Salvame
19 Capítulo 19
Notas iniciais
O pedido de Christian para que eu dormisse junto com ele me surpreendeu. Sei que desde que cheguei aqui, muitas coisas mudaram entre Christian e eu. Mesmo antes de termos transado, nossa relação não era mais somente como patrão e empregada, nós nos tornamos amigos. Christian realmente mudou muito desde que cheguei aqui, sei que de certa forma eu tenho algo a ver com sua mudança. Não gostaria de vê-lo como já vi, drogado e no meio de pessoas que apenas querem o seu dinheiro. Não sei realmente o que levou ele um homem tão bonito, a viver da forma que vivia, e a ponto de perder todo o seu patrimônio. Mas hoje eu vejo um novo Christian, um Christian que tem visto que pode ser feliz, com as coisas mais simples da vida.
As vezes eu o olho, e vejo que ele é um homem mais feliz. Quem o olha nem imagina que tudo aquilo que ele lutou para construir, está a ponto de desmoronar pelas duas irresponsabilidades. Mas Christian parece que não vê mais o dinheiro, como o real motivo se sua felicidade. Antes ele tinha tudo o que um homem de sua idade gostaria de ter, mas mesmo com tudo ao seu redor, ficava visível que nada aquilo o satisfazia como agora.
O que falta para Christian agora, é uma namorada, mas como eu iria reagir se o visse com outra mulher? Sei que não tenho nem o direito de pensar em algo assim, pois o que tivemos foi coisa de momento, foi bom e delicioso, mas nada mais do que isso. Nós dois somos de mundos diferentes e ambos não pensa em relacionamento no momento, bem, pelo menos eu não penso, já não sei ele. Mas sei que seria estranho para qualquer mulher ver que seu namorado, tenha tanta intimidade com uma simples empregada. Mas um dia sei que isso vai acontecer, mas até lá, espero que eu já esteja longe daqui, e que seja apenas amiga de Christian, pois iria detestar que Phoebe fosse tratada por qualquer mulher que ele fosse se envolver, como a tal da Elena a tratou.
– Mamãe, já tô com saudades da minha vovó e do meu vovô. — Phoebe disse que uma carinha de choro que me corta o coração. Nessas horas que eu tenho vontade de desistir de tudo, e voltar para a casa dos meus pais, mas eu também me lembro que se eu não continuar aqui em Seattle, nunca vou começar minha faculdade. Tenho uma prova marcada para daqui alguns dias, se eu tirar uma boa nota, posso conseguir uma bolsa de estudos na melhor faculdade de Seattle.
– Amorzinho, mamãe também está com saudades, mas já conversamos lembra? — ela assentiu com a cabeça e aos poucos as lágrimas começaram a descer por seu lindo rostinho. Eu a pego nos braços e começo a cantar uma música para ela, e aos poucos o choro foi dando lugar ao sono.
Coloquei Phoebe na cama, e pus alguns travesseiros ao seu lado, pois quando ela dorme chorando, as vezes tem o sono um pouco mais agitado. Então assim que beijei minha princesinha, fui tomar um banho relaxante, pois o dia realmente foi agitado. Hoje tive que ficar entre Phoebe quando chegou da escola, os meus afazeres e Christian que está doente. Sei que seria bem mais fácil chama sua mãe que é médica para lhe receitar algo, mas sei que ele não vai querer, e como é uma febre carregada de dengo, eu sei que com alguns cuidados, ela logo vai embora.
Fiquei surpresa com seu pedido para que eu dormisse com ele. Pensei em negar, mas olhar para aqueles lindo rosto abatido, apertou meu coração. Sei que ele poderia ficar sozinho, mas pude perceber que para ele uma febre era como se fosse uma doença terminal.
Assim que saiu do banho, coloquei uma conjunto composto por uma calça de seda, e blusa de seda na cor ouro. Era uma lindo conjunto que minha mãe me deu. Minha mãe sempre teve lindo gosto por camisolas, então todas as suas camisolas que não servia mais, ela guardada e passava para mim. Eu sempre amei isso, pois minha mãe sempre foi muito cuidadosa com suas coisas, isso eu a puxei com certeza.
Fiz um coque alto no cabelo e depois calcei meus chinelos e pus um robe longo na cor preta por cima, apenas para não passar pelo jardim e cruzar com um dos seguranças estando de camisola. Fechei minha porta com a chave, pois desde que aconteceu aquele incidente comigo aqui dentro de casa, sempre costumo trancar, ainda mais que a minha vida que é a minha filha está lá dentro.
