— E quem você pensa que é para ordenar alguma coisa aqui? – Frank já estava ficando fora de si e eu não quero ver o que acontece quando ele enlouquece!

— Não estou ordenando nada meu caro, estou negociando – responde calmo. Frank dá um passo à frente e Mark segura ele.

— Vai para o seu quarto Frank.

— O que? Mas...

— Agora!

Vejo Frank rosnar de raiva e começar a sair da sala, mas sem desgrudar os olhos de Théo. O olhar dele fazia eu ficar arrepiada. Parecia possuído... Fica um pequeno silencio depois que ele deixa o cômodo. Agora já estava alimentada e me sentia extremamente tensa com tudo isso. Acho que não vou falar nada, talvez esse Théo tenha mesmo um plano bom para me tirar daqui. E se eu sair e ficar pior... Eu arrumo um jeito de morrer.

— O que você quer com tudo isso?

— Meu pagamento é claro.

— Mas um humano pode ser encontrado em qualquer lugar, por que ela?

— Porque é valiosa pra vocês.

— O que te faz pensar isso? – Théo sorri.

— Você ter colocado ela no cemitério diz muita coisa Mark — Eduardo e Mark trocam olhares.

— Tudo bem. Você nunca teve um amuleto ou mesmo um brinquedo de que gostou? – pergunta carrancudo.

— É claro que sim e se ela vale tanto pra vocês... Deve ser bem útil – olho pra ele agora. Sabia! Ele vai fazer a mesma coisa que eles fazem! Pelo menos é só ele, eu acho que é né...

— Vai ficar aqui quanto tempo?

— Ainda não sei. Quem sabe nesse tempo você não arrume o dinheiro que deve?

— Então está dando mais chance?

— Última e não vai ser tão grande o prazo como da última vez. Espero que meu pai não precise vir aqui conversar com você...

Percebo que eles ficam tensos quando Théo fala do pai. Quem será o tal pai e qual influencia ele tem entre os vampiros? Parece que conseguiu intimidar os dois, deve ser um vampiro poderoso. Mark e Eduardo me olham. Estava sentada no sofá e tinha as mãos entre as pernas, onde apertava para descontar a ansiedade.

— Tudo bem. Vou fazer de tudo para conseguir o dinheiro.

— Ótimo! Acho que estamos nos entendendo agora.

— Parece que sim – Mark responde sorrindo forçado.

— Gostaria de conversar com ela agora.

— Conversar o que? – Eduardo que pergunta.

— Quero falar só com ela.

— Sobre o que?

— Se fosse para você saber, não pediria para falar só com ela.

Olho meus pés e aperto as mãos com força. Por que vampiros gostam tanto de suspense e de me enlouquecer? Sinto os olhos de Mark e Eduardo em mim, mas não olho pra eles. Estava ocupada demais entrando em pânico nesse momento.

— Venha comigo – levanto a cabeça e ele está em frente a mim me oferecendo a mão. Me encolho, pois não quero ir. – Não vou machucar você.

— Dá última vez que ouvi isso, não foi nada bom... – Mark dá uma risada baixa.

— Seja lá o que aconteceu, não vai ser igual – olho pra ele e vejo que me encara de um jeito diferente. Acho que entendi. Ele está dizendo que não vai fazer eu me deitar com ele, pois sabe da história toda, mas não pode falar nada na frente deles.

— Eu não tenho escolha mesmo, não é? – pergunto irônica e seguro sua mão. Ele sorri.

— Não tem mesmo – fala me carregando para fora da sala. Olho pra trás e os dois me encaravam de braços cruzados. Eles devem imaginar que ele vai fazer a mesma coisa que eles fazem a anos comigo.

Eles podem até me dividir entre eles, mas dividir com Théo não parece nada agradável. E isso de certa forma me deixa animada. Ele chegou aqui, botou moral, praticamente está mandando neles e agora está “me usando” como eles fazem. Não vejo castigo melhor para esses sanguessugas!

