Samantha Roberts - O Livro de Sócrates
10 Sou engolida, literalmente falando.
Eu mal conseguia parar quieta no lugar. Agarrei as laterais de meu assento para tentar parar com a euforia, mas meus pés me traíram e começaram a se balançar involuntariamente. Normalmente eu já tinha dificuldades de ficar totalmente parada — estava sempre balançando os pés e batucando com as pontas dos dedos -, só que naquele momento eu estava prestes a explodir. Parecia uma criança indo viajar o Walt Disney World, não uma garota que acabou de descobrir que teria um destino traiçoeiro a partir dali.
Conhecendo-me bem, talvez esse fosse o verdadeiro motivo de minha inquietação. E não era uma manifestação de insegurança. Estava mais para ansiedade. Era como se eu estivesse em um dos filmes antigos de ação que papai amava assistir: qualquer coisa poderia acontecer.
Sorri levemente. A ideia de que eu, Samantha, a criatura que sempre tinha, no mínimo, os próximos vinte dias cronogramados, não sabia o que iria fazer a seguir era algo gozado. Não só isso. A minha vida inteira parecia uma piada sem graça. Minha melhor amiga nunca foi quem pensei que era. Tampouco eu era quem achava ser. Minha mãe não me largou com meu pai e fugiu pros Bahamas ou sei lá onde. Era uma deusa. Uma deusa grega. E isso quer dizer que tudo o que um dia eu julguei ser mito era verdade.
— Tá rindo por quê? — Nick perguntou.
Fechei os olhos e encostei minha cabeça no encosto do assento. Mantive o sorriso nos lábios por mais algum tempo.
— Eu estou sonhando. Tenho certeza. Você vai ver, a qualquer segundo tudo ficará preto e eu vou acordar em casa com meu pai se esgoelando porque estou atrasada pra escola de novo. Daí voltarei pro meu mundinho sem deuses, armas letais e homens com bunda de cavalo.
— Sonho mesmo é se isso fosse possível.
— Parece que estou vivendo a vida de outra pessoa. Isso deve ser ilegal.
— Uma troca de corpos, tipo em Uma sexta-feira muito louca?
Dei ombros.
— Sei lá. — respirei fundo. — Demora muito para acostumar?
Ele que fez que não com a cabeça.
— Logo você vai estar mais acostumada com homens com bunda de cavalo do que gostaria.
Eu duvidava disso, mas dei-lhe um meio sorriso como agradecimento por ter tentado me passar mais segurança.
Nick começou a olhar a paisagem pela janela com um ar entediado. Não pude deixar de captar a sensação de que ele estava pensando em como tinha sido minha vida até então. Procurei não encarar aquilo como curiosidade sobre mim, mas sobre como deve ser ter uma vida... mortal.
Procurei afastar os pensamentos dele, mas em contrapartida os meus próprios voltaram para aquela conversa com minha mãe. A parte sobre meu futuro me intrigava, porém o que mais mexia comigo era o fato de ela ter sido tão fria. Afinal, eu era sua filha. Ela não fala comigo durante meus quinze anos de vida e, quando finalmente o faz, não me dá nem um abraço, nem uma explicação decente.
Então uma súbita parada do ônibus lançou meu corpo contra a poltrona da frente. Bati violentamente contra o estofado e caí de mal jeito onde eu estava sentada anteriormente. Um coro de reclamações tomou conta do veículo. Olhei para o lado, assustada, e vi que Nick massageava a lateral do corpo enquanto fazia uma careta de dor.
— Galera. — ouvi a voz de Jenny logo atrás da gente. — Janela. Agora!
Olhei para fora da janela e cobri a boca com espanto.
Nicholas soltou um palavrão.
Eu nunca em minha vida tinha visto algo igual.
A princípio, pensei que era um dragão. O bicho horrendo tinha um corpo escamoso e reptiliano, com quatro patas que terminavam em unhas gigantescas. Quando olhei para cima é que vi que estava enganada. O corpo se dividia em três cabeças. Os olhos eram esbugalhados e os focinhos, proeminentes. Dentes afiados prostravam-se para fora da mandíbula.
