Salvation
37 Capítulo 37
Notas iniciais
Lindoooo...
Obrigada a tdas... e Chi_Chan, este cap é pra vc!
Todos olharam pra mim, mas eu só olhava pra ele. Ver que Gabriel estava bem, me fez querer agradecer... mesmo que eu não soubesse exatamente a quem. Foi rápido, muito rápido, mas eu vi o sorriso dele pra mim e correspondi.
Então, os cinco Anjos Filhos da Luz entraram na frente de Gabriel e formaram uma espécie de barreira. Suas asas eram quase transparentes, translúcidas o bastante para esconder apenas parcialmente meu Anjo. Meu corpo enrijeceu. Eles estavam, os cinco, voltados pra mim, e eu sabia que não era uma coisa boa.
- Filha do pecado, como chegou até nós? Trouxeste-a para cá, Gabriel?
A voz profunda de um dos cinco ressoou na capela. Eu senti toda a autoridade e força que emanavam daquele ser. Ele se virou pra Gabriel, que se levantou atrás deles.
- Sabe que não o fiz, Vahuhia. – ele respondeu, ainda sem tirar os olhos de mim.
- Ele não me trouxe, eu vim por conta própria! – falei alto o suficiente para que me escutassem.
- Isso é absurdo! Nenhum filho do pecado poderia nos encontrar! – outro deles falou, dando mais um passo em minha direção.
- Mas ela não é uma vampira comum, eu lhes disse. – Gabriel interveio e eu percebi que ele estava atento aos movimentos dos outros anjos em relação a mim – Michaela é filha de Miguel. Foi o sangue dele que a guiou até nós.
O mais baixo deles se virou pra Gabriel e disse:
- É esta a vampira pela qual se apaixonou, meu irmão?
- Sim, é ela. – ele respondeu.
- Não a trouxeste até nós? – o anjo de asas semitransparentes indagou novamente.
- Não, não a trouxe.
- Sabe que teremos que cumprir nosso trabalho, cumprir a missão da qual você abdicou.
Gabriel respirou fundo. Nós todos sabíamos que isso aconteceria. Eu fui até ele para tentar salvá-lo de seu destino, no entanto, isso tinha sido a minha própria rendição, vir até o lar dos Anjos mais poderosos da Terra.
Ele me olhou com o azul que sempre me fazia tremer e o amor que vi ali foi mais forte que tudo. Foi como quando fizemos amor da primeira vez, tinha a mesma decisão, a mesma certeza. Murmurando palavras naquela língua estranha mais uma vez, vi a espada sagrada surgir em suas mãos, grande e imponente.
Gabriel se adiantou e se posicionou entre mim e os cinco filhos da luz, apontando sua espada para eles.
- Eu sinto muito, meus irmãos, mas meu coração não iria permitir isso. Pra que possam tocá-la, terão que me mandar de volta aos braços do Criador.
Meu coração parou de bater. Ele estava lá, de pé, de costas pra mim, enfrentando os cinco Anjos divinos, os seus superiores, exatamente da maneira que imaginei que faria. Eu que tinha vindo para salvá-lo, estava sendo salva mais uma vez... mas agora eu sabia que ele não poderia vencer.
- Gabriel, não! Não faça isso! Por favor!
As lágrimas brotaram novamente, quentes e abundantes, e embaçavam minha visão.
Vi que os Anjos se surpreenderam ao me ver chorar.
- Você está certo do que faz, Gabriel? Se decidir nos enfrentar, não vai ter volta.
- Sim, estou certo. – ele respondeu convicto, apertando as mãos na bainha da espada sagrada.
Eu me adiantei, tentei entrar para ajuda-lo, mas foi em vão. Esbarrei com força naquela parede invisível que me impedia de entrar na casa de alguém sem ser convidada. Era uma maldição dos Filhos do Pecado como eu. Tentei desesperadamente empurrar, socar, arranhar, mas nada, havia uma parede que me impedia de chegar até eles.
Nesse meio tempo, um dos cinco Anjos se adiantou até Gabriel e eu vi uma linda espada dourada se materializar em suas mãos. Oh, não... eles iriam lutar!
- Gabriel! – gritei aflita, minha mão suspensa no ar, naquela barreira invisível na entrada da capela.
Ele não me respondeu, não me olhou, apenas se colocou em posição de defesa e esperou o ataque que veio rapidamente. Com um encontrão, o Filho da Luz acertou o meu anjo bem forte e Gabriel voou pelo lugar alguns metros e bateu na fileira de bancos afastada do centro.
Completamente em pânico eu tentei novamente entrar, mas não conseguia passar pelo impedimento invisível e inquebrável do lugar.
- Não adianta, vampira, você não tem permissão para entrar na Casa do Senhor. – um deles me falou de longe, constatando o óbvio.
Eu não podia passar, não podia entrar. Veria Gabriel morrer na minha frente, por minha causa, e não havia nada que eu pudesse fazer. Ele se levantou e vi um filete de sangue escorrendo de seu nariz. Gabriel esfregou a mão no rosto e o sangue se espalhou pela bochecha. Apertou mais uma vez a espada nas mãos e partiu para o contra-ataque.
Mais uma vez, ele foi derrubado, sem o menor esforço do Filho da Luz, que o jogou ainda mais longe desta vez.
- Não! – eu gritei novamente. Minhas mãos tentando empurrar a barreira invisível.
Naquele momento eu senti a maior angústia de minha existência. Como eu poderia ajuda-lo, se nem podia entrar? Mas então eu percebi o que devia fazer. Só havia um jeito de entrar e ajudar meu Anjo e esse jeito era o mais simples de todos.
Sem pensar eu ajoelhei diante da entrada da capela, frente a parede invisível que me mantinha do lado de fora. Baixei a cabeça, apoiei as mãos no chão. Eu estava entregue, totalmente entregue ao desespero do momento. A minha única esperança era poder ir até Gabriel, mas pra isso, eu tinha que ter a permissão do dono da casa para entrar. E contra tudo o que imaginei fazer um dia outra vez, após a minha própria morte na transformação, eu orei.
“Deus. Eu estou aqui diante de sua casa desesperada. Eu matei, eu morri, eu fiz coisas que nunca imaginei que pudesse ser capaz de fazer. Eu esqueci de tudo o que minha mãe me ensinou quando era pequena. Esqueci do amor, esqueci da vida e perdi totalmente minha humanidade. Eu me esqueci do Senhor e o odiei por ter permitido que eu me tornasse isso o que me tornei. Mas eu estou aqui agora porque Gabriel me ensinou a amar novamente, porque ele me trouxe de volta a vida, a razão de viver. É por ele que estou aqui e é pelo o amor que sinto por ele que eu te peço por favor, pra me deixar entrar em sua casa para ajuda-lo. Ele é a coisa mais linda que eu tenho em mim, por favor, me deixe entrar.”
Levantei devagar e enxuguei as lágrimas do rosto. Vi Gabriel caído, machucado, me olhando extasiado. Via Anariel parado junto a ele, também me encarando. Vi os cinco Anjos incrédulos voltados pra mim. Respirei fundo e dei um passo a frente, na direção da capela, na direção do meu Anjo e verdadeiro amor.
Notas finais
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