Sakura

1 Sakura - OneShot


Notas iniciais
Bom, mesmo gostando e amando o casal Yoruichi e Urahara, eu sempre quis escrever um final alternativo para esse capítulo. Espero que curtam.

Aquele dia já estava chegando próximo ao fim da tarde. O céu, que antes mostrava um esplendoroso azul, ganhava uma coloração alaranjada beirando o horizonte. Muitos diziam que a noite cairia tão rápida quanto fria, depois de um dia tão quente, mas Yoruichi não se importava. O Onmitsu Kidou recebera um relato de que possíveis Hollows estavam vagando por uma área rochosa no mundo dos humanos. Indícios de que espíritos com reiatsu considerada elevada para os indivíduos de máscara branca poderiam estar perdidos neste local.

A comandante do grupo de extermínio decidiu levar apenas uma pessoa consigo, já que sabia que o serviço não seria lá essas coisas. Dificilmente apareciam coisas mais perigosas com que devesse ser mais precavida. Decidira então levar o mais novo membro de sua guarda pessoal; Soi Fong. Ela precisava de experiência para assumir o importante cargo, o qual ela encarava mais seriamente que qualquer outro membro. O que Soi Fong mais lhe atraía era o jeito sério e, ao mesmo tempo, desajeitado de levar as coisas. A morena passou a admirá-la e o sentimento era recíproco.

Todos os guardas estavam enfileirados, de cabeça baixa, no corredor de saída do Onmitsu Kidou. Yoruichi estava sendo acompanhada por dois homens vestidos de preto, que possuíam máscaras cobrindo metade do rosto, cobrindo suas identidades. Com os olhos felinos bem atentos, a morena procurava a pequena chinesa no meio de tantos servos. Caminhava devagar e descontraidamente até que a viu. Seu semblante continuou sério, mas seu corpo parecia tremer por estar tão perto da menina. Sentia-se tola. Notou que ela mantinha a cabeça baixa, mesmo sabendo que estava ali bem na sua frente.

– E então, Soi Fong? – Finalmente pronunciou. A pequena levantou um pouco a cabeça e a encarou. – Já se acostumou com o novo cargo? – Soi Fong ainda não conseguia acreditar que, entre todos os guardas ali presentes, sua comandante viera diretamente falar consigo. Aquilo a deixou meia insegura e assustada.

– Hai! Senhora comandante! — Exclamou, baixando a cabeça bruscamente.

Ao ouvir novamente a tão insistente formalidade da garota, Yoruichi estreitou os olhos, direcionando para um imaginário ponto no ar, acima de sua cabeça.

– Ei, mas que som é esse? – Ela indagou mais para si, tentando chamar a atenção da sua guarda. Virou o rosto para o lado, fingindo procurar por algo que estava emitindo o som, que ela acabou por fazer, conseguindo assim chamar a atenção dela. A última interessou-se pelo zumbido que sua comandante estava fazendo. – Achei! – Exclamou, dando um fraco tapa na cabeça dela, assustando-a. Assim cariciou-a. – Que chata. Aqui havia uma abelha.

– B-bem – a menina tentava dizer, em vão.

– Eu não disse para me chamar apenas de Yoruichi? – indagou, observando-a com um singelo sorriso no rosto. Não sabia dizer o porquê de estar pedindo uma coisa dessas. Mesmo não gostando de formalidades, ela não deixava de ser sua serva. Enfim, era complicado explicar tanta euforia ao vê-la.

– Mas... – A morena levantou uma sobrancelha, fazendo-a voltar atrás. – Yoruichi-sama.

– Assim está bem – terminou de dizer, sorrindo abertamente.

Em seguida, a morena finalmente pediu para que ela a acompanhasse. Estava feliz naquele momento. Corria pelo corredor enquanto a pequena tentava acompanhar suas longas passadas. As duas foram para as coordenadas indicadas no relatório. A missão, como sempre, era secreta. Ninguém, além dos superiores, sabia sobre o que se tratava.

Yoruichi caminhou sorrateiramente com a mão sobre sua zampakutou enquanto era acompanhada pela inexperiente guarda. A morena tentava sentir a fraca reiatsu do inimigo e, quando a descobriu, alertou Soi Fong.

