Saints & Storms - HIATUS
8 Capítulo 6 - Helpful
Notas iniciais
Eu puxei depois meu caderno e uma caneta. Comecei a colocar a data e coloquei o nome do conteúdo que ele havia acabado de anotar no quadro. Depois disso, voltei minha atenção ao desenho que se encontrava em uma das páginas do caderno que guardava para esses momentos de tédio, aguardando o começo da aula efetivamente. Eu vez ou outra esquecia o celular em casa e isso era bem frustrante, mas contanto que eu estivesse entretida com outras coisas, isso não era o maior dos problemas.
A sala toda estava conversando e eu ouvi uma voz diferente na parte da frente da sala, mas mantive meus olhos concentrados em detalhar as árvores que sempre apareciam nos meus sonhos. O cenário era a clareira que eu sempre sonhava, eu me bati mentalmente por novamente ter esquecido uma caneta roxa que eu tinha. Apesar dos sonhos sempre serem escuros, as flores eram indiscutivelmente roxas.
Eu não era uma artista, com certeza alguns colegas meus tinham talentos bem mais avançados, mas eu ainda era capaz de desenhar algo para me distrair.
— Posso me sentar ao seu lado? – Levei um susto ao ouvir a voz, mesmo ela sendo absurdamente linda. Olhei pra cima meio abismada e o rosto dele parecia cuidadoso.
— Hãn... Claro – Demorei um pouco para processar e logo me virei para puxar minha bolsa de sua cadeira. Estava feliz do meu costume de sentar sozinha, pois ele tinha permitido que Edward sentasse do meu lado. Eu comecei a tremer um pouco.
— Você está com frio? – Ele perguntou de forma gentil e curiosa ao se sentar. Seus olhos cor de ocre pareciam sugar toda minha capacidade de formar uma linha de raciocínio adequado então acho que fiquei olhando pra ele mais tempo do que é socialmente aceitável.
— Hãn, não, ta tudo certo – Vai Freya, monta uma frase – Eu só... Estou me sentindo meio ansiosa sabe? Aérea – boa saída!
— Meu nome é Edward Cullen, não tive a oportunidade de me apresentar adequadamente mais cedo, seu nome é Freya, certo? – Por algum motivo, ele parecia fascinado e divertido. Era como se ele tivesse vendo algo que o lembrava de uma piada interna. Bem, minha cara de idiota devia estar bem engraçada, me senti corando.
— Sim, Freya Ward, prazer... – Ok, estamos melhorando nisso. Estiquei minha mão para cumprimentá-lo e senti uma hesitação, mas ele acabou esticando e aceitando o aceno. Sua mão era extremamente fria, até mesmo para a temperatura baixa daqui, mas o que realmente me chamou a atenção foi o formigamento que senti, como se fossem pequenos choques. Me perguntei se não era a estática. – Você tem pressão baixa? – Mas que tipo de pergunta é essa?
— Porque a pergunta? – Ele retrucou de forma casual, porém, parecia tenso mesmo assim.
— É que minha mãe tinha a pressão baixa e daí as mãos dela viviam geladas também...
— Alguns de nós não fomos presenteados com o calor, eu acho – Ele pareceu bem humorado, ele sorriu pra mim com seus dentes retos e perfeitos e brancos o suficiente para fazer um dentista sonhar coisas estranhas. Fiquei meio presa na hipnose, mas fui acordada pela voz do professor de biologia.
Voltei minha atenção para aula e para isso, tentei fazer meu cabelo formar uma cortina entre nós dois pois não conseguia prestar muita atenção em qualquer outra coisa ao meu redor além de suas orbes douradas. Claro que meu coração ainda denunciava a proximidade e parecia querer sair por minha boca.
Vez ou outra arriscava uma olhada pela lateral e muitas dessas olhadas resultavam no meu rosto totalmente corado já que eu pegava ele me olhando de volta. Mas é óbvio que eu ia passar vergonha na frente do menino novo. Em breve ele estaria com os irmãos rindo da menina cor de beterraba que se engasgava a qualquer coisa que fosse falar.
