mão pelo seu rosto. Não sei porquê, mas eu queria cuidar daqula garota. Me lembrei de quando eu beijei ela e no quanto eu tinha pensado naquilo. Tudo o que eu mais queria era beijá-la de novo, mas eu não podia. Não naquele momento.
Beijei a testa dela e a abracei com mais força. Ela encostou a cabeça no meu peito e dormiu pouco depois. Me senti melhor, mais tranquilo. Fechei os olhos e dormi também.
...
Acordei com a repentina claridade da manhã. As velas tinham queimado até apagar e a luz tinha voltado. Olhei no relógio do celular: eram 6:00hrs.
Niall e Louis só iriam acordar depois das 7, então não me preocupei nem um pouco em acordar Gabi. Fiquei ali, olhando para o rosto dela enquanto dormia. Não me importaria de ficar assim o dia inteiro, mas ela abriu os olhos e piscou diversas vezes pra afastar a claridade. Seus olhos focalizaram meu rosto e ela sorriu:
- Bom dia.
- Bom dia. Está com fome? – perguntei
Ela assentiu e voltou a fechar os olhos, com sono. Realmente, acordar de segunda- feira não é fácil.
- Vem, vamos tomar café.
- Ah, me deixa aqui.
Ela virou as costas e voltou a dormir, então eu tive que tomar medidas drásticas. A peguei no colo.
- Liam, o que você está fazendo?
- Você vai vir comigo preparar o café.
Ela riu e eu a coloquei sentada em uma das cadeiras da cozinha. Coloquei pão, queijo e frutas na mesa enquanto ela preparava o café. Nos sentamos e começamos a comer.
Ficamos alí conversando e rindo por um bom tempo. Era, com certeza, o melhor café-da-manhã da minha vida.
- Quer uva? – perguntei
- Não, obrigada. Acho que já comi o suficiente.
- Ah, não comeu não.
Segurei em sua cadeira por baixo e a puxei até bater na minha. Nós ficamos lado a lado. Segurei Gabi pela cintura, peguei uma uva e disse:
- Abra a boca.
Ela revirou os olhos, mas abriu. Coloquei a uva na boca dela e beijei sua bochecha. Ela riu e sujou meu nariz de margarina.
Fiz uma cara emburrada e limpei com o guardanapo.
- Liam, é melhor eu ir. Preciso me arrumar pra escola.
- Eu levo você.
Ela pegou mais uma uva e nós atravessamos a rua. Ela abriu a porta e entrou.
- Bem, então até daqui a pouco. – eu disse
- Até daqui a pouco.
Sorri e virei as costas, mas ela me chamou.
- Hey, Liam.
Quando me virei, ela já estava bem próxima e seus lábios estavam nos meus. Segurei seu rosto, surpreso, enquanto ela se afastava.
- Obrigada. – ela sorriu e entrou.
Eu sorri e fiquei fitando a porta dela.
- De nada.
Notas finais
Bom, vejo vocês nos reviews (por favor, deixem)
Malikisses xx
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