– Venha! – Exclamou, correndo na frente.

– H-Hai! – Seguiu seus passos, retirando a zampakutou da bainha. Apenas seguia os movimentos que a morena fazia, tentando imitá-los para não errar em nenhum ponto e deixá-la desapontada.

Ao sentir as duas poderosas reiatsu, o Hollow tentou atacá-las de frente, mas a chinesa foi mais esperta, desviando do ataque para contra-atacá-lo. Precisava, necessitava, ansiava por impressionar sua comandante. Se não o fizesse, o que mais viera fazer neste lugar? Com o semblante indecifrável, ela partiu para cima do monstro, cortando sua máscara com a zampakutou. O Hollow desapareceu e, pensando que a luta estava ganha, ela se afastou, mas outro veio por trás e a capturou.

Sem mais hesitar, Yoruichi cortou o braço dele, liberando a garota e em seguida, o destruiu com um golpe impecável. Ela colocou a espada de volta na bainha e ficou a observá-lo desaparecer. Estava satisfeita com o progresso da menina. Ela era forte e possuía um incrível potencial.

– Bem, vamos embora – foi a única coisa que disse. Pouparia esforços com palavras. Sem mais argumentos, caminhou no sentido contrário ao que a garota se encontrava.

– Gomen! – Desculpou-se em voz alta, ajoelhando para tentar se redimir. Yoruichi estreitou os olhos e pendeu a cabeça para o lado, examinando-a. – Eu deveria protegê-la, mas ainda não tenho poder o suficiente.

Aquela garota a cativava. Parecia não mais se importar com o fato de ela ser apenas uma serva. Queria estar perto dela e conhecê-la melhor. Saber seus gostos e manias. Era estranho, mas queria tê-la só para si. Era um sentimento que não estava mais conseguindo controlar. Aquelas palavras amedrontadas e cheia de descrença em si própria a deixava com mais vontade de ensiná-la tudo que sabia. Olhar para aqueles olhos que a admiravam fazia com que o seu sangue parasse de circular. Nunca sentira algo tão dramático antes. Será que estava apaixonada por aquela criança?

Elas voltaram para a Soul Society e lá se separaram. A pequena não conseguia se conformar com tamanha falta de atenção. Deveria protegê-la e tudo que conseguiu foi ser pega pelo Hollow asqueroso. Não se perdoaria até que chegasse a um limite de poder digno de proteger sua amada comandante. A protegeria para sempre; com tudo que tinha.

A noite chegou e a lua cheia pairava sobre o céu negro. As estrelas lançavam o seu fraco brilho timidamente, apenas demonstrando que estavam presente. O cair das flores de cerejeira ajudava Soi Fong a treinar duramente para tentar acompanhar os passos da morena que tanto idolatrava. Não permitia que as flores que soltavam de seus cachos tocassem o chão, rapidamente cortando-as com sua zampakutou.

– Você conseguirá proteger a Yoruichi-sama fazendo isso? – Indagou para si com certa severidade. – Fazendo uma coisa dessas! – Continuou a atacar as pétalas rosadas que eram insistentemente derrubadas pelo fresco vento da noite.

Neste momento, sentiu alguém, por trás, pousar a mão sobre seu ombro esquerdo. Era ela, tinha certeza. Conseguia sentir o cheiro do seu perfume. As maçãs do seu rosto assumiram uma coloração rosada ao sentir momentaneamente o corpo dela resvalar sobre o seu. O que ela estava fazendo?

A morena não sabia também. Só ansiava por ficar mais perto daquela garota que tão pouco conhecia. Tomou a mão dela, que segurava o punho da zampakutou, com a sua e indagou:

– Está pronta, Soi Fong? – sua voz saiu mais rouca que o normal. A pequena chinesa percebeu, mas sua inexperiência não a deixou descobrir o porquê disso. – Pegue a espada deste jeito – disse, explicando-a. Terminou por colar seu corpo ao da menina e desceu a mão lentamente pelo braço dela, fazendo com que a mão livre também segurasse o objeto cortante. – Sim, segure-a... – Ainda segurando as mãos dela, guiou o movimento da zampakutou para cima, simulando um ataque lentamente. –... Assim!

