Salvation

32 Capítulo 32


Notas iniciais
GENTEEE PARA TUDOOOO!!! Pra qm naum reparou a capa da fic mudou. Cortesia de minha querida leitora JuliazinhahPatz. Ju, muito obrigada pela dedicação e pela emoção q me proporcionou. Sem palavras pra agradecer.

Queria agradecer mto a tds q acompanham a fic e, mais uma vez, pedir desculpas pela domora nas atualizações. Tenho até dia 20 desse mês pra terminar minha tese e realmente não tenho tempo nem de comer. É com muito esforço que escrevi mais esse cap e foi com mto carinho tbm, em respeito a vcs q me acompanham e que me incentivam e alegram tanto com os reviews.

Sem mais delongas, espero q gostem desse cap revelador. Salvation em reta final!! Tenham paciência com as postagem, OK, please... sorry again.

>> Ju, esse eh pra tu!! ♥

Sabe quando acontece uma coisa que muda sua vida completamente? Quando muda tudo? Seu jeito de pensar, de agir, de sentir... Esse momento tinha chegado pra mim no momento em que percebi que o amava. E, é claro, tinha se concretizado no momento em que fizemos amor.

Sim, eu era uma vampira. Sexo era meu sobrenome, como o de todos os outros de minha espécie. Mas naquela noite, naquele momento único e especial, eu não tinha feito sexo somente. Tinha sido mais, muito mais. Algo que era além de tudo o que eu imaginava: eu tinha feito amor pela primeira vez em minha vida e tinha sido simplesmente indescritível.

Sentir Gabriel em mim era sentir a vida novamente. Eu estava feliz e completa como nunca estive. Confesso que estava nervosa. Muito. Eu o desejava tanto que pensei que não fosse saber o que fazer. Mas foi tudo tão sincronizado, era como se ele lesse minha mente, meu manual, e soubesse exatamente o que fazer.

OK, por um momento eu fiquei em dúvida. Será que ele já tinha feito aquilo antes? Tipo, ele era bom, minha nossa, como era! Não precisava de muito pra me levar à loucura, ele não. Só de ver aqueles azuis profundos cheios de desejo por mim, eu já quase tinha um orgasmo, mas ele era simplesmente perfeito. Devia ser coisa de Anjo, só pode, porque no meu íntimo eu sabia que ele nunca tinha estado com uma mulher, embora fizesse tudo deliciosamente perfeito pra mim. Sei lá, era confuso mesmo.

Mas eu digo, tive de longe o melhor orgasmo da minha vida – e da minha não-vida também. Fiquei até um pouco encabulada porque parecia que não ía acabar nunca! Mas acabou. O efeito no corpo, pelo menos, por que por dentro, eu ainda estava em transi.

Quando terminamos, eu deitei com ele, ainda estremecendo levemente e apoiei minha cabeça em seu peito. Ele me abraçou e me puxou pra cima. Deitei sobre ele e relaxei enquanto sentia suas mãos passeando por minhas costas nuas, mas foi por pouco tempo.

- Anariel deve estar perto do conselho. Não temos muito tempo.

As palavras dele soaram distantes. Era como se fosse alguém me acordando de um sonho muito bom. Eu demorei um pouco para processar aquilo.

- Gabriel... o que vai acontecer com você?

Eu perguntei enquanto levantava o rosto para encará-lo. Ele respirou fundo e beijou o topo da minha cabeça. Depois me apertou forte eu percebi que tentava me manter o mais perto possível. Aninhei-me em seus braços e ele não respondeu.

Eu sentia um misto de felicidade com desespero. O momento mais especial da minha vida estava ameaçado. Típico de mim. Talvez, eu nunca mais tivesse a oportunidade de estar com ele novamente. Senti o coração acelerar.

- Bom, e o que mais você espera descobrir sobre mim, Anjo? – perguntei sacana, tentando enviar pra longe todo aquele incômodo que sentia.

Ele riu.

- Eu quero saber tudo sobre você minha vampira.

Ok, admito que sorri bobamente quando ele me chamou de minha vampira. Na boa, se tivesse um ralo perto da cama, eu tinha ido embora pelo cano, de tanto que me derreti. Puta que pariu isso era uma merda, mas era muito bom.

