Notas iniciais
Espero que gostem :) e que comentem!! hehe

Uma vez, há muito tempo atrás, minha mãe me disse que eu era especial, que Deus tinha algo reservado apenas para mim. Aquilo guiava meus dias e me fazia orar todas as noites antes de dormir. Eu confiava com uma fé cega nas palavras de minha amada mãe. Até que alguns anos mais tarde duas coisas aconteceram comigo que me fizeram mudar de idéia. Hoje, eu não acredito mais nela, nem em Deus ou qualquer outro tipo de milagre. Eu sei que nada disso existe. Só que vale é a sobrevivência.

Agora eu estou aqui, sentada nesse lugar observando todos a minha volta. O barulho ensurdecedor da música agitada e das pessoas dançando, bebendo e falando, não me afetavam tanto, não mais. O que estava me incomodando mesmo era a sede.

Pedi mais um drink ao barman e nessa hora eu o vi. Era alto, bonito e estava aparentemente perdido no meio dessa bagunça de boate de quinta. Ele passou pelas pessoas e saiu por uma das portas de emergência rapidamente. Eu tirei umas notas do bolso e deixei em cima do balcão antes mesmo do barman voltar com meu pedido.

De longe eu segui o atraente rapaz. Ele andou dois quarteirões e meio apressado, como se estivesse querendo se livrar daquele cheiro imundo de bebida e sexo que impregna as roupas de quem entra nessas boates baratas. Quando ele passou debaixo de um poste, eu vi o reflexo dourado em um das mãos do moço e entendi o motivo da desistência, mas eu sabia que tinha sido a primeira vez dele e que cedo ou tarde voltaria se pudesse, eles sempre voltam.

A dor em minha garganta aumentou e senti um rugido leve em meu peito. Não podia adiar mais. Em fração de segundos diminui quase que totalmente a distância entre nós. O cara percebeu alguém por perto e se virou. Ficou claramente aliviado ao me ver, o coitado.

- Olá. – ele disse cortês. O pobre homem estava achando que eu precisava de ajuda.

- O-oi. – respondi inocente – Desculpe, mas será que poderia me ajudar, eu acho que estou perdida.

Percebi imediatamente a indecisão nos olhos do rapaz. Ele estava excitado comigo, um efeito que eu normalmente causava em tipos como ele, mas também estava indeciso, afinal, que tipo de jovem estaria perdida no centro da cidade às duas da madrugada?

O corpo dele pareceu tomar a decisão por ele e maliciosamente, o sacana tentou me ajudar.

- Venha comigo moça, eu vou ajudar você a ir pra casa.

Eu sorri ligeiramente, parecendo um pouco nervosa. Olhei furtivamente ao redor e fiquei feliz ao perceber que estávamos completamente sozinhos. Dei um passo na direção do homem, que estendeu a mão pra mim. Ainda sorrindo eu a segurei. Ele imediatamente percebeu algo estranho e tentou se esquivar, em vão.

Dez minutos depois, eu estava andando para casa, satisfeita. Já não sentia mais sede. Ainda sentia o gosto doce e maravilhoso do sangue em minha boca e a incrível sensação de poder e força que ele me proporcionava. Foi uma bela presa.

Cheguei em casa antes das três. Tomei um banho e fui para o computador trabalhar. Fiquei até pouco antes do dia amanhecer revisando algumas coisas e enviando alguns e-mails. Depois disso tranquei a casa, fechei todas as persianas e fui até meu aconchegante e escuro quarto sem janelas. Tranquei a porta e me deitei na cama para mais um dia de sono.

Ah! As duas coisas que me aconteceram e que me fizeram mudar de idéia sobre os planos de Deus pra mim? Bom, a primeira foi que aos dezenove anos, eu virei uma vampira. A segunda foi que no mesmo dia, matei minha própria mãe drenando todo o sangue de suas veias.

Notas finais
E aí???