Eu me sentia ainda mais oprimida por saber que todos notariam minha mudança de comportamento, afinal, eu estava sentada do lado do aluno novo incrivelmente bonito e ele já estava recebendo olhares e eu não era de ser tímida a esse ponto. Eu era sim mais reservada, mas eu tinha uma auto estima eficiente até, o suficiente para me juntar as líderes de torcida no ano passado.
Ao final da aula, quando o sino tocou, soltei o ar que nem sabia que estava segurando, o alivio de saber que poderia sair de perto dele para me recompor e ao mesmo tempo o nervosismo de parar de estar por perto dele me deixavam perdida. Tentei recolher meu material na velocidade mais casual possível e com calma, para não derrubar nada e nem parecer louca, não sabia se meu plano ia funcionar pois eu estava tremendo muito.
Senti que Edward procurou fazer o mesmo e resolvi que uma boa forma de mostrar que não estava afetada era perguntar se ele sabia onde seria sua próxima aula.
— Uh, Edward? – Comecei ao colocar a mochila nas costas.
— Sim? – Ele parou antes de sair de perto da mesa. Ok, não sabia se iria ser casual. Eu estava me sentindo... Idiota. Para dizer o mínimo. Eu já tinha tido interesses românticos antes, muitos deles eu me encontrei totalmente encantada, como o último cantor pelo qual fiquei viciada, mas algo em Edward fazia eu sentir que não era a primeira vez que nos víamos. Era como se ele me provocasse borboletas no estomago a vida inteira. Talvez até antes disso.
— Você sabe onde é a sala da sua próxima aula certo? Essa escola com certeza deve ser menor que a sua anterior, mas a numeração das salas está em uma ordem estranha – Era verdade, você podia estar na sala 5 e a sala ao lado era a 8. Nem o diretor sabia explicar o porquê as placas haviam sido dispostas dessa forma, mas ele resolveu manter assim já que se trocasse as placas teria que trocar todos os documentos das aulas e os próprios alunos ficariam perdidos mais ainda pois teriam que se acostumar novamente com uma outra numeração.
— Não sei ao certo – Ele disse com humor e puxou um papel do bolso de sua jaqueta enquanto se colocava mais perto de mim. Minhas mãos começaram a suar um pouco com a aproximação. Comecei a procurar algum sintoma esquisito, alguma dor ou formigamento que pudesse me agarrar como confirmação e pensei em procurar a enfermaria pois poderia estar confundindo um ataque cardíaco com nervosismo. — A sala de matemática ficaria onde? – Ok, essa era fácil.
— Ah sim, fica do lado do ginásio que é pra onde eu to indo, se você quiser podemos ir juntos – Tentei sorrir, mas não sorrir demais, algo mais "Estou sendo simpática e prestativa" e menos "Me coma em cima dessa mesa agora, por favor". A parte menos romântica incorrigível minha tinha resolvido acompanhar os fatos de forma lasciva. Eu ainda era uma adolescente de 16 anos com hormônios de 16 anos afinal.
— Ótimo – E daí ele sorriu. E eu quase perdi. Minhas pernas tinham virado gelatina. Com isso, resolvi virar e sair e ele começou a me seguir se colocando do meu lado rapidamente. Todos olhavam tipo "Freya se atirou em cima do menino novo". Era uma mistura de malicia e surpresa, afinal, esse comportamento era mais esperado de Mackenzie. Outro ponto era eu não estar acompanhada de Madelaine. – Então, você nasceu aqui? – Ele me pegou de surpresa com a pergunta.
—Uh... Sim, meu pai era daqui já e a avó da minha mãe também. Minha mãe era de Vancouver, ela veio pra cá criança e o resto é história — Freya, você já contou mais do que foi pedido, querida, era só dizer sim. Droga, minha boca não tem direito a um filtro? – Mas e você? É de onde?