Eu o beijei e ele sorriu. Ainda estávamos nus e eu conseguia me sentir excitada com ele, mesmo depois de ter feito amor. Só Gabriel tinha esse efeito sobre mim. Ele se moveu parecendo incomodado.

- O quê foi? – perguntei me levantando um pouco e saindo de seus braços.

Gabriel sorriu, esticou o braço e me puxou de volta.

- É que eu te quero muito, Michaela, isso me deixa... confuso.

Relaxei e fechei os olhos quando ele começou a acariciar meu cabelo. Tinha uma pergunta martelando em minha cabeça e eu não podia deixar de fazê-la, não com a boca grande que eu tinha...

- Você... foi a primeira vez que você...

- Foi. – ele respirou fundo e eu me calei – Espero não ter te decepcionado muito...

Eu não sei por que ele disse aquilo. Será que ele engolia nuvem enquanto voava por aí? Esse cara não fazia idéia do prazer que tinha me dado e ainda estava pensando que me decepcionou de algum jeito? Fiquei tão sem palavras que até gaguejei.

- Vo-você o quê? Decepcionar, como assim?

Ele continuou me carinhando e eu percebi um leve tom de insegurança. Fiquei puta. Precisava tirar aquela idéia absurda da cabeça dele de qualquer jeito. Eu sentei, não sobre a cama, mas sobre ele, novamente. Coloquei minhas mãos em sua cabeça, fazendo-o me encarar surpreso.

- Não existe a menor possibilidade de você me decepcionar Gabriel. Nunca. Você entende isso?

Minha pergunta foi direta, o tom sério. Ele tinha que entender que era tudo pra mim.

Ele sorriu e percebi que ele se sentiu mais tranquilo.

- É que eu não sabia o que fazer pra fazer você feliz. Fiquei com medo de não conseguir te satisfazer.

Minha nossa, ele era tão sincero que me desarmava, eu não conseguia nem soltar uma piadinha nem nada. Eu acariciei seu rosto perfeito, com a barba por fazer, e disse o mais sincera possível:

- Você foi absolutamente perfeito. Eu nunca tinha feito amor com ninguém e não tenho palavras pra dizer o que estou sentindo.

Ele falou alguma coisa naquela língua antiga, estranha e sexy de Anjo e me puxou pra um beijo ardente. Ele me deixava sem ar quando me beijava assim.

Calmamente ele interrompeu o beijo e meu corpo reclamou. Gabriel me olhava de um jeito tão diferente, tão sei lá, brilhante. Ele acariciou meu rosto e continuou me encarando como se estivesse me adorando. Eu fiz o mesmo com ele. Deixei minhas mãos passearem suaves por seu rosto, o nariz reto, a boca de lábios macios e o queixo. Nem sei quanto tempo ficamos assim porque eu me perdi na perfeição que era ele.

- Michaela, me promete uma coisa?

- O quê? – perguntei no mesmo tom baixo que ele usou, continuando a acariciar seu rosto lindo.

- Depois que eu for convocado, não sei qual vai ser o meu destino. Eu queria que você prometesse pra mim que vai tentar... tentar agir da maneira certa. Eu sei que você é linda, Michaela, que tem um coração bom e cheio de amor, apesar do que aconteceu com você no passado. Eu quero que você se lembre sempre de como pode ser melhor.

Eu o encarei em silêncio por um tempo.

- Você quer que eu prometa que não vou matar ninguém, é isso?

- Eu não sei... como salvar você Michaela, e não sei se vou ter tempo pra descobrir um outro caminho. Eu quero ir com a certeza que você vai continuar sendo essa Michaela por quem eu me apaixonei.

- Gabriel... eu... – não pude falar mais nada, o nó em minha garganta já era insuportável, me sufocava. Não podia pensar em não ter mais ele comigo.

- Você é quem me faz ser assim Gabriel. Não posso... não posso ser assim sem você, não consigo. Você é minha humanidade, você foi quem me trouxe de volta a vida... não posso...

Eu chorei e não pude mais prosseguir. Ele me abraçou apertado e disse em meu ouvido:

- Eu sei que pode Michaela. E não importa pra onde eu vá ou o que vai acontecer comigo, eu vou sempre te amar, vou sempre estar com você, mesmo que não seja fisicamente.

