Salvação
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Nicole DMN-
– Aaah! – Era mais um grito agudo de uma garota retardada que via suas colegas de classe. Eles soam incrivelmente falsos. São ridículas demonstrações de "saudade" de todos que ela viu durante todas as férias.
– Não acredito! Você não saiu da escola! Eba! – Erika levantou sua cabeça para olhar a figura patética à sua frente que soltava altos berros. – A garota era de altura média, muito magra. Só era bonita devido aos fartos seios que contrastavam com o resto do corpo, pois não seria de seu rosto o privilégio. Ele até era bonito, mas em cinco segundos pode-se avistar cinco melhores.
Emoldurado por cabelos ondulados cor de mel e coberto de espinhas, com olhos castanhos escuro, nariz delicado e uma boca que não parava de soltar coisas indecentes e sem sentido.
Uma popularzinha. Isso ficou claro ao notar a quantidade de pessoas que se juntaram ao redor dela enquanto falava. O que só a incentivava a falar mais besteiras.
Ao lado dela, outra garota gritava e ria. Eram iguais. Não em relação à aparência. A segunda era mais alta, loira, de lindos olhos azul claro, branca como uma folha de caderno novo e gorda. Não muito, mas o que se poderia dizer olhando-a assim? O uniforme era largo o bastante para disfarçar o acúmulo de gordura que a rodeava.
As únicas coisas que as igualavam na aparência eram as espinhas e as ondas dos cabelos. Mesmo assim os cabelos da última eram consideravelmente mais lisos que da outra.
Elas se aproximaram dos garotos e abraçaram um por um. A morena sentou no colo de um garoto, aparentemente alto, mesmo estando sentado. Bonito não era, mas tinha um jeitinho conquistador. Cabelos totalmente negros e... ruins. Um rosto comprido e grosso. Bochechas grandes e lábios muito fartos.
Seus braços envolviam o magro corpo da menina e sua mão repousava com uma duvidosa proximidade do meio das pernas dela.
A loira continuava em pé. Não parava de rir ao ouvir e falar sobre as férias.
Os risos foram interrompidos por mais um berro. Um baixinho moreno, com cabelos curtos e encaracolados, veio por trás dela e deu-lhe um susto que fez todos gargalharem.
– Pedro! Seu idiota! – disse enquanto batia nele.
– É assim que me recebe, né? Não! Vou sair daqui desse jeito. Ai ai. – Ele falou fazendo gestos engraçados e exagerados como um gay.
– Hã! Meu Deus! – A garota falava indignada.
– A cara que a Lana fez foi muito engraçada! – Disse outro entre gargalhadas ao referir-se à loira.
– Ah! Cale a boca, Roberto! – Ela respondeu à este. Era mais bonito que os outros. Altura média, bronzeado, um cabelo liso, castanho e com um corte diferente (curto nas laterais da cabeça e com uma franja que ia para o lado cobrindo toda a testa e as sobrancelhas) favorecia seu rosto arredondado. Seus olhos eram castanhos, nariz bastante comprido e um pouco largo e uma boca que sorria debochada.
– Mas é verdade, amiga! – Erika não tinha reparado nesta antes. Analisando agora não a achou bonita. Muito pelo contrário. Tinha uma testa pequena demais, cabelos negros e cacheados brilhosos pelo creme de pentear que os ensopava, olhos tão escuros quanto e uma boca fina e comprida.
– Não se mete, Tânia! – Era novamente Lana. – Em vez de ficar no colo do Bernardo me ajuda, Pâmela!
– Eu não! Prefiro não me meter nisso. – Disse piscando os olhos e mostrando a língua.
Com um desprezo explícito na face, Erika voltou seu olhar para a direita, para outro banco. Este tinha uma grande árvore e era o mais próximo da educação infantil. Lá estava outro grupo. Ele era composto por 3 meninas.
Uma em especial chamou a atenção de Erika. Ela falava empolgada e não parava de rebolar. O que favorecia suas fartas curvas. Seu "volume" superior fazia Pâmela parecer uma garotinha do 5º ano. Tinha uma bunda bem grande, justificando as olhadelas que garotos davam em sua direção ao passar por perto. Ela sabia disso, então exagerava ao se mexer, toda empinada.
Sua barriga não era das mais saradas. Não chega a ser gorda, mas pode ficar se a garota bobear.
O rosto é realmente bonito. Um formato um pouco arredondado, sem exageros, olhos negros, nariz comum e boca rosada, brilhando por causa de um brilho labial que havia passado.
O cabelo castanho e completamente liso vai até o meio de suas costas curvadas. Um dos bolsos traseiros da bermuda azul marinho do colégio estava levantado, o que fazia a imagem ficar ligeiramente engraçada.
Diria que a bermuda era pequena demais para ela. Estava esticada de forma exagerada na coxa. Isso explica o motivo da garota não parar de mexer na beira da roupa, como se a estivesse incomodando.
– Cala a boca, Renata! – A garota que gritou estava sentada e, mesmo assim, dava para perceber que era a mais alto do grupo. Seu cabelo é liso e castanho e sua coxa e bunda são grandes, assim como Renata — a da bermuda.
– Bianca, não se mete. – Uma terceira garota disse. Esta tem um rosto longo e um queixo quadrado. Um corpo, também, nada magro, mas não gordo. Baixinha com os olhos negros e o cabelo... Como o das outras. Nossa! Que falta de criatividade!
– Vai se f... ferrar, Lena! – Bianca estava xingando a última garota citada, então esta é Lena. Isso parece mais um apelido.
Erika se distraiu com o inútil pensamento.
Isso a fez lembrar que há 71 anos seu apelido foi esse. Sua vítima de 1941 era Lúcio. Ele a levou para a casa de uma amiga chamada Érika. Como já estava em um avançado nível de transformação, — em outubro — eles tocaram o terror na menina. Era muito gostosa. Sabe disso pois convenceram a garota a tranzar com eles dois. Como foi muito bom, Érika, Lena na época, resolveu usar o nome da menina na próxima missão. Ela lembra que depois de alguns minutos a pobrezinha resolveu parar, mas Lúcio não deixou e a estuprou ali mesmo. Lena deitou-se ao lado dos dois e ficou olhando a cena. Orgulhosa de si mesma por ter feito um nerd careta virar aquele monstro.
No início a pequena Érika olhava para ela como se pedindo ajuda. Mas depois percebeu o prazer nos olhos de Lena e os seus passaram a transmitir um pavor intenso em relação ao sentimento da pessoa que a olhava sem dó, se divertindo com aquilo. Logo a menina estava derrotada. Parecia morta. Por dentro.
Lúcio, nos dias seguintes, não demonstrou nenhum sinal de arrependimento. Aquela foi uma ótima missão. Uma das primeiras em escolas. Bom, durante os últimos dois séculos, pelo menos.
Uma música nada familiar começou a tocar de repente. Era estranha, talvez católica.
Então Érika percebeu que os alunos começaram a pegar suas coisas para subir a rampa.
– Esse é o sinal?! – Falou para o nada. – Merda.
Pegou suas coisas e antes de ir para a rampa pôs de volta seu fone de ouvido. Ela rapidamente escolheu Danger Line do Avenged Sevenfold. Marchou ao ritmo da música em direção à multidão que se aglomerara sobre toda a subida.
Notas finais
Nicole DMN-
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