Saímos da mansão. Todos estavam em silêncio e isso fazia meu pânico aumentar. Se pelo menos eles conversassem, eu saberia para onde vamos ou o que vão fazer comigo. Olho para trás e observo a mansão.

Estou do lado de fora! Parcialmente livre. Se não fosse o fato de estar andando com cinco vampiros, sendo quatro deles desconhecidos, eu estaria pulando de alegria nesse momento.

— Você ficou louca? – Théo pergunta em meio ao silêncio e faz todos olharem para gente.

— Não – respondo olhando os outros.

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— Eu disse pra você sair e não voltar!

— E você manda em mim por acaso? – pergunto carrancuda e escuto os vampiros mais novos rirem.

— Você não sabe mesmo ser agradecida, não é?

— O que você quer em troca Théo? – ele me encara de um jeito que nunca vi. Parecia muito irritado.

— Um pouquinho de gratidão já bastava! – fala seco.

— Obrigada – digo debochada e ele solta meu braço.

— Ei pare com isso Théo! – a mãe dele repreende. – Ela voltou porque não queria que você se machucasse.

Sinto meu rosto queimar quando ela fala isso e olho meus pés. Théo fica em silêncio e sinto que está me olhando, mas não me atrevo a olhá-lo agora.

— Vamos logo. Depois vocês discutem isso – diz o pai dele.

— Pra onde? – pergunto baixo.

— Vamos ajudar você Sofia. Sei que está nessa casa há muito tempo e não tem para onde ir.

— Posso ir pra casa dos meus pais – vejo que o homem olha Théo e ele suspira.

— Vamos na frente, nos encontramos em alguns minutos – os quatro se afastam da gente. Estava parada na rua com Théo. O que está acontecendo?

— Vai encontrá-los aonde?

— Você vai com a gente Sofia.

— Por quê? – Théo segura meus ombros e eu não gosto disso, porque logo em seguida vem uma notícia ruim.

— Depois que você entrou naquela casa, eles... – morde o lábio.

— O que?

— Foram até a cidade e procuraram sua família – desvio o olhar. Não acredito nisso...

— Eles beberam meus pais – Théo acena com a cabeça.

Ficamos em silêncio um longo tempo depois do que eu disse. Não acredito que eles fizeram isso! O que meus pais tinham a ver com toda a merda que eu fiz? Pra que eles fizeram isso? Sempre iam pessoas curiosas na casa para eles se alimentarem, não precisavam matar meus pais.

Olho para a mansão que agora está um pouco distante de mim. Se eu tivesse forças... Se pudesse vingar a morte deles...

— Ei... – puxa meu rosto segurando meu queixo com uma das mãos. – Não pense coisas ruins, você tem a alma tão limpa e pura. Não deixe que eles mudem isso em você.

— Você lê mentes? – Théo ri.

— Não. Ninguém pode fazer isso.

— Então como diz isso? Como sabe que estou pensando coisas ruins?

— Sua expressão diz muita coisa Sofia. É uma pessoa bem transparente. E eu gosto de reparar...

— Como se sentiria se eles matassem sua única família? – ele suspira.

— Eu entendo sua revolta Sofia, mas ficar com esse sentimento não vai te ajudar em nada.

— O que eu faço? – sinto meus olhos serem preenchidos com lágrimas e tento segurá-las. Théo suspira e acaricia meu rosto.

— Vamos com a gente.

— Pra onde?

— Nossa casa.

— Isso não parece bom...

— Não vamos fazer nada com você Sofia. Não somos como eles, já disse isso pra você.

Fico em silencio. Eu não tenho muita escolha mesmo. Se não for com eles vou fazer o que? Ficar na rua para que eles me encontrem e me levem de volta?

— Tudo bem – Théo sorri e beija minha testa. Me aproximo e abraço ele. Percebo que fica surpreso com isso, pois demora um pouco a corresponder.

Seguimos sei lá para onde. Quando entendi, vi que estávamos em uma pista de voo. Claro que eles não iriam de carro, não sei para onde vão, mas logo ia amanhecer e o sol poderia queimá-los. Precisam ir em algo mais rápido. Íamos de jato. Assim que o vi, abri a boca em surpresa. Era lindo e muito luxuoso. Se ele emprestou dois milhões para eles e trocou por mim, deve ter muito dinheiro! Por isso não se importou de perder essa quantia.

Entramos no jatinho e eu não consegui nem falar nada. Era luxuosíssimo, mais do que pensei. As poltronas eram brancas e aparentavam ser muito macias e confortáveis. Tinha mesa em frente a alguma delas e dava para guardar caso não usasse. Um sofá também muito bonito ao lado. Devia dar umas quinze pessoas ali dentro.

Théo segurou minha mão e me levou até o fundo do jato. Lá tinha uma pequena divisória e duas poltronas. Ele me colocou sentada em uma delas e ficou em pé em frente a mim.

