Sakê X Sangue
1 Solidário X Solitário
Notas iniciais
• Shunsui se encontrava tateando uma parede longa e escura, não parecia ter fim, começou a correr raspando os dedos pelos tijolos da parede, até seus olhos visualizarem um feixe de luz, ele correu em direção a claridade, encontrando uma pequena porta de madeira envelhecida, a luz era formada pela abertura da fechadura da porta onde incrivelmente não possuía uma maçaneta, Shunsui tentou espiar para ver o que conseguia identificar no outro lado, nada, era como olhar um tornado, vento e trovões era a única coisa que ele conseguia visualizar da imagem, tentou empurrar a porta, porém parecia que algo a bloqueava, talvez outra pessoa, empurrou com mais força, a porta abriu um pouco, deixando um cheiro de mofo invadir o local, a pessoas do outro lado da porta a fechou novamente, estava decidido, Shunsui ia abrir aquela porta, não importava o que acontecesse, apoiou as duas mãos sobre ela e rapidamente jogou seu peso contra a madeira, seu corpo foi para a frente, então um estrondo foi escutado na mansão Kyoraku.
_Oh, parece que meu irmão acordou – um jovem de cabelos castanhos na altura dos ombros disse entre um gole de café – ele chegou bem tarde ontem, achei que fosse acordar depois.
_Não se preocupe Sensui, seu irmão logo vai perder essa mordomia, estamos tentando arranjar um emprego bom para ele.
_Mamãe parece que você não o conhece – riu Sensui – qualquer coisa que vocês arranjarem para ele será reusado na hora.
_Infelizmente é isso que tem ocorrido desde o mês passado, e para piorar ele veio com uma ideia estranha de querer ajudar um paciente terminal na Inglaterra, por que ele não poderia ser mais parecido com você, Sensui ? – disse um homem na ponta a mesa.
_Pai, não é má idéia, talvez assim a familia Kyoraku possa aumentar seu prestigio pela Europa e talvez Shunsui possa melhorar seu inglês – respondeu Sensui.
_Você ouviu bem ? Inglaterra ! Não teríamos o mínimo controle sobre o que aquele garoto aprontaria...
_Isso serviria para que ele tomasse algum tipo de responsabilidade. E dar a ele uma falsa idéia de liberdade... – passos foram ouvidos da escada principal da mansão – hum... acho que darei a boa noticia... – terminou Sensui rindo.
_Ei...Sensui...- seu pai tentou conte-lo.
_Bom dia ! – a voz de Shunsui saiu rouca e sonolenta.
_Bom dia Shunsui – Sensui foi o primeiro a responder, tinha um sorriso irônico em seus lábios.
_Querido escutamos um som alto mais cedo, o que aconteceu ? – perguntou a mãe de Shunsui.
_Foi aquele sonho estranho de novo – respondeu Shunsui sentando em uma cadeira ao lado oposto de sua mãe e irmão – dessa vez eu consegui abrir aquela maldita porta, mas cai da cama e não consegui ver o que tinha dentro >3
_Esse tipo de sonho é tão estranho, parece que ele acontece por capítulos – disse sua mãe.
_Acho que você deveria parar com esses sonhos, é perda de tempo – disse seu pai.
_Mas... eu não os tenho porque quero.
_Café, senhor ? – perguntou uma empregada.
_Sim, obrigado Maria – Shunsui respondeu erguendo a xícara para a moça.
_Acho que esse tipo de sonhos não são apropriados para um homem que estará partindo amanhã para a Inglaterra.
Ouve um silêncio na mesa até Shunsui entender o que seu irmão havia dito.
_Esperai, isso quer dizer que vocês vão me deixar ir cuidar do garoto ? –perguntou Shunsui surpreso.
_Sim... seu irmão nos convenceu que essa experiência seria algo bom para você – respondeu o pai, obviamente incomodado com o ato do filho mais velho.
_Sensui ? – Shunsui ficou calado por um tempo, colocando sua xícara sobre a mesa – bom... para falar a verdade eu estive mudando de idéia...
_Shunsui...- Sensui disse atraindo a atenção do irmão – eu mesmo te levarei a Inglaterra.
_Mas...
_A Itália e a Inglaterra são bastante longe uma da outra, seria uma responsabilidade e tanto, sei que você está pronto para isso, não me desaponte, certo ?
Shunsui corou um pouco, voltando seu olhar para a xícara.
_Bem... vou telefonar e ver se posso ir amanhã.
_Tenho certeza que você vai conseguir.