Entramos no quarto que provavelmente ele usa, vampiros não dormem, mas é meio que o espaço deles o quarto, sabe?

— O que você quer de mim? – pergunto assim que ele fecha a porta.

— Quero que pensem que estou fazendo com você o que eles fazem.

— Imaginei isso e é uma coisa boa. Claro que é boa se você não resolver fazer de verdade né...

— Eu não forço ninguém a nada. A menos que você queira... – se aproxima de mim. Dou um passo pra trás.

— Por que ia querer isso?

— Você era virgem quando eles te pegaram? – suspiro e desvio o olhar.

— Sim.

— Quantos anos tinha?

— Dezesseis – Théo comprime os lábios.

— Eles precisam mesmo de castigo Sofia.

— Mas eles podem arrumar o dinheiro e seu plano não vai funcionar.

— A quantia é alta demais, eles não vão conseguir.

— Como tem certeza?

— Ninguém consegue dois milhões em um dia – abro a boca em surpresa. Milhões? O que eles fizeram com esse dinheiro todo?

— Nossa!

— Acho que vou conseguir te libertar – se aproxima de mim e fico tensa.

— É... E o que acontece depois?

— Isso a gente pensa na hora. Agora tenho que pensar em como não deixar eles te encostarem.

— Obrigada – ele sorri. – Não sei como posso agradecer o que está fazendo.

— Eu sei – viro os olhos e o sorriso dele aumenta.

— Claro que sabe – digo irônica.

— Não é o que está pensando.

— E o que é então?

— Quero sua confiança.

— Minha confiança?

— Sim. Você não confia em mim, acha que vou fazer o mesmo que eles. Quero que tire isso da cabeça e acredite nas coisas que eu digo. Vou te libertar desses vampiros manipuladores.

Fico em silencio olhando o rosto dele. Estava um pouco sério e não tirava os olhos de mim. Isso é tão estranho! Ele nem me conhece e quer fazer isso tudo por mim? Me trocar por dois milhões? Eu tenho esse valor todo?

— Agora eu preciso fazer uma coisa...

— Que coisa? – pergunto nervosa.

— Uma pequena marca em seu pescoço.

— Pra que?

— Só pra eles acharem que ficamos aqui juntos, sabe? Pra farsa ficar mais verdadeira – rio nervosamente.

— Vai me morder?

— Não. Só uma pequena marca... Posso?

— Pode.

Théo se aproxima de mim e logo minha respiração fica mais forte. Confiança não é uma coisa que se ganha de uma hora pra outra ou simplesmente porque ele disse para confiar, não funciona desse jeito. Ainda tenho medo dele.

Sinto seus dedos gelados deslizarem em meu pescoço tirando o cabelo da frente e olho seu rosto. Me encarava de um jeito calmo, já eu estava quase entrando em pânico e olha que ele ia fazer só uma marca... Mas vai que não né?! Théo joga meu cabelo para trás e desliza o dedo no meu pescoço levemente. Engulo em seco e ele se aproxima mais. Ele segura meu rosto com uma das mãos e logo sinto sua boca gelada em meu pescoço, isso faz os pelos do meu corpo se arrepiarem.

Que estranho... Por mais que os outros três sejam gelados como ele, isso nunca aconteceu. Claro que me arrepio, mas pelo frio. Com Théo não foi de frio... Ele faz uma trilha de beijos gelados e eu fecho os olhos. Em pouco tempo se aproxima mais de mim e começa a dar chupões, sei que a intenção é deixar marcas, mas isso dói um pouco. Me esquivo levemente e sinto que ele sorri. Mesmo assim continua e eu aperto as mãos com força. Não estava encostando nele. Théo afasta o rosto do meu pescoço e abro os olhos. Ele tinha os olhos presos em algum ponto do meu rosto e sua mão ainda segurava meu queixo o deixando gelado. Percebo que encara meus lábios e comprimo eles.

Céus! Por que quero que ele me beije?

Théo: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/originals/f0/31/a2/f031a2c6649e32e5bc26df9edce7b1a6.jpg