Eu sabia o que aquilo era.
Hidra.
O monstro emitiu um alto ruído que se assemelhava ao barulho de vidro sendo arranhado. Meus pelos se arrepiaram e meu corpo se enrijeceu. A simples presença dele ali me deixava nervosa.
Nicholas se levantou num sobressalto.
— Jenny, a névoa. Dá uma reforçada nela. As coisas aqui vão ficar feias. — ele olhou para mim. — Vamos ter que lutar.
Assenti, sabendo que primeiro eu teria que lutar contra meu próprio medo.
Nicholas pegou as mochilas que levamos como bagagem de mão e jogou por cima do ombro. Jenny também pegou sua mochila-mágica-do-grande-armazenamento-interno, a mesma que ela usava no colégio, e tirou de lá seu arco.
— O que está acontecendo? — gritou um passageiro.
O motorista saiu de sua cabine transtornado.
— Batemos numa manada de vacas que estavam atravessando a estrada. — ele disse alto para que todos pudessem ouvir. — Vou ter que descer. Acho que meu radiador pifou. Vou ligar para a seguradora. Peço a paciência de vocês todos.
A hidra soltou mais um daqueles gritos ensurdecedores e bateu com sua cabeça contra o ônibus. O impacto fez tudo tremer e eu tive que agarrar o braço de Nick para não cair para trás. Não satisfeito, o monstro abriu sua boca e — acredite ou não — lançou fogo contra o veículo.
— Temos que tirar todo mundo daqui. — eu sussurrei. — Ela vai acabar explodindo esse ônibus.
O motorista, com o golpe, desceu irado do ônibus.
— Vacas malditas!
Jenny olhou para os lados, analisando toda a cena. A hidra não iria parar tão cedo, não enquanto nós estivéssemos ali. E também não poderíamos deixar o motorista lá fora com aquela coisa solta.
Senti o cheiro de borracha queimada. Os pneus estavam pegando fogo.
Olhei para Jenny, desesperada, sem saber muito bem o que fazer. Eu simplesmente entrava em pane quando as coisas não saiam conforme os planos. Era Jenny quem sabia improvisar nessas horas.
— Ah, não! — ela disse num tom forçado. — As vacas colocaram fogo no ônibus!
Eu e todos os passageiros da viagem olhamos para Jenny como se ela fosse louca. Genial, pensei, simplesmente genial. Nicholas pôs a mão na cara, sem acreditar no que ouvira, e sem opção saiu correndo do ônibus, já tirando seu anel do dedo.
— O radiador! — emendei, os olhos fixos em Nick descendo do ônibus. — Ou alguma outra coisa! Eles devem ter entrado em curto e pegado fogo. Sintam o cheiro!
Ouvi o motorista gritar com Nicholas lá fora. Alguns passageiros olharam pela janela para constatar a verdade sobre o estado do ônibus.
— Fogo nos pneus! — alguém gritou.
— Temos que descer! — Jenny falou alto. — Vai que essa coisa exploda!
E foi aí que a verdadeira manada estourou.
Iniciou-se um verdadeiro empurra-empurra dos passageiros. Eles pegaram, desesperados, seus pertences e começaram a disputar o espaço do corredor. Agarrei Jenny pelo pulso e a puxei comigo antes que não conseguíssemos sair do veículo a tempo. Ela ajeitou sua aljava e entrou no fluxo de pessoas comigo.
Fui agraciada com um pouco de ar fresco quando saí do ônibus. Pessoas passavam por mim com rapidez e me empurravam com seus ombros. Larguei Jenny sem querer e a perdi de vista. Tentei rapidamente localizar Nicholas, mas ele devia estar atrás daquela coisa enorme de quinze metros de altura.
Como as pessoas não conseguiam ver aquilo?