Vou o Maia rápido que posso para chamar Christian e trazer seus remédios. Subi direto para o seu quarto, assim que eu bato na porta ouço ele dizer que podia entrar. Assim que abro a porta, vejo que ele está sentado na beirada da cama com a cabeça abaixada proxima dos joelhos entre aos mais.
– Christian, ainda está se sentindo mal? — eu me abaixo em sua frente, e tiro suas mãos e levanto sua cabeça para sentir sua temperatura.
– Eu apenas sinto uma forte dor de cabeça quando me levanto. — ele diz enquanto faz uma pequena careta que o deixa mais lindo.
– É normal por causa da febre.
– Não vejo a hora dessa merda passar. — ele disse bufando.
– Você está tomando os remédios direito? Se estiver tomando como mandei, com certeza você irá ficar bom logo.
– Claro que estou, mas estou sentindo como se um caminhão passasse por todo o meu corpo.
– É assim mesmo. Você ainda vai dormir lá em casa? Por que tenho que voltar logo, pois Phoebe está sozinha e pode acordar a qualquer momento e ai já viu. — eu fiquei em pé em sua frente aguardando sua resposta.
– Vou sim, eu estava te esperando. Com muita dificuldade consegui tomar um banho e me deitei novamente.
– Então pega tudo o que tem que levar e vamos. — ele se levantou e estava vestido com uma calça de moletom cinza e uma regata branca. Christian pegou seu celular e um casaco conjunto da calça e calçou seus chinelos, eu peguei seus remédios e assim fomos para a minha casa. Abri a porta com todo cuidado e vi que Phoebe estava dormindo abraçada aos travesseiro e tomando conta de toda a cama.
– Fique a vontade, como você ainda está com pouco de frebre, irei preparar um leite bem quente para você tomar com o antibiótico.
– Leite? É sério isso? — ele fez uma careta.
– Seríssimo, e nada de reclamar. — eu disse em um tom de brincadeira, e logo Christian revirou os olhos.
Eu fiz um copo de leite para ele, que tomou e elogio. Minha mãe sempre diz que nada como uma bom copo de leite bem forte, para ajudar quando se está doente.
Fiz uma pequena cama para Christian com alguns colchonetes que ficavam em baixo da cama. Saiba que isso iria lhe render uma tremenda dor nas costas, já que sei colchão era como se estivesse dormido nas nuvens de tão macios, mas quando ele topou dormir aqui, sabia que não iria ser tão confortável como na sua cama.
– Obrigado Ana, obrigado por está cuidando de mim. Sei que não é sua obrigação, mas mesmo assim está fazendo tudo isso por mim. — ele diz logo depois que volta do banheiro, e vê a cama arrumada no chão.
– Não precisa agradecer, você faz por mim muito além do que eu mereço, já que eu sou sua empregada. E estou fazendo isso por que quero e por que isso nem se compara á tudo o que você fez por mim desde que cheguei aqui.
– Você e essa pequena são especiais para mim. Você não é apenas uma empregada para mim, já deixei bem claro isso em diversas vezes.
– Eu sei, mas mesmo assim obrigada. E boa noite.
– Ana, posso te pedir uma coisa? — Christian diz enquanto o vejo se cobrir do pés ao cabeça e mesmo assim vejo que está tremendo de frio. Realmente a febre é algo muito estranha.
– Sim.
– Se não for muito abuso, deita aqui comigo. Eu estou com muito frio e sua casa não tem aquecedor. — ele diz com um sorriso tímido.
– Tudo bem, mas assim que você for dormir, irei voltar para a minha cama. — ele assentiu com a cabeça. Eu peguei mais um edredom para ele, o cobri, e tirei o robe e me deitei ao seu lado no chão. Christian me surpreendeu quando passou seus braços por minha cintura, e logo senti sua respiração em meu pescoço. Me arrepiei no início, mas percebi que nada daquilo tinha a ver sexo, apenas uma carinho trocado entre amigos. Sei que é estranho um homem e uma mulher serem amigos e dormirem tão juntos e de conchinha, mas estranho mesmo é ter transado com o meu patrão. Então dormir de conchinha com ele não é nada demais.