— Bem, eu sou Chicago, mas nós estávamos em Toronto antes de vir para cá. Nos mudamos por causa da proposta do Hospital local e porque nossa mãe estava um pouco cansada de cidades grandes, Esme é mais sobre cidades pequenas e jardins bonitos – A resposta parecia meio programada, como se ele tivesse ensaiado muitas vezes.
— Ela parece ser uma pessoa adorável – Sorri sincera. Sempre que o assunto "Mãe" era tocado eu ficava com o coração mole.
— Ela é – Ele sorriu torto e lá vieram os sintomas-Edward de novo. Acabamos chegando rapidamente e amaldiçoei mentalmente a escola por ser pequena demais.
— Bem Edward, aqui é a sua sala, é confuso, mas não é tão difícil assim – Disse simpática enquanto apontava para a sala de tortura, conhecida como a sala da Sra. Chase.
— Obrigada pela ajuda Freya, vejo você amanhã? – Oh ok, ou ele não me achou chata, ou ele quer ser simpático.
— Claro... – Sorri e antes que pudesse falar mais qualquer coisa, fui interrompida por Mackenzie.
— Ward, vamos logo! – Ela pareceu afobada de dentro da porta que dava acesso ao ginásio, já com uniforme, provavelmente ela só queria saber o que estávamos conversando.
— Eu já to indo! – Disse pra ela e me virei pra Edward – Até amanhã Edward!
Virei de costas para ele e comecei a andar rapidamente em direção ao ginásio, passei por Mackenzie desviando, tentando evitar o interrogatório.
— Eeei, você só falou com o bonitão e já ta me ignorando? Agora eu não sou boa o suficiente para você? – Ela parecia irritada. Mackenzie tinha isso, um equilíbrio entre se amar demais e depois se achar totalmente insuficiente.
— Mack, eu só quero me trocar pro teste tá? — Disse já tirando os sapatos e a meia calça, tremi um pouco com o frio, mas segui puxando da minha mochila o uniforme. Ela estava com a saia clássica das líderes, mas eu não conseguia lidar com isso quando o clima estava chuvoso.
— Ok, mas dá pra pelo menos falar com a sua amiga enquanto se troca? – Ela parecia revoltada. Provavelmente não estava recebendo a atenção que acreditava merecer durante as aulas em decorrência dos alunos novos. Ou ela estava tendo um problema com o clube do jornal.
Mackenzie não era bem a pessoa viciada em literatura que amava ler e escrever, mas ela gostava de fofoca, dicas de beleza, fotos, e claro de aparecer, então o jornal da escola era o ambiente propicio para que ela pudesse falar dela mesma e das coisas que ela gostava. E ela tinha um blog, mas o blog dela tinha menos leitores que o jornal da escola, então ela se dedicava ao jornal com uma frequência maior.
Depois de colocar a calça legging e o tênis que estava guardado dentro do armário do vestiário, puxei o vestido pela cabeça e coloquei a blusa de manga ¾. Joguei a mochila e a roupa no armário e puxei Mackenzie pelo braço até a quadra onde algumas meninas já se alongavam. Tinham as de sempre e algumas meninas formadas do último ano do fundamental.
Essa aula deveria ter alguns meninos, mas a dois anos atrás, o diretor decidiu que os testes para as líderes não contariam com os meninos e maioria dos treinos ocorreria em um horário diferente das aulas, tudo porque alguns idiotas ficavam assoviando e intimidando as mais novas.
Varri a arquibancada com os olhos e encontrei rapidamente o que eu queria. Sai saltitando em direção a ela, pulando em cima da ruiva que gritou um palavrão, chamando a atenção de todos. Os acostumados, dispersaram a atenção rapidamente, mas as meninas mais novas começaram a rir.
