Salvation
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Bahlarcade Vc fez uma escritora amadora mto feliz *_*
>>parece ateh q coloquei butox na boca pq o sorriso naum quer sair!!!!
Gente agradeço DEMAIS a TODOS os reviews!!! Caraca, vcs não sabem como é importante e como me fazem ter inspiração a cada comentário. Sério, vcs são FODA!!
^.^
Boa leitura
É, nós voltamos para aquele pulgueiro que Gabriel chamava de quarto, mas enfim, era o que tínhamos. Ele me colocou na cama e foi até a janela reforçar o cobertor que impedia a passagem da luz. Eu podia sentir meu corpo se recuperando, fechando internamente as feridas. Se eu tomassem mais um pouco do sangue dele, seria bem mais rápido. Mas não, essa idéia já não me agradava tanto assim.
Ele foi até o pequeno banheiro e eu ouvi a água escorrer fraca da torneira. Pouco tempo depois ele voltou com o rosto molhado e alguns pingos de água no cabelo despenteado. Minha nossa, era lindo. Ele se aproximou e trazia uma toalha úmida nas mãos.
Ele sentou ao meu lado na cama e me olhou. Estava avaliando os danos e o processo de recuperação. Delicadamente passou a toalha em meu rosto, limpando o sangue e a sujeira. Foi bom, tão bom que fechei os olhos. Sentia o contraste da toalha gelada e de suas mãos quentes passeando por mim. Tá certo que a toalha arranhava incomodamente, mas as mãos dele me aliviavam como mágica. Depois que limpou meu rosto ele desceu até o braço direito e, com cuidado, foi para o esquerdo, o mais machucado.
Tentei não dar uma de mocinha, mas não consegui evitar uns gemidos de dor toda vez que ele passava a maldita toalhinha em minha ferida no ombro. A essa altura, eu queria somente as mãos quentes e suaves. Ele parou de repente e eu abri os olhos. Gabriel me encarava intensamente com o azul escuro que me encantava.
- Por que não quis beber de mim?
Surpreendi-me e demorei um pouco pra responder.
- Eu não sei... só achei... errado.
- Errado?
Eu suspirei, como explicar uma coisa que nem você mesma entende?
- Eu senti que não era justo, só isso.
- Você me intriga muito, Michaela. – ele disse ainda me olhando daquele jeito profundo.
OK, eu estava um bagaço total e não tinha forças nem pra levantar da cama, mas mesmo assim, eu queria beijá-lo, queria tê-lo. Senti um desejo forte crescendo em mim por conta daquele olhar. Relembrei o beijo que demos, os dois, e a forma como ele me fazia sentir, quente, viva. Eu o desejei imensamente. Ele pareceu sentir, vi que tremeu levemente, e pela primeira vez em dez anos, senti vergonha.
Virei a cabeça pro lado, sem querer encará-lo. Era tão estranho estar perto dele daquele jeito, vê-lo me olhar daquela forma... ele me tinha tão totalmente nas mãos que eu me sentia uma completa idiota. E o pior era ele poder sentir meu desejo, minha excitação. Inferno, eu me odiava por isso. Se eu tivesse sangue suficiente, estaria vermelha.
- Tive medo... quando ouvi você gritar.
A voz soou doce e sincera em meu ouvido e me fez virar novamente pra ele. Lembrei de quando vi o desespero em seu olhar quando eu estava ameaçada. Tentei disfarçar o quanto tinha gostado de ouvir aquilo.
- É, aquele macho me enfiou a porrada... Nem sei como não me matou lá dentro.
Gabriel sorriu, ele sabia que eu só estava disfarçando.
Houve silêncio. O Anjo levantou e foi até o banheiro lavar aquele paninho dos infernos. Voltou para perto de mim e continuou me limpando as feridas.
- Gabriel... o que foi aquela conversa entre você e seu irmão? Você... você está se prejudicando por me ajudar desse jeito, não está?
Ele me encarou e respondeu algum tempo depois.
- Eu só estou fazendo o que é certo, o que eu acho que é certo.
- AI! Que merda! – eu gritei quando ele passou o pano na parte mais sensível.
- Desculpe.
Ele limpou com cuidado o meu braço e eu fiquei observando enquanto fazia.
- O que são... quem são os Filhos da Luz que Anariel mencionou?
- Os Filhos da Luz são uma Ordem Divina, que está neste mundo desde o início dos tempos. Eles são os que decidem sobre o destino dos Anjos que vão a julgamento.
- Julgamento? Como assim?
- Quando um Enviado de Deus é denunciado por um irmão, ele vai a julgamento por seus atos e seu destino será selado.