Logo percebi que Christian não estava mais tremendo como antes, e sua respiração estava mais calma. Eu deveria levantar e deitar ao lado da minha filha, mas estava tão bom dormir em seus braços e com o seu cheiro maravilhoso, que apenas me aconcheguei mais a ele, e quando dei por mim, fui vencida pelo sono ali nos braços de Christian.
***
Aos poucos fui abrindo os olhos, e me deparei com Christian com sua perna entre as minhas, eu deitada em cima de um de seus braços, enquanto o outro estava rodeando a minha cintura. Na madrugada mudados aos posições, então acordei de frente para Christian que a sentir me mexer, aos poucos foi abrindo os olhos, e logo deu seu lindo sorriso tímido pela mãe. Eu pensei que ele iria se incomodar por eu ter dormido a noite toda como eu disse que não iria dormir, mas seus olhos diziam que ele tinha gostado de isso ter acontecido. Mas o que me surpreendeu, foi no momento em que ele se aproximou mais do meu rosto. Ficamos nos encarando por mais um tempo, e sua mão foi para o meu rosto, fazendo um carinho em minha bochecha. Sei que não devia, mas seus olhos parecem que me hipnotiram no mesmo instante, pois eu sei que estamos inovando a zona de perigo de cada um, já que o fato de termos acordando quase fundindo um ao outro, parece não ter incomodado nem a ele, e nem a mim.
– Bom dia. — eu consegui dizer, mas não consegui desviar seus olhos dos meus.
– Bom dia. — Christian me surpreendeu, dando um selinho longo em meus lábios. Mas meu coração parecia que iria sair pela boca, quando escutei a voz de quem eu tanto queria que estivesse ainda dormindo.
– Bom dia. — Christian nos assustamos e nos afastamos no mesmo instante. Sabíamos que Phoebe viu no momento em que ele me deu um selinho. Os olhinhos da minha filha estava brilhando, como se tivesse ganhando um presente na manhã de Natal.
– Christian você é meu papai agora que é namorado da minha mamãe? — nunca na minha vida pensei que iria viver para ouvir minha filha dizer algo assim se ao menos pensar duas vezes. Christian no mesmo instante levantou-se, um pouco mais agitado. Eu sabia que aquela pergunta tinha o surpreendido, mas ele sabia que não estávamos sozinhos e que não era para ele ter feito aquilo.
Não pensei que Phoebe estivesse no pé da cama com sua cabeça apoiada nos braços nos olhando sem ao menos fazer um barulho que denunciasse a sua presença.
Christian sem saber o que dizer, entrou no banheiro e eu fiquei com a parte mais difícil, que era explicar para uma criança de quatro anos que nada daquilo que ela viu, era aquilo que ela achou.
– Filha, o Christian não é meu namorado, ele é o nosso amigo, esqueceu? — sentei ao seu lado e logo ela me encarou com seus lindo olhos escuros, mas eu sabia que uma simples resposta não iria fazer com que ela esquecesse o que viu.
– Mas ele te beijou na boca mamãe.
– Ele deu um selinho de bom dia, pois nós somos amigos.
– Eu posso da um selinho nos meus amigos também mamãe? — ela perguntou como se eu estivesse falando outra língua. Nessas horas eu queria que minha filha fosse menos madura para a sua idade.
– Não! É só entre os amigos que são adultos. Você é muito pequena para isso.
– Eu pensei que o Christian ia ser meu papai. — mais uma vez sinto uma tremenda raiva de José, pois minha filha era a criança mais especial do mundo, e merecia ter o pai presente em sua vida.
– Não meu amor, o Christian pode ser seu tio, já eu ele é o nosso amigo, lembra? — ela balançou a cabeça, mas ainda continuava um pouco triste.
– É é... estou indo para a minha casa, tenha um bom dia. — Christian não esperou que eu falasse, e nem ao menos encarou Phoebe. Sei que a pergunta da minha filha o pegou de surpresa, mas essa pergunta também serviu para eu perceber, que Christian tem medo de ter relacionamentos, já que ele correu de uma simples pergunta como o diabo foge da cruz. Se ele ao menos espera-se para ouvir a resposta, mas não, ele simplesmente se assustou e fugiu, pois eu nunca ouvi tão assustado como agora.
Eu nunca fantasiei nada a mais do que a nossa transa, mas tenho certeza que se eu fantasiasse algo, com certeza tudo iria abaixo agora, pois no dia que eu encontrar um homem, ele primeiramente tem que aceita a minha filha, pois se não aceitar Phoebe, nunca terá a chance de da mais um passo para algum envolvimento comigo.
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