Salva-me Da Escuridão

4 Guarda-me, como a menina dos seus olhos.


Notas iniciais
Mais uma vez obrigada por cada comentário de vocês, é tão inspirador, espero que gostem desse capítulo. Boa leitura.

A risada do menino ecoava pelo ar, foi o único som que se ouvia até ambas as mulheres conseguirem reorganizar seus pensamentos, até pouco tempo atrás elas tinham um menino machucado e psicologicamente traumatizado e, agora, elas tinham um menino aparentemente sadio e rindo, tudo parecia ficar mais sem sentido a cada segundo.

Rachel foi a primeira a quebrar seu transe mental e começou a rir com a criança, o menino sentido a mulher que o segurava rir, começou a rir mais ainda, Rachel não pensava em nada no momento, apenas deixava ser levada pelo menino e ria com ele, Quinn apenas se viu fazendo o mesmo, rindo. Aos poucos os risos foi morrendo, elas não tiveram coragem de retomar nenhum assunto anterior, o clima estava um pouco mais leve.

“Imagino que você não tenha roupas e nem fraldas para ele” Quinn perguntou e Rachel apenas afirmou com a cabeça.

“Eu não posso ir comprar nada disso, não posso ser reconhecida, não quero que ninguém saiba que estou em Lima” Rachel mostrava seus medos em sua voz, Quinn sentou ao lado de sua velha amiga e colocou um dos seus braços em volta da morena a segurando pelo ombro.

“Você não pode se esconder para sempre com esse menino” Ela apertou a morena que automaticamente deitou a cabeça no ombro da loira, a criança se mantinha calada olhando para elas “Qual é seu nome?” Quinn perguntou para o menino que nada lhe falou.

“Será que tem alguém procurando por ele?” Foi o pensamento mutuo das mulheres no sofá.

“Ok, precisamos começar a agir” Quinn se levantou, ela era um médica afinal, tinha que ter tudo sob controle e da forma mais pratica e inodora “Eu vou até a farmácia que fica aqui perto, vou comprar fraldas, pomada de assadura, mamadeira, chupetas, leite e tudo mais que ele vai precisar, você ficará aqui dando um banho nele, quando eu chegar deixo tudo aqui e você coloca uma fralda nele, lhe da uma mamadeira e o coloca para dormir, eu vou procurar algumas lojas e comprar roupas. Enquanto isso ligue para seu hotel e fale com o dono do carro”

“Entendi” Rachel respirou aliviada, Quinn parecia ter tudo sob controle, lhe deu a confiança necessária.

“Ótimo” Quinn olhou para Rachel e sorriu para sua amiga “Tudo vai ficar bem Rachel” Rachel sorriu para ela também “Eu senti sua falta” A loira declarou aumentando o sorriso de Rachel “Vamos lá, vou lhe mostrar a casa e o banheiro”

A casa não era nem grande e nem pequena, tinha o tamanho necessário. Uma suíte, um quarto de hospede, uma cozinha ampla com despensa e um banheiro social. Quando Quinn abriu a porta de seu quarto, Rachel ficou parada sem reação, a morena não fez nenhum movimento para entrar no cômodo e só depois de um tempo é que a loira se deu conta do motivo, seu rosto se ruborizou.

“Eu pintei para lhe dar de presente de casamento, mas acho que não tive a oportunidade” Era um quadro grande com uma bela moldura em volta, a imagem pintada a óleo e reproduzida através de cores e emoção era de Rachel, a morena a passos curtos e olhar vidrado entrou no quarto com o menino em seu colo e foi direto para o quadro que ficava de frente a cama de casal, ela permitiu seus dedos vagarem por entre os traços bem pintados do seu rosto, era um quadro lindo, nunca ninguém tinha a pintado assim com tanta emoção. Quinn se sentiu mais corada ainda, ela amava pintar e aquele tinha sido sua melhor pintura, era por isso que ela tinha o colocado no seu quarto, de frente a sua cama, para admirar a pintura, ao menos era isso que ela sempre gostava de pensar, era apenas pela pintura e não pela pessoa reproduzida.

“Obrigada, ele é lindo Quinn, você realmente pinta muito bem” Rachel sorriu, a ingenuidade de menina ainda permanecia nela, ela não viu como obscuro e estranho era aquele quadro, uma pintura sua no quarto de Quinn poderia significar mil coisas, porém para ela, era apenas um magnifico desenho.

