Salvação
2 Capítulo 1
Reforçando o laço do cadarço em seu tênis velho que a acompanhava já havia quatro missões, Erika pensava no papel que encenaria este ano. Pelo menos inicialmente, já que muitas vezes os planos acabam mudando com o tempo.
Seria uma garota normal. Nem popular, nem excluída. Notas medianas, uma aparência um pouco mais atrativa e que tem facilidade de se socializar com os outros.
Esta última característica está sempre presente nos papéis que ela executa. Afinal, é mais fácil levar mais pessoas para o seu lado dessa forma.
Assim como todos os outros, Erika teve que escolher mais um corpo. Como é comum, ela prefere o de pessoas que conhecera em missões anteriores e não foram corrompidas. Mais um corpo sem alma. Mais um corpo morto. Mais uma casca.
Erika havia escolhido uma garota que acabara de fazer 15 anos. Sua pele é muito branca, os traços da face são delicados e naturais. Seus cabelos que são ondulados e negros têm um corte em camadas e uma franja básica que tampa sua testa. Os olhos, emoldurados por lindas sobrancelhas, lembram mel, doce como a alma deste corpo já fora. Boca pequena e rosada. O corpo da garota é belo. 1 metro e 66 de curvas bonitas. Ombros pequenos, mãos menores com os dedos finos. Cotovelos e joelhos ainda machucados por uma queda recente e pés bonitos que calçam 36 com solas ásperas como lixa.
Seu nome original é Vallance. Sem sobrenome. Demônios não têm esse tipo de identificação. É desnecessário. Ao invés disso, os nomes são acompanhados de números que vêm de acordo com as ordens da criação dos clãs – famílias –. Ou seja; Se ela fizer parte do 1º clã, seu nome virá acompanhado de “Primeiro”. E este é o caso. O que dá a ela certa responsabilidade em relação ao seu número.
Embora seu nome verdadeiro não seja Erika, ela passou a ser chamada assim depois que, séculos atrás, conseguiu converter quase uma dúzia de pessoas ao pecado usando este nome. E também porque ela adora usar este “apelido”.
O ônibus parou e ela, que já tinha posto o celular e fone de ouvido no bolso e pego a mochila, foi em direção à saída. O ponto em que parou era em um quarteirão ao lado do colégio. Então depois de atravessar o sinal aberto e vazio tranquilamente e dar mais alguns passos, chegou ao portão lateral.
Tirando a carteirinha do bolso ela deu uma olhada na bonita área que havia antes da catraca. O lugar era enfeitado por flores bem cuidadas e bancos de madeira emoldurados por pequenas e belas árvores.
No interior, andando pelo extenso corredor para a direita, e logo descendo três degraus, estava em um grande pátio aberto que era separado do prédio em que acabou de passar por brancos bancos e pilastras.
Hexágonos se encaixavam desajeitados por todo o chão até encontrarem paredes de azulejos brancos e azuis. Havia quatro bancos redondos fixos em que no meio tinha grama e pequenos arbustos que formavam a sigla do colégio: “CSJ”. Dois deles tinham grandes árvores que proporcionavam, além de amplas sombras, uma aparência leve ao ambiente.
À esquerda de Erika tinha o que parecia ser a área onde ficava a cantina. Deduziu isso devido às mesas rodeadas de cadeiras de plástico que, espalhadas de forma irregular, estavam ocupadas por adolescentes que conversavam animados. Provavelmente do 3º ano EM; pareciam mais os mais velhos que estavam presentes.
Ao lado deles tinha observado duas mesas de ping pong e outras duas de “totó” vazias.
Em sua frente havia, além do menor dos bancos, uma parede comprida com um portão azul em cada extremidade. Provavelmente as quadras, pois mais para a direita tinha outro portão idêntico que dava para uma arquibancada pintada de azul e laranja e ao seu lado estava um bebedor, também azul.
Olhando para o outro lado havia somente uma rampa que dava para o segundo andar do colégio, atrás de si, e os três bancos com as árvores citados antes.
Ali ela viu uma aglomeração de pessoas que julgava pertencer ao 2º ano.
Virando-se para este lado, determinada, Erika murmurou dando um sorriso disfarçado:
– O show começou.
Notas finais
Bjos, nicole dmn-
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