— Porque você precisa me assustar assim? – Maddy fez cara de brava, mas me puxou para que eu caísse ao seu lado no banco.
— Em minha defesa, eu não sabia que você tava distraída! – Disse rindo, mas era verdade. Ela parecia estar olhando a movimentação – Tava pensando no que? Algum garoto especial? – Disse provocando ela.
P.O.V Madelaine
Segui para a quadra depois de não encontrar Freya na sala de biologia, geralmente ela me esperava, o que me preocupou, mas logo eu vi o motivo do sumiço. Ela e o garoto de cabelo cor-estranha-não-sei-se-é-loiro-ou-ruivo conversando presos dentro de uma bolha mágica. E irritante.
Eu bufei e segui reto para os bancos e sentei lá, pensando sobre essa intimidade rápida. Ok Madelaine, só respira fundo. Ela tá sendo prestativa, ela é simpática, gentil e adorável e talvez por ser a única que não tava fofocando, ele pediu a ajuda dela.
Ainda sim, eu não gostava muito da proximidade e dos olhares meio aéreos. Eu percebi de manhã aquele olhar dela, parecia que ela era uma criança vendo o melhor doce do mundo só pra ela. Rapidamente, a melancolia me abateu: Eu entendia mais do que o saudável o que ela estava vendo nele.
Ouvi um barulho de pulo e senti o impacto de duas mãos me empurrando, quase pulei no teto e xinguei o mais alto que pude o grande filho de uma – Ah, era ela. Meu coração decidiu que não ia desacelerar depois do susto.
— Porque você precisa me assustar assim? – Fiz cara de brava e a puxei para meu lado.
— Em minha defesa, eu não sabia que você tava distraída! – Ela disse rindo, o som me fazia ter– vontade de sorrir pra sempre — Tava pensando no que? Algum garoto especial? – E lá vamos a cara fechada de novo. Bufei e revirei os olhos. Freya era uma das pessoas mais inteligentes que já havia conhecido e ela era bem observadora, mas sentia que ela se fazia de idiota algumas vezes.
— Não, eu não estava pensando em nenhum garoto – Ok, eu estava pensando em um garoto, mas eu não estava exatamente pensando em casar e ter filhos com ele, estava mais para o lado de impedir ele de casar e ter filhos com alguém.
— Todo esse seu mau humor é falta de uns beijinhos – ela riu apertando meu nariz – Vai Maddy, me fala o que você tava pensando – Ela disse jogando os braços em volta de mim e me apertando pra ela.
Qualquer pessoa que olhasse viria duas amigas, uma emburrada e a outra sorrindo tentando melhorar seu humor. Ela também via isso. Eu via seu rosto perto demais do meu, eu via o cheiro de morango me levando pra um caminho que não ia levar a lugar nenhum e eu via sua pele me causando sensações... Inadequadas para o ambiente escolar, eu diria.
Suspirei sem querer e só deitei minha cabeça em seu ombro, encostando meu nariz em seu pescoço. Feliz por ela estar por perto, melancólica por saber que o arrepio causado pela última ação só vinha do fato do meu nariz estar gelado.
Ela como uma ótima amiga, respeitou meu silencio até a professora chamar a atenção de todas as meninas para os testes. Ela me soltou cedo demais e foi para seu lugar enquanto os trios eram formados. O teste era assim: A professora formava trios de meninas e solicitava a apresentação de uma música que constava já na folha de inscrição do teste. Além disso, elas recebiam previamente um link com uma coreografia para treinar. As meninas que tivessem o melhor tempo e sincronicidade com as outras, errando a menor quantia de passos possível, passava para a próxima fase.
Assistir Freya dançando era um evento a parte pro meu dia e pra minha libido, mas ver isso a distância com legging e blusa de manga ¾ era bem menos agonizante do que ter ela dançando quase na minha cara de shorts e top.