“De nada” Quinn sorriu para a amiga “Agora que você conhece a casa, eu vou na farmácia, use o banheiro daqui para dar banho nele, eu espero não demorar” A loira saiu apressada com uma nota mental de tudo que ela precisaria.

Rachel nunca tinha dado banho em uma criança, a função se mostrou mais trabalhosa que o esperado, obviamente Quinn não tinha o material próprio para dar banhos em criança, de modo que o Shampoo assim que entrou em contato com o olho do menino provocou ardência e ele chorou, mas Rachel conseguiu contorna a situação e o banho terminou de forma eficaz, tirando o banheiro que estava completamente molhado, Rachel envolveu o menino em uma toalha e se assustou quando adentrou o quarto e viu Quinn, aparentemente ou a farmácia fica realmente muito perto ou o banho durou mais do que ela tinha notado.

“Você foi rápida” Rachel disse e deitou o menino na cama, Quinn já estava com a fralda e a pomada estendida.

“Você foi lenta” A médica retrucou brincalhona, o clima realmente estava ficando suave “Eu vou demorar um pouco comprando as roupas, certeza que vocês vão ficar bem?” Rachel colocou a fralda de forma rápida e sucinta, parecia que tinha nascido para fazer aquilo, ela mesma sorriu para seu brilhante trabalho.

“Vamos ficar bem, não é neném?” O menino apenas soltou mais uma de suas risadas, ele não falara mais desde que chamou Quinn de mamãe.

Mais uma vez Quinn saiu e agora foi em busca de roupas, Rachel preparou a mamadeira do menino que tomou tudo com uma gula incrível, mas também, ele tinha ficado sabe-se lá Deus quantas horas sem comer, Rachel aproveitou e caçou algo para ela própria comer. Depois de arrumar a cozinha, incluindo uma louça que parecia estar naquela pia à anos, ela voltou ao quarto de Quinn com o menino, ela o deitou na cama e foi o balançando levemente enquanto cantarolava uma música, ela viu seus olhos fechando até ele dormir. Com ele já em intenso sono ela delicadamente passou a mão por seu rosto e estudou suas feições, ele era tão lindo, tão pequeno, tão frágil, ela queria tanto saber quem era ele. Embora ainda um bebê, já deve ter passado por muitas coisas, por que ele estava de madrugada na rua coberto de sangue? Será que aquele sangue era de seus pais? As perguntas eram muitas.

Ela sabia que era falta de educação mexer nas coisas dos outros, porém não era um momento muito bom para pensar nisso, Rachel se levantou e pegou o notebook de Quinn que estava em cima de uma cômoda, ela não mexeu em nada, apenas entrou no google e caçou por crianças desaparecidas nas últimas horas, nada em especial foi encontrado, procurou em diversos sites de noticias e nada também. Nenhum sinal que alguém procurava aquele menino, ela acabou deixando o notebook no canto e deitando na cama também, seu corpo se sentia exausto e o sono veio em segundos.

Quinn chegou em casa repleta de sacolas de roupa, ela realmente tinha se empolgado, mas pudera, era tudo tão lindo e fofo, certamente aquele menino ficaria lindo em cada roupa. Ela abriu a porta e o silencio da casa a invadiu, era sempre assim chegar em casa, silencioso, ela jogou as bolsas no sofá e foi em direção ao quarto, a cena fez ela sorrir, Rachel dormia serenamente com o corpo inclinado para o pequeno bebê, ele também dormia de forma inclinada para Rachel, suas pequenas mãozinhas seguravam firmemente um tufo de cabelo da morena, como se assim ele tivesse a certeza que não estava sozinho. Ela sorriu, aquela cena era terna e ela necessitava de guarda-la para sempre, tirou do bolso seu celular e sem nem pensar no motivo de querer eternizar aquilo, tirou uma foto das duas pessoas deitadas em sua cama. Cama que até então ela tinha sido a única a deitar por longos anos, já que qualquer ficante ela sempre levava apenas para o quarto de hospede no máximo, ou preferia ir para a casa da pessoa. Seu quarto era seu mundo particular, mas ela estava confortável de dividi-lo com aquelas duas pessoas, sem pensar em suas ações ela deitou na cama ao lado de Rachel, apenas para descansar o corpo, mas sem se dar conta acabou dormindo e se virando, seus braços abraçaram Rachel pela cintura e seu corpo se encaixou perfeitamente nas curvas da morena.