Corando mais Shunsui saiu o mais rápido que pode, correu para seu quarto onde havia guardado o anúncio sobre o jovem, chegando a escrivaninha ao lado direito de sua cama ele abriu a última gaveta revelando um jornal amassado, desde que seus pais haviam negado seu pedido para aceitar o emprego ele não havia mais o aberto, pegou seu celular e pulou em sua cama, ele percorreu as páginas achando o pequeno anúncio no fim da página, ele começou a digitar os números, estava eufórico por algum motivo, rapidamente uma voz feminina atendeu o telefonema.
_Hello ?
_Ciao, herm... — essa era a primeira vez que Shunsui pedia um emprego e isso não era fácil – estou querendo conversar sobre o anúncio que voes colocaram, estão procurando alguém para cuidar de um paciente, certo ?
_Certo – Shunsui podia ser preguiçoso, mas havia observado as técnicas de seu pai para conseguir algo e com isso, se tornou um convincente nato.
_Bem... eu estou interessado em cumprir esse cargo...
Houve uma pausa entre ambos os lados.
_Bom, nos estávamos pensando em cancelar o anúncio, então de certa forma sua oferta não é necessária.
_Por favor, senhorita. Poderia apenas nos encontrar para a senhorita julgar pessoalmente se eu sou qualificado ou não ?
_Mas...
_Por favor, não custaria nada a senhorita.
_Pois bem, quando você estaria disponível para nos visitar ?
_Bem... que tal amanhã ?
_Tão cedo ?
_Antes cedo do que mais tarde.
_Certo, que horas ?
_Umas 16 horas estaria perfeito.
_Hum...16:30 ?
_Melhor ainda, é o endereço do anúncio ?
_Oh, sim.. estarei esperando no horário marcado.
_Obrigado! Estarei ansioso pela entrevista, até amanhã.
_Até....
Shunsui encerrou a chamada, para sua primeira tentativa de entrevista tinha sido um sucesso, poderia ter um pouco de ar para respirar e ainda ficaria longe de seus pais. •
○ Ukitake acordava aquela manhã com uma leve dor de cabeça, era algo normal comparado com o ataque de tosse que teve na outra noite, o jovem de cabelos brancos respirou fundo sentindo o ar gélido do norte da Inglaterra adentrar no seu sistema nervoso e como se fosse automático, seu ataque de tosses voltou.
Era difícil respirar, seu peito pesava e os jatos constantes de sangue tornavam a experiência mais desagradável possível, passado alguns segundos, talvez minutos, uma mulher de uns 45 anos entrou no quarto segurando um copo com água e algumas pílulas, Ukitake bebeu quase todo o conteúdo do copo, tentando respirar, buscando algum tipo de ar para os pulmões cansados.
_Por que demorou tanto ?
_Perdão Jyuushirou, eu estava no telefone...
_Uma ligação é mais importante para você do que a vida do seu próprio filho ?
_Não, Jyuu... eu estava
_Não quero saber, apenas me deixe em paz
A explosão de emoções do jovem fez sua tosse voltar, antes que sua mãe pudesse ajuda-lo eles tomou as pílulas que ela trouxera, tomando uma por uma, tentando a ilusão para seu corpo que aquilo ajudaria, a mulher somente levantou e se dirigiu a porta por onde tinha entrado, antes de deixar o cômodo completou.
_Amanhã um moço virá fazer uma entrevista.
_Outro ? Você não tinha dito que iria tirar esse anúncio idiota ?
_Eu ia, mas ele me parecia um bom rapaz, e dessa vez seja ao menos gentil, do jeito que você um dia já foi.
_Cale a boca aquele Jyuushirou já morreu, não serei mais tratado como o garoto inocente que eu era.
_Por que Jyuu, por que você se tornou assim ?
_Por culpa sua, e das pessoas que se consideram meus parentes.
_Como pode dizer isso ?
_Como ? Eu lhe pergunto, onde estão eles agora, cuidei de cada um dos meus irmãos para agora não ter nenhum deles aqui, até você pretende contratar um qualquer para cuidar de mim, e ainda se diz minha mãe.
_Perdão Jyuu... – A mulher estava em prantos.
_Perdão ? Agora me pede perdão, não me faça rir, por que não simplesmente sai e me deixa morrer em paz ? Já que é o que vocês sempre quiseram.
E com isso a mãe de Ukitake saiu do quarto, chorando e gemendo descendo as escadas e se refugiando no sofá da sala, mesmo com a porta fechada de seu quarto, no segundo andar, Jyuushirou conseguia ouvir prantos de sua mãe, suplicando seu perdão, isso geralmente o deixaria magoado, punindo a si mesmo por sua conduta, mas o que importa, se ele já está prestes a morrer, e a culpa apenas o prenderia ao mundo material ○
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