Samantha Roberts - O Livro de Sócrates
21 Eu tenho a chave, literalmente.
Notas iniciais
Corri de novo para a ponta do desfiladeiro. Jenny olhou para mim, ela segurava o choro assim como eu. Eu não iria deixar aquilo acontecer com Nick! Não o meu Nicholas. Ignorei todas as dores em meu corpo e corri para o outro lado para conseguir descer até onde Jenny estava com ele em seu colo.
Aos trancos e solavancos (e muitos tombos no meio do caminho) eu cheguei bem rápido onde eles estavam. Cheguei bem devagar para não atrapalhar Jenny. Ela pegou seu pulso para verificar se ainda havia alguma pulsação. Jenny fez um sinal negativo com a cabeça e começou a chorar.
A visão de Jenny se concretizara. Nick estava morto.
Comecei a chorar e abracei Nick. Isso não podia estar acontecendo. Enquanto eu o abraçava, passava um flashback muito estranho de todos os momentos bons que passamos juntos: eu rindo de suas piadas escrotas na fogueira; Nick se batendo na Caça a Bandeira; nós dois na praia quando fizemos a pazes; nossos primeiro abraço quando Nick falara de Susana com alguém pela primeira vez; ele me carregando no colo após o ataque da Hidra; nós em nosso acampamento improvisado, com Nick falando que temia por mim; quando dormimos na espreguiçadeira vendo as estrelas; todas as fotos que tiramos e o Baile.
— Traumatismo Craniano. – Jenny anunciou. – Morreu do mesmo jeito que sua irmã.
— Não! Não! Jenny, Nick não pode ter morrido. Por favor, diga que você pode fazer algo. – Implorei.
— Só sou uma filha de Apolo. Não posso ir contra a vontade das Parcas. Nem todo o meu poder poderia salvá-lo agora.
— M-mas seus poderes combinados com os de Zack poderiam fazer algo, não?
Jenny não respondeu. Ela ficou ponderando um pouco e depois se levantou.
— Tá esperando o que? Quer desistir agora? – Ela perguntou. – Vamos para a casa de Zack antes que seja tarde demais. Pessoas podem viver algum tempo após uma parada cardíaca. Vou ver se o reanimo aqui.
Eu esperava que ela pegasse aquelas duas placas metálicas e desse um choque em Nick. Estava errada. Ela tirou a camisa de Nick e pôs as duas mãos em seu peito. Começou a cantar em grego fervorosamente. Aos poucos Jenny começou a suar e ficar totalmente branca, as palavras saiam de boca com muito esforço. Sentei ao seu lado e pus a mão em sua testa. Ela estava ardendo em febre.
Quando pensei que ela iria desmaiar de vez, Jenny parou e deitou no meu ombro.
— Tire a gente daqui. – Ela pediu. – Os batimentos de Nick estão lentos demais. A qualquer momento o coração pode parar de bater de novo.
Eu mal me aguento em pé. Como eu vou conseguir carregar os dois? Não me importo. Havia uma pequena chance de Nick sobreviver, eu não iria perdê-la. Ele estava lutando contra a morte e eu só sentia uma dorzinha física. Isso nem se compara. Ajudei Jenny a levantar e passei o braço direito de Nick por trás de meu pescoço.
Jenny foi sozinha na frente para me guiar. Eu fui logo atrás, mancando e carregando Nick.
Quando chegamos mais em baixo as Hespérides tentaram nos parar, mas eu as detive.
— Deixe-nos passar ou explodo seus miolos. E agora eu sei que posso fazer isso. – Dei uma leve risada. – Não ousem acordar Ládon novamente ou irão enfrentar pessoalmente a fúria de Atena. – Com uma ameaça final elas desitiram.
Joguei Jenny e Nick no banco de trás do carro e corri para o banco da frente. Liguei o carro e segui em disparada para a casa de Zack, obviamente com Jenny me guiando.
Não sei e nunca saberei como eu estava conseguindo dirigir. Sei que eu, de algum modo, consegui chegar à casa de Zack em quinze minutos. Eu não estava dirigindo. Minhas mãos e meus pés agiram sozinhos. O meu eu estava morrendo por dentro ao ver Nick naquele estado.
Parei o carro na frente do apartamento de Zack. Abri a porta de trás e peguei Nick de novo. Jenny já estava em melhor condição do que antes. Toquei o interfone do apartamento 88 do prédio 1928.
— Quem deseja? – A voz de Zack soou no interfone.
— Zack, é a Samantha! – Eu disse chorando. – Abre a porta, por favor. Precisamos muitos de sua ajuda.
Ele não hesitou e abriu a porta.
