Notas iniciais
Entããão, eu to meio nervosa porque faz um tempinho que não escrevo muito menos posto algo aqui e não sei se to muito confiante com essa história...Mas espero que gostem!!

Ela não conhecia o amor. Nunca verdadeiramente amou alguém, ou se apaixonou. Assim como nunca se sentiu amada. Lia com a cabeça nas nuvens e os pés balançando na carteira, algum romance bobo e perguntava-se como era se sentir assim. Interrompeu o livro por um instante, apoiando as mãos na bochecha, observava o professor que explicava algo que ela não conseguia entender. Por que ninguém a amava? Será que alguém já havia se apaixonado por ela? “Não, impossível”, fechou os olhos, “ninguém se apaixonaria por mim”, lembrou-se de sua aparência, que não gostava nem um pouco, “de qualquer jeito, é só um livro”. Suspirou. “O amor realmente existe? Quer dizer, não que eu ache que não exista... Talvez, apenas para mim...”.

A porta se abriu, interrompendo seus pensamentos, o ar quente do lado de fora entrou na sala. Junto com a coordenadora entrou um garoto, com a cabeça baixa. De onde sentava, Izumi só podia ver os cabelos negros levemente encaracolados e óculos quadrados na ponta de seu nariz. Olhou ao redor da sala, algumas garotas sorriam e o resto da classe mantinha uma expressão curiosa. Franziu o cenho.

— Bem pessoal – a coordenadora, que aparentava ser nova apesar de alguns cabelos brancos, levantou a voz, animada – Temos um novo aluno aqui conosco!

O estudante se posicionou em frente à sala, finalmente podiam ver seu rosto perfeitamente. Os olhos levemente puxados e aparentemente um pouco cansados observavam a turma. Contraiu os lábios, tímido, suas sobrancelhas longas e bem definidas arquearam.

— Pode escrever seu nome no quadro? – o professor deu um tapinha em seu ombro, lhe entregando um giz branco, já meio gasto.

Fez um leve sinal com a cabeça e virou-se. “Bem, ele parece bem normal para mim”, desviou o olhar, balançando os cabelos escuros levemente abaixo do ombro. Neste momento, ele já havia escrito seu nome no quadro, mas Shimizu não se interessou muito, “não é como se eu fosse fazer amizade com ele ou algo assim”.

— Tsukioka Yoji, certo? – ouviu a voz grave do professor, a coordenadora já havia se retirado. – Bem, sente-se do lado de Izumi Shimizu.

A mesma levantou o olhar, acompanhando o novo aluno até seu lugar, ao lado da janela, “que clichê”. O garoto continuou com a cabeça baixa, percebendo que todos o acompanhavam. Algumas meninas cochicharam e a classe se acalmou, continuaram com a matéria e pareceu que todos esqueceram a presença dele ali, menos Izumi, que parecia tão desinteressada no começo. Olhava de relance para Yoji, observando seu perfil, ele parecia distante observando a paisagem. O sol batia em seu rosto. “Apesar dos óculos e desse jeito, ele não parece nenhum nerd”, pensou olhando em seguida para Sho Akamatsu, o representante da turma, que sempre se manteve com as notas mais altas do primeiro ano, prestou atenção em seus óculos redondos com as hastes prateadas, “até que Sho não se parece com Yoji”, balançou a cabeça, “deve ser por isso”. Olhou discretamente para o novo estudante, que permanecia do mesmo jeito e voltou para seu livro.

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Só acordou de seu romance imaginário quando todos os alunos levantaram de suas carteiras rapidamente. Vozes ecoavam na sala pequena. Fechou seu livro, esticando os braços, aproveitou para dar uma espiada no novo garoto. Ele agora sentava-se de lado, em sua direção, com as mãos nos joelhos e o olhar fixo no chão. “Por que ele está aí parado”, entortou o nariz. Dessa vez, não conseguiu disfarçar o olhar e só percebeu que o encarava fixamente quando o mesmo a encarou de volta. Suas bochechas coraram, levantou-se rapidamente, arrastando a carteira. “O que eu faço? Falo alguma coisa? Ele ainda está me olhando?”. Enquanto se desesperava internamente, Yoji observava os grandes olhos expressivos de Izumi, seu nariz redondo e levemente rebitado e sua boca com lábios bem desenhados.

— O-oi – a garota meio que gritou, alertando-o.

— Oi – sorriu, Shimizu percebeu sua voz doce.

“Ta, e agora?”, sem querer o encarava de novo, fazendo-o desviar o olhar, com um sorrisinho bobo. Sentiu uma dorzinha no peito, “eu sou tão feia assim...? Ele nem conseguiu olhar para minha ca-“.

— Qual seu nome? – assustou-se com a pergunta repentina, “Mas que idiota, o professor falou meu nome...Ele realmente presta atenção em algo?”.

Ignorando esses pensamentos, respondeu com a voz falha, “Izumi Shimizu, lembre-se desse nome, garoto.”, repetiu isso em sua cabeça como algum galã de novela e deixou escapar um sorriso.

Yoji queria entender o que se passava na cabeça dela, mas ficou calado, com um leve sorriso no rosto. Aliás, ele nunca foi um cara de muitos amigos, muito menos sociável e pensava que as garotas o achavam um “otaku” pervertido. O fato de ele ter falado com uma menina sem hesitar o deixava um pouco orgulhoso. Desviou o olhar para a janela, onde pequenas flores de cerejeira caíam levemente na grama. Havia se mudado de uma pequena cidade para Tokyo. Cidade nova, escola nova, pessoas novas, sua cabeça devia estar uma bagunça, mas o fato de ter ser mudado em abril, época das sakuras, o acalmava um pouco.

— Você gosta? – Izumi percebeu que o garoto olhava as flores.

— Sim, são lindas. – olhou de relance a garota, que agora estava ao seu lado.

— É sim. – respirou fundo. “Você vai realmente fazer isso? Acabou de conhecê-lo.”— Você...

Pensou mais um pouco, “não seria meio estranho? Ah, vamos, você não tem nada a perder”. Apertou a barra de sua saia, olhando para o chão, “está se declarando, idiota?”. Yoji observava com atenção.

— Bem, vamos para casa juntos, certo? – seu tom de voz pareceu mais animado do que esperado.

O garoto arregalou um pouco os olhos. “Mas... Acabamos de nos conhecer e...”, voltou seu olhar para o pátio da escola, “ela só está sendo gentil mas... Eu nunca fiz isso! E ela é... Ela é...”

— Claro! – a encarou. Percebeu que quando fazia isso, ela corava e desviava o olhar. – Oh, desculpe.

— Ah, tudo bem. – sorriu. – é que...

Desistiu de falar, balançando as mãos, Yoji inclinou a cabeça, confuso, mas sorriu. “Bem... É normal as pessoas ficarem sem graça, não?”.

Saíram da escola, lado a lado. Apertava a alça de sua bolsa, enquanto Izumi falava de tudo um pouco, gesticulando com as mãos e olhando para cima. Tsukioka a observava discretamente, “pensava que era uma garota quieta”, sorriu, “talvez ela apenas não tivesse alguém para conversar”. Ela não havia percebido os olhares de Yoji, estava tão feliz com sua presença! A possibilidade de ter um amigo a deixava entusiasmada.

A rua estava coberta de cerejeiras, o céu estava alaranjado e uma leve brisa balançava os cabelos dos dois. E nesse momento que Yoji percebeu como Izumi ficava bonita com as flores caindo em seus cabelos.

Notas finais
♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.