Salva pelo inimigo
13 Capítulo doze
Estou fazendo comida para almoçar. Faltava alguns ingredientes. Talvez eles estejam com raiva porque além de “dormir” com Théo, agora fico direto no quarto dele. Faz dias que não podem me tocar e eu me sinto tão bem com isso! Já é um tipo de liberdade.
— Achou mesmo que ia ficar de conversinha com ele e que não saberíamos? – olho para trás assustada quando escuto isso.
— O que?
— Não se faça de idiota garota!
— Do que você está falando Frank? – ele se aproxima feroz e eu me encolho perto da bancada.
— Estava de armação com esse vampiro imbecil esse tempo todo! – grita.
— Como assim?
Frank agarra meus braços com força e me puxa pra perto dele. Com o movimento brusco a panela cai no chão fazendo um grande barulho. Frank me encara de um jeito tão assustador que sinto meu sangue sumir do rosto.
— Estava de conversa com seu namoradinho ontem e pelo que entendi estavam juntos há um tempo e enganando a gente! Ele nem te tocando está! Aliás, agora está porque você deixou! – fala isso muito irritado e me sacode com força.
— Você está me machucando... – meus braços já estavam dormentes de tão forte que ele apertava.
— Chama isso de machucar? Ainda nem comecei – engulo em seco.
— E nem vai começar! Solta ela agora! – Frank fica paralisado me encarando e aperta meus braços com mais força. Solto um gemido de dor e fecho os olhos. Algumas lágrimas descem do meu rosto. Ele vai quebrar meus braços...
Théo se aproxima e tira Frank de perto de mim. Não de uma maneira carinhosa, vendo que agarrou os braços dele fazendo com que me soltasse e o jogou longe. Frank bateu na parede e ficou encarando Théo, parecia surpreso e ao mesmo tempo irado.
Agora é inevitável, eles vão brigar e não vai ser bonito. Coisa que Frank não admite é que coloquem a mão nele. É o limite final, se tocar nele “morre”. Théo estava em frente a mim como se fosse um escudo de proteção. Os dois ficam um longo momento em silêncio se encarando. Na verdade não sei se foi exatamente longo, mas pra mim pareceu muito tempo, pois estava apavorada! Frank solta um grunhido de ódio e vem na direção de Théo com pressa. Ele me empurra para o lado e eu bato na parede. Em pouco tempo os dois se atracam no meio da cozinha. Nunca vi uma briga de vampiros antes e não quero ver! Mas não posso fazer nada, eles são extremamente fortes. Théo me deu um leve empurrão para me tirar da frente de Frank e eu bati na parede e machuquei meu ombro. Imagina se me empurra com força? Batia a cara na parede e morria...
Saio da cozinha correndo e procuro por Mark. Ele tem que fazer alguma coisa! Procuro na sala de estar e depois vou até seu quarto. Bato na porta com nervosismo e ela se abre. Ele me olha confuso.
— Eles estão brigando na cozinha! – falo com desespero.
Mark passa por mim com pressa e some num piscar de olhos. Vou atrás e quando chego na cozinha vejo Théo agarrado no pescoço de Frank e ele tentando se livrar dos braços dele que estavam em volta de seu pescoço, onde apertava com bastante força.
— Parem com isso! – Mark fala alto. – Chame Eduardo.
Saio da cozinha com pressa e procuro por ele na casa, como Mark, estava em seu quarto. Falei o que estava acontecendo e ele seguiu rápido até a briga.
Não sei como, mas os dois conseguiram separar. É estranho saber que eles brigaram e não ver nenhum hematoma ou mesmo sangue escorrendo... Não parece que aconteceu nada aqui.
— O que está acontecendo? – Mark pergunta olhando Frank.
— Eles estavam enganando a gente esse tempo todo! – fala irritado.
— Como assim? – olho Théo com pavor.
— Ele não está fazendo nada com ela! Quer libertá-la de nós e inventou isso tudo! Os dois estão juntos esse tempo todo fazendo a gente de otários!
— Como chegou a essa conclusão?
— Coloquei uma câmera no quarto e vi e ouvi a conversa deles – Théo me olha. Acho que ele não pensou que isso poderia acontecer...
— Isso é invasão de privacidade Frank. O que você queria ver de verdade? O que eu fazia com ela? Ou como fazia? – Frank tenta ir para cima dele de novo, mas Mark o segura.
— Quero ver essa filmagem – Mark diz sério.
Agora ferrou tudo de vez!
Seguimos para o quarto de Frank, fui porque me obrigaram. Agora eles me matam! E não vai ser nada rápida a minha morte. Frank coloca a filmagem da gente conversando para todos verem. Nesse momento olho Théo e ele está sério. Queria saber o que pensava agora, pois eu só pensava em dor, tortura e morte...
— Não disse?! – Frank fala exaltado assim que a gravação acaba.
— Como pôde fazer isso garoto? – Mark cruza os braços e me olha. Engulo em seco. – E você Sofia? Como teve coragem de enganar a gente?
— Da mesma forma que tiveram coragem de torturar uma garota de dezesseis anos – respondo sem desviar o olhar de Mark e ele respira contrariado. Essa não! Estão todos muito irritados e isso não é nada bom!
— Ela só fez o que pedi – diz Théo e os três o olham. – Disse que ia libertá-la se fizesse o que pedisse.
— Você acreditou mesmo nisso? – Frank pergunta rindo. – É mesmo uma menina muito inocente.
— Era inocente. Não sou mais graças a vocês – falo com amargura e vejo Théo respirar fundo. Será que isso é um sinal para eu ficar quieta?
— Então sua ideia era fingir que estava com ela para que a gente fosse “castigado”? – pergunta Mark.
— Isso mesmo – Théo responde calmo. Como ele consegue ficar assim nessa situação?
— Não vai levá-la de verdade? Foi só pra gente aprender a lição? – olho Théo e ele continua encarando Mark.
— Eu vou levá-la.
— E se eu tiver o dinheiro? – Frank pergunta e eu aperto as mãos com força.
— Me mostre.
— Vamos até a sala de estar.
Os três saem do quarto e vão na frente. Ando pelo corredor ao lado de Théo e o olho com pavor. Ele não me olha, mas continua com o semblante calmo. Queria que pelo menos com o olhar ele me acalmasse um pouco...
Chegamos à sala. Frank foi até o bar e abriu uma porta no chão. Deve ser o cofre deles. Ele entra no local e depois volta com uma maleta preta. Ai meu Deus! Ele conseguiu o dinheiro!
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