Novamente o silêncio. Ele me embalou até que as lágrimas pararam de escorrer de meus olhos. Param não porque eu não queria mais chorar, mas simplesmente porque não havia mais lágrimas para sair. Só o que se ouvia era nossa respiração, tranquila e ritmada.

- Você sente falta de lá? Quer dizer... do Paraiso? – perguntei um tempo depois. Eu queria conhece-lo, ficar ouvindo sua voz o máximo de tempo que eu podia, ficar com ele pelo tempo que restava.

- Bem... não sinto falta do lugar, mas dos meus irmãos. Não os vejo há muito anos.

- Anos? Mas você não caiu há poucas semanas? – perguntei curiosa voltando a encará-lo.

Ele riu.

- Você acha que eu vim pra cá pouco antes de aparecer na sua cidade?

- E não veio? – eu estava intrigada.

- Não Michaela. Eu sou humano... bom, meu corpo é. Eu nasci aqui, cresci, estudei, fiz tudo o que você fez.

- Mas... você não caiu do céu e veio pra cá? – perguntei me sentando na cama.

Ele riu mais uma vez.

- Não. Eu não sei de onde vem essa idéia de que Anjos caem do céu como um meteoro e passam a viver entre os mortais.

- Mas como é então?

- Eu recebi uma proposta. Um dos Arcanjos me perguntou se eu aceitava a missão do Senhor de vir a este plano para salvar as almas dos Filhos do Pecado. Isso acontece sempre. Essa é uma tarefa difícil e muito especial, mas a maioria dos Anjos teme vir aqui porque muitos deles não retornam.

- Não retornam? Tipo, morrem?

- Não. Eles caem.

Como eu o encarei sem entender, Gabriel prosseguiu.

- Quando nos misturamos aos mortais, muitos cedem aos extintos, ao pecado, e decidem abdicar de suas asas para viver aqui. Por isso, muitos não querem vir, por receio.

- E... você não teve medo?

- Não. Sempre acreditei no caminho de meu Pai e eu sempre quis vir aqui pra completar esta missão. Fui muito agraciado pela oportunidade.

- E... você nasceu aqui, foi isso? – perguntei encarando os olhos azuis brilhantes.

- Sim. Depois que a missão é aceita, nós passamos por um período de meditação profunda e depois, nascemos. Nós recebemos um corpo mortal e passamos a viver aqui. Eu cresci, tive uma família que me criou, estudei, brinquei e aprendi a controlar e a conviver com este corpo. Por isso é eu tenho reações humanas, apesar de ter reflexos e força diferenciados.

- Minha nossa.. é incrível. Você... tem contato com seus pais?

- Sim. Eles são pessoas muito boas e me criaram com muito amor. Eu saí de casa com vinte anos e eles sabem que parti numa missão, sabem que sou especial, ou diferente, só não sabem o que faço exatamente.

Afirmei com a cabeça, absorvendo todas as informações.

- Nunca se apaixonou? – perguntei.

- Não antes de conhecer você.

Eu sorri e ao mesmo em tempo que senti alegria com aquilo, também senti algo eu se assemelhava a tristeza. Eu lembrei da minha família, de Karen, seus filhos e marido. Lembrei de como eles pareciam felizes e de como Gabriel se comportou com eles. Isso eu nunca poderia dar a ele, sempre poderia dar meu amor, mas nunca uma família de verdade.

- Você pode ter filhos, casar?

- Sim. É por isso que muitos Anjos caem, por que se apaixonam por humanos e preferem ficar. Eu nunca os culpei por isso, nunca os julguei. O livre arbítrio existe por um motivo e eu nunca questionei a vontade da Providência. Mas existem irmãos que caem por outros motivos. Eles cedem aos vícios, aos prazeres carnais e renunciam ao Pai.

- Bom... algum deles já... se apaixonou por um vampiro?

- Eu acho que não. – ele respondeu sorrindo e me afagando o cabelo.

- Isso... é um pecado? Se apaixonar por alguém como eu?

- Não Michaela, não é.

- E como você pode ter certeza? Você foi enviado pra me matar, não pra me amar.

