Sakura Addiction

1 Um motivo de sorrir.


Notas iniciais
Uma pequena história para aqueles que se identificam. ♥
Esta é uma das inúmeras histórias que tenho perdidas no meu computador. (:
Tenham uma boa leitura. (:
Nunca fui muito feliz, nem muito sortuda. Não tenho uma família perfeita, nem muitos amigos, muito menos verdadeiros. Os meus pais discutiam todos os dias. Soube que se iriam divorciar muito em breve. Sou filha única. Passo as noites no meu quarto a tapar os ouvidos, a tentar fugir dali, fugir dos berros que ouço na sala, na cozinha, na entrada. A porta a fechar bruscamente e a minha mãe a gritar amarguradamente. O meu pai chega a casa a meio da noite, com um cheiro terrível a álcool. Parte umas louças e recomeça a sessão de gritos.

Não conheço nenhum outro familiar, os meus avós morreram faz uns anos. Não tenho tios nem primos. Nada. Só eles. Posso servir daqueles exemplos de "Devia matar-me". Mas não sirvo. Porquê?Todas as pessoas têm um motivo por estarem aqui, certo?Eu tenho um motivo... Só que ainda não o descobri. Todos os dias, ao acordar, olho para a janela, pode chover, nevar, fazer uma tempestade, mas aos meus olhos, está um dia solarento com o céu pintado de um perfeito azul. A minha máscara todos estes longos e dolorosos anos foi um sorriso. Podia não ser honesto ás vezes, mas sempre que sorrio e tento esquecer a dor no meu coração, posso ver o mundo de uma maneira diferente. Cheia de cor, alegria e viva. Posso dizer as tretas todas que disse, mas pelo menos uma vez por dia, preciso de um momento para chorar, afinal, ninguém aguenta tanta dor dentro de si sem derramar uma única lágrima. Naquele dia, tudo mudou... Estava em frente a um rio, via o meu triste e miserável reflexo na água. Eu estava a chorar, precisava de tirar a amargura dentro de mim. Peguei numa pedra que ali estava e a atirei com força contra o meu reflexo na água, fazendo a mesma oscilar. Tentava esconder os olhos marejados com a franja, mordia o meu lábio, até sentir uma fina filete de sangue escorrer até ao meu queixo. Não importa muito. Quem iria olhar para esta pobre garota?Caminhei até casa, a neve parecia que não ia passar tão cedo, pelo contrário, nevava cada vez mais. Apertei o passo, mas nunca corri, ainda não.

Fui por um caminho novo, que suponho que seja mais longo, quanto mais tempo demorar melhor.

Devem ter passado hora, hora e meia... Não estava a contar mesmo. Simplesmente perdi a noção do tempo. Pela minha sorte, que em breve a descobriria, a neve parou de cair. Segui por um caminho de terra batida, cabisbaixa. Uma brisa soprou no meu rosto, olhei para o lado, os meus olhos começaram a brilhar.

Diante os meus olhos estava um campo branco, coberto com uma espessa camada de neve. Lá se encontrava uma linda cerejeira. Estranho... Ela ainda estava coberta de pétalas rosa. Pensava que todas as árvores de cerejeira tinham perdido as suas pétalas. Esfreguei os olhos com a manga da camisola. Uma brisa soprou, levando consigo algumas pétalas caídas. A brisa passou por mim, sentindo-se o cheiro adocicado das mesmas, que dançavam consoante a brisa.

Nesse momento, todas as lágrimas cessaram, as mágoas dissiparam-se.

(...)

Não me cruzei mais nenhuma vez com aquela paisagem maravilhosa, por mais que eu repetisse o trajecto tomado naquele dia. O campo havia desaparecido.

Mas naquele dia, naquela hora, naquele momento, posso afirmar que aquela árvore de cerejeira lavou-me a alma.

E é por isso que eu sorrio. Sorrio todos os dias. Sempre que me sinto em baixo, sinto o cheiro adocicado que senti naquele dia. A partir daquele dia, senti que ainda havia espaço para mim neste mundo.

Hoje, posso dizer que fiz a escolha certa. O engraçado é que por mais que eu contasse a história a alguém, todos diziam que eu devia ter alucinado. Não. Não fui eu que imaginei, alucinei ou sonhei. Era real. Ou será que foi ilusão...? Não importa... Não importa mesmo nada. Aquilo podia ser real ou ilusão, a dúvida tornou-se o meu motivo para sorrir. Por mais que possa parecer impossível, TODOS têm um motivo de existirem, mesmo que a vida te coloque em baixo.

Notas finais
Erros? Frases confusas? Digam-me. o u o
Espero que tenham gostado. (:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!