Aquela vibração estranha que eu sentira no dia do quizz tornou a pulsar em minhas veias. Uma ardência, uma energia que queimava em meu corpo e tornava impossível o ato de ficar parada.
Jenny surgiu do meio da multidão e me empurrou para longe da movimentação. Vi por cima do ombro que, sabe lá Zeus como, ela carregava com uma das mãos as três bolsas que estavam na mala do ônibus.
— Vai, vai, vai! — ela gritou.
Peguei uma das bolsas de sua mão e comecei a correr em direção ao monstro, mesmo meu lado racional clamando para que eu fizesse exatamente o contrário daquilo.
— Vamos leva-la para longe! — Nicholas gritou ao nos ver chegando.
Jenny resmungou alguma coisa e jogou o restante das bolsas para mim. Desequilibrei-me ao segurar o peso adicional, mas retomei o passo da corrida. Jenny puxou seu arco das costas e preparou uma flecha. Passamos correndo pelo monstro sem parar e Jenny lançou a flecha contra seu pescoço enorme. Isso só pareceu irritar mais a criatura.
Tentei fazer um reconhecimento do local. Eu tinha noção de que, pelo tempo de viagem, já deveríamos ter entrado ou pelo menos estar perto da Virgínia do Oeste, mas fora isso eu não fazia a menor ideia de onde nos encontrávamos. Nenhuma placa estava ao alcance de minha visão.
O ônibus batera numa estrada de via dupla. Atrás do guard rail de aço havia apenas alguns metros de grama pisada que separava o concreto da mata fechada. Estávamos num pedaço de asfalto no meio do nada.
Ouvi os passageiros gritarem conosco, mas não ousei olhar para trás. Em compensação, Jenny encarava a fera que nos seguia ao seu passo e disparava flechas sempre que conseguia ter uma posição melhor.
Jenny nem parecia estar assustada. Ela assumiu uma postura séria e concentrada e não havia nenhum sinal de abalo em seu rosto. Eu não podia acreditar que minha melhor amiga estava tão acostumada com incidentes do tipo, que ela havia enfrentado muitos monstros antes daquele. Aquilo simplesmente destruía toda imagem que eu fiz dela nos últimos anos.
— Sam. — ela me chamou em um tom alarmante. — Fique perto de mim e tome cuidado. O corpo é lento, mas as cabeças são rápidas. E a do meio solta fogo. E, o mais importante, não corte nenhuma...
— Cabeça. Eu sei. Não sou tão idiota assim.
Como se fosse uma brincadeira dos deuses, uma cabeça decapitada caiu entre nós duas. Jenny parou de correr subitamente e virou-se para Nick.
— Qual é seu problema? — ela berrou.
Nick encolheu os ombros e assoprou os dentes fumegantes de sua arma.
— Foi sem querer dessa vez!
Tive um arrepio quando olhei para cima. Do alongado pescoço aberto do animal, duas protuberâncias começaram a se formar e crescer. Sangue dourado escorria do lugar. Não ousei perder meu tempo para saber no que daria aquilo. Eu sabia. Duas cabeças iriam se formar no lugar da que fora cortada.
Senti que eu não suportaria mais observar aquilo tudo. Sem ter nada em mente a não ser a certeza de que eu iria pro ataque, pus a mão no pingente de meu colar.
— Sofía!
A espada aos poucos ganhou volume em minha mão direita. Ajustei minha mão sobre o punho na posição em que eu fui acostumada por Briana. Prendi a respiração.
Nick apontou com tridente para o monstro e — não me perguntem como — atirou. Um raio luminoso azul saiu das pontas afiadas do objeto e, ao julgar pelo urro que a hidra emitiu, acertou com força seu peitoral escamoso.
— Atrás de mim. — Jenny disse entre os dentes.
Eu não iria tolerar aquilo. Não iria deixar ela jogar todos seus anos de experiência que ela vinha escondendo na minha cara. Jenny queria compartilhar toda sua vida comigo? Pois bem, quem assim fosse. Ela não iria salvar o dia sozinha. Ela não iria mais me proteger. Eu não era mais um encargo dela.