Ele sentou e ficou de frente pra mim. Puxou minha cabeça pra junto da dele e colou sua testa com a minha.

- Eu sinto que não é errado.

Ele me beijou, com amor e suavidade. Eu o abracei e ele me puxou pra mais perto. As palavras dele entranharam em minhas veias como uma droga, me viciando, me alucinando, me fazendo sonhar. Eu queria tanto acreditar nele, queria tanto ter a fé que ele tinha.

Senti novamente o desejo de tê-lo comigo, a vontade, a necessidade. Ele deitou na cama e depositou seu corpo atlético sobre o meu. Era quente e firme e estava pronto pra me ter mais uma vez e eu estava pronta pra ele, sempre estaria.

Fiquei posicionada abaixo dele e Gabriel estava no controle dessa vez. Como em uma deliciosa tortura, ele passeou com o nariz por meu rosto enquanto a mão esquerda descia suavemente por meu corpo. Os dedos quentes me pressionando nos lugares certos, mas na intensidade errada. Estava suave demais, delicado demais. Mas eu sabia que era de propósito, ele estava provocando e eu já não aguentava mais, era insano.

Ofegando eu virei a cabeça pro lado, mas foi pior ainda, o nariz e boca dele alcançaram meu pescoço, descendo e subindo lentamente da clavícula ao queixo.

- Você quer me enlouquecer? O que vai fazer agora? – perguntei sem ar, afogada em tanta excitação.

Gabriel aproximou a boca do meu ouvido e sussurrou ao mesmo tempo em que seus dedos atingiram meu ponto mais sensível:

- Agora eu vou fazer amor com você... de novo, e depois... depois não importa.

Eu gemi e num desespero além de qualquer compreensão, o agarrei. Foi a segunda vez que fui ao Paraiso.

...

Enxuguei meu cabelo na toalha branca e macia. Olhei pro espelho e vi os traços de sempre: os olhos verdes, o rosto branco meio pálido, cabelo liso. Mas tinha alguma coisa diferente, um brilho que não havia antes.

Ouvi quando Gabriel ligou a televisão e percebi que ele já devia estar pronto e me esperando – pra variar. Depois que fizemos amor pela segunda vez nós descansamos pelo resto do dia e agora estávamos de saída para a casa de Annelisse e meus primos, pois ele ainda insistia em saber mais sobre meu passado, antes que tivesse que ir.

Enrolei-me na toalha e fui para o quarto. Senti quando os olhos azuis profundos me estudaram, primeiro com amor, depois com paixão. Ai, céus, como eu amava aquele olhar.

- Gosta do que vê, Anjo? – eu repeti a pergunta que fiz nos primeiros dias que nos conhecemos.

Ele sorriu e foi até a janela.

- Por favor, vista-se logo. – a voz dele implorava. Sorri satisfeita com a dor que lhe causava. Ele me queria muito e estava se controlando desesperadamente.

Saímos pouco tempo depois e quando chegamos à casa de Annelisse, foi Fred quem atendeu a porta.

- Mika, você saiu tão de repente ontem. Aconteceu alguma coisa?

Nós entramos e eu senti o cheiro de peru assado e babatas coradas. Inferno, eu salivava, mas sabia que aquilo não me pertencia mais, o gosto seria insosso e sem graça.

- Eu não me senti bem e fui pro hotel. Desculpe. – respondi.

Nessa hora minha tia se aproximou e vi Ashley junto dela. Vinham da sala de jantar.

- Mika, Gabriel. Chegaram na hora exata pro jantar. Espero que esteja melhor.

Annelisse parecia feliz. Eu vi que tinha ouvido minha explicação para a noite de anterior. Eu disse que estava bem, que foi só uma indisposição. Mas minha atenção para Annelisse era apenas parcial, todos os meus instintos de disputa estavam aguçados com Ashley por perto.

Só de lembrar dela dando em cima de Gabriel na festa, me fazia querer rosnar. Meu Anjo se aproximou e segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos. Eu sabia que ele tinha sentido a tensão emanando de mim.

- Ficamos honrados com o convite, Annelisse, obrigado. – ele disse.