Ficaram paradas daquele jeito por alguns segundos até que a menina finalmente notou o que estava acontecendo ali e seu rosto ficou totalmente ruborizado. Ela se afastou bruscamente e ajoelhou-se diante a morena, que agora a olhava com outros olhos. Estes demonstravam afeto e calor. O que estava acontecendo com elas?

– Não fique pensando apenas nisso – Yoruichi murmurou, recuperando-se do último contato que fizera com ela.

– Não, ainda falta muita coisa – ela falou em tom de desespero. Levantou a cabeça para encará-la e encontrou os mesmos olhos de antes. Não conseguia encará-la sem desejar tê-la em seus braços. Por que pensava algo assim, tão egoísta? Baixou a cabeça e fechou os olhos, continuando em seguida – Para protegê-la, Yoruichi-sama, minha força-

Foi interrompida por uma calorosa mão que segurou seu queixo, levantando sua cabeça. Abriu os olhos lentamente e a viu agachada diante a si. Quando foi que ela chegara tão perto? E por que ela não parava de olhá-la daquela forma? A morena acariciou seu rosto de uma força tão delicada que a fez corar.

– Já basta – as palavras saíram num sussurro.

– Yoruichi-sama – a pequena a observava atentamente, notando-a aproximar o rosto com certa hesitação. Os curtos cabelos, que possuíam a colocação arroxeada, oscilavam timidamente devido a fraca pressão que o vento exercia sobre eles. Não pôde deixar de notar que os olhos dela eram muito mais lindos e sensuais de perto. A profundidade que eles transmitiam a ela naquele momento a deixava completamente tonta. O que estava sentindo? Tudo era muito novo para ela.

A comandante sentia seu coração acelerar cada vez mais, confirmando que o que estava prestes a fazer era o que ele queria. Com o desejo de ser tocada, pegou uma das mãos dela, colocando-a sobre seu ombro. Dessa vez, Soi Fong entendeu o recado. Inexperiente, levou a mão até o pescoço moreno e o acariciou com o polegar, arrancando um suspiro involuntário da sua idolatrada, que aproveitou a ocasião e selou seus lábios nos dela. Soi Fong se assustou, arregalando os olhos ao sentir aqueles lábios suaves e quentes sobre os seus. A inexperiência falava mais alto, mas a mais velha já sabia disso e revolveu conduzi-la. Puxou-a para si, abraçando-a e forçou passagem com a língua. Ela, um pouco assustada, abriu, permitindo que a morena invadisse-lhe a boca e explorasse cada canto dela. Já mais a vontade e querendo proporcionar o mesmo à sua comandante, enroscou sua língua na dela e ouviu um gemido sendo abafado por seus próprios lábios. Abraçou-a pelo pescoço e descolou os lábios a procura de ar. Observou-a com um rubor fora do comum no rosto.

– Yoruichi-sama – notou um sorriso brotar nos lábios da pessoa por quem acabara de chamar o nome. Estava morrendo de vergonha e com certeza ela percebera.

– Não diga nada – sussurrou com a voz rouca. Desfez o abraço e deitou na grama com a cabeça apoiada nas coxas da chinesa. – A lua está na sua fase cheia – ao dizer, a menina olhou para o céu, contemplando a luz prateada que o satélite emitia.

As flores de cerejeira caiam lentamente, fazendo um romantismo pairar sobre o ar.

– Hai! – Exclamou num sussurro.

Yoruichi lentamente fechou os olhos. O dia foi longo e cansativo. Não havia parado um segundo para descansar, mas valera à pena, pois estava com ela. Não ligava para as conseqüências já que ela estava sempre presente. Soi Fong levou a mão até a cabeça dela e a acariciou suavemente.

– Não importa onde e quando, eu estarei ao seu lado – sussurrou, olhando para aquele rosto tranqüilo que aparentava estar pegando no sono. – Não importa onde-

– Sim, isso é uma promessa – sussurrou de olhos fechados. A menina se assustou e puxou a mão do local de onde estava, mas ela a pegou e levou até os lábios, beijando-a em seguida.

– H-Hai! – Exclamou, observando-a dormir tranquilamente, com um sorriso estampado no rosto.

The End

Notas finais
Nem sei se ficou bom. O que acharam?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!