Fui impulsionada por esse rancoroso sentimento até a hidra. Era difícil pensar em como aplicar tudo o que me fora ensinado naquela semana quando eu só havia treinado com pessoas de minha altura. Mas aquele monstro era gigantesco. Eu não sabia como revidar um ataque vindo de cima.
O primeiro bote de uma das cabeças veio da minha esquerda. Eu não tive nem tempo para pensar. Abaixei bruscamente e desviei por poucos centímetros dos dentes afiados daquela enorme boca. A hidra virou aquela cabeça para mim e, por um segundo, ficamos estáticas, no encarando. Aqueles olhos amarelos eram aos mesmo tempo hipnotizantes e aterrorizantes.
Senti meu corpo tremer. Eu não sabia se isso era medo ou adrenalina, mas sabia que não iria ajudar em nada. Agarrei minha espada com mais força.
A cabeça investiu contra mim de novo e a única defesa que encontrei foi me jogar de lado enquanto tentava, atrapalhadamente, desferir um golpe com minha espada. Senti a lâmina perfurar levemente a pele do animal antes de eu cair sobre meu ombro.
Jenny conseguiu acertar uma flecha nessa cabeça, que recuou. Aproveitei do momento para me levantar e me afastar o mais rápido que eu pudesse.
— Elas não deixam chegar perto do corpo! — gritou Nick a alguns metros de nós, provavelmente se referindo às cabeças.
Eu sabia que isso era um problema. Atacar somente as cabeças era uma tática cuja margem de erro era muito grande. Se decepássemos um cabeça novamente, eu nem queria saber o que poderia acontecer. Tínhamos mirar no corpo. E não tínhamos muita chance.
Então algo estranho me ocorreu.
Fogo grego.
Um potente explosivo usado pelos semideuses. Lembrei de ter conversado com Jenny naquela semana sobre este artefato. Ela me dissera que nunca saía em missão sem uma pequena amostra para situações extremas.
Eu não sabia o que Jenny ou os semideuses em geral entendiam por situações extremas, mas uma aberração de quinze metros com quatro cabeças e que cuspia de fogo totalmente me parecia uma emergência.
— Me cubram! — gritei.
Passei correndo na frente do monstro. Nick e Jenny me alertavam sobre algo, mas seus gritos se confundiam com os dos passageiros espantados com o ônibus que estava começando a pegar fogo a vários metros da gente. Meu foco só estava em uma coisa: a mala de Jenny largada de qualquer jeito no chão.
Corri vários metros até ser interceptada por duas cabeças. Uma delas, bem próxima a mim, emitiu um ruído tão agudo que quase estourou meus tímpanos. Saliva saiu de sua boca e grudou em minha bochecha, um líquido pegajoso e denso. Enrijeci meu corpo, enojada.
Não esperei até elas esboçarem qualquer tentativa de bote. Enfiei-me entre as duas e passei a correr rente ao corpo do animal. Passei pelo meio das belas grossas coxas de dragão e num ato desesperado abri ali um talho mal feito na altura de meus olhos. Uma das cabeças veio me atacar furiosamente e eu juro que se eu demorasse mais uma fração de segundo parada ela iria conseguir me pegar. Porém eu arranquei e corri rápido como havia corrido poucas vezes na vida.
Joguei-me no chão ao chegar na bolsa de viagem. Abri o zíper com as mãos trêmulas. Apreensiva, subi meus olhos em direção ao ônibus. Alguns passageiros olhavam para nós, no entanto eles estavam longe demais para eu saber o que havia na expressão deles. Com sorte, não viriam até nós.
Vasculhei entre os pertences de Jenny, revirando roupas e objetos sem qualquer cuidado ou delicadeza. Minhas mãos apalparam algo duro e morno. Fechei meus dedos contra o que descobri ser um frasco com um líquido verde azulado em seu interior.