Minha tia ficou radiante e saiu em direção à sala de estar. Senti que Ashley estava desconfortável, assim como Fred atrás de mim.

- Bom... então, vocês se assumiram agora, né? – Fred perguntou fingindo uma animação.

Gabriel sorriu e eu não pude evitar fazer o mesmo.

- Bom, eu acho que agora é oficial. – Fred falou ainda naquele tom forçado.

Apesar de tudo, eu senti que ele queria estar feliz por nós e, no fundo, talvez até Ashley, apesar de ter ficado calada e apenas sacudido a cabeça.

- Fred, eu presumo que sua mãe ainda vai demorar um pouco com o jantar, não é? – Gabriel perguntou, se aproximando de mim, sem soltar minha mão.

- Bom, temos um tempo sim, por quê? – meu primo perguntou curioso e eu compartilhava desse sentimento.

- Na verdade, eu ainda estou empenhado em descobrir mais sobre Michaela, apesar dela mesma não achar necessário. – Gabriel me olhou sorrateiro e eu sorri debochada – Eu queria muito poder conhecer mais a mãe dela ou o pai, não sei. Vocês têm fotos de quando eram menores, fotos dos pais dela?

Fred nem pensou pra responder:

- Minha mãe é igual a um museu, Gabriel. Se você quer fotos, você terá.

Fomos atrás de Fred e da calada Ashley. Eles foram até um escritório de mobília rústica e antiga. Havia uma estante enorme repleta de livros famosos e coleções de clássicos nacionais. Fred foi até a segunda prateleira e retirou um álbum de fotos grosso e velho, com a capa marrom.

Nós apoiamos o objeto antigo sobre a escrivaninha e Ashley acendeu a luminária para enxergarmos melhor – embora eu pudesse enxergar muito bem sem ela.

Fred me deixou abrir o álbum e eu tive uma surpresa. Eram diversas fotos nossas. Minha, de minha mãe, de Annelisse e os filhos; vizinhos, conhecidos, amigos da escola, tudo lá, registrado em pequenos retângulos de papel. A cada página virada apareciam mais e mais lembranças: natais, aniversários, domingos em família...

Quando aquele álbum acabou Fred retirou mais um da estante, igualmente velho e empoeirado. Logo na primeira página eu vi uma foto que me fez parar. Era uma foto da minha família, minha família de verdade. Minha mãe, com toda sua beleza e formosura, estava de pé, com um vestido rodado de vinte anos atrás. Ao lado dela estava um homem, alto, de cabelo asa delta e com um sorriso feliz no rosto.

Ele me segurava no colo e eu não devia ter mais que dois anos de idade, mas os olhos e as feições eram inconfundíveis. Agora eu percebia que lembrava muito as dele, daquele homem sorridente que só podia ser o meu pai.

Nesse momento eu senti a tensão em Gabriel. Quando o encarei ele estava estático, encarando a foto da minha família e eu sabia que algo estava errado.

- Humm... vocês não acham que Annelisse pode precisar de ajuda? – perguntei encarando Ashley de maneira significativa. Ela entendeu o recado.

- Vamos Fred, vamos ajudar a mamãe com o jantar.

Fred pareceu não entender direito, mas seguiu a irmã. Assim que eles passaram pela porta, eu me aproximei de Gabriel com cautela.

- Gabriel, o que houve? Por que você está assim?

Ele esticou a mão direita, a do braço tatuado, e passou os dedos sobre a imagem de meu pai. Gabriel comtemplava a foto como se fosse uma visão, um sonho, como se precisasse tocar pra ter certeza de que era verdade.

Então ele me encarou e percebi que me avaliava.

- Como eu não percebi isso antes? – ele falou pra si mesmo e acho que nem percebeu que disse em voz alta aquela palavras.

- Isso o quê? – perguntei já ficando nervosa.

- Você lembra tanto ele, mas os olhos de sua mão me confundiram.

- Gabriel, dá parar com essa porra! Fala de uma vez, o que tem meu pai?

Ele sorriu e voltou a encarar a fotografia do álbum sobre a mesa.

- Seu pai foi o Arcanjo que me enviou pra esta missão, Michaela. Você é filha de Miguel.

Notas finais
¬¬ é, sou má por para aki...

bjs