Eu não estava entendendo porra nenhuma do que ele estava falando, mas sabia que não era boa coisa.
- Espera... você está dizendo que vai ser julgado por um bando de Anjos velhos por ter me salvado, é isso?
- Eu sabia das consequências desde o princípio, Michaela.
Eu comecei a ficar nervosa e agitada, aquilo não me cheirava bem. Tentei levantar, mas meu corpo reclamou. Gabriel me escorou e eu me apoiei na cabeceira, com muito esforço.
- Mas... de que vão te acusar?
Ele se ajeitou e ficou de frente pra mim.
- Eu não sei. Possivelmente alta traição.
Minha boca abriu e fechou umas três vezes antes de eu conseguir emitir algum som.
- O quê? Mas...
- Michaela, eu enfrentei um irmão, não cumpri as ordens que me foram dadas. Anariel tem o dever de ir até à Ordem e fazer o que é certo. E eu serei julgado por isso.
- Mas a sua missão não era matar um bando de vampiros? Você fez... você... você está fazendo. Não é justo que por minha causa você seja punido!
- Fica calma... ainda teremos tempo.
- Tempo? Tempo pra quê? Do que você está falando?
- Anariel ainda levará alguns dias para chegar até o conselho e até lá eu espero ter achado respostas... foi pra isso que eu fiquei.
- Respostas, sobre o que? – perguntei, já estava mais que aflita.
- Sobre você.
Eu o encarei confusa. Mas do que ele estava falando?
- Eu sinto que você é diferente, Michaela... eu preciso tentar descobrir um outro jeito...
- Jeito? De que Gabriel?
- De salvar você.
Nós nos encaramos por um longo tempo e eu vi a ternura em seu olhar. Era tão estranho pra mim sentir aquilo, aquela coisa quente e intensa dentro de mim sempre que ele me olhava daquele jeito. Eu não tinha mais nada humano em mim, exceto quando ele estava por perto. Com Gabriel, eu me sentia viva outra vez.
- Eu queria que houvesse um outro jeito... – ele mencionou novamente, enquanto levou a mão até meu rosto e me acariciou gentilmente.
- Outro jeito... que não seja me matar? É isso? – perguntei sem ter coragem de desviar do azul profundo a minha frente.
Ele assentiu.
- Por que eu sinto que quando você diz morte e salvação, está dizendo a mesma coisa? – perguntei inclinando a cabeça para sentir melhor seu toque quente.
Ele ponderou e me afagou os cabelos castanhos antes de responder.
- Quando você se tornou vampira, passou a ficar presa em você mesma. Os humanos nascem, crescem, vivem e morrem e suas almas sempre retornam ao Criador. Mas os Filhos do Pecado, não mais retornam ao Pai.
- Então... seu Deus não nos quer mais. Típico.
- Não diga isso, Michaela, Ele nunca renega seus filhos, independente do caminho que tenham tomado. Foi por isso que Ele nos enviou, para trazer vocês de volta aos braços dele.
- Então você quer dizer que quando mata um vampiro, a alma dele é liberta? É isso que chamam de salvação, Gabriel?
Ele respirou fundo e assentiu mais uma vez. Eu ignorei a dor que sentia e movi pra frente, pra mais perto dele, que não retirou sua mão do meu cabelo.
- Você não quer me salvar, Gabriel?
Ele também se aproximou e novamente me afagou o rosto.
- Eu quero... mas não sei se seria capaz de matar você.
Eu pisquei várias vezes e senti novamente aquele incômodo nó na garganta.
- É por isso que eu preciso descobrir um outro jeito... foi por isso que fiquei.
Eu não disse nada. Abaixei a cabeça e me apoiei em seu ombro.
- Quando eles me convocarem, eu vou ter que ir. Não importa onde eu esteja, ou que estiver fazendo, você entende? — ele disse baixinho pra mim e eu senti um incômodo no estômago.
- O que eu posso fazer? – perguntei voltando a encará-lo.
Estávamos perto, tanto que meu nariz tocava o dele. Senti sua respiração em mim e foi como se toda a dor tivesse sido desligada. Impulsivamente, sem nem mesmo pensar, eu juntei nossos lábios e esperei.
Ele passou a mão por meu pescoço e a levou até minha nuca e me beijou suavemente. Aquela foi a resposta que eu queria, ele era tudo o que eu queria. Nada fazia sentido, eu era uma Filha do Pecado, sem humanidade, que estava entregue ao Enviado de Deus que tinha a missão de me destruir... ou me salvar.
Notas finais
Bj
Fale com o autor