— O que você está olhando?

— Você está livre Sofia. Não precisa ficar com medo.

— Eu nunca voei – resmungo sem olhá-lo e escuto sua risada curta.

— Não se preocupa, é muito seguro.

— Eu não sei o que é segurança. Não mais...

Ele fica em silêncio depois que falo isso. Olho ao redor. Pelo menos aqui não tem janela e eu não vou precisar olhar para fora. Ou talvez tenha e esteja fechada... Não quero saber! Théo senta na poltrona ao lado da minha e segura minha mão.

— Se sentir medo, pode apertar minha mão – aperto com força e ele ri. Dou uma risada e paro de apertar.

Talvez não seja tão ruim assim voar...

†††

Mudei de ideia! É péssimo voar! Estava agarrada em Théo agora. Ele disse para apertar a mão, mas isso foi pouco pra mim... Estava praticamente pendurada no pescoço dele nesse momento. Sempre que escutava algum barulho enfiava o rosto no pescoço gelado dele e escutava sua risada fraca. Não é engraçado quando você está na situação!

— Já estamos chegando.

— Ainda bem! – digo apertando sua camisa. – O que vão fazer comigo?

— Como assim?

— Vão fazer o que? Me deixar em algum lugar ou sei lá...

— Já disse que você vai pra minha casa.

— E depois?

— Sofia fica calma. Nós vamos te ajudar, não vai mais precisar ficar com medo de nada.

A garota de cabelo escuro aparece onde estamos e sorri. Não sei porque sorriu, não é nada bonito ver alguém praticamente sentada no colo do outro porque está com medo!

— Vamos aterrissar agora.

— Ok – responde Théo.

A garota sai de onde estamos.

— Por mais que eu esteja gostando de você estar nessa posição – o encaro com fúria. – Você precisa sentar na sua poltrona agora – diz sorrindo.

Saio de cima dele e sento na poltrona emburrada. Théo se aproxima e coloca o sinto em mim. Ele me oferece a mão e fica me olhando sugestivo. Viro os olhos e agarro a mão dele.

Até que não foi tão ruim assim a aterrissagem. Só que eu fiquei tão apavorada que não conseguia levantar da poltrona. Minhas pernas tremiam muito.

— Vamos meu filho, o carro está esperando e o sol já vai nascer – o pai dele aparece onde estamos. Ainda estou agarrada na poltrona como se fosse parte do meu corpo.

— Já vamos.

— Está tudo bem? – aceno em negação. – Qual o problema?

— Ela tem alguns medos...

— Ajude ela então. Não podemos ficar muito expostos ao sol.

— Ok – Théo tira o cinto de mim. Sem me deixar pensar me pegou no colo e saiu carregando para fora do jato. Que diabos?

— Eu sei andar, sabia? – pergunto debochada. Já estava fora do jato e indo para o carro. Escuto a menina rir quando pergunto isso e olho para ela. Tem olhos castanhos e é muito bonita. Mais alta do que eu e bem magra.

— E ficar quieta, você sabe?

— Não. Não sei! – respondo irritada e ele sorri.

Entramos no carro. Também era enorme e luxuosíssimo. Enorme porque deu todos nós dentro e com espaço de sobra. Fomos em silêncio o caminho todo, mas acho que eles estavam preocupados com algo. Olhavam o relógio a todo momento e também para fora do vidro do carro. Talvez pelo sol que já ia aparecer e como não sei a distância... Está na cara que não é perto.

— Está tudo bem? – pergunto a Théo.

— Falta pouco pro sol nascer.

— E está longe?

— Não muito, mas acho que vamos chegar com o sol.

— Hum...

Seguro a mão dele com força. Sei que ele falou que podia fazer isso no jatinho porque estava com medo de voar. Mas estou com medo de novo e apertar a mão dele me tranquiliza um pouco. Não sei se é porque apertar ele alivia a ansiedade, ou se é por tocá-lo...

Passamos por vários lugares desconhecidos para mim. Então entramos em uma rua de chão e parecia que nunca ia chegar, o sol começou a aparecer e vi que a menina se encolheu dentro do carro no local onde não seria atingida. O carro parou e olhei para fora da janela. Fiquei em transe por um momento. Era duas vezes maior que a mansão que estava com os três. A casa era linda! De cor amarela com portas e janelas brancas. Parecia ter uns dois andares. Tinha uma fonte de água em frente. O carro deu a volta pelo caminho e parou em frente à porta. Ela era enorme! Tinha quatro colunas grossas e brancas e alguns degraus em frente à porta. Ela tinha um arco redondo em cima e era extremamente grande. Percebi pelas chaminés que tinha duas lareiras na casa. Uma de cada lado. Em volta da fonte tinha quatro arvores redondas perfeitamente cortadas, uma em cada ponta. No centro da fonte tinha uma estátua de anjo.

Esse lugar parece um sonho!

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