Sala de Leitura
4 Capítulo IV
Notas iniciais
Graças a ajuda da estagiária da biblioteca, elas não gastaram muito tempo procurando a seção dos clássicos da Idade Média. Assim, elas rapidamente percorreram todas as prateleiras na busca do livro sobre os eventos extremos da Idade das Trevas. Em pouco tempo, Vih diz:
— Achei!
Quando Cris identificou a publicação, descobriu ser o manual usado pelos sacerdotes do santo ofício durante a Inquisição da Igreja, Mallevs Maleficarvm — ou Martelo das Bruxas. Ao tocar no livro, algo de anormal aconteceu naquela imensa estante — um portal foi aberto.
— Caraca! — disse Vih nitidamente impressionada, ao avistar um portal aberto entre as prateleiras.
— Era só o que faltava... uma câmara... — balbuciou Cris, paralisada diante da situação nada comum.
Ao perceberem a aproximação de um grupo, elas decidem discretamente entrar e fechar o portal. Ainda impressionadas pela situação inesperada, as trevosas decidem explorar a descoberta, construída em uma das maiores colunas da biblioteca.
Lá fora, o grupo de estudo ainda conversa sobre o andamento do projeto de estudo, enquanto elas escutam discretamente cada detalhe do planejamento deles. As duas se entreolham durante alguns instantes, enquanto escutam o grupo se distanciar da seção.
Sem ouvir os barulhos dos visitantes, instigadas pela curiosidade, as duas decidem descer pela escada caracol. No término do segundo lance de escada abaixo, as duas encontram uma espécie de câmara secreta, construída no subsolo do prédio da biblioteca, apenas iluminada pelas frestas das antigas esculturas.
— Olha só... — disse Cris, indicando um quadro pendurado na parede da saleta — a foto do Lord Legion!?
Depois de um tempo contemplando a imagem, Vih se aproxima do quadro e, após ajustá-lo na parede, diz:
— Quase!
— Ah, táh!
A câmara, na verdade, é uma discreta sala de leitura construída discretamente para deleite de alguma figura importante da época. Além de um divã para leitura, a saleta tem uma antiga escrivaninha. A iluminação e a refrigeração vêm das frestas das esculturas.
Naquele pequeno espaço, elas conseguem ouvir os variados assuntos, porém não podem ser percebidas pelos outros visitantes da biblioteca. Enquanto tiram algumas fotos da sala de leitura undeground, as duas trevosas tentam identificar alguns usuários através dos poucos sinais presentes nos móveis.
Depois de muita procura pela saleta, o único símbolo encontrado foi a cruz da ordem de Cristo — idêntico ao símbolo impresso no marco histórico, simbolizando a presença dos cavaleiros de cristo durante a campanha de povoamento da Terra de Vera Cruz e catequese dos habitantes deste Novo Mundo. Este pequeno símbolo da ordem, encheu de significado o espaço.
— Quem frequentou essa sala, deve ter vivido muito bem-informado! — observou Cris, ao ouvir as vozes dos visitantes entrando pelas frestas.
— Já tenho alguns suspeitos! — emendou a amiga e, percebendo a hora, diz: — Vamos falar sobre isso mais tarde, está quase na hora do nosso ônibus.
— Ih, é verdade! — concordou Cris, conferindo no pequeno relógio de metal, presente da avó, enquanto a amiga da uma última vasculhada na saleta.
— Então, vamos aproveitar o momento. Acho que a seção está vazia; não estou ouvindo nenhuma voz ou barulho de passos vindo de lá.
Em poucos segundos, as duas subiram os dois lances de escada — sem fazer sequer barulho durante as passadas pelos degraus da antiga escada em espiral. Percebendo que a seção realmente está vazia, elas saem, sem seguida, fecham o discreto portal da sala de leitura.
Durante o caminho até a recepção, elas passam pelo grupo de estudo, reunidos na mesa, ainda conversando em tom baixo sobre os detalhes do projeto de estudo. Sem chamar a atenção deles, as duas se entreolham e continuam rumo a recepção, onde deixarão os crachás de visitantes, assinarão o livro de visitas e estarão livres.
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