A última coisa que eu lembro foi de jogar os dois dentro do elevador. Zack abre a porta e pega Nick nos braços. E eu apago.
Acordei num quarto pintado de lilás. Meu corpo estava todo dolorido. Olhei para minha perna direita. Ela estava enfaixada na área em que Sócrates me cortou. Minha mãe esquerda também tinha ataduras. Olhei para a cômoda do lado da cama. Em cima dela havia um jarro de Néctar e pedacinhos de Ambrosia.
Ousei me sentar e tudo começou a rodar. Aonde é que eu estava? Sai do quarto e fui para o corredor. Ouvi a voz de Jenny mais adiante, na sala. Cheguei lá e vi que ela estava rindo e assistindo TV com Zack. Ela aparentava estar bem melhor. Tomou banho, vestiu roupas novas e suas feridas estavam quase cicatrizadas.
— Hã, oi pessoal. – Eu disse.
— Sam! – Jenny levantou e me deu um abraço. – Finalmente você acordou, sua chata.
— Finalmente? Mas quanto tempo eu...
— Quatro dias. – Zack respondeu, antes de eu ter terminada a frase.
— O que? Quatro dias? Como que algum ser normal pode dormir tanto? – Perguntei.
— Falou corretamente, Sam. – Zack se levantou. – Mas você não é normal. – Ele deu um caloroso sorriso.
— Ah, é ... – Eu já iria me sentar quando eu me lembrei de algo. – Santa Atena! Onde está Nick? O que aconteceu com ele? – Não pude evitar que as lágrimas voltassem aos meus olhos.
— Calma! Calma! – Zack pôs as mãos em meus ombros. – Conseguimos, sim, salvar Nicholas. Mas os batimentos cardíacos estão lerdos e sem falar que ele ainda está em coma. Sem nenhuma reação nesses quatro dias.
— Q-quer dizer que ele está vivo?
— Aham.
Abracei Zack e comecei a chorar.
— Obrigada de verdade! Eu estou te devendo essa. Vocês salvaram o Nick.
Abracei Jenny novamente. Abracei todo mundo. Eu estava feliz demais com a notícia. Fui para o quarto de Zack, onde Nick estava. Jenny me contou que eu dormi no quarto da irmã mortal de Zack. Seu nome era Ciara.
Entrei no quarto de Zack. Nick estava deitado eu sua cama. Não sei com que ou quem ele estava sonhando, mas ele mantinha um lindo sorriso em seu rosto. Peguei sua mão e sentei a seu lado na cama.
— Você vai ficar bem, Nick. – Prometi. Passei a mão livre em seus cabelos – É por minha causa que você está aqui. Eu vou te levar para casa. E, quando você acordar, vou estar ao seu lado.
Tive que morder a língua para não começar a chorar de novo. Olhei para os pés de Nick e vi que a caixa com o Livro de Sócrates. Peguei-a e comecei a examinar. Posso garantir que ela era feita de ouro e prata de verdade. Tentei abri-la, mas estava trancada. Olhei para a tranca, que era em forma de coruja. A mesma forma de coruja que tinha na espada de Sócrates... espere aí! A espada de Sócrates não era igual a minha? Corri para o quarto de Ciara e peguei minha espada que estava do lado da cama. Cheguei perto da caixa e apertei a coruja do punho de minha espada, fazendo com que ela volte ao meu pescoço. Tirei a corrente e depois o pingente de coruja dele. Pus em cima da fechadura. Encaixe perfeito. Minha mãe é um gênio!
Com um Track a caixa se abriu. De lá peguei o livro. Dei uma pequena folheada. Era escrito a mão, com suas folhas delicadas e irradiava poder.
— Jenny! Zack! – Chamei os dois. – Corram aqui.
Sentamos juntos e ficamos olhando aquelas informações valiosas. Vocês sabiam que Ciclopes têm joelhos ferrados devido ao peso? Aposto que não, né? Eu também não sabia até agora. Seria útil antes.
Passamos a tarde inteira lendo aquele livro. Eu estava cansada. Eu queria dormir em meu beliche embaixo da cama de Mary. Ali eu estava em casa.
— Quando voltamos para casa? – Perguntei. – Não podemos voltar ao acampamento com Nick apagado assim.
Jenny ficou pensativa. Mas depois pegou um dracma e meu prisma.
— Para quem você vai mandar a M.I? – Perguntei
— Para a Queen, filha de Hades. Vou ver se ela pode nos ceder seu Cão Infernal de estimação, o Spike. Já viajou nas sombras? – Jenny perguntou.
— Hã, não. – Respondi.
Jenny só deu um sorrisinho e começou a fazer a M.I.
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