Eu realmente apreciava as pessoas que falavam das pessoas amadas sempre de forma respeitosa e poética e sinceramente, eu fazia isso também, mas eu tinha de admitir que meus hormônios quase sempre em ebulição não serviam apenas para um bom desempenho em esportes e em brigas. Eu sempre terminava de assistir os ensaios tremendo, pedindo apenas uma chance do universo de jogar aquela garota na minha cama e não seria com a intenção de fazer algo fofinho.
Assim que a sua parte terminou, ela veio se sentar ao meu lado, enquanto aguardava a outras garotas terminarem. E lá vamos nós para a sessão de inferno: ela sentada suada, sorrindo e ofegante do meu lado. Filha da puta.
— Acha que eu fui bem? – Ela perguntou tentando puxar algum comentário meu que estava me focando excessivamente nos padrões da pintura descascada do piso.
— Tenho certeza, você é boa nisso. – Fui sincera, ela era uma boa líder de torcida.
— Que bom, minhas pernas estão doendo – Elas não estariam doendo se você tivesse ficado sentada. Na minha cara, no caso. Ela começou a esfregar o interior das coxas com a mão, buscando um alivio pra queimação.
— Você sabe que passa. Você só não se aqueceu antes. – Comentei, tentando levar minha mente para qualquer canto além da parte interior das coxas dela e como eu queria que fossem as minhas mãos ali.
— É, eu meio que esqueci de sair da aula 5 minutinhos antes – Ela sorriu tímida e corou. Ok, tesão cancelado, voltamos para raiva e melancolia.
— Esqueceu ou não quis? – Olhei para ela com os olhos apertados e acusadores. Ela corou ainda mais.
— Eu esqueci mesmo e depois eu acabei ajudando Edward Cullen a encontrar a sala dele – Ela falou tentando fazer pouco caso e falhando miseravelmente – Matemática acredita? Péssimo primeiro dia – Ela riu para mim, provavelmente esperando que eu fizesse algum comentário sobre matemática, mas eu tava me esforçando para lembrar que ciúmes não é algo que deve dominar em relações que deveriam ser saudáveis.
— É. Azar. – Disse séria. Ela parou de sorrir e fez uma cara de confusão, eu sabia que ela estava tentando me ler. A professora chamou ela novamente e lá foi ela. Levantei e puxei minha mochila sob os ombros e o meu capuz pela cabeça, aguardando o fim da conversa. Rapidamente ela voltou saltitando e sorrindo. Aprovada.
Acompanhei ela só até a porta do vestiário e aguardei, naquele momento eu não estava disposta a ver ela sem roupa, eu só queria viver a força do ódio. Ela saiu em poucos minutos e enganchou seu braço no meu, me puxando para fora do ginásio. Ao chegarmos no estacionamento, vimos o carro dos Cullen partindo e ouvi ela respirando fundo.
Puxei a chave do meu bebê do bolso da jaqueta e destravei, assim que entramos, eu puxei um cigarro e acendi, abrindo a janela para deixar a fumaça sair. Ouvi um pigarro dela e ignorei, sabia que ela não gostava que eu fumasse, mas eu não tinha culpa se ela consumia minha saúde mental.
Dei ré e logo estávamos na estrada, entre arvores altas, vento frio e úmido do mar e nicotina, coisas que me acalmavam me ajudavam a pensar mais claramente, distante de alunos novatos, testes de líderes de torcida e aulas de biologia. Era só eu, a estrada, o vento e ela. Vi sua mão na minha visão periférica alcançar o rádio e logo a música fluiu.
"Swing a little further, higher
Underneath the big top trees
Scrape my knees, whatever, ah
I'mma gonna let them bleed
Got no turning back, I'mma flirt with that
Get a little closer
Get a little closer
Cliff's edge, you turn me on
You lead me on
You got me on a
Cliff's edge, where I belong
You got me on
You turn me on
I wanna feel that sea breeze
I wanna feel that sea breeze"
(Cliffs Edge- Hayley Kiyoko)
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