Era aquilo. Eu nunca vira fogo grego em toda minha vida, mas a certeza de que o frasco era o que eu procurava me encheu de modo avassalador.
Voltei apressadamente para a batalha.
Jenny arregalou os olhos ao ver o que eu carregava em minhas mãos.
— Nem pensar! — ela disse, prevendo meu plano.
— Tenho que tentar.
Nick lançou seu tridente contra a lateral do corpo da hidra. O monstro reclamou e soltou mais um de seus gritos. Estava começando a se irritar. Eu tinha que aproveitar aquilo.
Abri a tampa do fraco com o polegar e tentei abandonar toda minha parte racional. Caso contrário, eu nunca poderia fazer tal loucura.
Corri em direção a hidra.
— Ei! — berrei para chamar atenção.
Uma das cabeças do meio veio contra mim. Demorei um pouco demais para processar o fato que ela soltava fogo pela boca. Quando vi, uma baforada flamejante vinha ao meu encontro. Caí para trás de qualquer jeito, porém senti uma ardência gigantesca em minha testa. Passei rapidamente a mão em meu cabelo, temendo que ele estivesse queimado. Aparentemente, ele estava tão bem quanto poderia estar nesta situação.
Segurei o frasco com mais cuidado a fim de não despejar o líquido. Uma vez que a tampa foi aberta, o vidro começava a ficar cada vez mais quente. Eu não sabia se tinha muito tempo.
Fiquei de joelhos e esperei que a cabeça viesse me atacar novamente. Quando ela abriu a boca, deixei meus braços agirem por si só. Lancei o frasco entre os dentes pontiagudos e tentei em vão me esquivar do impacto com a cabeça.
Fui lançada contra o guard rail como se eu pesasse cinco quilos. Minhas costas bateram contra o metal e eu caí para trás de mal jeito. A dor da pancada me atingiu de imediato. Levantei a cabeça, desorientada, e então eu ouvi.
Boom.
Pedaços de hidra voaram para todos os lados. Fui atingida por um bocado deles, cada um mais nojento que o outro, e aos poucos eu ia sendo coberta por uma gosma grudenta e fedida.
Algo começou a formar uma sombra em cima de mim. Olhei para cima a tempo de ver uma das cabeças, com pescoço e tudo, despencar em minha direção. Não consegui ter o reflexo de me levantar. Apenas me encolhi e esperei que ela me acertasse.
Tudo ficou preto. Mas eu não havia perdido a consciência. Pelo contrário, eu estava muito bem acordada e sentia minhas costas gritarem de dor com muita convicção. Meu tornozelo doía de igual maneira. Senti meu antebraço arder e soube que eu havia me cortado com alguma coisa quando fui atingida.
Demorei um pouco para descobrir o que tinha acontecido. Foi quando eu encostei em algo pontudo que me dei conta de tudo. Eu estava dentro da boca. A cabeça caíra em cima de mim com a boca aberta.
Assustada, me arrastei para trás. Minha nuca encostou no tecido úmido e quente da bochecha. O cheiro era pútrido e queimava minhas narinas. Era ácido, gástrico. Horrível.
Senti o desespero tomar conta de meu corpo. Aquilo era demais para mim. Eu só ficava me perguntando o que diabos eu estava fazendo dentro de uma hidra. Não era assim que tinha que ser, eu não tinha que acabar assim. Tomei noção daquela loucura inteira. Meu lugar era em casa com meu pai, não viajando o território do Estados Unidos e enfrentando o inesperado. O que eu estava fazendo? Por que eu aceitei aquilo?
Quando as lágrimas começaram a vir, um feixe de luz iluminou o ambiente. Meus olhos arderam em resposta à luminosidade. Ouvi um gemido de esforço vindo do lado de fora e me encolhi, ansiosa e receosa.
A boca se abriu e eu vi Nick por entre os dentes triangulares do monstro. Ele estava todo ensopado pelo sangue dourado do monstro e parecia cansado, mas conseguiu rir.
— O pessoal não vai acreditar quando eu contar isso no acampamento.
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